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A Última Porta Antes da Noite

A Última Porta Antes Da Noite é o 29º romance do escritor português António Lobo Antunes publicado pela primeira vez em 2018.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 16/07/2026
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Resumo

A Última Porta Antes da Noite desenrola-se em torno dum crime real ainda em investigação. Um empresário é assassinado e o seu corpo dissolvido em ácido sulfúrico para eliminar qualquer prova. Vários homens estão envolvidos, entre eles dois advogados irmãos. Este é o episódio central, consistindo os 25 capítulos do romance da narrativa, no pensamento de cada um, de momentos da vida, do íntimo e do quotidiano de cinco personagens: o “cobrador do bilhar”, o “segundo cobrador”, o “ervanário”, o “irmão do doutor” e o “doutor”, este sendo o mandante do crime que todos acreditam ter sido bem montado designadamente porque “sem corpo não há crime”.

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Título

Segundo Isabel Lucas, o título do romance é uma evocação por Lobo Antunes da ópera O Castelo do Barba Azul do compositor húngaro Bela Bartók. Judite é levada pelo duque de Barba Azul para o seu castelo como sua quarta mulher. Intrigada com as sete portas fechadas de um salão convence-o a abri-las sucessivamente, acedendo aos mistérios da vida dele que são revelados na sétima e última porta.

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Apreciação

Para Isabel Lucas, no Público, o romance é narrado num singular fluxo de consciência, técnica recorrente de Lobo Antunes, desta vez com uma depuração ainda maior de linguagem expressiva do ser de cada uma das personagens. Todos contam a si mesmos a versão do episódio central que se reinventa e contextualiza de acordo com os fantasmas, ambições, subtilezas da existência de cada um, ainda que com fixações comuns: o medo do escuro, a paixão silenciosa pela “irmã do homem” assassinado, o voo das “todavias” (pássaro reinventado de poema de David Mourão-Ferreira). E todas as versões surgem como verosímeis, encaixando na realidade e subjectividade de cada um, revelando uma comédia humana desde o mais sensível ao grotesco. Conclui Isabel Lucas que nos 25 capítulos, os 25 anos da possível pena dos criminosos, o romance é narrado a cinco vozes, alternadas nos primeiros 15, para depois seguir uma ordem mais livre, à medida que a investigação judicial avança. E sempre que a personagem muda, a linguagem adapta-se a ela e ao ambiente, revelando Lobo Antunes, mais uma vez, o profundo conhecimento dos cambiantes da língua portuguesa. O recurso a diminutivos, a frases da cultura popular, aos matizes da língua tornam-na o seu grande instrumento, numa fase em que parece procurar a simplicidade e que nos permite penetrar na casa, na infância, nos corpos, na rotina de outra gente. Gente que já teve “vontade de corrigir o texto inteiro” que é a sua própria vida.

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Fontes consultadas

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