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Invenção da tradição

A invenção da tradição é um conceito popularizado por Eric Hobsbawm e Terence Ranger que propõe que muitas tradições que parecem ou supostamente são antigas foram, na verdade, criadas recentemente, muitas vezes em resposta a uma nova situação ou a um momento de crise. Elas têm uma definição simbólica e tentam obter alguma veracidade de que vêm do passado. Podem ser usadas para compreender os usos ideológicos do passado e as utilizações políticas da memória e da comemoração. Para Hobsbawm, a identidade – cultural ou nacional – é construída e, logo, contingente.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Exemplos de tradições inventadas

Imagem: MinC.Nordeste · BY-SA · Openverse

A diferença entre uma tradição nova e uma tradição inventada é que esta última diz ter origens antigas. Nem sempre é feito de forma óbvia, podem ser invenções de pequena escala, adaptações de antigas tradições para novos propósitos ou sequências de antigas tradições. Para alguns autores, este fenómeno é particularmente claro no caso das nações e dos nacionalismos. A nação é uma invenção moderna e a maioria dos símbolos, ritos e tradições que hoje tendem a ser considerados muito antigos, foram na verdade criados entre 1870 e 1914, ao mesmo tempo em que as nações foram criadas. Alguns exemplos são as artes marciais japonesas, o escotismo ou as tradições da maioria das principais religiões. Outro tipo de exemplo é o tradicional vestido de noiva branco, que virou moda desde que a rainha Vitória se casou com essa cor. Todas as línguas nacionais padrão, ensinadas nas escolas como modelo de língua escrita e falada, são em grande parte produto de invenção, deixando de lado uma pequena elite que as falava. Hobsbawm dá como exemplo a língua flamenga ensinada nas escolas, o que não é o que as avós e mães de Flandres ensinam aos seus filhos.

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Função social das tradições

As invenções das tradições respondem a alguma função social, principalmente a de estabelecer ou simbolizar a coesão social ou a propriedade a um grupo real ou fictício. Pode também querer dar legitimidade e fundamento às hierarquias sociais e às relações de autoridade, como o patriarcalismo ou o preconceito social, e em particular também a certas instituições, da nação ou do Estado. Finalmente, outro grupo de invenções são aquelas destinadas a incutir, socializar e naturalizar crenças, sistemas de valores e códigos de conduta convencionais.

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