Abu Obaida
Abu Obaida (em árabe: أبو عبيدة, romanizado: Abū ʿUbayda, Abu Obayda, Abu Ubayda ou Abu Ubaydah, é o nome de guerra de um militante palestino que foi o porta-voz das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, o braço militar da organização político-militar Hamas. de 2007 até sua morte, em agosto de 2025. O nome Abu Obaida não se refere a um indivíduo específico com identidade civil publicamente confirmada, mas sim a um codinome institucional e título de guerra utilizado pelo porta-voz oficial das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam, o braço armado da organização palestina Hamas.
Imagem: The Palestinian Information Center · BY-SA · Openverse
O real nome de Abu Obaida é desconhecido, tal qual muitos de seus dados pessoais. Ele só aparece usando um keffiyeh cobrindo o seu rosto. Em 2014, meios de comunicação israelenses divulgaram uma foto, onde supostamente, Abu Obaida aparece com o nome de "Huzaifa Samir Abdullah al-Kahloot". No entanto, a veracidade da foto e do nome foi negada pelas Brigadas al-Qassam. Um dos líderes da brigada disse que Abu Obaida "não aparece e não aparecerá para a mídia", e que apenas um pequeno número de pessoas sabia quem ele realmente era. O nome de guerra provavelmente se refere a Abu Ubaida ibne Aljarrá, aliado do profeta islâmico Maomé e comandante das forças do Califado Ortodoxo durante a Batalha de Jarmuque e o Cerco de Jerusalém que ocorreram no século VII. A primeira vez em que Abu Obaida apareceu ao público foi em 2006, quando anunciou a captura do soldado israelense Gilad Shalit.
Imagem: Hadi Mohammad · BY · Openverse
Em junho de 2020, como forma de responder aos planos dos líderes israelenses de anexar oficialmente algumas partes da Cisjordânia, Abu Obaida disse que "as forças da resistência palestina protegerão fielmente o povo palestino" e prometeu que iria "fazer o inimigo morder os dedos de arrependimento por uma decisão tão pecaminosa." Ele descreveu os planos de anexação dos israelenses como uma “declaração de guerra”. Durante a escalada de 2021 no conflito palestino-israelense, Abu Obaida disse que atacar Telavive, Dimona, Asdode, Ascalão e Bersebá havia sido "mais fácil para nós do que beber água", dizendo que "não há linhas vermelhas ao responder a a agressão." Depois de alcançar um acordo de cessar-fogo, ele disse que "com a ajuda de Deus, fomos capazes de humilhar o inimigo, a sua entidade frágil e o seu exército selvagem." Em Setembro de 2021, depois de quatro dos seis fugitivos da prisão de Gilboa terem sido presos novamente pelas forças israelitas, Abu Obaida anunciou que nenhuma futura troca de presos com Israel aconteceria sem libertar os fugitivos presos pelos israelitas, dizendo que “se os heróis do Túnel da Liberdade se libertassem desta vez do subsolo, prometemos a eles e aos nossos prisioneiros livres que serão libertados em breve, se Deus quiser, da superfície.”
Imagem: Oleg Yunakov · BY-SA · Openverse
Em diversas ocasiões, a inteligência israelense tentou desmistificar a figura de Abu Obaida para quebrar o efeito psicológico do anonimato. Em 2014, e novamente em outubro de 2023, porta-vozes militares de Israel publicaram fotos e vídeos alegando que a verdadeira identidade de Abu Obaida seria Hudhaifa Kahlout. O Hamas nunca confirmou formalmente essas alegações. Independentemente da veracidade sobre a identidade de Kahlout, analistas de segurança internacional apontam que o "Abu Obaida" que discursa hoje funciona como uma função oficial do organograma do Hamas, e não como uma biografia individual isolada. Se um porta-voz cai, o sistema gera o próximo, mantendo a marca e o impacto visual inalterados.
Imagem: Shoogiboogi · CC0 · Openverse
O codinome é uma homenagem direta a Abu Ubayda ibn al-Jarrah, um dos companheiros do profeta Maomé e proeminente comandante militar muçulmano do século VII, conhecido por suas campanhas durante o início da expansão islâmica. Para o Hamas, a escolha do nome carrega um simbolismo de liderança militar, lealdade e herança histórica.
Em 30 de agosto de 2025, ele foi assassinado em um ataque aéreo israelense em um apartamento na Cidade de Gaza. O ataque, que atingiu o bairro de Rimal na cidade , matou pelo menos 11 pessoas, incluindo crianças. Uma fonte palestina disse mais tarde à Al Arabiya que ele foi realmente morto, junto com todos os outros no prédio. O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, e as Forças de Defesa de Israel confirmaram sua morte no dia seguinte.


