Pesquisa · Mapa mental

A Pedra do Reino

A Pedra do Reino é uma minissérie brasileira produzida e exibida pela TV Globo de 12 a 16 de junho de 2007, em 5 episódios.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
01

Enredo

Imagem: Matheus Jampa da Silva · BY-SA · Openverse

A história é narrada por Pedro Diniz Ferreira Quaderna, em três momentos. No primeiro, ele está preso durante o período do Estado Novo (1937-1945), em Taperoá, na Paraíba, e começa a escrever sua história, a partir das memórias de seus ancestrais. No segundo, aparece como um velho palhaço que conta seu passado num teatro improvisado no centro do vilarejo. Por fim, enfrenta o juiz corregedor que investiga a morte de seu padrinho, dom Pedro Sebastião Garcia-Barreto.

02

Produção

Imagem: Matheus Jampa da Silva · BY-SA · Openverse

A produção foi uma homenagem aos 80 anos do escritor, dramaturgo e poeta nordestino Ariano Suassuna, autor do livro-base (Romance d)a Pedra do Reino (e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta). Esta é a terceira realização de Luiz Fernando Carvalho com base em obras do autor paraibano, após os filmes Uma mulher vestida de sol (1994) e A farsa da boa preguiça (1995)—este último para a televisão. Os artistas regionais coordenados pelo artista plástico Raimundo Rodriguez participaram da equipe de produção de arte. A trilha foi composta por Antônio Madureira (Quinteto Armorial) e Marco Antônio Guimarães (Uakti). A transposição para TV apresentou características exploradas pelo Movimento Armorial, movimento cultural-artístico fundado por Ariano Suassuna para promover a ligação da arte de formação técnica erudita com base em tradições da cultura popular nacional. As gravações aconteceram na cidade de Taperoá, na Paraíba, onde Ariano Suassuna passou sua infância. Durante o processo de preparação, equipe e elenco assistiram a palestras, em pleno sertão, da atriz Fernanda Montenegro, do psicanalista Carlos Byngton e do próprio escritor. Ariano Suassuna declarou que a recriação de Luiz Fernando Carvalho para seu Romance d’A Pedra do Reino resultou numa obra "extraordinariamente bela que o comoveu como autor e como pessoa, como espectador". A relação construída entre Luiz Fernando Carvalho e Ariano Suassuna está registrada na autobiografia póstuma do autor paraibano.

Projeto Quadrante

A partir de A Pedra do Reino, Luiz Fernando Carvalho criou o Projeto Quadrante, uma série de programas regionais de dramaturgia através de adaptações de textos literários de autores naturais de cada estado do Brasil. Da mesma forma, atores locais encenariam os textos. A riqueza do projeto esteve na descoberta de talentos regionais: autores, atores, compositores, artistas em geral. O projeto prestigiou o potencial humano de cada cultura regional, superando a visão simplista do cartão postal. Além de A Pedra do Reino, compuseram o Quadrante as minisséries Capitu (2008)—baseada no livro Dom Casmurro de Machado de Assis—e Dois Irmãos (2017) de Milton Hatoum.

Escolha do elenco

O elenco foi resultado de uma extensa pesquisa do diretor em busca de talentos por todo o sertão nordestino. Entre outros, A Pedra do Reino marca a estreia dos atores Irandhir Santos e Mayana Neiva e da cantora Renata Rosas na teledramaturgia.

03

Audiência

Imagem: User:Max Brito · BY-SA · Openverse

A audiência da estreia do programa foi de 12 pontos, deixando a Globo em 3º lugar, atrás da Record, que exibia Vidas Opostas e O Aprendiz (16,1 pontos), e do SBT que exibia o filme Lara Croft - Tomb Raider (13,8 pontos). Foi a menor audiência do canal nesse horário, desde que o Ibope começou a ser medido com os métodos atuais. No 2º dia de exibição, a minissérie teve um desempenho ainda pior: 9,4 pontos. No 3º capítulo a série teve 11 pontos, mesmo com a ajuda de A Grande Família, que teve 36 pontos de média. Na média final, marcou 11 pontos na Grande São Paulo.

04

Recepção

Imagem: Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) · BY-NC-SA · Openverse

A minissérie recebeu, em 2008, o prêmio de Melhor Direção de Fotografia, oferecido pela Associação Brasileira de Cinematografia (ABC). Para o crítico Ricardo Calil, "é muito fácil dizer o que não é A Pedra do Reino: ela não é uma visão folclórica do Nordeste como as perpetradas recentemente pela TV e pelo cinema brasileiros; não adere ao naturalismo rasteiro das telenovelas e dos filmes que assimilam esse estilo; não tem uma narrativa linear e uma estética industrial. Segue mesmo a lógica dos sonhos, com delírios visuais de intenso brilho e elipses de tempo, com desorientações espaciais e suspensões de sentido – o que leva a um resultado arrebatador e imperfeito, mas nunca banal ou pasteurizado". Na opinião de Rodrigo Fonseca, é "a mais radical das odisseias empreendidas pelo diretor Luiz Fernando Carvalho pelas veredas do gosto médio do telespectador brasileiro. Odisseias idealizadas para provar que um país que ainda lê tão pouco pode ser mobilizado pela TV para ouvir falar em literatura".

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando