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Guerra dos Mascates

Guerra dos Mascates foi um conflito que ocorreu na então Capitania de Pernambuco de 1710 a 1711 é considerada pela historiografia do Brasil como um movimento nativista.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/10/2026
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Causas

Anos após a expulsão dos holandeses de Pernambuco, a economia da região entrou em crise devido à baixa do preço do açúcar no mercado internacional e à concorrência do açúcar produzido nas Antilhas. A concorrência prejudicou os ricos senhores de engenho de Olinda, e seus negócios começaram a declinar à medida que os lucros com a produção açucareira diminuíam. Sem capital para saldar suas dívidas, os latifundiários passaram a precisar desesperadamente de empréstimos. Naquela época, os comerciantes portugueses — conhecidos como mascates — viviam em Recife e tinham dinheiro para emprestar. No entanto, eles cobravam taxas de juros extremamente altas, o que fez com que os moradores de Olinda se endividassem cada vez mais. Embora dependessem economicamente dos comerciantes portugueses, senhores de engenho opuseram-se veementemente à emancipação político-administrativa de Recife, então comarca subordinada a Olinda. A emancipação era percebida como um agravante de sua situação e temiam que desse aos comerciantes portugueses — seus credores — poder político excessivo, colocando-os em pé de igualdade.

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O movimento

Em fevereiro de 1710, pouco após receber a Carta Régia que elevou o povoado à condição de vila, os comerciantes inauguraram o Pelourinho e o prédio da Câmara Municipal, separando formalmente o Recife de Olinda, a sede da capitania. Como os membros da aristocracia rural haviam abandonado Olinda para se refugiarem nos engenhos onde viviam. As hostilidades iniciaram-se em Vitória de Santo Antão, lideradas pelo seu Capitão-mor, Pedro Ribeiro da Silva. Estas forças, engrossadas em Afogados com reforços oriundos de São Lourenço e de Olinda, sob a liderança de Bernardo Vieira de Melo e do coronel Leonardo Bezerra Cavalcanti, invadiram o Recife, demolindo o Pelourinho, rasgando o Foral régio, libertando os presos e perseguindo pessoas ligadas ao governador Sebastião de Castro Caldas Barbosa (mascates). Este, por sua vez, visando garantir a sua segurança, retirou-se para a Bahia, deixando o governo da capitania a cargo do bispo Manuel Álvares da Costa.

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Fim

Após a prisão dos líderes do levante e a consolidação de Recife perante Olinda, o conflito foi encerrado em 1711. Já no ano seguinte, 1712, Recife foi elevada à condição de sede administrativa de Pernambuco; sua Câmara e o Pelouro foram reconstruídos. Enquanto que alguns revoltosos do movimento (a nobreza de Olinda) recebeu perdão do Bispo, atitude ratificada, em 1714, por D. João V ao conceder anistia aos envolvidos na sublevação, conforme haviam solicitado nas exigências enviadas em 1710. Além disso, para que a paz fosse mantida, a Majestade concedeu aos senhores de engenho de Olinda o perdão das dívidas adquiridas e a prerrogativa da manutenção de suas plantações. Com a vitória dos comerciantes, essa guerra apenas reafirmava o predomínio do capital mercantil (comércio) sobre a produção colonial.

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