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Abraão

Abraão é um personagem bíblico citado em Gênesis a partir do qual teriam se desenvolvido as religiões abraâmicas, as principais vertentes do monoteísmo: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Até hoje, os arqueólogos não encontraram nenhuma prova da existência de Abraão, embora tenham sido, recentemente, encontradas as aldeias com nomes dos familiares de Abraão numa área da atual Turquia, identificada como a região de Harã. É o primeiro dos patriarcas bíblicos e fundador do monoteísmo dos hebreus. Acredita-se que Abraão teria vivido mais provavelmente entre os séculos XXI e XVIII a.C. Segundo o livro Génesis, que compõe o Pentateuco do Antigo Testamento, Deus disse a Abraão para deixar Ur com a sua família em direção à "terra que eu te indicar". Nesta terra, os seus descendentes formariam uma grande nação e herdariam uma terra "onde corre leite e mel". Sendo o povo escolhido de Deus, os hebreus conquistariam a terra prometida de Canaã, uma terra de fartura, em comparação com as que Abraão deixara para trás. Foi assim que Abraão deixou a sua vida sedentária para viajar para Canaã. Esta migração é de significado histórico comparável à epopéia de Moisés, mais tarde, trazendo os hebreus de regresso do Egito, através do Mar Vermelho.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 03/07/2026
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Narrativa bíblica

Abraão é citado no livro de Gênesis como a nona geração de Sem, o qual foi um dos filhos do patriarca Noé que tinha sobrevivido às águas do dilúvio. Segundo a Bíblia, a mais provável procedência de Abraão seria a cidade de Ur dos caldeus, situada no sul da Mesopotâmia, onde seus irmãos também teriam nascido. O final do capítulo 11 do primeiro livro da Torá, ao descrever a genealogia do patriarca hebreu, assim informa, mencionando o nome anterior de Abraão: Esta é a história da família de Terá: Terá gerou Abrão, Naor e Harã. E Harã gerou Ló. Harã morreu em Ur dos caldeus, sua terra natal, quando ainda vivia Terá, seu pai. (Gênesis 11: 27-28) O Livro dos Jubileus, considerado como uma obra apócrifa entre os judeus e cristãos, diz que Abraão, já aos catorze anos de idade, quando ainda residia em Ur dos caldeus com sua família, teria começado a compreender que os homens da terra haviam se corrompido com a idolatria adorando as imagens de escultura. Então Abraão não aceitou mais adorar ídolos com o seu pai Tera e começou a orar a Deus, pedindo-lhe que conservasse a sua alma pura do erro dos filhos dos homens e também a de seus descendentes. Diz também o livro de Jubileus, no seu capítulo 12:10, que Abraão casou-se com Sara, sua meia-irmã, no ano 49 de sua vida. E, quando o patriarca estava com 60 anos, ocorreu a morte trágica de seu irmão Harã, o pai de Ló.

Viagem para Harã

Há suposições de que Abraão anuiu nesta jornada em direção a Salém, mas teria sido o seu irmão Naor, o qual não tinha conhecimento dos ensinamentos de Melquisedeque, que os persuadiu a ficar em Harã.[carece de fontes?] No entanto, sabe-se que Harã, na Antiguidade, foi um importante ponto de passagem para as caravanas do Oriente Próximo. E talvez a prosperidade do local tenha motivado a fixação da família de Abraão neste local em que acredita-se que o clã deveria abastecer o povoado com seus rebanhos. É provável que, em Harã, Abraão tenha recebido talvez um segundo chamado divino para deixar a terra de sua família e se estabelecer na terra que Deus lhe indicaria.[carece de fontes?] Nesta passagem, logo no começo do capítulo 12 de Gênesis, Deus anuncia diretamente ao patriarca bíblico que ele se tornaria uma grande nação e não há nenhuma menção expressa de que a terra prometida seria Canaã, muito embora esta teria sido o destino que o seu pai teria buscado e veio a ser confirmado posteriormente.

A partida para Canaã

A Bíblia diz que Abraão, obedecendo as ordens de Deus, saiu com Ló de Harã, juntamente com sua esposa e seus bens, indo em direção a Canaã. O texto informa que Abraão já teria setenta e cinco anos de idade e dá a entender que já tivesse pessoas a seu serviço, embora nenhum filho. Depois dessa longa jornada de Harã até Canaã, o primeiro local onde Abraão esteve teria sido em Siquém, no carvalho de Moré, onde habitavam os cananeus. Ali Deus apareceu a Abraão e lhe confirmou a promessa de dar aquela terra à sua descendência. Tendo edificado um altar para Deus em Siquém, Abraão parte para o Sul, fixando-se num lugar entre as cidades de Betel e Ai onde se estabelece com as suas tendas e constrói um novo altar.

A seca e a viagem para o Egito

A Bíblia diz que houve fome na terra prometida que Abraão havia se estabelecido em Canaã e que, por causa disso, o patriarca e todo o seu acampamento retirou-se para o Egito. Ao chegar no país, Abraão temeu que viesse a ser morto por causa da beleza de sua mulher e, por isso, combinou com ela dizer aos egípcios que era sua irmã legítima, omitindo o fato de ser sua esposa. Assim, o faraó veio a apaixonar-se por Sara e a levou para o seu palácio, passando a favorecer Abraão. Porém, Deus castigou o rei egípcio e este mandou chamar Abraão e lhe devolveu Sara, ordenando também que deixassem o país com os seus bens. Tal parentesco de Abraão com o faraó egípcio não teria fundamentos na Bíblia porque Abraão era semita enquanto os egípcios teriam descendido de Cam [carece de fontes?], não de Sem, assim como os cananeus, os filisteus, os hititas e os amoritas.

Regresso à Canaã

A Bíblia narra que Abraão, juntamente com sua esposa e com seu sobrinho Ló, retornou do Egito para a terra de Canaã, para o mesmo local onde havia se fixado ao Sul de Betel (provavelmente Salém). Tornou-se muito rico, possuindo rebanhos de gado, prata e ouro. Prossegue o texto de Gênesis dizendo que Abraão retornou para Betel onde procurou o altar que havia feito para Deus e O invocou. Ali, no entanto, Abraão e Ló resolvem separar-se devido a contendas que havia entre os seus pastores por causa do numeroso rebanho que possuíam. Estudos não bíblicos explicam que Abraão, provavelmente, tinha interesse em se tornar um grande líder na Palestina - almejava até ser um poderoso rei naquelas terras [carece de fontes?]. O seu retorno a Salém só poderia ter este objetivo.[carece de fontes?] Melquisedeque teria recebido muito bem Abraão de volta a Salém. Assim, Abraão teria tornado-se carismático entre esse povo e um líder conquistador.

Separação de Abraão e Ló

A Bíblia relata que Abraão resolveu evitar desavenças com o sobrinho por causa do rebanho e lhe deu a opção de escolher planície que desejasse. Ló preferiu fixar-se na planície do rio Jordão, na região de Sodoma e Gomorra, que antes de ser destruída era comparada com o Jardim do Éden e com o Egito, de modo que a Abraão restou a árida Canaã. Habitou Abraão na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da campina e armou as suas tendas até Sodoma. (Gênesis 13:12) Acredita-se que Ló tinha uma personalidade diferente e se inclinava mais para assuntos materiais ligados a negócios diversos[carece de fontes?], sendo esse o motivo pelo qual ambos se separaram, indo Ló para a rica cidade de Sodoma e se dedicando ao comércio e à criação de animais.

Relação com os povos vizinhos

A Bíblia narra que houve uma guerra envolvendo nove reinos; os reinos de Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Zoar, durante doze anos pagando tributos a Quedorlaomer, rei do Elão, acabam se rebelando. Houve, então, a guerra em que Quedorlaomer e mais três reis aliados atacaram a Palestina, ferindo a vários povos e confrontando-se finalmente com os reis de Sodoma e Gomorra, vencendo-os numa batalha em Sidim. Com a derrota de Sodoma, Ló foi levado cativo com toda a sua riqueza. Sabendo disso, Abraão, com apenas trezentos e dezoito homens, lutou contra os inimigos e os perseguiu até as proximidades de Damasco, libertando Ló, sua família e o povo de Sodoma.

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Explicação contextual

Alguns acreditam que os ensinamentos de Melquisedeque teriam sido de grande importância para aquilo que a religião tem transmitido hoje sobre Abraão. Porém, Melquisedeque é citado na Torah apenas uma vez e depois em Hebreus. O que o Antigo Testamento registra são diálogos entre Abraão e Deus, mas há quem defenda a tese de que Melquisedeque teria tido uma presença maior na vida de Abraão como um verdadeiro mensageiro de Deus na terra. O apócrifo Evangelho Armênio da Infância de Jesus traz uma passagem na qual relata que o Senhor entregou a Set uma carta que foi retransmitida a Abraão. Este por sua vez a deu a Melquisedeque, rei de Salém. (Evangelho Armênio da Infância de Jesus, cap. X, 11) Posteriormente, os escribas encararam o termo Melquisedeque como sinónimo de Deus. Os registros de tantos contatos de Abraão e Sara com o anjo do Senhor podem referir-se às suas numerosas entrevistas com Melquisedeque.

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Citações

«Eu sou Javé, que te fez sair de Ur dos Caldeus, para te dar esta terra como herança… Nesse dia, Javé estabeleceu uma aliança com Abraão nestes termos: "À tua descendência darei esta terra, desde o rio do Egipto até ao grande rio, o Eufrates"» (Gênesis 15:7-18).

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