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Abayomi

As Abayomi são bonecas de pano, criação original de Lena Martins, artista e artesã natural de São Luís do Maranhão. A boneca foi criada na década de 1980, em oficinas que Lena fazia, então, com comunidades do Rio de Janeiro.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Falsa lenda das bonecas Abayomi

No final dos anos 1990, e sobretudo a partir da década de 2000, as bonecas Abayomi de Lena Martins começaram sendo associadas a uma lenda falsa, fazendo remontar a sua origem à época da escravidão. Segundo a falsa lenda, estas bonecas seriam confeccionadas a bordo de navios negreiros, por mães escravizadas que as fariam para seus filhos com os retalhos de suas roupas, as quais rasgariam à unha na esperança de os acalentar naqueles momentos dolorosos que viviam. Na falsa lenda, as Abayomi aparecem como representantes da resistência, amor de mãe, e proteção, justificando a ausência de traços faciais com um intuito de abarcar todas as etnias trazidas escravas pelos colonizadores, levando a ideais de inclusão, de coletividade e força conjunta. Não obstante, não só a origem das bonecas é comprovadamente diferente, como não existe qualquer registo ou indício histórico que sustente o relato da falsa lenda. Lena Martins lamenta a apropriação da sua criação artesanal, uma boneca que nasceu livre, pelo relato falsificado da boneca escrava, que apaga a mulher negra brasileira que a criou, a substituindo por um coletivo difuso perdido no passado remoto, no mesmo que propaga uma versão fictícia e romantizada da escravatura e mais uma vez nega aos negros e afrodescendentes brasileiros o direito a ter uma boneca criada por eles e que os represente. Segundo o manifesto publicado pelo Coletivo Abayoni, que dá continuidade à obra de Lena Martins, "tais ideias falsas reforçam o ideal colonial de apagar as autorias do povo negro, apagar nossas resistências, criações e reflexões, nos colocar umas contra as outras. Uma mulher negra que desenvolve esse artesanato genuinamente brasileiro, uma criação tão contundente e eficaz capaz de ganhar o país inteiro, é revolucionário! Deve ser dançado, cantado, comemorado por toda a comunidade e não, como vem sendo feito sistematicamente, apagado e silenciado."

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