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A Cobra Fumou

A cobra fumou é um filme documentário brasileiro de 2003, dirigido por Vinícius Reis. O produtor é Erik de Castro que dirigira antes Senta a Pua! (2001) e depois O Brasil na Batalha do Atlântico (2012), todos sobre a participação militar brasileira na Segunda Guerra Mundial. O título se refere a uma piada da década de 1940, conforme explicado na narração de Bete Mendes, a de que seria mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil enviar tropas para lutar na Segunda Guerra Mundial. O roteiro é baseado em várias entrevistas realizadas com ex-combatentes ("pracinhas"), tanto no Brasil como na Itália e algumas imagens de arquivo do Arquivo Nacional e de Jean Manzon.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/06/2026
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Enredo

O filme começa antes dos créditos iniciais, com imagens gravadas em 25 de fevereiro de 2000, na rodovia 64 na Itália, com a narração explicando que por ali operaram as tropas brasileiras que combateram na Segunda Guerra Mundial. Após os letreiros, são exibidas imagens de cinejornal mostrando o desfile de tropas brasileiras (Força Expedicionária Brasileira - FEB) que iriam embarcar para a Europa. Mais imagens e manchetes de jornais explicam a entrada na Guerra do Brasil, havendo a informação de que foi organizado um contingente de 25 mil homens para se juntarem aos Aliados contra os nazi-fascistas na Europa. O primeiro escalão embarcou em julho de 1944, sendo que os soldados só souberam do destino quando desembarcaram no porto de Nápolis. A missão era combater o restante das tropas nazistas que ainda estava no norte da Itália, atrás de uma linha de defesa fortificada conhecida como "Linha Gótica". Os alvos estratégicos eram o Monte Castello e a cidade de Montese, na Cordilheira dos Apeninos. Após essas informações iniciais, começam as séries de entrevistas, divididas em partes com as datas e os nomes dos entrevistados:

1999-19 de novembro

As imagens mostram Brasília, a cidade onde foi realizado o 11º Encontro dos Brasileiros, que Combateram na II Guerra Mundial. Na primeira entrevista, um ex-combatente, Waldemiro Pimentel, explica que era bancário e fora alistado para lutar na Guerra. Se não se apresentasse, seria considerado "desertor".

1999-22 de novembro - Carlos Scliar

Em Cabo Frio, ocorre a entrevista com o artista plástico Carlos Scliar que foi para Guerra aos 24 anos e serviu como cabo da artilharia. São citados os livros sobre a Guerra de Rubem Braga e Joel Sidreira e um de crônicas da BBC. O artista conta que fez mais de 1000 desenhos enquanto estivera lá, mas destruiu a maior parte. No Rio de Janeiro é entrevistada a Major Elza Cansanção Medeiros, ex-enfermeira da Cruz Vermelha, que contou possuir um acervo de cerca de 5 mil fotos da FEB, algumas exibidas no filme, além de 1.700 slides que usava em várias palestras. Quando perguntada sobre qual o tipo de ferimento mais comum, ela destacou os causados por minas terrestres.

1999 - 23 de novembro - Gal. Meira Matos

Antes da entrevista, a narração explica que a tropa brasileira se tornou uma divisão americana comandada pelo general norte-americano Mark Clark. O comandante brasileiro da FEB foi o Gal. Mascarenhas de Moraes e as tropas lutaram entre setembro de 1944 e maio de 1945, quando foi encerrada a Guerra. Na entrevista, o general Carlos de Meira Matos mostra a condecoração que recebeu dos americanos, a Estrela de Bronze, cuja entrega teve uma foto tirada no QG da FEB. Ele conta que na chegada da FEB, havia 23 divisões no Teatro de Operações do Mediterrâneo, 8 dos americanos, 3 ou quatro francesas, 4 ou 5 inglesas, todas com combatentes veteranos e alguns famosos.

1999-24 de novembro - Manoel

O ex-soldado Manoel Ramos de Oliveira (Soldado 602) conta que ao chegar na Itália, os italianos demonstraram medo nos primeiros contatos pois os alemães haviam espalhado o boato de que os brasileiros "comiam gente" (provável referência aos índios antropófagos que os europeus encontraram na época da colonização). Ele não queria contar muita coisa mas acaba narrando um fato triste que tomara parte num dia de folga em Pistóia. A próxima entrevista é com o correspondente de guerra Joel Silveira, que conta que junto com ele na linha de frente estavam nessa função Rubem Braga, Thássilo Mitke e Raul Brandão, dentre outros.

1999-25 de novembro - Joel Silveira

O jornalista fala sobre o dia da rendição dos alemães à FEB (29 de abril de 1945), uma divisão inteira (a 148ª) com 14.624 homens, que tivera uma cobertura apressada em função de na mesma data terem havido as fuga e morte de Benito Mussolini. A narração explica que as tropas inimigas foram cercadas 2 dias antes pelo esquadrão de reconhecimento do Capitão Plínio Pitaluga na cidade de Fornovo di Taro.

1999-27 de novembro - Gen Plínio Pitaluga

A narração explica que o General Plínio é tratado como herói por muitos ex-combatentes, adjetivo que ele rejeita. Ele explica que queria que seus homens voltassem e que de seu esquadrão de 200 combatentes, morreram apenas quatro. A próxima entrevista é com Dona Miranda Bonani dos Santos, italiana que se casou com um combatente brasileiro. Ela conta que o pedido de autorização feito durante a Guerra pelo soldado, para se casar, fora negado pois era "proibido casar com o inimigo", o que ela achara estranho. Mas depois isso foi superado e ela estima que cerca de 200 italianas se casaram com militares brasileiros. Ela comenta sobre o dia em que a guerra acabou, dizendo que fora um alívio mas não toda aquela euforia mostrada no cinema, pois as pessoas não tinham mais casas, parentes e tudo estava destruído.

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Fontes consultadas

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