Abendanan
Abendanan, Abendanana, Abendanã, Aben-Danan ou ibn Danan é o nome duma dinastia de rabinos de Espanha e Marrocos, que dá nome à maior sinagoga de Fez. De origem antiga, o nome tem origem tanto hebraica como aramaica. Segundo os estudos genealógicos mais recentes apontam para que a família descenda de Moisés Maimónides, o erudito e médico judeu nascido em Córdova no século XII e conhecido como "Rambam".
O nome é representado por um célebre família de rabinos sefarditas dos séculos XIII a XV de origem ibérica e depois tunisina. Aparentemente deslocaram-se nos dois sentidos entre o Norte de África e a Península Ibérica, contribuindo para os estreitos laços de interdependência que caracterizam o judaísmo ibero-magrebino. Os Aben-Danan procuraram refúgio sobretudo em Fez na sequência da promulgação do Decreto de Alhambra, que expulsou todos os judeus de Espanha em 1492. Pensa-se que o nome Danan é de origem babilónica. Os Danan teriam feito parte da primeira diáspora judaica marroquina, cujos descendentes são chamados toshavim ("habitantes"), que se instalaram em Marrocos depois do Exílio na Babilónia (c. século VI a.C.), e se distinguem por manter intactos os rituais palestino-babilónicos com os atos rabínicos praticados durante exílio babilónico. O prefixo Aden ou Ibn implica, como Bar ou Bem filiação, mas com uma conotação de distinção, como acontece com os "Abencérages" ou "ibn Saoud". Aqui, este prefixo é prolongado pela raiz "Dan", que pode estar ligada à tribo de Dã, um dos filhos de Jacó. Pode ainda estar associado à prática jurídica como implica o termo dan, que significa "julgar" em hebraico. Por fim, pode ainda ser uma transformação aramaica do nome próprio Dan ou Daniel durante o Exílio da Babilónia.
Reinaugurada em 25 de fevereiro de 1999, é uma das joias da cultura judaica e um espaço privilegiado para o judaísmo marroquino, de que se afirmam herdeiros mais de um milhão de judeus em todo o mundo. O edifício data de meados do século XVII e encontrava-se muito degradado, em risco de ruína, antes de das obras de restauro, que custaram dois milhões de euros. As inscrições em hebraico sobre as lajes murais permitem conhecer a história dos Aben Danan e a erudição dos seus membros. Classificada como Património Mundial pela UNESCO, juntamente com outros três locais de culto em Fez, a sinagoga Aben Danan (ou ibn Danan) foi a primeira a ser restaurada devido ao seu papel preponderante na cultura e religião hebraicas em todo o Magrebe. A família Danan de Fez, os seus parentes e amigos, constituídos numa associação em Paris, estiveram entre os contribuintes para as obras de restauro da sinagoga.
Há ainda vestígios da passagem de alguns Aben Danans noutros países europeus, como os Países Baixos e a Grã-Bretanha, nos séculos XV e XVI.


