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Divina Comédia

A Divina Comédia é um poema alegórico-didascálico, de viés épico e teológico da literatura italiana e mundial, sobre os fundamentos da fé cristã, escrito por Dante Alighieri no século XIV e dividido em três partes: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. É escrito em tercetos entrelaçados de hendecassílabos na língua vulgar florentina.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Contexto e sentido

Estas palavras sombrias vi escritas sobre uma porta e disse: «Meu mestre [Dante dirige-se a Virgílio], não apreendo o seu significado.» E ele, como homem clarividente, assim me respondeu: «Deve deixar-se aqui todo o receio; aqui deve morrer toda a baixeza. Chegámos ao lugar onde te disse que verias a gente condenada que o bem do espírito perdeu». — Dante Alighieri, A Divina Comédia, O Inferno, Canto III, Mem Martins, Publicações Europa-América, 2007 (adaptado) Escrito originalmente em italiano vulgar baseado no dialeto toscano da época e bastante semelhante ao italiano atual (e não em latim, como fazia-se comum à época), trata-se de um poema articulado por trilogias, entre elas as formadas por Razão, Humano e Fé, Onça, Leão e Loba, Pai, Filho e Espírito Santo. Como sugerido pelo próprio nome, a história tem um final feliz: na época em que Dante escreveu o poema os textos eram separados entre Comédia, obras dotadas de finais felizes, e Tragédias, com finais contrastantes aos das Comédias, segundo o Sentido Aristotélico das Palavras.

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Estrutura

Cada uma das três partes do poema (Inferno, Purgatório e Paraíso) está dividida em 33 cantos, com mais um a título de introdução, a obra soma 100 cantos, número que significaria a perfeição da perfeição. Além do próprio Dante, três são os personagens principais: Virgílio, guia no inferno e purgatório, Beatriz guia no paraíso terrestre e São Bernardo, guia nas esferas celestes. A obra soma também 14.233 versos em, a partir de então chamados, "tercetos dantescos".

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Sinopse

A Divina Comédia propõe que a Terra está no meio de uma sucessão de círculos concêntricos que formam a Esfera armilar e o meridiano onde é Jerusalém hoje seria o lugar atingido por Lúcifer ao cair das esferas mais superiores e que fez da Terra Santa o Portal do Inferno. Portanto o Inferno, responderia pela depressão do Mar Morto, onde todas as águas convergem, e o Paraíso e o Purgatório seriam os segmentos dos círculos concêntricos que juntos respondem pela nomecânica celeste e os cenários comentados por Dante, num poema envolvendo todos os personagens bíblicos do Antigo ao Novo Testamento, que são costumeiramente encontrados nas entranhas do Inferno. No começo do poema, o próprio autor, Dante Alighieri, encontra-se perdido numa selva escura hostilizado por uma loba, um leão e uma pantera. Dante passa então a ser guiado por Virgílio, o autor romano da Eneida, para penetrar nos infernos. Após invocar as musas, Dante é visitado por Beatrice, que o convence a seguir jornada.

Inferno

Dante e Virgílio chegam ao vestíbulo do Inferno (que tem nove círculos). Entre o vestíbulo e o 1° Círculo está o rio Aqueronte, no qual se encontra Caronte, o barqueiro que faz a travessia das almas. Dante é muito pesado para fazer a travessia no barco de Caronte, pelo fato de ser vivo, porém Virgílio adverte o mitológico barqueiro de que a travessia do rio através de seu barco é mister devido a uma ordem celeste. É através deste barco que Virgílio e Dante atravessam o rio. O limbo é o local onde as almas que não puderam escolher Cristo, mas escolheram a virtude, vivem a vida que imaginaram ter após a morte. Não têm a esperança de ir ao céu pois não tiveram fé em Cristo. Aqui também ficam os não batizados e aqueles que nasceram antes de Cristo, como Virgílio. Na mitologia clássica, o Limbo não fica no inferno, mas suspenso entre o céu e o mundo dos mortos. Na poesia de Dante não se tem uma noção precisa de como se chega lá, pois o poeta desmaia no ante-inferno e quando acorda já está no Limbo, o primeiro círculo infernal.

Purgatório

Segundo Dante, o Purgatório é um espaço intermediário entre o Paraíso e o Inferno, que se encontra na porção austral do planeta, onde existe uma única ilha. Dante encontra nesta ilha uma montanha composta por círculos ascendentes, reservada àqueles que se arrependeram em vida de seus pecados e estão em processo de expiação dos mesmos. No Purgatório as almas assistem às punições das outras almas que, por não se arrependerem, foram para o Inferno. No início da subida da montanha estão esperando arrependidos tardios, que têm que aguardar a permissão para passarem pela Porta de São Pedro antes de iniciarem sua ansiada subida. Cada um dos sete círculos corresponde a um dos sete pecados capitais, na seguinte ordem: Orgulho, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza junto ao Pródigo, Gula e Luxúria. Os Avarentos e Pródigos estão juntos no mesmo círculo, pois são os dois extremos, onde o avarento supervaloriza o dinheiro e o Pródigo o desperdiça.

Paraíso

Existem sete céus móveis, cada céu corresponde a um planeta: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno, ordem ainda usada no esoterismo, como na cabala hermética. Em cada um dos céus Dante é abençoado e depois vai ao encontro de Deus. O oitavo céu, ou o primeiro céu fixo, é onde as estrelas têm a configuração que vemos no "nosso" céu. Depois vão para o segundo céu fixo, ou nono céu, que é o céu Cristalino ou seja, não tem estrelas, é quase só luz, mas é material. O décimo céu é só luz, é o terceiro céu fixo, e é imaterial. No centro desse céu há uma rosa branca, que é Deus rodeado por almas, espíritos bons (eleitos, bem aventurados, santos, anjos). É uma rosa poética. No centro da rosa existe um triângulo, a Santíssima Trindade. São Bernardo acompanha Dante a partir do terceiro céu. Dante então vê Deus, pois São Bernardo intercede junto à Virgem Maria e esta concede sua visita.

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Teorias sobre a influência da filosofia islâmica

Em 1919, Miguel Asín Palacios, um estudioso espanhol e sacerdote católico, publicou La Escatología musulmana en la Divina Comedia (Escatologia Islâmica na Divina Comédia), um relato de paralelos entre a filosofia islâmica inicial e a Divina Comédia. Palacios argumentou que Dante derivou muitas características e episódios sobre o além a partir dos escritos espirituais de ibne Arabi e do Isra e Mi'raj ou a jornada noturna de Maomé para o céu. Este último é descrito no ahadith e no Kitab al Miraj (traduzido para o latim em 1264 ou pouco antes como Liber Scalae Machometi, "O Livro da Escada de Maomé"), e tem semelhanças significativas com o Paradiso, como as sete partes da divisão do Paraíso, embora isso não seja exclusivo do Kitab al Miraj ou da cosmologia islâmica. Algumas "semelhanças superficiais" da Divina Comédia ao Resalat Al-Ghufran ou Epístola do Perdão de Al-Ma'arri também foram mencionadas neste debate. O Resalat Al-Ghufran descreve a jornada do poeta nos reinos da vida após a morte e inclui o diálogo com as pessoas no Céu e Inferno, embora, ao contrário do Kitab al Miraj, haja pouca descrição desses locais, e é improvável que Dante fez empréstimo deste trabalho.

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Fontes consultadas

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