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Um Sopro de Vida

Um sopro de vida - Pulsações foi o último romance de Clarice Lispector. Escrito entre 1974 e 1977, foi publicado após a morte da autora em 1978. O modo como o romance foi construído remete a uma interrupção no processo de escrita do livro e denota que o mesmo só teria sido finalizado devido à morte de Clarice.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 27/07/2026
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O romance

Imagem: Juliaηo · BY-NC · Openverse

O livro apresenta um personagem anônimo, conhecido como "Autor", que por sua vez cria uma outra personagem, Ângela Pralini. Assim, a narrativa se alterna entre dois diários, um escrito pelo Autor e outro por Ângela. Após o enredamento reflexivo e hesitante das primeiras páginas, o narrador-personagem, posteriormente identificado como Autor, chega à conclusão de que terá de criar uma personagem. Adiantando que o único modo de salvar-se é “criar as próprias realidades.” O autor nos apresenta Ângela Pralini, a quem escolheu para que, através dela e de si, pudesse “entender essa falta de definição da vida.”. Ao nos anunciar a criação de sua personagem, o autor declara que seu livro “será um livro feito aparentemente por destroços de livro" através do qual pretende retratar “rápidos vislumbres” de si mesmo e de Ângela. Através de vários fragmentos, nos são apresentados os monólogos, em que, às vezes, parecem dialogar o autor e a personagem.

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O esvaziamento da narrativa

Imagem: MadalenaPestana · BY · Openverse

Um sopro de vida - Pulsações é um livro fragmentário tanto no aspecto formal quanto no fluxo narrativo, o romance é um exemplar da poética clariceana onde se encontram as principais questões literárias presentes na obra da autora. A questão da limitação da linguagem, a narrativa errante que deságua no fluxo de consciência e a relação entre autor, narrador e personagem são algumas dessas questões. Nesse livro, temos a história de um escritor que tateia no escuro premido pela falta de domínio sobre a linguagem e, posteriormente, sobre sua própria personagem. A aparente imperfeição e incompletude da obra, que transmite a sensação de uma escrita automática, passa a ser compreendida quando é feito o resgate do construto ficcional empreendido por Clarice desde sua primeira publicação. Considerando que a obra literária, na pós-modernidade, passa a ser concebida como algo em que as formas, o processo de criação e a construção da linguagem não se dão de maneira acabada, o texto literário baseia-se em uma espécie de revelação da construção da escrita. Entendemos que tal construção é resultado de uma busca por compreender uma verdade íntima, secreta e inatingível. Em Um sopro de vida, Clarice Lispector tenta alcançar essa verdade. O romance pode ser considerado um representante da busca da literatura pós-moderna, no sentido em que abrange pontos que denotam os caminhos através dos quais ela se dá: a inscrição de sujeitos (autor, narrador e personagem) que procuram sua verdade inatingível (procura que pode significar algo íntimo, e que, no entanto, revela a problemática da própria literatura que se volta para si, que se olha sem se reconhecer), a desconstrução da linguagem com o intento de dizer o indizível e a representação da figura do autor como produto, e não produtor, da escrita..

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