Estudos sobre Madonna
Os estudos sobre Madonna referem-se ao estudo da obra e da vida da cantora e compositora estadunidense Madonna, utilizando uma abordagem interdisciplinar que incorpora estudos culturais e estudos de mídia. Em um sentido geral, pode se referir a quaisquer estudos acadêmicos dedicados a ela. Após a estreia de Madonna em 1983, a disciplina não demorou a se consolidar e o campo surgiu em meados da década de 1980, atingindo seu ápice na década seguinte. Nessa época, o educador David Buckingham considerou sua presença nos círculos acadêmicos como "uma ascensão meteórica à canonização acadêmica". A visão acadêmica retórica da época, majoritariamente influenciada pelo pós-modernismo, geralmente a considerava "a artista mais significativa do final do século XX", segundo a revista The Nation, sendo assim, ela foi compreendida de diversas maneiras e utilizada como um veículo para debates. No século XXI, Madonna continuou a receber atenção acadêmica. No auge de seu desenvolvimento, os autores desses escritos acadêmicos eram às vezes chamados de "estudiosos de Madonna" ou "madonnologistas", e tanto E. Ann Kaplan quanto John Fiske foram classificados como precursores.
O campo é comumente chamado de estudos sobre Madonna, e essa expressão surgiu no final da década de 1980, segundo a escritora Maura Johnston. Embora numerosos acadêmicos como David Gauntlett tenham usado esse termo, estudiosos como Janice Radway e Suzanna Danuta Walters, e jornalistas como Maureen Orth, também se referiram a eles como Madonna-ology ou Madonnalogia. Outro grupo de acadêmicos, como E. Ann Kaplan, chamou-os de "Fenômeno Madonna" (FM) enquanto outros usaram o termo Madonna scholarship. A literatura acadêmica sobre Madonna e sua "própria indústria" foi chamada de "indústria Madonna", "negócio de Madonna" ou "Madonna boom" por diversos acadêmicos, como Simon Frith e Michael Bérubé, ou jornalistas como Jon Pareles. Críticos como Robert Christgau chamaram de "Madonnathinking" os comentários sobre a cantora, incluindo os de cunho acadêmico.
Antecedentes
O estudioso de literatura Luis Cárcamo-Huechante, da Universidade Harvard, situa as origens dos estudos sobre Madonna na sensibilidade camp, com o conceito proposto na década de 1960 por Susan Sontag, aludindo ao "fascínio pelo artifício e pelo exagero" e ao que Madonna produziu e colocou em circulação em escala "industrial" e "planetária". A professora associada Diane Pecknold, em American Icons (2006), também mencionou a sensibilidade camp e acrescentou que, durante a maior parte do século XX, os estudiosos norte-americanos aderiram à ideia de um cânone universal e objetivo e que os acadêmicos "estavam aplicando a Madonna as mesmas leituras textuais sofisticadas".
Propagação
"Madonna foi recrutada para o papel incrivelmente improvável de porta-voz dos valores e interesses profissionais dos professores universitários..." —Daniel Harris, do The Nation (Make My Rainy Day- 8 de junho de 1992). Madonna ganhou destaque em meados da década de 1980, e a disciplina não demorou a surgir. A revista D Magazine falou sobre os estudos sobre Madonna em 1986. Robert Miklitsch, professor associado da Universidade de Ohio, data o início dos estudos sobre Madonna em 1987 e Rocking Around The Clock: Music Television, Postmodernism & Consumer Culture, de E. Ann Kaplan. Nesse ponto, estudiosos como Kaplan e John Fiske apresentaram Madonna ao seu público acadêmico como um momento em que a cultura popular imita teorias críticas da história, do conhecimento e da identidade humana. Para eles, Madonna rapidamente serviu "como um veículo para abrir questões", e foi colocada no centro do debate do século XX sobre a alta cultural e a cultura popular. Vários acadêmicos citaram o ponto de vista de Steven Anderson, do The Village Voice (1989): "Madonna serve como repositório de nossas ideias sobre fama, dinheiro, sexo, feminismo, cultura pop e até mesmo morte". De diversas maneiras, Madonna foi vista como uma figura multivalente, especialmente no que diz respeito aos papéis das mulheres.
Os estudos sobre Madonna constituem um campo interdisciplinar dos estudos culturais, bem como dos estudos de mídia e comunicação. Os professores Andy Bennett (Universidade Griffith) e Steve Waksman (Smith College), no livro The Sage Handbook of Popular Music (2014), comentaram que "os próprios estudos sobre Madonna assumiram uma variedade de formas (e nem todas elas necessariamente se enquadram nos estudos culturais)". Anne Hull, escrevendo para o Tampa Bay Times, descreveu os estudos sobre Madonna como um campo "altamente especializado". Miklitsch chamou-o de "minidisciplina". Para Susan McClary, todos esses estudos sobre Madonna foram feitos a partir de uma perspectiva iconográfica, e para o autor David Chaney, esses escritos acadêmicos estão "explicitamente preocupados em interpretar a fabricação e as estratégias de representação na persona da estrela". A professora Pamela Robertson Wojcik, da Universidade de Notre Dame, observou que "a atenção da mídia alimenta o discurso acadêmico, que por sua vez alimenta o discurso da mídia e, em última análise, tudo se torna parte de 'Madonna'". Nessa linha, Hull mencionou que tudo "são dados". Em uma resenha da Dissertation Abstracts International: The Humanities and Social Sciences. A (2008), foi escrito que os estudos sobre Madonna se concentraram "exclusivamente" na política de identidade por meio de leituras formalistas de textos culturais e sua recepção para explorar a influência dos contextos político-econômicos, históricos e culturais mais amplos da sociedade capitalista.
Os estudos sobre Madonna desenvolveram-se principalmente em conferências acadêmicas, periódicos, cursos, seminários, teses e livros (incluindo livros didáticos). Os primeiros artigos científicos sobre Madonna apareceram em 1985, apenas dois anos após sua estreia (1983), e experimentaram um impulso no início da década de 1990. De acordo com a acadêmica Laurie Ouellette, os estudiosos de Madonna "têm liderado discussões em sala de aula e preenchido as páginas de periódicos acadêmicos e livros didáticos desde os primeiros dias de Madonna como a Material Girl". Simon Frith refere-se a isso como o "boom no negócio acadêmico de Madonna": "Os livros! Os artigos! As conferências! Os cursos". Grandes universidades norte-americanas dedicaram aulas à artista em todo o país, principalmente nas décadas de 1980 e 1990. A este respeito, o acadêmico francês Georges-Claude Guilbert escreveu no livro Madonna as Postmodern Myth (2002), que Princeton, Harvard, UCLA, a Universidade do Colorado e Rutgers foram as primeiras a propor cursos "sobre" Madonna. Faculdades de artes liberais, como as Sete Irmãs, também ministraram cursos que examinaram a influência cultural de Madonna. O professor Mathew Donahue leciona sobre Madonna em muitas de suas aulas no Departamento de Cultura Popular (o primeiro departamento de Cultura Popular nos Estados Unidos) da Universidade de Bowling Green.
Textos
Em Material Girls (1995), Suzanna Danuta Walters afirmou que esses escritos acadêmicos produziram pelo menos um importante texto acadêmico dedicado a Madonna. Segundo Eric Weisbard, apenas livros sobre Madonna proliferaram na década de 1990 (em comparação com seus contemporâneos Michael Jackson e Prince), e a maior parte deles vinda de um novo grupo de acadêmicos de estudos culturais, principalmente mulheres. De acordo com a professora Sheila Jeffreys, existe "uma série de livros acadêmicos em linguagem pós-moderna" sobre ela. A professora Jane Desmond, da Universidade de Illinois Urbana-Champaign, afirmou que "a bibliografia relevante é vasta" nos estudos sobre Madonna, citando exemplos de Cathy Schwichtenberg (The Madonna Connection) a Lisa Frank e Paul Smith (Madonnarama), ambos de 1993. Outro livro de 1993 é Deconstructing Madonna (Fran Lloyd), que articula Madonna em uma perspectiva cultural britânica, em vez de norte-americana. Acadêmicos como Thomas Ferraro e Santiago Fouz-Hernández identificaram outros textos fundamentais, como Madonna, Bawdy & Soul (1997), de Karlene Faith, e os outros mencionados anteriormente por Desmond. Para Fouz-Hernández, The Madonna Connection "foi indiscutivelmente um evento chave na história da relação entre o artista e a academia". A professora Pamela Robertson Wojcik também opinou que estes três livros publicados em 1993 "consolidaram a institucionalização de uma importante subdivisão dos estudos de mídia norte-americanos nos estudos sobre Madonna".
"Estudiosos de Madonna" era o nome dado aos acadêmicos que trabalhavam com Madonna, mas outro termo era "Madonnologistas". De acordo com o acadêmico francês Georges-Claude Guilbert, eles trabalhavam principalmente nas áreas de teoria cultural, estudos culturais, cinema, estudos de mídia, feminismo, gênero, homossexualidade e lesbianismo, geralmente marcadas por ideologia de esquerda, antirracismo radical, feminismo extremo e militância lésbica ou gay. Em 1986, a equipe da D Magazine descobriu que "acadêmicos de Dallas estavam entre os líderes nacionais na recém-nascida especialidade de estudos sobre Madonna". Em 1992, Barbara Stewart, do Orlando Sentinel, relatou um "número crescente de estudiosos de Madonna" nos Estados Unidos, entre professores de inglês, antropologia ou comunicação. Um dos primeiros estudiosos de Madonna identificado como um "estudioso de Madonna" foi John Fiske.
Opróbrio
Os estudiosos de Madonna também receberam críticas tanto da academia quanto da mídia convencional, e alguns os consideraram um "grupo marginal". Ouellette traçou o auge das críticas após a publicação do compêndio The Madonna Connection, afirmando que tais estudiosos se tornaram um alvo da moda para "preocupação, condescendência e desprezo por parte de setores progressistas". Nesse ponto, artigos dedicados ao tema eram encontrados em publicações que iam desde The Nation até Inside Edition e Herald Tribune. Mais de um autor sugeriu que o próprio ramo não era realmente sobre a cantora, e era motivado por fatores profissionais dentro da academia; especificamente, pelo desejo de muitos acadêmicos de "provar sua relevância social". Nesse ponto, Ouellette também disse que seus estudiosos não estavam tão interessados na própria Madonna, enquanto o sociólogo espanhol Enrique Gil Calvo, da Universidade Complutense de Madrid, afirmou de forma semelhante que "o que os estudiosos querem é tirar proveito da fama de Madonna".
Respostas
Algumas dos estudiosos de Madonna eram mulheres e concordaram que eram alvo de preconceito de gênero na academia, descrevendo algumas das críticas que recebiam como "críticas depreciativas" feitas por "críticos homens", já que eram usadas da mesma forma para descrever Madonna e a elas mesmas. Por exemplo, Laurie Schulze, da Universidade de Denver, lamentou: "Estamos sendo tratadas como as 'vadias' da academia, de maneiras estranhamente análogas à forma como a própria Madonna é vista". E. Ann Kaplan, uma das precursoras dos estudos sobre Madonna, ficou surpresa e incomodada com a reação negativa contra as pesquisadoras de Madonna. Kaplan acreditava que isso se relacionava à reação negativa contra o feminismo na época. Chip Wells, outro pesquisador de Madonna que recebeu atenção da mídia, respondeu às críticas do programa Inside Edition, que o gravou, dizendo: "Li Aristóteles, Platão, Descartes. E não encontro neles nada que não encontre em Madonna". Em sua defesa, Wells comentou: "Não é difícil nos fazer parecer tolos", acrescentando que "o que o Inside Edition não sabe é que o helenismo romano era a cultura pop de sua época". Em certo momento, a rede de estudiosos de Madonna foi descrita como "uma unidade coesa". Sobre isso, Wells comentou: "Pela natureza da área que estamos estudando, temos que nos unir". No entanto, outros viam essas trocas como "troca de bibliografias como meninas de 13 anos trocam brincos". Em resposta às acusações de análises tendenciosas de fãs, Lisa Henderson, professora assistente, disse que "pode-se ser fã e acadêmico, uma coisa complementa a outra". Schulze, posteriormente, dedicou um artigo inspirador para o The Velvet Light Trap em 1999, onde narra a controvérsia em torno dos estudos sobre Madonna e o rótulo que receberam como "aspirantes a acadêmicos de Madonna" pela imprensa popular de esquerda.
"[...] a Minerva da modernidade, os estudos sobre Madonna, são um sinal dos tempos, uma figura sintomática não apenas dos estudos culturais em todo o seu excesso celebratório e cultural-populista, mas também de um discurso crítico sensível à cultura pós-moderna em toda a sua mutabilidade politicamente complexa". —Robert Miklitsch, professor associado de inglês na Universidade de Ohio falando sobre os "estudos sobre Madonna" (1997). Os estudos sobre Madonna dividiram o mundo acadêmico. Nesse sentido, a socióloga espanhola María Ángeles Durán afirmou que Madonna foi objeto de inúmeros e diversos estudos, mas "provocando uma grande controvérsia de opiniões". Charles T. Banner-Haley, professor de história da Universidade de Colgate, também confirmou isso, dizendo que "a força de Madonna no mundo acadêmico causou uma divisão entre os estudiosos que muitas vezes oscilou entre o sublime e o ridículo". David Roediger descreveu: "A ideia de estudar a popularidade de Madonna tem sido munição para muitos críticos das tendências nos estudos sobre a cultura norte-americana. A National Geographic Society chamou-a de área "controversa". Para críticos culturais tanto da esquerda quanto da direita, os estudos sobre Madonna representaram "a primeira e a última palavra de barbárie", barbárie política para a esquerda, barbárie cultural para a direita. O professor Robert Miklitsch descreveu o ramo como um fenômeno "político-cultural" em 1998, enquanto outros rotularam os estudos como "o ato supremo de imperialismo cultural ".
Respostas de Madonna
Em 1994, Jon Pareles do The New York Times perguntou a Madonna o que ela achava da disciplina acadêmica, ao que ela respondeu: "Eu rio. É divertido [...] É lisonjeiro porque, obviamente, estou na mente de muita gente". Anos antes, em uma entrevista à Vanity Fair, segundo Gary Goshgarian, ela deu uma resposta semelhante: "É lisonjeiro para mim que as pessoas dediquem tempo para me analisar e que eu tenha me infiltrado tanto em suas psiques que elas precisam intelectualizar meu próprio ser. Prefiro estar em suas mentes do que fora delas". Em Boricua Pop (2004), Frances Negrón-Muntaner refletiu: "Imagine por um segundo que você é Madonna... Imagine que existem livros de teoria sobre você e que você é o tema principal de dissertações e ensaios acadêmicos. Imagine que feministas discutem se você é uma heroína ou um demônio".
Críticas
Os estudos sobre Madonna receberam críticas entre acadêmicos e outros comentaristas, embora as críticas contra os estudos fossem semelhantes em muitos aspectos, de acordo com On the Issues em 1993. Uma década depois, em 2003, Stephen Brown, da Universidade de Ulster, que estudou Madonna como um gênio do marketing, comentou que "quando você lê algumas das coisas que os acadêmicos escreveram sobre ela, você tende a concluir que certos acadêmicos deveriam sair mais". O campo foi criticado por tender a ser "carregado de jargões e propenso a interpretações excessivas". Uma denúncia do ramo e de seus expoentes feministas e gays nos estudos culturais protesta contra "um estado de anarquia intelectual que sanciona leituras deliberadamente perversas". Embora também tenha trabalhado na área, Camille Paglia, anos depois, referiu-se à "terminologia pretensiosa", citando exemplos de palavras como "intertextual", "significações", "transgressor", "subversivo" ou "autorrepresentação". Ela denuncia: "Isso seria cômico, não fosse o seu efeito nocivo sobre os estudantes e um sistema de carreiras cada vez mais corrupto". Da mesma forma, Robert Christgau acredita que grande parte da produção acadêmica sobre Madonna parece traduzida. Ele também observou que o "pensamento Madonna" contrastava seus vídeos "superanalisados" e "sobrecarregados" com suas canções pop "subanalisadas". Semelhante a Christgau, os autores de Media and Cultural Theory (2010) descobriram que o problema com os estudos sobre Madonna na perspectiva da musicologia é que "muito pouca análise se concentra no texto musical, mas sim nas performances e nos vídeos promocionais". Nesta área, o autor Andrew Blake apresenta uma crítica "musicológica", mas, no geral, comentou que os estudos culturais têm um "problema" com a própria música.
Respostas
"Esse tipo de pesquisa é rotineiro... Do ponto de vista acadêmico, não me parece nada peculiar. Pense assim: se você é um Maciano Tentando entender o que está acontecendo na Terra, Madonna é apenas um minúsculo ponto no planeta..." —Theodore Clevenger, reitor do Departamento de Comunicação da FSU, falando sobre os "estudos sobre Madonna". Acadêmicos, principalmente estudiosos de Madonna, defenderam a área. Uma das justificativas era a importância de estudar a cultura moderna. Charles Sykes, da Milwaukee Magazine, disse que "não há assunto tão ridículo que não possa ser objeto de pesquisa acadêmica". O professor Thomas Ferraro, da Universidade Duke, descreveu a área como "bastante acadêmica em foco, linguagem e ideologia". Em 1997, em uma conversa com o The Wall Street Journal, Matt Wray afirmou que, na época, a área já havia "passado do seu auge", mas acrescentou que "muito trabalho de qualidade foi feito sobre o significado de Madonna".
Ambiguidades
Segundo outros, o campo gerou efeitos inesperados. Por exemplo, e de acordo com o jornalista investigativo Ethan Brown em 2000, os estudos sobre Madonna "obscureceram o que tornou seu objeto tão atraente em primeiro lugar (Madonna)" e culparam Camilla Plagia pelos departamentos de semiótica das universidades. Seguindo a descrição de Brown, no início do século XXI, a enxurrada de teorias sobre Madonna diminuiu, com um comentador sugerindo que "um certo grau de saturação parece ter sido atingido". Jim McGuigan, da Universidade de Loughborough, apontou que, nos estudos culturais, o caso de Madonna foi tão "exaurido" que se tornou tedioso, como aconteceu nas escolas tradicionais com o problema histórico das causas da Primeira Guerra Mundial.
Comparações
O campo tem sido usado analogamente tanto para defender quanto para criticar outras tendências acadêmicas e subcampos, principalmente da era pós-estudos sobre Madonna. O professor dinamarquês Erik Steinskog usou o campo para defender os cursos propostos sobre Beyoncé. Michael Dango também comparou a Madonna-ologia com os cursos em andamento sobre Taylor Swift em 2024. O professor de história David Roediger observou que, em novembro de 1997, a revista The New York Times Magazine ridicularizou os estudos sobre branquitude, chamando-os de "sucessores ridículos" dos estudos sobre pornografia e dos estudos sobre Madonna. Na década de 2000, Michael Bérubé explicou as críticas e comparações relacionadas, dizendo que "enquanto os estudos culturais forem considerados idênticos aos estudos sobre Madonna, as críticas aos estudos culturais seguirão um caminho totalmente previsível". Escrevendo para o The Chronicle of Higher Education, Bérubé observou que, desde a importação dos estudos culturais para os Estados Unidos, o campo "basicamente se transformou em um ramo da crítica da cultura pop". Nesse sentido, Stuart Hall, um dos autores mais influentes nos estudos culturais, comentou: "Eu realmente não consigo ler outra análise de estudos culturais sobre Madonna ou The Sopranos". De acordo com a escritora americana Julia Keller: "Estudos sobre Madonna 101 [é o] apelido depreciativo às vezes aplicado aos estudos culturais".
Hoje, é indiscutível posicionar a estrela pop como um instrumento para a construção de mitos americanos, políticas raciais e de gênero, identidade e, ocasionalmente, até mesmo para a história do capitalismo [...] Podemos rastrear essa tendência até Madonna. Sua recepção coincidiu com uma profunda transformação nas universidades americanas e britânicas durante os anos 80 de Reagan-Thatcher, e foi amplificada por ela, o que a tornou um caso de estudo perfeito. Uma certa relação triangular entre entretenimento, mídia e academia estava se formando, marcada por uma questão fundamental: Qual é o propósito do pop? Em Materialisations of a Woman Writer (2006), a autora sueca Maria Wikse, da Universidade de Estocolmo, comentou: "Madonna não está mais no centro das atenções acadêmicas", mas afirmou que "os Estudos sobre Madonna continuam sendo um campo estabelecido dentro dos Estudos Culturais". Os autores de Religion and Popular Culture: Rescripting the Sacred (2008) comentaram que, "apesar do escárnio (talvez equivocado)" da onda de estudos sobre Madonna, "o período produziu alguns trabalhos importantes e inovadores nos estudos culturais que se concentraram na música, nos vídeos [e] nos filmes".
Na carreira de Madonna
A influência de Madonna na produção acadêmica não passou despercebida. Mary Cross descreveu mais tarde como ela se tornou uma "estrela exaltada no improvável palco acadêmico". No início da década de 1990, o educador David Buckingham classificou isso como "uma ascensão meteórica à canonização acadêmica". Durante o auge do campo, o professor Gregory Ulmer, da Universidade da Flórida, classificou-a como "a figura pop mais estudada nas universidades". Elizabeth Tippens, da Rolling Stone, comentou em 1992 que "nenhuma figura feminina da música pop jamais se infiltrou nos corredores acadêmicos como Madonna". Andreas Häger, da Universidade Åbo Akademi, citando Schwichtenberg, observa: "Quase nenhum outro artista popular recebeu tanta atenção da comunidade científica quanto Madonna".


