Meio interestelar
Em astronomia, o meio interestelar refere-se ao material que preenche o espaço entre as estrelas.
A maior parte do meio interestelar é composta por gás, constituído principalmente de hidrogênio - tanto na forma molecular quanto na forma atômica. Perto das estrelas muito massivas e quentes, o hidrogênio é ionizado pela radiação ultravioleta que provém dessas estrelas. Assim, o gás acaba brilhando por fluorescência. O que se denomina Região HII nada mais é do que o gás hidrogênio ionizado pelas estrelas, ou seja, vemos o gás brilhante na forma de uma nebulosa de emissão. Esse tipo de nebulosa tem o vermelho como cor predominante, devido à emissão de radiação durante a transição do elétron nas camadas do átomo. Em outras partes do meio interestelar também encontramos o hidrogênio em sua forma neutra (HI). Os cientistas identificaram moléculas que são uma forma de carbono chamada "buckminsterfulereno", que consiste em 60 átomos de carbono (C60) dispostos em uma esfera oca. O C60 fica ionizado quando a luz ultravioleta das estrelas arranca um elétron da molécula, dando ao C60 uma carga positiva (C60 +).
A poeira que preenche o espaço entre as estrelas (poeira interestelar) é composta basicamente por grafite, silicatos e gelo de água, em grãos de diversas formas e tamanhos, porém muito menores do que a poeira encontrada na Terra. O raio típico desses grãos é de 10-9 m a 10-7 m e eles representam cerca de 1% da massa do meio interestelar. Sua densidade média é de cerca de um grão para cada 106 m3. Essa poeira circunda algumas estrelas, refletindo sua luz e formando uma nebulosa de reflexão, de cor predominantemente azulada. Isso acontece porque as partículas de poeira são muito pequenas para refletir luz com comprimentos de onda muito grandes, que apresentam cores mais vermelhas. Assim, a luz com comprimentos de onda menores (mais voltados para o azul) são refletidos pela poeira interestelar. Sabemos que a nebulosa está refletindo a luz da estrela porque o espectro dessas nebulosas é o mesmo espectro da estrela que a ilumina.
O estudo das nuvens moleculares baseia-se na análise da distribuição da poeira interestelar. A concentração desse tipo de poeira resulta nas nuvens escuras, que são conhecidos locais de formação de estrelas. Brevemente falando, temos uma classificação geral das nuvens moleculares: Um detalhe interessante é que as nuvens moleculares gigantes são os objetos mais massivos da galáxia! Esses estudos de nuvens moleculares são feitos por meio de rádio-observações, que permitem a obtenção das condições físicas desses ambientes interestelares. Existe uma outra classificação, que leva em consideração o formato da nuvem molecular, chamada de Classificação de Van den Bergh: As propriedades médias da região central das nuvens moleculares são: - densidade média de 104 cm−3, constituído principalmente de hidrogênio molecular; - campo magnético médio entre 20 e 30 μG; - razão de gás ionizado para gás neutro de aproximadamente 10−7;
Observações indicam que as estrelas são formadas da matéria interestelar, provavelmente quando uma nuvem de gás torna-se gravitacionalmente instável e colapsa. A existência de nuvens moleculares, dos glóbulos de Bok, dos envoltórios das estrelas recém-formadas (também chamadas de estrelas T-Tauri), todas essas evidências confirmam a possível relação entre as nuvens de gás e poeira e a formação de estrelas.
Os processos dinâmicos são características do meio interestelar, pois são eles que definem as estruturas estáveis observadas. A matéria interestelar pode ter origens diversas: Os principais processos dinâmicos podem ser resumidos da seguinte forma:


