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A Lua Me Disse

A Lua Me Disse é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 18 de abril a 30 de setembro de 2005, em 143 capítulos. Substituiu Começar de Novo e foi substituída por Bang Bang, sendo a 68ª "novela das sete" exibida pela emissora.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Enredo

Nascida e criada no fictício Beco da Baiúca, Heloísa (Adriana Esteves) trabalha há alguns anos como babá para a milionária Maria Regina (Maitê Proença), com quem desenvolveu uma relação de amizade e confiança. Paralelamente, ela vive um romance com Ricardo (Frank Borges), filho da poderosa Ester Bogari (Zezé Polessa), que desaprova a união por Heloísa ser pobre. Após descobrir a gravidez da moça, Ricardo enfrenta a mãe, sofre um grave acidente e morre. Ester culpa Heloísa pela morte do filho e inicia uma batalha judicial pela guarda do neto, Artur (Guilherme Vieira). Dez anos se passam. Heloísa cria Artur sozinha e prospera ao tornar-se administradora da rede de lojas populares “Frango com Tudo Dentro”. Agora ela se ver dividida entre Tadeu (Marcos Pasquim) — um homem misterioso e recém chegado ao Beco da Baiúca — e Gustavo (Wagner Moura), o filho mais velho e renegado de Ester, apaixonado por ela desde a juventude. Enquanto isso, Ester, incapaz de esquecer sua rivalidade com a nora, continua tentando afastar Artur da mãe através de manipulações e provocações veladas. Ao decorrer da trama, Tadeu cria uma obsessão doentia por Heloísa e acaba se aliando com Ester para tentar separá-la de Gustavo.

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Produção

Desde o fim de Salsa e Merengue (1996), Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa tentavam emplacar outra telenovela juntos, porém suas sinopses sempre eram recusadas, uma vez que ambos escreviam o seriado Sai de Baixo entre 1996 e 2002 – o qual Miguel também protagonizava – e a emissora acreditava que dois projetos simultâneos iria desgasta-los. Em 1998, a telenovela Escândalo chegou a ser anunciada e teve José Wilker, Maitê Proença, Marília Pêra e Rosi Campos escalados para a história que iria expor os bastidores das revistas de celebridade, porém foi cancelada após Sai de Baixo ser renovado. Apenas em maio de 2004, Miguel e Maria Carmem tiveram a sinopse de A Lua Me Disse aprovada e programada para substituir Começar de Novo. Apesar da história começar na Suíça, as primeiras gravações foram realizadas em Innsbruck, na Áustria, uma vez que o destino era mais barato, viajando para o local Maitê Proença, Débora Bloch, Aracy Balabanian e Monique Alfradique viajaram para a cidade de para gravar as primeiras cenas da novela referentes a seus personagens.

Escolha do elenco

A direção teve dificuldades para fechar o trio de protagonistas – Heloísa, Gustavo e Tadeu – sendo convidados diversos atores como Cristiana Oliveira, Carolina Ferraz, Vladimir Brichta, Thiago Lacerda, Murilo Benício, entre outros que já estavam escalados para outras telenovelas. Decidiu-se então promover o novato Wagner Moura a protagonista e escalar a dupla Adriana Esteves e Marcos Pasquim, que já tinha repercutido positivamente em Kubanacan. Zezé Polessa interpretaria Ademilde, porém foi remanejada para a antagonista Ester e o papal anterior passou para Arlete Salles. Ângelo Paes Leme interpretaria Adonias, porém foi substituído por Paulo Vilhena. Monique Alfradique fez testes com outras 60 atrizes iniciantes para conseguir o posto da coprotagonista Branca.

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Exibição

Imagem: Fabrício Marcon · BY-NC-SA · Openverse

Outras mídias

Nunca reprisada, foi disponibilizada na íntegra pelo Globoplay em 31 de julho de 2023, como parte do Projeto Resgate.

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Controvérsias

Imagem: rdenubila · BY-SA · Openverse

Acusações de racismo

Antes da estreia, Miguel Falabella declarou que a novela abordaria o racismo no Brasil através das personagens de Zezeh Barbosa e Mary Sheyla, que originalmente ficariam ricas e seriam hostilizadas na alta sociedade. Porém os planos mudaram e as duas personagens foram retratadas como mulheres negras que tinham vergonha da cor de sua pele e de seus nomes, mudando-os para Latoya e Whitney. Parte do público viu as personagens como um recorte de pessoas reais que tem preconceito com a própria cor, porém a maioria achou a abordagem inadequada pelas duas sempre proferirem frases consideradas racistas contra outros negros de forma cômica em um horário que crianças poderiam ver, entender como piada e reproduzir. Apesar disso os autores fizeram a personagem Latoya terminar a trama trabalhando em um circo vestida de macaca, o que também gerou revolta.

Acusações de transfobia e homofobia

Outro tema que incomodou o público foi a personagem Dona Roma, de Miguel Magno, considerada caricata e que reforçava estereótipos das travestis e transexuais, além do fato de ser interpretada por um homem em vez de uma atriz do gênero, refutando a representatividade. Além disso, as diversas ofensas trocadas pelos homens da novela se chamando de "bicha" e "baitola" foram consideradas inadmissíveis e que reforçavam a homofobia, fazendo a ONG Grupo Gay da Bahia processar os autores.

Advertência no Globoplay

Assim que a novela foi disponibilizada na plataforma de streaming do Grupo Globo, foi disponibilizada uma cartela diferente das utilizadas em outros títulos antes do capítulo selecionado, alegando que "Essa obra pode conter representações negativas e estereótipos da época em que foi realizada. A obra é exibida na íntegra porque acreditamos que essas cenas podem contribuir para o debate sobre um futuro mais diverso e inclusivo". Com o anúncio de que a trama seria a próxima na lista de títulos a serem resgatados para entrar no serviço, alguns telespectadores relembraram as polêmicas que foram ao ar em sua exibição, fato este que logo foi confirmado pelo autor Miguel Falabella, que relembrou o fato de seus títulos sofrerem rejeição do público. A atriz Zezeh Barbosa, que integrou o elenco da trama, reconheceu a problemática da novela, mas lembrou que o autor não era racista e que o próprio havia sido mal compreendido quando trouxe as temáticas para o público. A utilização da cartela de avisos sobre as obras retratarem os costumes da época começou a ser adotada a partir da exibição de Da Cor do Pecado (2004) no canal por assinatura Viva, que logo se expandiu na programação toda e no Globoplay. A trama citada, inclusive, tinha uma polêmica por conta do título ser baseado numa expressão racista. A postura também acaba se diferenciando do tratamento adotado com Malhação 1998, em que uma cena de blackface acabou sendo eliminada na edição tanto no Viva, como nos Canais Globo, além da utilização de uma nova cartela, alertando que "eventualmente, algum trecho pode ser excluído desde que não gere prejuízo para a compreensão da narrativa".

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Música

Nacional

A trilha sonora nacional de A Lua Me Disse trouxe na capa Adriana Esteves caracterizada como Heloísa.

Internacional

A trilha sonora internacional de A Lua Me Disse não teve lançamento físico, sendo liberado apenas para escutar no site oficial da novela e trazendo na capa Wagner Moura e Adriana Esteves caracterizados como Gustavo e Heloísa.

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Repercussão

Imagem: GraceOda · BY-NC-ND · Openverse

Críticas

A novela foi bem recebida pela crítica especializada. Para Daniela Ortega e James Cimino da Folha de S.Paulo a novela é "divertida, e tem tudo para cair no gosto do público", elogiando ainda o bom empenho de Patrícia Travassos como a Milionária Geórgia. A personagem Madô de Deborah Bloch também foi elogiada pelos jornalistas, que destacaram ainda o núcleo da família de Ademilde (Arlete Salles) e o romance entre Heloísa e Gustavo, personagens de Adriana Esteves e Wagner Moura: "a química do casal provoca torcida para que o romance dê certo". Para Bia Abramo, também da Folha de S.Paulo, "vez por outra, uma novela consegue criar e ainda cair no gosto do público. Sem fazer concessões estrambóticas, sem humilhar a inteligência do público". Afirmando ainda que "o espectador, ao mesmo tempo em que pode usufruir do prazer do previsível, é também surpreendido e até afrontado[...]passa por um equilíbrio muito delicado entre o humor e o escracho -há graça, há piada e há um sentido do dramático como há tempos não se via em novelas".

Audiência

Herdando a baixa audiência de Começar de Novo, a trama estreou com 32 pontos, o segundo pior resultado de uma "novela das sete" até então, atrás apenas de Desejos de Mulher – que enfrentou um apagão em seu primeiro capítulo. Enfrentando a reta final de A Escrava Isaura, da RecordTV, a audiência de A Lua Me Disse foi caindo gradativamente e, em 29 de abril, marcou apenas 25 pontos, ficando à apenas 6 pontos de distância da concorrente na média geral e em segundo lugar por alguns minutos. Após o fim da telenovela concorrente, A Lua Me Disse conseguiu se estabilizar entre 29 e 33 pontos, porém se tornou a menos assistida da emissora, atrás da "novela das seis" Alma Gêmea e da décima segunda temporada de Malhação. Seu último capítulo teve média de 40 pontos, com picos de 44, sete a mais que a antecessora. A Lua Me Disse teve média geral de 33 pontos, a quarta pior média da história das "novelas da sete" até então.==Notas e referências==

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Fontes consultadas

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