A Verdade Sufocada
A Verdade Sufocada - A história que a esquerda não quer que o Brasil conheça (2006) é o segundo livro de memórias de Carlos Alberto Brilhante Ustra (1932–2015), coronel reformado do Exército Brasileiro e chefe dos centros de tortura e assassinato de opositores à Ditadura militar brasileira.
O livro traz a versão dos militares sobre o que aconteceu durante a ditadura, com foco maior nos atentados cometidos por grupos de esquerda durante aquele período. Contou com a colaboração da esposa do autor, que é historiadora, dando-se atenção ao contexto da Guerra Fria. Segundo Ustra e seus familiares, o livro foi boicotado pelas livrarias na época do lançamento e a família precisou financiar suas tiragens por causa das negativas de editoras. O livro recebeu atenção após ser citado por Jair Bolsonaro durante entrevista no programa Roda Viva, em 2018. No ranking semanal da Folha de S.Paulo, em 4 de junho de 2016 (menos de dois meses depois de Ustra ser saudado por Bolsonaro na sessão de impeachment de Dilma Rousseff na Câmara, em 17 de abril), a obra foi o sexto livro de não-ficção mais vendido no Brasil. Em 2018, chegou a sua 14ª edição.
Imagem: Frederico Banana · BY-SA · Openverse
O livro recebeu críticas oriundas do meio acadêmico. Historiadores e sociólogos alertaram sobre a falta de confiabilidade do livro como um documento histórico. Para o professor de sociologia da UFPE, Luciano Oliveira, "como livro de história, 'A Verdade Sufocada' é uma nulidade. Como documento histórico, tem uma serventia: é mais uma confirmação de que, dentro do que costumo chamar de sensibilidade moderna, a tortura é uma ação que, independentemente dos seus resultados, cobre de opróbrio aquele que a emprega." Neusah Cerveira, doutora em História Social pela FFLCH/USP, chama a atenção para ausência de citações bibliográficas explícitas no corpo do texto. Diz também que "é um livro extenso, embora superficial. Com título forte, mas pouco profundo".


