Despotismo esclarecido
Absolutismo esclarecido, também chamado de despotismo esclarecido, refere-se à conduta e às políticas dos monarcas absolutistas europeus durante os séculos XVIII e início do XIX, que foram influenciados pelas ideias do Iluminismo, adotando-as para aumentar seu poder. O conceito originou-se durante o período do Iluminismo, no século XVIII e início do século XIX. Um absolutista esclarecido é um líder não democrático ou autoritário que exerce seu poder político com base nos princípios do Iluminismo. Os monarcas esclarecidos se distinguiam dos governantes comuns por alegarem governar para o bem-estar de seus súditos. John Stuart Mill afirmou que o despotismo é um modo legítimo de governo ao lidar com bárbaros, desde que o objetivo seja o seu aprimoramento.
O despotismo esclarecido desenvolveu-se sobretudo no leste europeu (Áustria, Prússia e Rússia), Estados então recentemente constituídos, de economia em geral atrasada e essencialmente agrícola, nos quais a burguesia era muito fraca e, consequentemente, com pouco poder político. Em razão disso, o Estado teve que substituir-se à iniciativa privada, elaborando reformas administrativas e jurídicas, dirigindo a economia e orientando a educação. O despotismo esclarecido contribuiu para acelerar a modernização de alguns países. Do ponto de vista religioso, o despotismo esclarecido não encontrou homogeneidade. Em alguns países caracterizou-se por um espírito secular e, em alguns casos dentre eles, hostil à religião. Em outros, o déspota manteve alianças com a religião. O argumento para legitimar o poder dos déspotas esclarecidos também não era uniforme. Grande parte deles legitimou o seu poder com base na teoria do contrato social de Thomas Hobbes, na qual se falava sobre a necessidade de um soberano se sobrepor a outras pessoas para assegurar a ordem e evitar a guerra de todos contra todos. Também legitimaram o seu poder com o argumento de que governam por saberem fazê-lo e que, consequentemente, têm que assegurar o progresso de seus povos - de acordo com o novo ethos das Luzes.
Portugal – Marquês de Pombal
Em Portugal, o expoente máximo do despotismo esclarecido esteve no governo do Marquês de Pombal, ministro do rei D. José I. Em particular, criou a Real Mesa Censória (por Alvará de 5 Abril de 1768), com o objetivo de transferir, na totalidade, para o Estado a fiscalização das obras que se pretendessem publicar ou divulgar no Reino, o que até então estava a cargo do Tribunal do Santo Ofício, do Desembargo do Paço e do Ordinário. Estimulou ainda as denúncias como forma de controlo da sociedade. Alguns atos da sua governação foram considerados particularmente cruéis, como o Processo dos Távoras, o Incêndio das cabanas de Monte Gordo, ou o Incêndio da Trafaria, episódio que levou depois Camilo Castelo Branco a denominá-lo "Nero da Trafaria". O iluminismo está presente no incêndio das cabanas de Monte Gordo, já que visava a transferência dos pescadores para Vila Real de Santo António, uma cidade idealizada por si.
As respostas governamentais ao Iluminismo variaram amplamente. Em diversas nações com governantes poderosos, chamados de "déspotas esclarecidos" pelos historiadores, os líderes do Iluminismo foram bem recebidos na Corte e ajudaram a elaborar leis e programas para reformar o sistema, geralmente para construir estados nacionais mais fortes. Na França, o governo foi hostil e os filósofos lutaram contra a censura. O governo britânico geralmente ignorou os líderes do Iluminismo. Frederico, o Grande, explicou: "Minha principal ocupação é combater a ignorância e o preconceito... iluminar as mentes, cultivar a moralidade e tornar as pessoas tão felizes quanto convém à natureza humana e quanto os meios à minha disposição me permitem". Ele escreveu um ensaio sobre "Despotismo Benevolente" defendendo esse sistema de governo. A imperatriz Catarina II da Rússia patrocinou o Iluminismo russo. Ela incorporou muitas ideias de filósofos iluministas, especialmente Montesquieu, em seu Nakaz, que tinha como objetivo revisar a lei russa. No entanto, convidar o famoso filósofo francês Denis Diderot para sua corte não deu certo.


