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Abigail de Andrade

Abigail de Andrade foi uma pintora e desenhista brasileira, premiada com a medalha de ouro por trabalhos expostos no Salão Imperial de 1884.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 28/06/2026
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Biografia

Seu pai, José Maria de Andrade, era fazendeiro de café e advogado. Em 1880, deixou sua cidade para ir aprimorar os seus desenhos no Rio de Janeiro, capital federal da época, passando a morar com sua tia Rosa Fernandes de Almada. Matriculou-se em 1882, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, o qual, em 1881, havia inaugurado um curso para turmas femininas, sendo a primeira instituição do país a receber mulheres entre seu corpo discente, antes composto apenas por homens. Sabe-se que foi aluna de Angelo Agostini e de Joaquim José Insley Pacheco. Levantou-se pouco sobre a vida dessa pintora fluminense. Porém, nota-se que, aos dezoito anos, em março de 1882, participou da primeira exposição organizada pela Sociedade Propagadora das Belas Artes, concorrendo na seção de desenhos com meia dúzia de trabalhos, tendo a crítica louvado a excelente qualidade deles.

Exposições

Expôs na Exposição Geral de Belas Artes, no ano de 1884, numa época em que as mulheres eram estimuladas a procurar a pintura e o desenho apenas como amadoras e por puro passatempo. O famoso crítico de arte Gonzaga Duque escreveu que Abigail de Andrade, ao contrário das demais pintoras de seu tempo e enfrentando o preconceito existente contra as mulheres, fez da pintura a sua profissão. A própria ganhou duas medalhas de prata e uma de ouro. O que era inédito para uma mulher. Nesta exposição, a última, a maior e a mais brilhante que se realizou no Segundo Reinado, Abigail participou na seção de pintura, apresentando quatorze trabalhos: quatro óleos representando cenas do cotidiano, dois retratos, três cópias e cinco estudos de desenho. Apesar de estreante, Abigail de Andrade foi premiada com a "Primeira Medalha de Ouro", láurea que dividiu com Thomas Georg Driendl, Giovanni Battista Castagneto e Georg Grimm. Pelo renome de seus companheiros de premiação, jamais poderia ter exposto trabalhos medíocres. Dois óleos, dentre o total da obra apresentada destacavam-se e foram eles que geraram o cobiçado prêmio: Cesto de compras e Um canto do meu ateliê.

Trágico romance e morte prematura

A artista é também lembrada pelo trágico envolvimento amoroso com seu professor, Angelo Agostini, homem casado e artista respeitado e influente na época. Foi um tremendo escândalo. Abigail deu à luz uma filha em 1888 e, devido ao preconceito da sociedade, teve que refugiar-se com o professor em Paris, levando consigo a pequena Angelina, que viria a ser, também, uma artista consagrada. Na capital francesa, perdeu o segundo filho após o parto, e morreu logo em seguida no 12º arrondissement da capital francesa.

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Obra

É diminuto o número de trabalhos atualmente conhecidos da pintora Abigail. Deve ter produzido muito pouco, sendo que seus trabalhos estão datados entre os anos de 1881 a 1889. Certamente não pintou mais do que cinquenta quadros, numa avaliação otimista e, como se sabe da existência de um número muito menor do que esta estimativa, pode-se considerar que outras obras estão perdidas ou incógnitas na casa de seus proprietários ou de pequenos colecionadores. Em 1947, Carlos da Silva Araújo em artigo publicado no Boletim de Belas Artes intitulado "Angelo Agostini e o Salão de 1884", reproduziu o Cesto de Compras em desenho de Agostini e lamentava nunca ter deparado com o nome e a obra de Abigail em livros, catálogos ou revistas. A revelação pública da obra de Abigail de Andrade só viria a acontecer em 1989, com o aparecimento do livro 150 Anos de Pintura no Brasil que traz, em cores, a reprodução de três óleos da pintora pertencentes à famosa coleção do advogado carioca Sérgio Fadel.

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Fontes consultadas

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