The Truman Show
The Truman Show é um filme norte-americano de comédia dramática de 1998, dirigido por Peter Weir e escrito por Andrew Niccol. Estrelado por Jim Carrey, mostra a vida de Truman Burbank, que vive numa realidade simulada transmitida 24 horas por dia para bilhões. Ao desconfiar da realidade, ele busca descobrir a verdade. Também atuam Laura Linney, Noah Emmerich, Natascha McElhone e Ed Harris.
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Truman Burbank viveu toda sua vida, mesmo antes do nascimento, sob as câmeras do Show de Truman, sem saber disso. Sua vida é filmada por milhares de câmeras escondidas, transmitidas ao vivo para o mundo. A cidade de Truman, Seahaven, é um cenário dentro de um enorme domo, habitado por atores e equipe, onde o produtor executivo Christof controla todos os aspectos, até o clima. Para impedir que Truman descubra a verdade, Christof cria obstáculos, como “matar” seu pai numa tempestade para criar medo de água, divulgar perigos de viajar e transmitir programas que valorizam ficar em casa. Apesar do controle, Truman age de forma inesperada, apaixonando-se por Sylvia, uma figurante, ao invés de Meryl, a atriz que interpreta sua esposa. Sylvia é removida, mas Truman lembra dela e começa a imaginar uma vida ao seu lado. Ela faz parte da campanha "Liberte Truman" para libertá-lo do programa. No aniversário de 30 anos do programa, Truman percebe sinais estranhos: um refletor cai do céu, ele ouve conversas da equipe na rádio do carro e seu pai, antes dado como morto, reaparece disfarçado. Truman começa a desconfiar que tudo gira em torno dele, com repetição diária de situações. O casamento com Meryl se deteriora, e ele tenta fugir, mas obstáculos como voos cancelados, trânsito e incêndio o prendem. Depois que Meryl é removida, Christof traz o pai de Truman de volta para mantê-lo, mas Truman se isola no porão. Numa noite, ele escapa por um túnel secreto, forçando Christof a suspender temporariamente a transmissão, o que gera entusiasmo entre os telespectadores, inclusive Sylvia.
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Andrew Niccol completou um tratamento de uma página intitulado The Malcolm Show em maio de 1991. O rascunho original tinha mais o tom de um thriller de ficção científica, com a história se passando em Nova Iorque. Disse: "Eu acho que todos perguntam sobre a autenticidade de suas vidas em certos pontos. É como quando as crianças perguntam se são adotadas". No outono de 1993, o produtor Scott Rudin comprou o roteiro por um pouco mais de um milhão de dólares e a Paramount Pictures concordou imediatamente em distribuir o filme. Parte do acordo envolvia Niccol tendo sua estreia na direção, apesar de a Paramount achar que o orçamento estimado de 80 milhões de dólares ser muito alto para ele – o estúdio queria um diretor renomado nos créditos, e acabaria pagando uma comissão extra para Niccol "deixar" o cargo. Brian De Palma estava em negociações para dirigir antes de deixar o projeto em março de 1994. Diretores considerados depois de Palma incluíam Tim Burton, Terry Gilliam, Barry Sonnenfeld e Steven Spielberg, antes de Peter Weir ser escolhido em 1995, após recomendação de Niccol.
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A trilha sonora de The Truman Show foi composta por Burkhard Dallwitz. Dallwitz foi contratado depois de Peter Weir ter recebido uma fita com seu trabalho enquanto estava na Austrália para a pós-produção. Algumas partes da trilha sonora foram compostas por Philip Glass, incluindo quatro peças que apareceram em seus trabalhos anteriores (Powaqqatsi, Anima Mundi e Mishima: A Life in Four Chapters, o movimento de abertura do último aparece no final do filme e no início dos créditos finais). Glass também aparece rapidamente no filme como um dos artistas musicais do estúdio. Tanto Dallwitz como Glass venceram o Golden Globe Award de Melhor Trilha Sonora Original. Além da trilha de Dallwitz e Glass, também estão no filme "Romance-Larghetto", de Frédéric Chopin, de seu primeiro concerto para piano, tocado por Arthur Rubinstein; "Rondo Alla Turca", de Wolfgang Amadeus Mozart, de sua sonata para piano n.º 11, tocado por Wilhelm Kempff; "Father Kolbe's Preaching", de Wojciech Kilar, tocada pela Orquestra Filarmônica Nacional da Polônia; e "20th Century Boy", da banda The Big Six.
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Mídia
"Esse foi um filme perigoso de se fazer porque não poderia acontecer. Quão irônico." —Peter Weir sobre The Truman Show prevendo a ascensão dos reality shows. Em 2008, a revista norte-americana Popular Mechanics nomeou The Truman Show como um dos dez mais proféticos filmes de ficção científica. O jornalista Erik Sofge discute que a história reflete a falsidade dos reality shows. "Truman simplesmente vive, e a popularidade do programa é um voyeurismo direto. E, como Big Brother, Survivor e qualquer outro reality show no ar, nada de seu ambiente é real". Ele considerou uma estranha coincidência que o Big Brother teve sua estreia um ano após o lançamento do filme; ele também comparou The Truman Show com o programa The Joe Schmo Show: "Diferentemente de Truman, Matt Gould podia ver as câmeras, porém todos os outros competidores eram atores contratados, interpretando os papéis de vários estereótipos dos reality shows. Enquanto Matt eventualmente conseguiu todos os prêmios na disputa fraudada, a piada recorrente central do programa era a mesma estimativa existencial de The Truman Show". Weir declarou, "Sempre existiu essa pergunta: o público está ficando mais burro? Ou nós os cineastas o estamos padronizando? É isso que eles querem? Ou é o que estamos dando a eles? Porém o público foi ao meu filme em grande número. E isso tem de ser encorajador".
Interpretação psicológica
Uma dissertação publicada no International Journal of Psychoanalysis analisa Truman como:
Analogias religiosas e literárias
Benson Y. Parkinson, da Association for Mormon Letters, nota que Christof representa Jesus como um "off-Christ" ("fora-Cristo", de "Christ-off") ou Anticristo, comparando os produtores megalomaníacos de Hollywood com Lúcifer. A conversa entre Truman e Marlon na ponte foi comparada a de Moisés com Deus na Bíblia. Em C.S. Lewis & Narnia for Dummies, de Richard Wagner, Christof é comparado a Screwtape, o personagem epônimo do livro The Screwtape Letters, de C. S. Lewis. Nesse exemplo, Christof manipula Truman para seus próprios fins pessoais, como Screwtape instrui seu sobrinho Wormwood para manipular seu paciente. Screwtape instrui Wormwood que ele "devia guardá-lo como se fosse algo precioso". Similarmente, alguns dos trabalhadores na sala de controle usam uma camiseta que diz "ame-o, proteja-o". Finalmente, tanto Truman como o paciente deixam o mundo: Truman ao atravessar a porta e o paciente ao morrer. Screwtape descreve a ação no livro dizendo, "Ele atravessou tão facilmente. Absoluto, libertação instantânea".
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Lançamento
A data de lançamento original de The Truman Show era 8 de agosto de 1998, porém a Paramount Pictures considerou adiá-lo até o Natal. A NBC comprou os direitos de exibição do filme na televisão em dezembro de 1997, por volta de oito meses antes do lançamento nos cinemas. O filme estreou nos Estados Unidos em 5 de junho de 1998, arrecadando 31 542 121 dólares em seu primeiro fim de semana. Se tornou um sucesso comercial, arrecadando 125 618 201 dólares na América do Norte e 138 500 000 dólares no resto do mundo, para um total mundial de 264 118 201 dólares. The Truman Show foi o 11º filme em arrecadação de 1998. The Truman Show foi aclamado pela crítica especializada. Baseado em 99 resenhas coletadas pelo site americano Rotten Tomatoes, o filme possui um índice de aprovação de 95 por cento. O consenso é o de que é "um filme engraçado e instigante. The Truman Show é ainda mais notável por sua visão incrivelmente profética de uma cultura de celebridades e de uma nação com uma sede insaciável de detalhes privados de vidas ordinárias". Por comparação, no agregador Metacritic, baseado em 30 resenhas, o filme possui um indíce de 90/100, indicando "aclamação universal". Roger Ebert, comparando o filme a Forrest Gump, achou que The Truman Show tinha o equilíbrio correto entre comédia e drama. Ebert também ficou impressionado com a interpretação de Jim Carrey. Kenneth Turan do Los Angeles Times escreveu que "The Truman Show é emocionalmente envolvente sem perder a habilidade de levantar intrigantes questões satíricas como também numerosas risadas. Um raro filme que é perturbador apesar de funcionar lindamente dentro das normas padrões da indústria". Posteriormente, Turan iria elegê-lo como o melhor filme de 1998.
Prêmios
No Oscar 1999, The Truman Show foi indicado em três categorias, mas não venceu nenhuma. Peter Weir recebeu uma indicação para "Melhor Diretor", enquanto Ed Harris foi indicado para "Melhor Ator Coadjuvante" e Andrew Niccol para "Melhor Roteiro Original". Muitos acreditaram que Jim Carrey iria receber uma indicação a Melhor Ator, porém isso não ocorreu. Em contraste, o filme foi um sucesso no Golden Globe Awards. Carrey ("Melhor Ator de Drama"), Harris ("Melhor Ator Coadjuvante") e Burkhard Dallwitz e Philip Glass ("Melhor Trilha Sonora Original") venceram em suas respectivas categorias. The Truman Show também foi indicado para "Melhor Filme de Drama", Weir para "Melhor Diretor" e Niccol para "Melhor Roteiro".
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Joel Gold, um psiquiatra do Bellevue Hospital Center, revelou, em 2008, que ele encontrou cinco pacientes com esquizofrenia (e soube de outros doze) que acreditavam que suas vidas eram um reality show. Gold chamou a síndrome de "A Delusão do Show de Truman", em homenagem ao filme, e atribuiu a delusão a um mundo que "ficou faminto por publicidade". Gold disse que alguns pacientes estavam felizes com sua doença, enquanto "outros estavam atormentados. Um deles viajou até Nova Iorque para verificar se o World Trade Center tinha realmente caído, acreditando que o 11 de setembro era um elaborado enredo em sua linha de história pessoal. Outro escalou a Estátua da Liberdade, acreditando que ele iria reencontrar sua namorada de escola no topo e ser libertado do programa". Em agosto de 2008, o British Journal of Psychiatry relatou casos similares no Reino Unido. A delusão foi informalmente chamada de a "Síndrome de Truman" de acordo com uma história de 2008. Ao saber sobre a condição, Niccol afirmou: "Você sabe que chegou lá quando tem uma doença nomeada em sua homenagem".


