Abedalá ibne Ali
Abedalá ibne Ali foi um membro da dinastia abássida, que desempenhou um papel de liderança na ascensão de sua família ao poder durante a Revolução Abássida. Como governador da Síria, consolidou o controle abássida sobre a província, eliminando os remanescentes da dinastia omíada e suprimindo as revoltas pró-omíadas. Após a morte de seu sobrinho e primeiro califa abássida, Açafá, em 754, lançou uma tentativa para o título califal do irmão de Açafá, Almançor, mas foi derrotado e preso. Estava morto em 764.
Papel na Revolução Abássida
Abedalá foi um membro da família abássida e tio dos primeiros dois califas, Açafá (r. 746–754) e Almançor (r. 754–775). Pelo começo de 749, a revolta antiomíada que iniciou com Abu Muslim no Coração havia prevalecido nos territórios orientais do califado, e os exércitos coraçanes varreram o oeste através da Pérsia para as fronteiras do Iraque. Em outubro de 749, Açafá foi proclamado califa em Cufa, e rapidamente ganhou a aceitação de Abu Muslim e os cufanos, portanto prevenindo uma tentativa álida para controlar a revolução. Para cimentar o controle abássida, Açafá nomeou membros de sua família para comandar os exércitos: seu irmão, o futuro Almançor, foi enviado para liderar o Cerco de Uacite, enquanto Abedalá foi enviado para confrontar o califa omíada Maruane II na Jazira. Assim, Abedalá manteve o comando supremo na decisiva Batalha do Zabe, onde as forças abássidas derrotaram Maruane II e lideraram sua perseguição, primeiro na Síria, onde ele capturou a capital omíada de Damasco, e então na Palestina, forçando Maruane a fugir para o Egito. Seu irmão Sale seguiu Maruane para o Egito, onde o governante omíada foi capturado e executado.
Governo da Síria e supressão de revoltas omíadas
Como o primeiro governador abássida da Síria, Abedalá provou-se um inimigo implacável dos omíadas, vigorosamente perseguindo os membros da família. Segundo K. V. Zetterstéen, "ele encolheu de nenhum método para exterminá-los raiz e ramo. Durante sua estadia na Palestina, teve aproximados 80 deles assassinados de uma vez." Tão efetivo era sua perseguição, que apenas um único membro da dinastia, o neto de Maruane, Abadalá Ramane ibne Moáuia (Abderramão I), conseguiu escapar da morte e fugir ao Alandalus, onde estabeleceu uma nova dinastia omíada. Esta severa supressão, e as depredações dos vitoriosos soldados coraçanes, logo provocaram uma revolta das tribos sírias, liderada pelo governador Junde de Quinacerim (Jund Qinnasrin), Abu Aluarde ibne Alcutar. Eles foram auxiliados por Abu Maomé Alçufiani, um descendente do califa Moáuia I, que colocou-se como um candidato para reviver o Califado Omíada. Os rebeldes foram inicialmente bem-sucedidos, expulsando um exército abássida sob o irmão de Abedalá, Abedal Samade, próximo de Quinacerim (Cálcis da Celessíria), mas Abedalá finalmente conseguiu uma pesada vitória sobre eles em Marjal Acram (Marj al-Akhram) no final de 750. Abu Aluarde caiu, enquanto Abu Maomé fugiu para o deserto.
Apesar da recorrência de revoltas pró-omíadas na Jazira, pelos poucos anos seguintes Abedalá foi aparentemente capaz de assegurar a lealdade da nobreza tribal síria, e a província permaneceu sobretudo calma. Pelo tempo da morte de Açafá em junho de 754, ele aparece, ao lado de Almançor e do vice-rei do Oriente, Abu Muslim, como um dos três homens mais poderosos no califado. Açafá morreu quando dirigia-se para Meca, e em seu leito de morte nomeou Almançor como seu herdeiro. Nesse tempo, Abedalá estava preparando uma grande campanha contra o Império Bizantino, e havia reunido um grande exército para este objetivo. Após receber as notícias da morte de Açafá, proclamou-se califa, alegando que Açafá havia lhe prometido a sucessão como recompensa de seu papel na derrubada de Maruane II. A veracidade da alegação de Abedalá e o nível de legitimidade que ele gozou perante Almançor é difícil de afirmar devido a prevalência de tradições hostis após sua morte, mas, como P. Cobb comenta, "o que todos os relatos concordam sobre é que a sucessão de Açafá não foi solidamente segura antes de sua morte, e havia indícios que Abedalá "havia se pintado como um óbvio sucessor [...] nos poucos anos antes da morte de Açafá". No entanto, gozou amplo suporte na Síria, seja das tropas siro-jaziranas e elites sírias que procuravam readquirir a posição privilegiada que mantinham sob os omíadas, bem como os soldados coraçanes que ele comandou durante a revolução.


