Batalha de Midway
A Batalha de Midway foi uma batalha aeronaval travada em junho de 1942 no Oceano Pacífico entre as forças dos Estados Unidos e do Império do Japão durante a Segunda Guerra Mundial, seis meses depois do ataque japonês a Pearl Harbor, que marcou o início da Guerra do Pacífico.
O plano japonês era atrair os porta-aviões remanescentes dos Estados Unidos para uma armadilha e afundá-los, ocupando Midway em seguida para ampliar o perímetro defensivo do Japão no Pacífico, afastando-o das ilhas metropolitanas japonesas. Esta operação era considerada como um preparativo para a invasão das ilhas Fiji e Samoa, assim como para uma possível invasão do Havaí. A ocupação do atol, assim como havia sido o ataque a Pearl Harbor, não era parte de uma campanha para a conquista dos Estados Unidos, mas visava a eliminar o poder estratégico dos norte-americanos no Pacífico, deixando o Japão com as mãos livres para estabelecer uma grande esfera de influência política e econômica no sudeste da Ásia. Os japoneses também esperavam que, com uma nova derrota, os Estados Unidos fossem forçados a negociar a paz em condições favoráveis ao Japão. A primeira preocupação estratégica do almirante Isoroku Yamamoto, comandante-em-chefe da frota combinada da Marinha Imperial, era com relação aos porta-aviões norte-americanos, aumentada depois do ataque Doolittle, em 18 de abril de 1942, quando bombardeiros B-25 Mitchell lançados do USS Hornet atacaram Tóquio e outras cidades japonesas. Apesar de militarmente insignificante, a ousada ação foi um grande choque psicológico para a nação, provando a existência de um buraco nas defesas ao redor do território nacional. Afundar os porta-aviões e ocupar Midway, a única posição estratégica aliada remanescente, localizada a 2 100 km do Japão, no meio do Oceano Pacífico, parecia ser o único meio de eliminar esta ameaça.
Estados Unidos
Para combater uma esquadra inimiga que se sabia antecipadamente ser formada por quatro ou cinco porta-aviões, o Almirante Chester W. Nimitz, comandante-em-chefe da Marinha dos Estados Unidos na área do Pacífico, precisava de todo e qualquer convés disponível. Ele ainda possuía os dois porta-aviões da força tarefa do almirante William Halsey, mas este havia baixado ao hospital vítima de uma infecção e teve que ser substituído pelo contra-almirante Raymond Spruance, um comandante de navios de linha, inexperiente em táticas de combate aeronavais. Por causa disso, Nimitz foi obrigado a convocar com urgência o almirante Frank Fletcher e sua frota que haviam participado da Batalha do Mar de Coral no sudoeste do Pacífico, que chegou a Pearl Harbor em tempo apenas de reabastecer, carregar provisões e partir imediatamente em seguida para Midway.
Japão
Por seu lado, a esquadra do almirante Nagumo se dirigia a Midway com quatro porta-aviões, Kaga, Akagi, Hiryū e Sōryū, enquanto os dois veteranos de Pearl Harbor, Zuikaku e Shōkaku, ficavam no Japão em reparos, após os danos sofridos na Batalha do Mar de Coral, sem que o comando naval fizesse qualquer esforço suplementar para recuperar ao menos um deles e colocá-lo em condições de integrar a frota de ataque a Midway, devido inclusive ao desgaste de sua tripulação, em combate desde o ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Nagumo também seguia rumo a seu destino completamente no escuro sobre as forças que enfrentaria. Os preparativos estratégicos anteriores à batalha foram comprometidos em diversos pontos, como a demora dos submarinos de vigilância da linha do Pacífico em chegar a seu postos demarcados de observação, sem conseguir detectar a passagem da frota inimiga em direção ao nordeste de Midway e o fracasso na missão destinada aos botes camuflados de alta velocidade e quatro motores, enviados para observação à distância em Pearl Harbor, para observar se a esquadra norte-americana estava ou não ancorada lá, devido a graves problemas no reabastecimento destes barcos, pois o local marcado com os submarinos para o reabastecimento estava vigiado pelos norte-americanos.
O Almirante Nagumo lançou seu ataque inicial às 4:30 da manhã de 4 de junho de 1942, num total de 108 aeronaves contra Midway. Ao mesmo tempo, lançou seis aviões de reconhecimento para procurar a esquadra inimiga, além de caças Zero para patrulhar o espaço aéreo em volta da frota. As missões de reconhecimento japonesas eram muito débeis, com poucas aeronaves cobrindo as vastas áreas de busca, varrendo sob tempo ruim uma enorme imensidão do oceano ao nordeste e a leste da força tarefa. Às 06:20, os aviões de Nagumo começaram o bombardeio de Midway causando grandes danos às instalações militares na ilha. Voando em obsoletos F4F Wildcats e Brewster Buffalos, alguns pilotos da marinha ali baseados defenderam a ilha sofrendo pesadas baixas. A artilharia antiaérea porém, estava com a pontaria acurada e derrubou vários aviões atacantes. Os aviões de reconhecimento, enviados para avaliar o estado das defesas de Midway após o ataque, transmitiram mensagem ao almirante avisando que outra missão de bombardeio seria necessária para neutralizar as defesas antes que as tropas pudessem desembarcar no dia 7, como planejado.
Ataque norte-americano
Os primeiros aviões enviados para atacar os japoneses tiveram dificuldade para encontrá-los na vastidão do oceano, mesmo com as suas coordenadas já assinaladas pelas patrulhas de observação. Ao encontrá-los finalmente, aconteceria uma das maiores ações de sacrifício numa batalha perdida que se transformaria em vitória da história da guerra. Às 09h20, a primeira vaga dos torpedeiros de Spruance chegou sobre os alvos. Consistiam em lentos aviões-torpedeiros TDB Devastator, que se lançaram contra os porta-aviões em fila, quase na altura do mar, sendo abatidos um por um, com apenas um piloto sobrevivente nesta primeira incursão. Com aviões iguais, a segunda investida acabou quase da mesma maneira, a frota aérea atacante quase toda destruída e a frota nipônica praticamente intacta. Parecia que a batalha estava decidida, e restava apenas aos japoneses, até então atacados quatro vezes e ainda sem danos, completar o abastecimento e armamento de seus aviões e lançar seu contra ataque devastador contra a frota americana e contra Midway.
Contra-ataque japonês
O Hiryū, único porta-aviões intacto até então, rapidamente colocou no ar seus aviões para contra-atacar a força tarefa norte-americana. A primeira vaga de bombardeiros japoneses danificou seriamente o USS Yorktown com dois impactos diretos. Um segundo ataque fez com que a belonave perdesse a velocidade e adernasse, obrigando o almirante Fletcher a abandonar o navio e transferir sua bandeira de nau-capitânea para um cruzador. Entretanto, o segundo ataque ao Yorktown foi confundido pelos japoneses como sendo ao Enterprise, já que acreditavam ter sido o primeiro afundado no ataque anterior. Assim os pilotos sobreviventes dos outros porta-aviões destruídos agruparam-se todos no Hiryū, anunciando terem afundado dois porta-aviões inimigos, com a moral revigorada e preparando-se para um terceiro ataque, contra o único porta-aviões que imaginam ainda restar ao inimigo.
Últimos combates
Quando a noite caiu, os dois lados fizeram planos para continuar a ação. O almirante Fletcher, sentindo que não poderia comandar adequadamente a frota a bordo de um cruzador, passou o comando operacional para Spruance. Este sabia que os Estados Unidos haviam conseguido uma grande vitória, mas continuava inseguro sobre o tipo de forças que os japoneses ainda dispunham e estava determinado a salvaguardar tanto Midway quanto seus porta-aviões restantes. Para ajudar seus pilotos, que haviam sido lançados ao ataque durante o dia no limite máximo de alcance dos aviões, ele continuou movendo a frota em direção a Nagumo. Por seu lado, apesar das grandes perdas o almirante Yamamoto decidiu inicialmente continuar seus esforços para ocupar Midway e enviou seus navios de batalha de superfície à procura dos porta-aviões norte-americanos, ao mesmo tempo em que uma força de cruzadores era destacada para bombardear a ilha. Entretanto, a frota japonesa não conseguiu localizar o inimigo no mar.
Após a batalha e sabendo que haviam conseguido uma grande vitória, os norte-americanos se retiraram da região. A perda de todos os quatro porta-aviões enviados a Midway, além de um grande número de seus bem treinados e insubstituíveis pilotos navais, interrompeu a expansão do Japão pelo Pacífico. Apenas dois grandes porta-aviões sobravam à Marinha Imperial para ações ofensivas, o Zuikaku e o Shōkaku, além de outros três porta-aviões de bolso, de pouco poder ofensivo e que transportavam apenas pequenos aviões e em pouca quantidade. Em 10 de junho, numa conferência do alto comando do planejamento da guerra, a marinha escondeu a real extensão de suas perdas em Midway. Apenas o imperador Hirohito foi informado em detalhes do acontecido, preferindo manter segredo disso ao exército e à opinião pública, fazendo com que os planejadores militares continuassem por algum tempo a planejar seus ataques na suposição de que a frota aeronaval do Japão continuava poderosa.
A Batalha de Midway já foi levada ao cinema em diversos filmes. O primeiro e mais prestigiado deles foi o documentário dirigido por John Ford, que servia temporariamente na ilha como fotógrafo e oficial da inteligência durante a batalha. Enquanto filmava o ataque japonês às instalações militares da ilha, ele foi ferido por estilhaços de bombas, sendo mais tarde condecorado por seu trabalho sob ataque com uma Purple Heart. As cenas filmadas por ele na ilha, e depois a bordo dos navios, foram incluídas no filme vencedor do oscar de melhor documentário de 1942, A Batalha de Midway. A segunda mais conhecida versão cinematográfica da batalha, Midway, esta uma superprodução de Hollywood, chegou às telas em 1976 com um elenco de estrelas e Glenn Ford no papel de Raymond Spruance. Apesar do sucesso nas bilheterias e de ter retratado os acontecimentos como realmente ocorreram, sofreu críticas dos militares e historiadores de guerra por ter usado imagens de cenas reais de arquivo de outras batalhas ocorridas em épocas posteriores da guerra, como se fossem da batalha de Midway.


