A Paixão de Cristo
The Passion of the Christ é um filme americano de 2004 do gênero drama épico coescrito, coproduzido e dirigido por Mel Gibson. É estrelado por Jim Caviezel como Jesus de Nazaré, Maia Morgenstern como Maria e Monica Bellucci como Maria Madalena. O longa retrata a Paixão de Jesus em grande parte de acordo com os evangelhos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Também se baseia em relatos piedosos, como a Sexta-feira das Dores, juntamente com outros escritos devocionais, como as supostas visões atribuídas à Beata Anna Catarina Emmerich.
Na noite da Páscoa, no jardim do Getsêmani, Jesus ora em reclusão, enquanto seus discípulos Pedro, Tiago e João adormecem sob uma árvore. Satanás tenta Jesus enquanto seu suor se transforma em sangue, e uma serpente emerge do disfarce de Satanás. Jesus o repreende, esmagando a cabeça da serpente. Enquanto isso, Judas Iscariotes, outro discípulo de Jesus, é subornado por Caifás e pelos fariseus com trinta moedas de prata, e lidera um grupo de guardas do templo até a floresta, onde ele trai Jesus com um beijo no rosto. Enquanto os guardas o prendem, irrompe uma luta: Pedro saca sua adaga e corta a orelha de Malco, comandante dos guardas. Jesus cura o ferimento de Malco e repreende Pedro. Com os discípulos em fuga, os guardas levam Jesus e o espancam a caminho do Sinédrio, enquanto um perturbado Malco permanece para trás. Despertada de seu sono, Maria, mãe de Jesus, sente que algo está errado e conversa com Maria Madalena. João as informa sobre a prisão e eles se reúnem com Pedro, que seguiu Jesus e seus captores. Caifás realiza um julgamento, durante o qual falsas acusações são feitas contra Jesus. Alguns sacerdotes, que se opõem ao julgamento e secretamente apoiam Jesus, são expulsos do tribunal. Quando Jesus afirma ser o divino Filho do Homem, Caifás rasga suas vestes com raiva, e Jesus é condenado à morte por blasfêmia. Enquanto é brutalmente espancado, Pedro é confrontado pela multidão e nega três vezes ser um seguidor de Jesus, fugindo em lágrimas ao se lembrar da predição que Jesus havia feito. Enquanto isso, Judas, tomado pela culpa, tenta devolver o dinheiro para libertar Jesus, mas é recusado pelos sacerdotes. Ele cospe na bolsa com as moedas e a arremessa na direção deles, indo embora logo depois. Assombrado por demônios durante a noite, enforca-se do lado de fora de Jerusalém.
A Paixão de Cristo recebeu apoio entusiasmado da comunidade evangélica americana. Antes do lançamento do filme, Gibson contatou ativamente os líderes evangélicos buscando seu apoio e feedback. Com a ajuda deles, Gibson organizou e compareceu a uma série de exibições de pré-lançamento para o público evangélico e discutiu a produção do filme e sua fé pessoal. Em junho de 2003, ele exibiu o filme para oitocentos pastores que participavam de uma conferência de liderança na Igreja New Life, pastoreada por Ted Haggard, então presidente da National Association of Evangelicals. Gibson realizou exibições semelhantes na Lakewood Church de Joel Osteen, na Harvest Christian Fellowship de Greg Laurie e para 3 600 pastores em uma conferência na Igreja de Saddleback de Rick Warren em Lake Forest. Do verão de 2003 até o lançamento do filme em fevereiro de 2004, partes ou cortes brutos do filme foram exibidos para mais de oitenta públicos, muitos dos quais eram públicos evangélicos. O filme também recebeu o apoio público de líderes evangélicos, incluindo Billy Graham, Robert H. Schuller, Darrell Bock, o editor do periódico cristão Christianity Today David Neff, Pat Robertson, Lee Strobel, Jerry Falwell, Max Lucado, Tim LaHaye e Charles Colson.
Material de origem
De acordo com Mel Gibson, o material de fonte primária para A Paixão de Cristo são as quatro narrativas canônicas do Evangelho da paixão de Jesus. O filme inclui um julgamento de Jesus na corte de Herodes, que só é encontrado no Evangelho de Lucas. O filme também se baseia em outras partes do Novo Testamento. Uma frase dita por Jesus no filme, "Eu faço novas todas as coisas", é encontrada no Livro do Apocalipse, Capítulo 21, versículo 5. O filme também faz referência ao Antigo Testamento, começando com uma epígrafe do Quarto Cântico do Servo Sofredor de Isaías. Na cena de abertura ambientada no Jardim do Getsêmani, Jesus esmaga a cabeça de uma serpente em alusão visual direta a Gênesis 3:15. Ao longo do filme, Jesus cita os Salmos, além dos exemplos registrados no Novo Testamento.
Roteiro e idioma
Mel Gibson anunciou originalmente que usaria duas línguas antigas sem legendas e confiaria na "narrativa cinematográfica". Como a história da Paixão é tão conhecida, Gibson sentiu a necessidade de evitar línguas vernáculas para surpreender o público: "Acho que é quase contraproducente dizer algumas dessas coisas em uma língua moderna. Isso faz você querer se levantar e gritar a próxima frase, como quando você ouve 'Ser ou não ser' e você instintivamente diz a si mesmo: 'Eis a questão'". O roteiro foi escrito em inglês por Gibson e Benedict Fitzgerald para ser traduzido por William Fulco, um professor da Loyola Marymount University, para o latim e aramaico reconstruído. Fulco às vezes incorporava erros deliberados em pronúncias e terminações de palavras quando os personagens falavam uma língua desconhecida para eles, com parte da linguagem grosseira usada pelos soldados não sendo transcrita nas legendas.
Filmagens
Produzido de maneira independente, A Paixão de Cristo foi rodado inteiramente na Itália no Cinecittà Studios em Roma e em locações na cidade de Matera, bem como na cidade fantasma de Craco, ambas na região da Basilicata. O custo estimado de produção de US$ 30 milhões, mais um adicional estimado de US$ 15 milhões em custos de marketing, foram totalmente financiados por Gibson e sua empresa Icon Productions. De acordo com os bônus do DVD, Martin Scorsese havia terminado recentemente seu filme Gangs of New York (2002), do qual Gibson e seus designers de produção construíram parte de seu cenário. Isso economizou muito tempo e dinheiro para Gibson.
Música
Três álbuns foram lançados com a cooperação de Mel Gibson: um contendo a trilha sonora orquestral de John Debney conduzida por Nick Ingman, o segundo contendo canções cantadas intitulado The Passion of the Christ: Songs (produzido por Mark Joseph e Tim Cook, com composições originais de vários artistas) e o último chamado Songs Inspired by The Passion of the Christ. Os dois primeiros álbuns receberam um prêmio Dove Award em 2005, enquanto a trilha sonora instrumental de Debney recebeu uma indicação ao Óscar de Melhor trilha sonora original (perdendo para Finding Neverland). A trilha sonora frequentemente faz uso da técnica da mulher chorona. Uma trilha sonora preliminar foi composta e gravada por Lisa Gerrard e Patrick Cassidy, mas estava incompleta no lançamento do filme. Jack Lenz foi o principal pesquisador musical e um dos compositores; vários clipes de suas composições foram postados online anos mais tarde.
Mudança de título
Embora Mel Gibson quisesse chamar o filme de "The Passion", em 16 de outubro de 2003, seu porta-voz anunciou que o título usado nos Estados Unidos seria "The Passion of Christ" pelo fato da Miramax Films já ter registrado o título "The Passion" com a MPAA para o romance homônimo de 1987 de Jeanette Winterson. Mais tarde, o título foi alterado novamente para The Passion of the Christ para todos os mercados.
Distribuição e marketing
Gibson começou a produção do filme sem garantir financiamento externo ou distribuição. Em 2002, ele explicou por que não conseguiu apoio dos estúdios de Hollywood: "Este é um filme sobre algo que ninguém quer tocar, rodado em duas línguas mortas". Gibson e sua empresa Icon Productions forneceram o único apoio do filme, gastando cerca de US$ 30 milhões em custos de produção e cerca de US$ 15 milhões em marketing. Após as primeiras acusações de antissemitismo, tornou-se difícil para Gibson encontrar uma distribuidora americana. A 20th Century Fox inicialmente tinha um acordo de primeira vista com a Icon, mas depois desistiu de distribuir o filme nos Estados Unidos em resposta a protestos públicos; a Fox, no entanto, distribuiu o filme na América Latina, Ásia e algumas regiões do Pacífico, bem como lançou o filme em mídia doméstica nos Estados Unidos. Para evitar a desconfiança de outros estúdios, que poderiam recusar lançar o filme em outros países, e também para evitar submeter o lançamento do longa às mesmas críticas públicas intensas que o diretor havia recebido, Gibson decidiu distribuir o filme nos Estados Unidos de maneira independente com a ajuda da empresa Newmarket Films. Gibson cuidou da distribuição e do marketing por conta própria, enquanto a Newmarket ajudou no envio das cópias do filme e na arrecadação da receita dos cinemas.
Bilheteria e exibição teatral
A Paixão de Cristo estreou nos Estados Unidos em 25 de fevereiro de 2004 (Quarta-feira de cinzas, início da Quaresma). Arrecadou US$ 83,8 milhões em 4 793 telas em 3 043 cinemas em seu fim de semana de estreia e um total de US$ 125,2 milhões desde sua estreia na quarta-feira, alcançando o quarto lugar geral em ganhos domésticos em fins de semana de estreia de 2004, bem como ter estabelecido o recorde de maior estreia de fim de semana para um lançamento em fevereiro (até o lançamento de Fifty Shades of Grey de 2015). O filme empatou com o recorde de The Lord of the Rings: The Return of the King (2003) de a maior abertura de quarta-feira em cinco dias. Além disso, A Paixão de Cristo marcou o segundo maior fim de semana de estreia para qualquer filme com "classificação R", atrás de Matrix Reloaded (2003). O longa arrecadou US$ 370,8 milhões só nos Estados Unidos, permanecendo como o filme de "classificação R" de maior bilheteria no mercado doméstico (Estados Unidos e Canadá) por vinte anos até ser superado por Deadpool & Wolverine, que obteve uma receita bruta doméstica de US$ 395,6 milhões. O filme vendeu cerca de 59,6 milhões de ingressos nos Estados Unidos em seu lançamento original nos cinemas.
The Passion Recut
Uma versão reeditada intitulada "The Passion Recut" foi lançada nos cinemas em 11 de março de 2005, com cinco minutos da violência mais explícita deletados, na esperança de atrair mais espectadores, tornando o filme acessível aos consumidores que acharam o corte original muito horrível. O presidente da Newmarket Films, Bob Berney, declarou: "Eu conhecia muitas pessoas que queriam vê-lo, mas não puderam ir... Eles estavam muito nervosos ou melindrosos". Gibson explicou seu raciocínio para esta versão reeditada:.mw-parser-output .flexquote{display:flex;flex-direction:column;background-color:#F1F1F1;border-left:3px solid #C7C7C7;font-size:100%;margin:1em 4em;padding:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.flex{display:flex;flex-direction:row}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.quote{width:100%}.mw-parser-output .flexquote>.flex>.separator{border-left:1px solid #C7C7C7;border-top:1px solid #C7C7C7;margin:.4em .8em}.mw-parser-output .flexquote>.cite{text-align:right}@media all and (max-width:600px){.mw-parser-output .flexquote>.flex{flex-direction:column}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .flexquote{background-color:transparent}}
Mídia doméstica
Em 31 de agosto de 2004, o filme foi lançado em VHS e DVD na América do Norte pela 20th Century Fox Home Entertainment, que inicialmente rejeitou a distribuição nos cinemas. Assim como no lançamento original nos cinemas, o lançamento do filme em formatos de vídeo doméstico provou ser muito popular. As primeiras estimativas indicaram que mais de 4,1 milhões de cópias foram vendidas em seu primeiro dia de venda, com 2,4 milhões comercializados até as 15h da mesma data. Na versão em DVD, A Paixão de Cristo estava disponível com legendas em inglês e espanhol, enquanto que o VHS continha legendas em inglês. O filme foi lançado pela primeira vez em Blu-ray na América do Norte em uma edição de dois discos no dia 17 de fevereiro de 2009.
Estreias na televisão
No Brasil, a Rede Record (de propriedade do bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus) comprou os direitos do filme vencendo a Rede Globo, que não aceitou cobrir a proposta financeira da Fox, que distribuiu o filme no país. A Record apresentou o filme de maneira inédita em 3 de novembro de 2006, às 20h30 em sua sessão de filmes Tela Máxima. Entretanto, o filme foi exibido sem dublagem e com legendas em português; sobre a transmissão legendada, o então diretor da Fox Film do Brasil, Eli Wahba, declarou: "Mel Gibson tem que aprovar o negócio. Ele não deixa tocarem no filme, não admite dublagens. É bem provável que só seja exibido em aramaico [mais hebraico e latim, as línguas faladas no filme] com legendas". A Paixão de Cristo só teve sua dublagem autorizada no país em 2015, através de um acordo direto envolvendo Gibson, a Fox e a Record, que o exibiu pela primeira vez com áudio em português em 3 de abril daquele ano na Super Tela; na ocasião, o filme alcançou uma audiência satisfatória para a emissora, deixando-a no segundo lugar na audiência do horário com 9 pontos de média no IBOPE ante 14 da Globo.
Resposta da crítica
No agregador de resenhas cinematográficas Rotten Tomatoes, A Paixão de Cristo tem uma taxa de aprovação de 50% com base em 276 avaliações de críticos, obtendo uma nota média de 4,9 de 10 sob o seguinte consenso crítico: "O zelo do diretor Mel Gibson é inconfundível, mas A Paixão de Cristo deixará muitos espectadores emocionalmente esgotados em vez de espiritualmente elevados". No Metacritic, o filme possui a pontuação 47/100 com base em 44 críticos, indicando "críticas mistas ou médias". Contudo, o filme se mostrou muito bem recebido pelos seus espectadores nos cinemas, com A Paixão de Cristo recebendo uma rara nota média "A+" pelo CinemaScore.
Prêmios e indicações
Premios del Círculo de Escritores Cinematográficos (Espanha)
Precisão histórica e bíblica
Apesar das críticas de que Gibson deliberadamente adicionou material aos relatos históricos da Judeia do primeiro século e aos relatos bíblicos da crucificação de Cristo, alguns estudiosos defendem que o filme não se preocupa principalmente com a precisão histórica. O estudioso bíblico Mark Goodacre protestou que não conseguiu encontrar um exemplo documentado de Gibson afirmando explicitamente que o filme é historicamente preciso. Gibson foi citado dizendo: "Acho que meu primeiro dever é ser o mais fiel possível ao contar a história para que ela não contradiga as escrituras. Agora, contanto que não fizesse isso, senti que tinha uma margem bastante ampla para interpretação artística e para preencher alguns dos espaços com lógica, com imaginação, com várias outras leituras". Um exemplo é uma cena em que Judas Iscariotes é mostrado sendo atormentado por demônios na forma de crianças. Outra cena mostra Satanás carregando um bebê demoníaco durante a flagelação de Cristo, interpretada como uma perversão das representações tradicionais da Madona com o Menino e também como uma representação de Satanás e do anticristo. Segundo a descrição de Gibson:
Endosso papal contestado
Em 5 de dezembro de 2003, o coprodutor de A Paixão de Cristo, Stephen McEveety, deu uma versão bruta do filme ao Arcebispo Stanisław Dziwisz, secretário do papa. O Papa João Paulo II assistiu ao filme em seu apartamento particular com o Arcebispo Dziwisz naquela noite e mais tarde se encontrou com McEveety e Jan Michelini, um italiano que serviu como assistente de direção no filme. Em 17 de dezembro, a colunista do Wall Street Journal, Peggy Noonan, relatou que João Paulo II havia dito que o filme "É como deveria ser", citando McEveety, que disse ter ouvido isso de Dziwisz. Noonan enviou um e-mail a Joaquín Navarro-Valls, chefe do gabinete de imprensa do Vaticano, para confirmação antes de escrever sua coluna, surpresa que Navarro-Valls, "notoriamente de boca fechada", tenha aprovado o uso da citação "como deveria ser", e sua resposta por e-mail afirmou que ele não tinha nenhum outro comentário naquele momento. O jornalista do National Catholic Reporter, John L. Allen Jr., publicou um relato semelhante no mesmo dia, citando um alto funcionário não identificado do Vaticano. A Reuters e a Associated Press confirmaram a história de forma independente, citando fontes do Vaticano.
Alegações de antissemitismo
Antes do lançamento do filme, houve críticas proeminentes ao seu conteúdo supostamente antissemita. Foi por esse motivo que a 20th Century Fox decidiu não distribuir o filme nos Estados Unidos (mesmo tendo sinalizado previamente um acordo com Mel Gibson), informando ao deputado nova-iorquino judeu Dov Hikind que um protesto em frente ao prédio da News Corporation, então proprietária da Fox, os fez desistir do filme. Hikind alertou outras empresas que "não deveriam distribuir este filme. Isso é prejudicial para os judeus em todo o mundo". Uma comissão conjunta da Secretaria de Assuntos Ecumênicos e Inter-religiosos da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos e do Departamento de Assuntos Inter-religiosos da Liga Antidifamação obteve uma versão do roteiro antes de sua estreia nos cinemas. Eles divulgaram um comunicado, chamando-o de "um dos textos mais problemáticos, em relação ao potencial antissemita, que qualquer um de nós já viu em 25 anos. Deve-se enfatizar que o enredo principal apresentou Jesus como tendo sido implacavelmente perseguido por uma conspiração maligna de judeus, liderada pelo sumo sacerdote Caifás, que chantageou um Pilatos covarde para que condenasse Jesus à morte. Este é precisamente o enredo que alimentou séculos de antissemitismo dentro das sociedades cristãs. Este também é um enredo rejeitado pela Igreja Católica Romana no Vaticano II em seu documento Nostra aetate, e por quase todas as principais igrejas protestantes em documentos paralelos. A menos que este enredo básico tenha sido alterado pelo Sr. Gibson, um católico marginal que está construindo sua própria igreja na área de Los Angeles e que aparentemente não aceita nem os ensinamentos do Vaticano II nem a erudição bíblica moderna, A Paixão de Cristo retém um potencial real para minar o repúdio ao antissemitismo cristão clássico pelas igrejas nos últimos 40 anos".
Críticas à violência excessiva
A. O. Scott escreveu para o The New York Times: "A Paixão de Cristo é tão implacavelmente focada na selvageria das últimas horas de Jesus que este filme parece surgir menos do amor do que da ira, e ter mais sucesso em atacar o espírito do que em elevá-lo". David Edelstein, crítico de cinema da Slate Magazine, apelidou o filme de "um filme de terror de duas horas e seis minutos. Uma espécie de The Texas Chain Saw Massacre que pensa ser um ato de fé", e criticou ainda Gibson por se concentrar na brutalidade da execução de Jesus, em vez de seus ensinamentos religiosos. Em 2008, o escritor Michael Gurnow, para a American Atheists, afirmou praticamente o mesmo, rotulando a obra como um filme snuff do mainstream. O crítico Armond White, em sua crítica do filme para o portal Africana.com, ofereceu outra perspectiva sobre a violência no filme; ele escreveu: "Certamente Gibson sabe (melhor do que qualquer um em Hollywood está disposto a admitir) que a violência vende. É problemático que, desta vez, Gibson tenha feito um filme que pede uma resposta sensível, séria e pessoal à violência, em vez de sua glorificação usual da vingança".
Imagem: Universidade Lusíada de Lisboa · BY-NC-SA · Openverse
Relatos e rumores de uma sequência circulam há anos. Em junho de 2016, o escritor Randall Wallace afirmou que ele e Gibson começaram a trabalhar em uma sequência de A Paixão de Cristo, que se concentrará na ressurreição de Jesus e nos eventos que cercam a mesma. Em 2018, Caviezel disse que Gibson já havia lhe enviado três rascunhos do roteiro. Em 2020, Caviezel disse que o filme seria intitulado "The Passion of the Christ: Resurrection" e previu: "Será o maior filme da história mundial". Em julho de 2023, Gibson afirmou que a sequência "viria em breve" e que estava trabalhando em duas versões do roteiro, dizendo: "uma delas é um roteiro muito estruturado e muito forte e meio que mais do que se deveria esperar e a outra é como uma experiência psicodélica". Em setembro de 2024, Gibson teria começado a estudar várias possíveis locações com uma equipe de produção na Europa. Em janeiro de 2025, durante uma aparição no podcast The Joe Rogan Experience, Gibson anunciou o título do filme como "The Resurrection of the Christ". Quando Rogan perguntou se ele estaria reformulando o personagem principal, Gibson confirmou que Caviezel reprisaria o papel e acrescentou que o uso de CGI e vários efeitos especiais seriam usados para permitir que o ator parecesse ter a mesma idade do primeiro filme.


