A Internacional
A Internacional é um hino internacionalista, sendo também uma das canções mais conhecidas de todo o mundo. A letra original em francês foi escrita por Eugène Pottier, membro da Comuna de Paris, durante a repressão à Comuna, em 1871. Inicialmente, era cantada com a melodia de A Marselhesa. Pierre De Geyter, membro do Partido Operário Francês, compôs a música em 1888. A canção exalta os ideais comunistas e o espírito revolucionário dos membros da Comuna de Paris. Desde então, foi traduzida para muitos idiomas e difundida globalmente. A Internacional não é cantada apenas por comunistas, mas também circula amplamente entre socialistas, socialistas democráticos, sociais-democratas, anarquistas e outros grupos de esquerda em muitos países. Foi o hino da União Soviética e da República Soviética da China, por exemplo, assim como o hino da Primeira e da Segunda Internacional, mas a Terceira Internacional não o adotou como seu hino. Atualmente, A Internacional é tocada em congressos de partidos comunistas e em eventos importantes ao redor do mundo.
A Internacional surgiu na França no final do século XIX, logo após a Comuna de Paris de 1871, recebendo o título original de L'Internationale. A letra foi escrita por Eugène Pottier, participante do movimento comunardo. Após a violenta repressão da Comuna durante a chamada Semana Sangrenta, no fim de maio daquele ano, Bodier compôs um poema que mais tarde daria origem à canção. Posteriormente, o texto foi musicado, utilizando uma melodia inspirada na A Marselhesa, o que possibilitou sua interpretação como canção. Eugène Pottier, combatente da Comuna de Paris, foi condenado à morte pelas autoridades francesas, acusado de crimes relacionados ao movimento, o que o levou a se exilar no exterior. Embora tenha retornado à França em 1887, faleceu pouco tempo depois em situação de pobreza. Seu funeral reuniu pessoas portando bandeiras vermelhas, que acabaram sendo dispersadas pela polícia. Pottier é considerado um dos "mártires" do movimento comunista, e a data de sua morte passou a integrar o calendário de comemorações dessa corrente política.
Refrão: (duas vezes seguidas, mas com uma melodia diferente) Refrão: (duas vezes seguidas, mas com uma melodia diferente) “Igualdade: sem direitos não há deveres!” Fuzis para o alto, rompamos as fileiras! Refrão: (duas vezes seguidas, mas com uma melodia diferente) E está pronta para conduzir à luta mortal. Refrão: (duas vezes seguidas, mas com uma melodia diferente) Vós tendes todo o poder, todas as riquezas do mundo, E o nosso direito é apenas um som vazio. A cair heroicamente em combate por eles, Então contra vós, assassinos, apontaremos Somente nós, trabalhadores do mundo inteiro, Refrão: (duas vezes seguidas, mas com uma melodia diferente) Levantai-vos, sofredores de todo o mundo! O sangue ardente já ferve em nossos peitos, Refrão: (duas vezes seguidas, mas com uma melodia diferente) Apressai-vos, acendei a fornalha em rubro, Forjar enquanto o ferro está quente é a única forma de vencer!
A Internacional é amplamente cantada entre comunistas, social-democratas e ativistas sindicais em diversas regiões do mundo.
Rússia/União Soviética
Em dezembro de 1900, Lenin publicou o texto original das primeira, segunda e sexta estrofes, além do refrão, de A Internacional no jornal Iskra (A Centelha). Em 1902, o poeta russo Arkady Kots traduziu a canção para o russo e a publicou em Londres, na quinta edição da revista de emigrados russos Zhizn (Vida). A partir de então, A Internacional começou a se difundir entre os trabalhadores russos. Em 1912, o jornal Pravda (A Verdade), publicado em São Petersburgo, voltou a divulgar A Internacional. Após a Revolução de Outubro, o governo soviético decidiu adotar a versão russa de A Internacional como hino nacional da União Soviética. Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1944, após um processo de seleção entre mais de 200 autores participantes, a canção A União Inquebrantável (Soyuz nerushimyy) foi escolhida para substituir A Internacional como hino nacional da União Soviética.
Na China
A Internacional foi traduzida pela primeira vez do russo para o chinês em 1921 por Geng Jizhi e Zheng Zhenduo; mais tarde, Qu Qiubai a adaptou com base na versão russa e lhe deu melodia. Por fim, Qu Qiubai caminhou para o local de execução cantando essa canção, encerrando assim sua vida. Os três foram amigos íntimos por toda a vida e todos representantes destacados do Movimento da Nova Cultura. Em 18 de março de 1926 (15º ano da República da China), durante a comemoração do 55º aniversário da Comuna de Paris, o Departamento Político do Terceiro Exército do Exército Nacional Revolucionário chegou a imprimir e distribuir panfletos de A Internacional. Esses panfletos continham três conjuntos de letras, que correspondiam aproximadamente à primeira, segunda e sexta estrofes da letra em francês, além do refrão. Neles, Internationale foi inicialmente transliterado como Intellaxonnal e, depois, como Intelnaxonnal.
Em Portugal
O autor da versão portuguesa da letra é o anarcossindicalista Neno Vasco, que em 1909 traduziu este hino do francês para o português. É, contudo, evidente que a tradução acompanha de perto o original francês, refletindo em seu fraseado a influência da literatura e da poesia ligadas ao anarcossindicalismo, corrente majoritária no movimento operário português nas primeiras décadas do século passado. Não se conhece qualquer registo fonográfico português do hino anterior a 1926 e à sua proibição pelo salazarismo, sendo plausível que a primeira gravação tenha sido a realizada para o LP Cânticos Revolucionários em Português, gravado em Lisboa em 1975 pela editora Metro-Som (LP 105). A interpretação ficou a cargo de elementos dos coros da Fundação Calouste Gulbenkian e do Teatro S. Carlos, com a participação da Banda Portuguesa, Siegfried Sugg no acordeão e Daniel Louis na percussão. A direção musical coube a J. Machado e J. Gomes, e os arranjos seguem de perto as versões francesas então mais conhecidas, nomeadamente as popularizadas pelo Groupe 17. Por ocasião das comemorações do 60.º aniversário do Partido Comunista Português, em 1981, foi integrada no programa a produção e gravação de uma versão assumidamente portuguesa daquilo que os estatutos do PCP definem como seu hino. Contudo, na versão adotada pelo Partido Socialista, Mário Soares alterou alguns versos, resultando em diferenças na letra entre as versões de A Internacional utilizadas pelo PCP e pelo PS.
No Brasil
Assim como em Portugal, não há uma data exata para a chegada do hino ao Brasil. Sabe-se, contudo, que seu canto foi amplamente difundido durante a grande Greve geral de 1917, em São Paulo, organizada por anarcossindicalistas. É igualmente certo que o hino dos trabalhadores chegou ao país trazido por imigrantes portugueses, espanhóis e italianos. No Brasil, A Internacional é a canção oficial do Partido Comunista do Brasil, sendo também adotada por grupos anarquistas. Estes, porém, diferentemente dos comunistas, preservam a versão original da tradução de Neno Vasco no verso "Messias, deus, chefes supremos", em vez de "Senhores, patrões, chefes supremos". Na versão utilizada pelo Partido Comunista, esse verso é suprimido com o objetivo de evitar conflitos com setores da Igreja Católica que o apoiam. No país, a canção também foi gravada pela banda paulista de punk rock Garotos Podres, cujo vocalista é doutor em História e estudioso da obra de Karl Marx.


