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A Doutrina Secreta

A Doutrina Secreta, Síntese da Ciência, Religião e Filosofia é uma das principais obras de Helena Petrovna Blavatsky, publicada originalmente em dois volumes, em 1888. O volume I é dedicado à cosmogênese, e é basicamente composto sobre estudos relativos à evolução do universo, enquanto o volume II é dedicado à antropogênese, a origem e evolução da humanidade. Os dois volumes apresentam um resumo das ideias da Teosofia, movimento que Blavatsky ajudou a fundar. Um terceiro volume foi publicado pela Sociedade Teosófica após o falecimento de Blavatsky. Ele é composto de uma coletânea de vários artigos de Blavatsky.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Edição em português

Em português, a obra teve sua primeira edição em 1973, e foi publicada pela Editora Pensamento (Brasil) em seis volumes, com tradução de Raymundo Mendes Sobral. Os títulos dos seis volumes da edição em português são: Os volumes I e II correspondem ao primeiro volume da edição original em inglês e os Volumes III e IV correspondem ao segundo volume da edição original. Os Volumes V e VI correspondem ao volume póstumo publicado pela Sociedade Teosófica.

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Como a obra foi escrita

Blavatsky alegava que não era a autora do livro, mas que este teria sido escrito pelos Mahatmas, a exemplo de Djwal Khull, Kut Humi e Morya, utilizando o seu corpo físico, em um processo denominado Tulku, que, segundo a autora, não era um processo mediúnico. Em janeiro de 1884 foi publicado no "The Theosophist" (periódico oficial da Sociedade Teosófica) a notícia de que Blavatsky iria escrever uma obra que ampliaria as informações contidas em sua grande obra anterior, Ísis Sem Véu. O trabalho de escrita foi desenvolvido entre os anos de 1884 e 1885. No início de 1886, em carta a Alfred Sinnett, Blavatsky dizia que a obra seria ampliada em relação ao plano inicial, o que implicou a reescrita de alguns dos seus capítulos. Em setembro de 1886, remeteu da Europa para a Índia o que seria o volume I, mas resolveu reescrevê-lo logo em seguida, com acréscimos e alterações. Na primavera de 1887, passou a residir em Londres, onde concluiu a obra, que foi publicada simultaneamente em Londres e Nova Iorque, no final do mês de outubro de 1888. As palavras finais de Blavatsky sobre a obra foram: esta obra é dedicada a todos os verdadeiros teosofistas.

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Influências

Blavatsky alegava que a obra era baseada em pergaminhos antigos (as Estâncias de Dzyan), a que teria tido acesso e estudado. Segundo Blavatsky, as "Estâncias de Dzyan" seriam um manuscrito arcaico, escrito em uma coleção de folhas de palma, resistentes à água, ao fogo e ao ar, devido a um processo de fabricação desconhecido, e que conteriam registros de toda a evolução da humanidade, em uma língua desconhecida pelos filólogos denominada Senzar. Foram feitas várias tentativas, sem sucesso, de descobrir este manuscrito, durante o século XX. Assim, permanece sem resposta se estes manuscritos realmente existiram ou não. As "Estâncias de Dzyan", segundo Blavatsky, estão relacionadas com o "Livro dos Preceitos de Ouro" e com os "livros de Kiu-te", que são uma série de tratados do budismo esotérico. Outros textos usados como referência por Blavatsky são os Livros Mosaicos, os textos sagrados hindus (como os Vedas, Brâmanas, Upanixades, e Puranas) e arianos (como o Vendidade), e a cabala caldeia e judaica. Blavatsky também foi influenciada pela mitologia antiga.

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Três preposições fundamentais

Sobre as três proposições fundamentais Blavatsky afirma: Antes de entrar o leitor no conhecimento das Estâncias do Livro de Dzyan, que formam a base da presente obra, é absolutamente necessário que apreenda alguns conceitos fundamentais que informam e interpenetram todo o sistema de pensamento para o qual sua atenção vai ser dirigida. Estas idéias fundamentais são poucas em número, mas de sua clara percepção depende a inteligência de tudo o que se segue... A Doutrina Secreta apresenta três proposições fundamentais:

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Resumo da obra

Cosmogênese

A cosmogênese descreve a origem do cosmo, e de tudo que existe nele, a partir do Princípio Uno, e a sua posterior evolução. Segundo Blavatsky, o Princípio Uno (a Deidade Una ou Absoluto) é idêntico ao conceito de Parabrahman dos vedantinos (assim como esta palavra, muitas expressões no livro aparecem escritas em sânscrito) e ao Ain Soph dos cabalistas. A Deidade Una é, ao mesmo tempo, Existência Absoluta e Não-Existência Absoluta. A única percepção que nossa limitada consciência pode ter do Princípio Uno é entendê-lo como sendo o Espaço Absoluto Abstrato. Importante observar que, para Blavatsky, este Princípio Uno não é o Deus criador das religiões monoteístas, pois sendo Absoluto e Não-Manifestado não pode criar. De acordo com o livro, o Deus "criador" é um coletivo de seres intra-cósmicos, emanados do Princípio Uno, que trabalhou sobre a matéria, ordenando-a. Blavatsky chama os seres divinos desta hierarquia de Dhyan-Chohans. Segundo ela, estes seres são chamados no livro do Gênesis e na cabala judaica de Elohim.

Ciclos e suas durações

No esquema apresentado no livro, toda a história da existência e evolução do universo e dos planetas desenvolve-se em ciclos ou períodos de tempo. Existem períodos de atividade e inatividade, chamados de Manvantaras e Pralayas, ou "Dias e Noites de Brahman". Os Manvantaras também são chamados de Kalpas. Um período de 360 Dias e Noites de Brahman forma um "Ano de Brahman". Finalmente, 100 "Anos de Brahman" formam uma "Vida de Brahman", também chamada de Mahamanvantara (ou Mahâ Kalpa). A cada Mahamanvantara segue-se um período de igual duração em que o universo "dorme" até ser despertado no início de um novo ciclo. Este período de inatividade é chamado de Mahapralaya. Segundo o computo dos Brâmanes, um Mahamanvantara dura cerca de 311.040.000.000.000 {\displaystyle 311.040.000.000.000} de anos.

Antropogênese

A antropogênese descreve a origem e evolução da humanidade. Nela são descritas as diversas raças humanas (chamadas Raças-raiz) que já evoluíram neste planeta na atual Ronda. Para Blavatsky, um mesmo elenco de almas evoluem no teatro da existência desde o início do Manvantara, até o seu final, quando então estas almas atingirão a perfeição espiritual. Assim, a Teosofia adota o conceito de transmigração das almas. O livro afirma que evoluem em nosso Globo sete grupos humanos em sete regiões diferentes do Globo. Assim, Blavatsky defende uma origem poligenética do Homem. A tese revolucionária de Blavatsky é, em uma época que não se supunha o Homem mais antigo que 100 mil anos, afirmar que o Homem físico tem mais de 18 milhões de anos de existência.

Os sete princípios do Homem

Um princípio, para a Teosofia, é um começo, um fundamento, uma fonte e uma essência de onde as coisas procedem. Princípios são assim as essências fundamentais das coisas. Estes princípios, tanto no Homem quanto na natureza, são teosoficamente enumerados como sete. Segundo a Teosofia, o sete é o número fundamental da manifestação, frequentemente encontrado em diferentes cosmogonias, assim como nos dogmas de diversas religiões e na tradição de muitos povos antigos. O Homem, assim como a natureza, é chamado de saptaparna (planta de sete folhas), simbolizado geometricamente por um triângulo sobre um quadrado. Nesta constituição setenária, podemos entender o Atman como a coroa que encima a constituição humana (a ponta superior do triângulo), fornecendo-lhe o seu espírito imortal.

Raças-raiz

Segundo a autora, os primeiros homens não possuíam um corpo denso. As primeiras raças tinham um corpo sutil, etéreo, imenso e ainda sem forma bem definida. À medida que avançou a evolução do Homem, o seu corpo tornou-se mais denso em uma sucessão de estágios, assumindo a forma que tem hoje. As cinco Raças-raiz apresentadas no livro são: Respondendo por que não foram encontrados registros fósseis das raças anteriores à ariana, Blavatsky alega que as primeiras raças eram etéreas, sem corpo denso que pudesse deixar fósseis. Quanto à raça atlante, disse que os fósseis estavam no fundo do oceano, à espera de serem encontrados.

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Interpretação de raças humanas

Considerando populações contemporâneas sob o conceito de raças-raiz, a autora afirma: A humanidade está obviamente dividida em homens informados de Deus e criaturas humanas inferiores. A diferença intelectual entre os arianos e outras nações civilizadas e selvagens como os habitantes das ilhas do Mar do Sul é inexplicável por qualquer outro motivo. Nenhuma cultura, nem gerações de treinamento em meio à civilização, poderiam elevar espécimes humanos como os bosquímanos, os Vedas do Ceilão e algumas tribos africanas ao mesmo nível intelectual que os arianos, semitas e os chamados turanianos. A "centelha sagrada" está faltando neles e são eles as únicas raças inferiores no globo, agora felizmente - devido ao ajuste sábio da natureza que sempre trabalha nessa direção - morrendo rapidamente. Na verdade, a humanidade é "de um só sangue", mas não da mesma essência. Nós somos a estufa, plantas artificialmente aceleradas na natureza, tendo em nós uma centelha, que nelas está latente.

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Recepção

O historiador Ronald H. Fritze escreveu que A Doutrina Secreta apresenta uma "série de ideias rebuscadas sem o apoio de qualquer pesquisa histórica ou científica confiável". De acordo com Fritze: Infelizmente, a base factual do livro de Blavatsky não existe. Ela alegou ter recebido suas informações durante transes nos quais os Mestres dos Mahatmas do Tibete se comunicaram com ela e permitiram que ela lesse o antigo Livro de Dzyan. O Livro de Dzyan foi supostamente composto na Atlântida usando a língua perdida senzar, mas a dificuldade é que nenhum estudioso de línguas antigas na década de 1880 ou desde então encontrou a menor referência passageira ao Livro de Dzyan ou à língua senzar. Estudiosos e céticos criticaram A Doutrina Secreta por plágio. Diz-se que foi fortemente influenciado por obras ocultas e orientais. L. Sprague de Camp em seu livro Lost Continents escreveu que as principais fontes de Blavatsky foram "a tradução de H. H. Wilson do Vishnu Purana, antiga obra indiana; World Life; or, Comparative Geology de Alexander Winchell; Atlantis, de Donnelly; outras obras científicas e pseudocientíficas contemporâneas, e trabalhos ocultos, plagiados sem crédito e usados de uma maneira desajeitada que mostrava um conhecimento profundo dos assuntos em discussão". Camp descreveu o livro como uma "massa de plágio e falsidade".

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Fontes consultadas

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