Abertura econômica da China
A Abertura Econômica da China se deu a partir de 1976 quando Mao Tse-Tung morreu e Deng Xiaoping conquistou o poder político. Reforma e abertura (改革开放) foi lançada oficialmente no final de 1978 durante o período "Boluan Fanzheng". As reformas estagnaram após o Massacre da Praça da Paz Celestial em 1989, mas foram revividas em 1992 após a viagem de Deng Xiaoping ao sul. As mudanças praticadas por este governo, que vão até o final dos anos de 1990, tiveram um caráter mais econômico do que político, rumo à conquista da mística chinesa de se considerarem culturalmente como o "Império do Meio" ou "o país que está no centro do planeta Terra", o que corresponderia a uma suposta posição de serem a "única superpotência econômica, política, tecnológica, social e cultural do mundo".
Imagem: PCdoBnaCamara · BY-NC · Openverse
A China continental ou "a Terra do Meio ou Centro do mundo", como diz o significado da palavra China, é um território que possui uma civilização milenar (mais de 4 mil anos de história). Durante o século XIX, recebeu uma forte interferência das principais potências industrializadas e imperialistas da Europa Ocidental (Reino Unido, França, Alemanha, Itália e também dos Estados Unidos da América, sem descartar a Rússia e Portugal no século XVI). A presença destas potências incomodava uma pequena parcela da já então gigante população chinesa em virtude de ameaças à soberania das classes dominantes rurais, em um momento em que havia uma China com estruturas semifeudais baseadas em princípios do confucionismo . Consequentemente, o descontentamento se popularizou e um grupo de estudantes, filhos de grandes membros da classe dominante rural, se organizou e fundou, em 1905, um partido político que defendia os supostos interesses da nação, da cultura e dos ideais chineses e que condenava a presença das tais potências industrializadas. Sun Yat-Sen conseguiu fundar o Partido Nacionalista Chinês, conhecido por Kuomintang, e passou a defender a formação de um Estado-Nação chinês com interesses imperialistas e capitalistas, uma vez que o Japão, grande rival, já demonstrava, por meio da Era Meiji, o seu planejamento capitalista expansionista para abrir a economia ao mundo ocidental.
Imagem: PCdoBnaCamara · BY-NC · Openverse
Diante de uma série de críticas, a pressão política aumentava e um dos críticos era Chiang Kai-shek, chefe da Academia Militar do Kuomitang. Em 1923 o líder do Kuomitang, Sun Yat-sen, requisita apoio do Comintern para reorganização partidária e passa a contar com assistência logística e militar da União Soviética e leva o Kuomitang se unir ao Partido Comunista Chinês na Primeira Frente Unida. Os dois partidos unem-se para governar, com mais apoio, a China rumo a uma estruturação de caráter capitalista. Porém, este governo bipartidário também não conseguiu proporcionar melhorias na qualidade de vida da população rural, que continuava a se rebelar contra a interferência dos países europeus ocidentais e dos poderosos senhores da guerra chineses. Em abril de1927, os setores mais à direita e conservadores do Kuomitang lançaram o que ficou conhecido como o Massacre de Xangai, assassinando os membros da ala à esquerda do Kuomitang e os comunistas de Xangai e depois fazendo o mesmo em outras cidades chinesas. Esses acontecimentos levaram a e eclosão da primeira fase da Guerra Civil Chinesa, de 1927 a 1937, entre os comunistas chineses e o Kuomitang. Nem mesmo coma invasão japonesa na Manchúria em 1931 e a formação do governo fantoche de Manchukuo fez com a guerra civil fosse paralisada. Só a partir do Incidente de Xian, em 1936, levou a formação da Segunda Frente Unida na Segunda Guerra Sino-japonesa. Com a derrota do Japão na Segunda Guerra Mundial, a aliança da Segunda Frente Unida foi desfeita e a Guerra Civil teve reinício. Mesmo contando com apoio dos Estados Unidos o governo de Chiang Kai-Chek não foi suficiente para fazer frente ao Exército de Libertação Popular do Partido Comunista Chinês, já sob liderança de Mao Tsé-Tung, que conquistaram todo o terrítório chinês Revolução Chinesa em 1949 e assumiram o controle do país organizado pelo Partido Comunista da China, enquanto Chiang Kai-Shek e seus milhares de partidários do Kuomitang se retiraram para a ilha de Taiwan.
Imagem: PCdoBnaCamara · BY-NC · Openverse
Em 1949, Mao Tse-Tung passou a ser o timoneiro da então recém-proclamada, por ele, República Popular da China. Por meio da implantação de um regime socialista com o apoio do Partido Comunista Chinês, decretou que o Estado chinês controlaria todos os meios de produção (rurais e urbanos), além de determinar a existência das fazendas coletivas ou comunas populares estatais. Até certo período, com o apoio dos soviéticos, investiu muito na indústria de base, infraestrutura e defesa. Seu grande objetivo foi o de controlar a economia, a política, a tecnologia, as forças armadas e todos os recursos naturais disponíveis no território invadido e administrado por Pequim. Suas dificuldades foram relacionadas ao fato de que, com um modelo econômico e político rígido, o país continuou a ter baixa produtividade e pouca competitividade no mercado externo. A partir de 1960, enfrentou várias manifestações de estudantes chineses descontentes com as dificuldades econômicas e tecnológicas do país. Entre 1966 a 1976, ano de sua morte, Mao Tse-Tung, impôs um conjunto de regras totalitárias resumidas em um livro denominado como o "Livro Vermelho". Para fazer cumprir estas regras, surgiu a "guarda vermelha", que forçou o fechamento de escolas e universidades por diversos anos, e milhões de professores foram criticados publicamente por não seguirem a revolução cultural.
A partir de 1978, com a substituição de Hua Guofeng pelo aliado de Deng Xiaoping, Hu Yaobang, para Secretário-geral do Partido Comunista Chinês tiveram início as reformas econômicas na China, que desde então apresenta uma das taxas mais elevadas de crescimento econômico. Com Deng Xiaoping como Líder Supremo da China e um aliado na Secretária-geral a China conseguiu reorganizar a geografia após os anos tumultados de Revolução Cultural. Seu grande objetivo foi o de abrir a economia chinesa mas controlando efetivamente as decisões por meio da forte intervenção do Estado, sem democracia. Para entrar na competição entre o período do "milagre econômico japonês" e do supercrescimento apresentado pelos países denominados como "Tigres Asiáticos", seus vizinhos geográficos. Esta China realizou inúmeras privatizações, permitindo a entrada controlada de capital estrangeiro, elaborando seu plano para o desenvolvimento econômico ou o "Reforma e Abertura" a partir da fundação das Zonas Econômicas Especiais (ZEE's) na faixa litorânea leste. Aproveitando as condições geográficas, Deng tratou de atrair o capital externo e estatal, nos seguintes setores internos:


