Abdon Milanez
Abdon Felinto Milanez Jr. foi um engenheiro civil, músico erudito, compositor e administrador brasileiro. Foi diretor da Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de ter sido membro efetivo da Comissão de Propaganda e Expansão Econômica do Brasil na Europa. Como músico, foi o criador da melodia do Hino da Paraíba, dentre outras composições.
Nascido na então vila de Brejo d'Areia, Paraíba, Milanez iniciou sua formação musical ainda jovem. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1880, onde ingressou no Conservatório de Música do Rio de Janeiro para aprimorar seus estudos, principalmente na flauta. Embora sua formação mais formal tenha se concentrado na flauta — onde se destacou como titular da cadeira no então Instituto Nacional de Música —, a sua expressiva produção como compositor (incluindo óperas e música de salão) foi em grande parte resultado de seu esforço como autodidata e da vivência prática na cena musical carioca. Seu sucesso veio rapidamente no Rio de Janeiro, que era o centro cultural do país. Ele se tornou o primeiro flautista da Orquestra do Teatro Lírico Fluminense e da Orquestra do Teatro São Pedro, atuando sob a regência de nomes importantes como Carlos Gomes.
Obras e Estilo Compositivo
A obra de Milanez abrange diversos gêneros, com especial destaque para suas composições operísticas e de câmara. Seu estilo reflete a influência da ópera italiana, que era o gênero mais popular no Brasil da época. Entre suas composições mais notáveis, destacam-se: Milanez foi um compositor prolífico, com cerca de 130 composições catalogadas, e seu legado é preservado por musicólogos que buscam resgatar a riqueza da produção erudita do Nordeste.
Engenharia e administração
Milanez cursou engenharia na Escola Politécnica do Rio de Janeiro e se formou em 1880, tendo logo ido trabalhar na Companhia Estrada de Ferro Conde D’Eu e na Estrada de Ferro Pedro II, ambas em 1881. Exerceu cargos também na construção do Corcovado, em 1882, e na Comissão Fiscal dos Carris Urbanos, em 1883, assim como na Inspetoria das Terras e Colonização, em 1888. Como responsável técnico, trabalhou no Serviço de Povoamento do Solo em 1907. Politicamente, foi membro da Comissão de Propaganda e Expansão Econômica do Brasil na Europa, e percorreu vários países, tendo vivido em Genebra, Suíça. Como administrador, foi diretor da então Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro (gestão de 1916–1923), assim como diretor do lazareto da Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro, cargo este que exerceu por poucos meses.
Música
Paralelamente às outras carreiras, Milanez foi compositor, pianista, teatrólogo, tendo iniciado sua carreira artística como compositor teatral. Escrevia operetas e revistas representadas com sucesso em teatros como Sant'Ana, Lucinda, Apolo, Fênix, entre outros. Sua primeira obra, a opereta Donzela Teodora, com libreto de Arthur Azevedo, estreou em março de 1886 no Teatro Sant'Ana. Musicou ainda as peças A loteria do amor, de Coelho Neto, O bico do papagaio, de Eduardo Garrido, e A chave do inferno, de Castro Lopes, todas com muito sucesso. Embora não possuísse formação tradicional como compositor e tenha se iniciado no piano tardiamente, em sua fase de estudante, compôs polcas e valsas, publicadas pela Casa Bevilacqua.


