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Abderramão I

Abderramão I, membro da dinastia omíada, foi um líder notável que fundou o Emirado de Córdova em 756, estabelecendo um governo muçulmano que perdurou por quase três séculos na Península Ibérica, conhecida como Alandalus. Sua trajetória é marcada por uma fuga dramática da Síria, exílio, lutas pelo poder e um legado de infraestrutura e tolerância religiosa.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 29/06/2026

Pontos-chave

  • Abderramão I fundou o Emirado de Córdova e a dinastia omíada em Alandalus.
  • Ele escapou de um massacre na Síria e fugiu para o norte da África antes de chegar à Península Ibérica.
  • Conquistou o poder em Alandalus, enfrentando revoltas e invasões, como a do exército franco de Carlos Magno.
  • Promoveu o desenvolvimento de infraestruturas como estradas e aquedutos, além de iniciar a construção da Grande Mesquita de Córdova.
  • Praticou tolerância religiosa, permitindo que judeus e cristãos mantivessem suas crenças mediante o pagamento de uma taxa.
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Origens e Fuga

A infância e juventude de Abderramão I foram marcadas pela ascensão e queda da dinastia omíada, forçando-o a fugir de sua terra natal e a buscar refúgio em terras distantes.

Infância e Fuga da Síria

Abderramão, neto do décimo califa omíada Hixame ibne Abedal Maleque, era descrito como alto e esbelto, com cabelos ruivos herdados de sua mãe berbere. Diziam que ele tinha um olho com visão reduzida, uma verruga no rosto e um olfato pouco aguçado. Aos menos de vinte anos, após a derrota e morte do califa Maruane II em 750 e a ascensão da dinastia abássida, Abderramão foi um dos poucos omíadas a escapar do massacre. Ele fugiu de Damasco com seu irmão Iáia, seu filho Solimão, algumas irmãs e seu ex-escravo Bedr, seguindo pelo rio Eufrates em direção ao sul.

O Exílio no Magrebe

Após a fuga da Síria, Abderramão e Bedr continuaram sua jornada pelo Egito e Sinai, rumando para o noroeste da África (Magrebe). Seu objetivo era se refugiar entre os berberes da tribo Nafza, de onde sua mãe era originária. Naquela época, o Magrebe e a Ibéria, antes sob domínio omíada, estavam em um período de instabilidade com autoridades locais buscando independência. A travessia do Egito foi perigosa, pois o governador Abderramão ibne Habibe Alfiri, antigo colaborador omíada, agora a serviço dos abássidas, enviou espiões para encontrá-lo. Com seus cabelos ruivos, Abderramão era facilmente identificável. Ele e Bedr foram protegidos por um comandante berbere e sua esposa Tecfá, que o escondeu entre seus pertences quando os soldados de ibne Habibe invadiram o acampamento.

A luta

Abderramão foi saudado pelos comandantes locais ao desembarcar no Alandalus. Durante sua curta estadia em Málaga, Abderramão conseguiu rapidamente o apoio local. Caravanas de pessoas dirigiram-se para Málaga a fim de prestarem solidariedade ao príncipe omíada que eles pensavam estar morto. Uma das mais famosas histórias sobre o período em que Abderramão esteve em Málaga diz respeito ao presente que lhe foi ofertado. O presente foi uma bela jovem escrava, mas Abderramão humildemente a devolveu ao seu proprietário dizendo: "Eu não me entregarei a nenhuma distração, seja ela de visão ou de coração, até que a Espanha esteja sobre o meu controle".[falta página] A notícia sobre a chegada do príncipe espalhou-se pela Península.

Um tênue governo

Realmente, Abderramão apenas proclamou-se emir e não califa. Isto provavelmente foi devido ao fato de que Alandalus fosse uma terra formada por diferentes facções e a proclamação como califa teria causado grande inquietação entre elas. Os descendentes de Abderramão, contudo, teriam uma melhor oportunidade para ficarem com o título de califa. Enquanto isso, a notícia de que Alandalus havia tornado-se um território seguro para os amigos da dinastia omíada e para os membros de sua família, que conseguiram escapar da perseguição dos Abássidas, espalhou-se pelo mundo muçulmano. Abderramão finalmente conseguiu obter notícias de seu filho Solimão, que ele havia deixado com suas irmãs por ocasião de sua fuga às margens do rio Eufrates. As irmãs de Abderramão não podiam fazer essa longa viagem até Alandalus. Abderramão colocou os membros de sua família nos altos escalões de seu governo por todo o país, sem dúvida ele sentia-se mais confiança neles do que em pessoas fora de sua família. A família Omíada cresceria novamente e prosperaria por sucessivas gerações. Porém, em 763 Abderramão teve que voltar aos assuntos de guerra. Alandalus foi invadida por um exército abássida.

Problemas na fronteira norte

Saragoça provou ser uma cidade muito difícil de ser governada, não apenas por Abderramão, mas também por seus predecessores. Nos anos 777 e 778, vários homens notáveis incluindo Solimão Alárabe, o autoproclamado governador de Saragoça, encontrou-se com delegados do líder dos Francos, Carlos Magno. "O exército de Carlos Magno foi chamado para ajudar os governadores muçulmanos de Barcelona e Saragoça para lutar contra o emir omíada em Córdova [...]". Essencialmente Carlos Magno foi contratado como um mercenário, embora talvez ele tivesse um plano de conquistar a área para o eu próprio império. Depois da chegada do exército de Carlos Magno aos portões de Saragoça, Solimão mudou de ideia e não autorizou a entrada dos Francos na cidade. É possível que ele tenha percebido que Carlos Magno queria tirar-lhe do poder. As forças de Carlos Magno retornaram então para a França via uma estreita passagem nos Pirenéus, onde este perdeu sua retaguarda, comandada pelo duque da Bretanha, Rolando, que recebeu o ataque de montanheses bascos e rebeldes gascões no desfiladeiro de Roncesvales (feitos guerreiros celebrados na Canção de Rolando). Esses acontecimentos fortaleceram ainda mais o poder de Abderramão, sem ter precisado envolver-se no conflito. Agora Abderramão poderia ocupar-se de Solimão e a cidade de Saragoça sem ter que enfrentar um numeroso exército cristão.

Legado

Depois desse período de conflitos, Abderramão pode voltar-se para a melhoria da infra-estrutura de Alandalus. Ele ordenou que fossem construídas ou melhoradas estradas, aquedutos e que uma nova mesquita fosse construída em sua capital, Córdova. A construção da nova mesquita iniciou-se por volta do ano 786 aproveitando a estrutura original de uma basílica visigótica dedicada a São Vicente. Na época ela tornou-se muito conhecida e foi considerada um local santo para muitos muçulmanos. Posteriormente, ela seria chamada de Mesquita de Córdova (hoje catedral). Abderramão sabia que um de seus filhos herdaria um dia o governo de Alandalus, mas a região ainda encontrava-se sendo fonte de constantes revoltas. Abderramão então sentiu que ele não poderia contar sempre com a população local para formar um exército leal e decidiu formar um exército pago e fixo constituído principalmente por berberes do Norte da África. Como era comum durante os anos de expansão islâmica da Arábia, a tolerância religiosa era praticada. Abderramão continuou a permitir que judeus e cristãos mantivessem e praticassem a sua fé. Eles tinham, entretanto, que pagar uma taxa por tal privilégio.

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Conquista e Consolidação

Chegando à Península Ibérica, Abderramão I enfrentou desafios para consolidar seu poder, mas demonstrou liderança e visão estratégica para estabelecer seu governo.

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