Mosteiro de Alcobaça
O Mosteiro de Alcobaça, também conhecido como Real Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, é um monumento histórico e religioso de grande importância, localizado na cidade de Alcobaça, na região Oeste de Portugal. Sua história remonta à Ordem de Cister e sua arquitetura reflete séculos de desenvolvimento e adaptação.
Pontos-chave
- O Mosteiro de Alcobaça é um marco da Ordem de Cister em Portugal, fundado por monges que buscavam rigor na Regra de São Bento.
- Sua construção e consolidação envolveram um complexo processo de obtenção de privilégios e doações, com forte ligação à Abadia de Claraval.
- A arquitetura do mosteiro, com destaque para a igreja e os claustros, exibe uma transição entre o românico e o gótico, com influências manuelinas.
- O mosteiro possuía um sofisticado sistema hidráulico para abastecimento de água e energia, além de jardins e áreas agrícolas.
- Partes do mosteiro foram adaptadas para um hotel, preservando elementos arquitetônicos históricos como o Claustro do Rachadouro.
A fundação do Mosteiro de Alcobaça está intrinsecamente ligada ao movimento de reforma monástica iniciado em Cister, na Borgonha, no final do século XI. Monges cistercienses, buscando um retorno ao rigor da Regra de São Bento, chegaram a Portugal em 1138, fundando o Mosteiro de São João de Tarouca e, posteriormente, estabelecendo-se em Alcobaça.
A Reforma de Cister
Em finais do século X, um novo mosteiro beneditino em Cluny, na Borgonha, buscava seguir fervorosamente a Regra de São Bento. Com o tempo, esse fervor diminuiu, levando alguns monges a fundar um novo mosteiro em Cister em 1098. Os religiosos de Cister visavam seguir estritamente a Regra de São Bento, vivendo do próprio trabalho e evitando o acúmulo de riquezas. Bernardo de Claraval impulsionou essa reforma, devolvendo o rigor inicial à Regra de São Bento.
A consolidação do Mosteiro de Alcobaça como território imune à jurisdição episcopal foi um processo complexo, que se estendeu de 1153 a 1231. Não dependeu apenas de doações régias, mas de uma estratégia para obter privilégios da Santa Sé, com forte ligação à Ordem de Cister e à Abadia de Claraval.
Obtenção de Privilégios
A consolidação do Mosteiro de Alcobaça enquanto território imune à jurisdição episcopal não dependeu apenas da doação régia de 1153, mas de uma complexa estratégia de obtenção de privilégios concedidos pelo poder apostólico da Santa Sé. Embora a construção física tenha iniciado por volta de 1152, em cumprimento da promessa de D. Afonso Henriques após a conquista de Santarém, o arquivo abacial revela uma génese normativa (pré-1152) que recua às origens da Ordem de Cister. Esta ligação era reforçada pela filiação direta à Abadia de Claraval, de onde o mosteiro importou não apenas o modelo arquitetónico, mas também a legitimidade jurídica de São Bernardo, a quem as terras foram originalmente doadas. O arquivo abacial revela uma matriz legislativa composta por bulas anteriores à fundação física do cenóbio, como a Molesmensium (1099) e a Desiderium quod (1100). A presença destes documentos em Alcobaça, contudo, não decorreu de uma concessão direta, mas da sua integração nos textos normativos da Ordem de Cister (como o Exordium Parvum) copiados pelo scriptorium para regular a vida monástica.
Igreja
A Igreja é constituída por uma nave central, duas naves laterais, e um transepto, ou cruzeiro, criando a imagem de uma cruz — planta de cruz latina. Com a particularidade de ser uma igreja-salão, onde a nave central e as laterais têm a mesma altura, criando um espaço amplo e luminoso, é discutível se a Igreja foi construída, em relação ao altar-mor, ao deambulatório e ao transepto, na forma actual ou se se desviou de forma semelhante àquela desenvolvida no mesmo período por Claraval, tendo um transepto mais curto e sem deambulatório. Todas as naves têm ca. de 20m de altura. A capela-mor é limitada a oriente por um deambulatório, ou charola, com nove capelas radiais. As outras quatro capelas vão dar, pelos dois lados, ao transepto. O comprimento total é de 106 m, a largura média é de 22 m e a largura do transepto é de 52 m. Desta forma, esta Igreja é uma das maiores abadias cistercienses, tendo sido apenas a hoje já não existente abadia de Vaucelles (132 m) maior. Apesar de a abadia de Pontigny, que se localiza igualmente em França, ter com os seus 108 m dois metros a mais, ela tem um transepto mais estreito. A igreja de Claraval, que hoje já não existe e que serviu de modelo à parte medieval do Mosteiro, tinha o mesmo tamanho. A arquitectura da igreja de Alcobaça é um reflexo da regra beneditina na procura da modéstia, da humildade, do isolamento do mundo e do serviço a Deus. Os Cistercienses partilhavam estas ideias, ornamentando e construindo a estrutura das suas igrejas de forma simples e poupada. Apesar da sua enorme dimensão, o edifício apenas sobressai através dos seus elementos de estrutura necessárias que se dirigem ao céu. Esta impressão foi restabelecida através da restauração efectuada em 1930. Neste mesmo ano ficou decidida a reconstrução nos moldes da época medieval, eliminando-se muitas construções que foram surgindo ao longo dos séculos. Infelizmente, também se eliminou um órgão. Por conseguinte, as pedras à base de calcário, que constituem o muro, ficaram visíveis, contendo muitas os símbolos do entalhador. Por isso, sabe-se que o seu trabalho era remunerado.
Caracterização arquitetónica
Com uma planta em cruz latina, a concepção arquitetónica deste monumento, desprovido, no interior, de decoração e sem imagens, como ordenava a Ordem de Cister, apresenta uma grandiosidade e beleza indiscutíveis. As naves central e laterais, inteiramente abobadadas, são praticamente da mesma altura, dando a sensação de amplo espaço, a que o processo de iluminação, românico ainda, dá pouca luz e o torna maior. As naves laterais prolongam-se pelo deambulatório, e da charola irradiam nove capelas que acompanham a abside circular, iluminada por frestas altas, o que realça o altar-mor. A segurar a parte alta da abside existem arcos-botantes, pouco vulgares nas abadias de Cister, talvez por ser um monumento de transição entre o românico e o gótico. As inovações típicas da arte gótica aparecem ainda com o aspecto de um ensaio, como por exemplo a subida das naves laterais até à altura da central. O transepto apresenta-se com duas naves, mas quando olhamos a planta da igreja, reconhecem-se três, nos alicerces e no corpo central.
Deambulatório
O deambulatório é uma obra complexa. A sua estrutura interior — o presbitério propriamente dito — articula-se com a nave por intermédio de duas paredes opostas, rectas, marcadas por dois pilares nos extremos e de cada lado; oito colunas de grande diâmetro e robustez, com capitéis de cesto troncocónico côncavo e ornamentação vegetalista muito simplificada, sustentam arcos quebrados muito aperaltados; a abóbada, nervurada e ligeira, assenta em meias colunas cuja raiz se situa acima daqueles capitéis. A parte exterior do Deambulatório é dotada de uma abóbada mais pesada e de acordo com os sistemas mais simples utilizados no restante edifício.
Sacristia
A sacristia medieval, de ca. de 100 m², que se encontrava no topo do lado norte do transepto, foi substituída, no tempo do rei D. Manuel I (1495-1521), por uma sacristia nova, com ca. de 250 m², do lado sudeste da charola. Do outro lado do átrio de entrada, construiu-se, mais tarde, a capela do Senhor dos Passos. Tanto a sacristia como a capela foram destruídas durante o terramoto de 1755. Na sua reconstrução, conservaram-se os portais manuelinos, que são uns dos poucos elementos de construção deste estilo em Alcobaça. No final da sacristia encontra-se a Capela das Relíquias (ver acima).
Panteão régio
Dentro da igreja encontram-se os túmulos dos reis D. Afonso II (1185-1223; túmulo datado de 1224) e D. Afonso III (1210-1279). Os túmulos situam-se dos dois lados da Capela de São Bernardo (contendo a representação da sua morte), no transepto sul. Diante destes túmulos, numa sala lateral, posicionam-se oito outros túmulos, nos quais se encontram D. Beatriz, mulher de D. Afonso III, e três dos seus filhos. Um outro sarcófago pertence a D. Urraca, a primeira mulher de D. Afonso II. Não se conhece a história dos outros sarcófagos, estando estes, hoje em dia, vazios, após terem sido novamente selados entre 1996 e 2000. O edifício lateral, nos quais esses sarcófagos se encontram actualmente, foi construído na sequência dos estragos causados pela grande inundação de 1774. A partir do século XVI, os sarcófagos encontravam-se no transepto a sul e, anteriormente, provavelmente na nave central.
O Mosteiro de Alcobaça é um complexo arquitetônico notável, composto por uma igreja, múltiplos claustros e outras edificações. Sua conservação e regime interno são definidos por acordos entre o Estado e a autoridade eclesiástica, seguindo concordatas entre a Santa Sé e Portugal.
Descrição Geral
O mosteiro é constituído por uma igreja ao lado da sacristia e, a norte, por três claustros seguidos, sendo cada um circundado, na sua totalidade, por dois andares, assim como também por uma ala a sul. Os claustros, inclusive o mais antigo, possuem, igualmente, dois andares. Os edifícios à volta dos claustros mais recentes possuem três andares. Entre 1998 e 2000 foi descoberto um presumível quarto claustro no lado sul da igreja. Este claustro foi, provavelmente, aplanado na sequência da destruição causada pelo terramoto de 1755 e da grande inundação de 1774. Também é possível que os vestígios dos habitantes da ala sul tenham sido eliminados em 1834. O edifício completo ainda hoje possui uma área de construção de 27 000 m² e uma área total de pisos de 40 000 m². A área construída, juntamente com o claustro sul, terá tido a dimensão de 33 500 m². A fachada principal do mosteiro, da igreja e da ala norte e sul tem uma largura de 221 m, tendo o lado norte ca. de 250 m.
A Igreja Monumental
A Igreja de Alcobaça, com planta em cruz latina, é uma igreja-salão com nave central e laterais de igual altura, criando um espaço amplo e luminoso. Possui um comprimento total de 106 m e uma largura média de 22 m, sendo uma das maiores abadias cistercienses. Sua arquitetura simples e austera reflete a Regra Beneditina, com elementos estruturais que se elevam ao céu, restaurados em 1930 para resgatar sua forma medieval.
Caracterização Arquitetónica
Com uma planta em cruz latina, a concepção arquitetónica deste monumento, desprovido, no interior, de decoração e sem imagens, como ordenava a Ordem de Cister, apresenta uma grandiosidade e beleza indiscutíveis. As naves central e laterais, inteiramente abobadadas, são praticamente da mesma altura, dando a sensação de amplo espaço, a que o processo de iluminação, românico ainda, dá pouca luz e o torna maior. As naves laterais prolongam-se pelo deambulatório, e da charola irradiam nove capelas que acompanham a abside circular, iluminada por frestas altas, o que realça o altar-mor. A segurar a parte alta da abside existem arcos-botantes, pouco vulgares nas abadias de Cister, talvez por ser um monumento de transição entre o românico e o gótico. As inovações típicas da arte gótica aparecem ainda com o aspecto de um ensaio, como por exemplo a subida das naves laterais até à altura da central. O transepto apresenta-se com duas naves, mas quando olhamos a planta da igreja, reconhecem-se três, nos alicerces e no corpo central.
O Deambulatório
O deambulatório, parte integrante da igreja, é uma obra complexa que articula o presbitério com a nave. Sua estrutura interior é sustentada por robustas colunas com capitéis ornamentados e arcos quebrados, com uma abóbada nervurada e ligeira. A parte exterior do deambulatório apresenta uma abóbada mais pesada, alinhada com os sistemas mais simples do restante edifício.
O Mosteiro de Alcobaça era circundado por um muro que abrigava diversas instalações, como jardins, áreas agrícolas e um complexo sistema hidráulico. A água era fundamental para o funcionamento do mosteiro, provendo desde o abastecimento para o Lavabo e a cozinha até a energia para moinhos.
Em 2015, foi lançado um concurso público para a construção de um hotel na zona do Claustro do Rachadouro, um investimento de 24,5 milhões de euros. O hotel, que abriu em novembro de 2022, conta com 91 unidades de alojamento e a recuperação do espaço foi assinada pelo arquiteto Eduardo Souto Moura.


