Acer pseudoplatanus
Acer pseudoplatanus L., conhecida pelos nomes comuns de bordo, padreiro ou sicómoro é uma espécie de árvore do género Acer (bordos), pertencente à família Sapindaceae, embora tradicionalmente considerada como membro da família Aceraceae. Pertence ao tipo fisionómico dos Mesofanerófitos.
A semelhança das suas folhas com a folhagem típica do género Platanus deu origem ao epíteto específico pseudoplatanus, onde o prefixo pseudo deriva do vocábulo grego clássico para "falso". Em Portugal, esta árvore recebe as designações de bordo, falso-plátano, padreiro e plátano-bastardo. Os nomes comuns em português americano parecem derivar do francês sycomore, o que leva a confusão com o sicómoro (Ficus sycomorus), uma árvore comum no leste da região mediterrânica e citada na Bíblia, com a qual não tem qualquer parentesco mas apenas uma vaga semelhança na forma das folhas. Na língua inglesa a árvore apresenta uma grande variedade de nomes comuns, tais como false plane-tree (falso-plátano), great maple (grande-plátano), Scottish maple (plátano-escocês), mock-plane (pseudo-plátano), sycamore (sicómoro) ou celtic maple (plátano-celta).
A. pseudoplatanus é uma árvore decídua que pode atingir grandes dimensões (megafanerófito), sendo comum apresentarem alturas entre 20–35 m na maturidade, com fustes direitos e copa largas, ampla, em forma de abóbada, com ramagens abertas. Quando cresce em lugares abertos, a copa apresenta-se por vezes mais larga do que alta, sendo nestes casos o diâmetro da copa superior à altura da árvore. As árvores jovens apresentam o ritidoma liso de cor cinzenta, mas à medida que a árvore envelhece a casca escurece e assume um aspecto áspero, rompendo-se em forma de grandes escamas, deixando ver a camada interior de cor castanho-avermelhada. As folhas são grandes e opostas, palmeadas, com 10–25 cm de comprimento e largura sensivelmente igual, de textura coreácea e com a face superior verde-escura e a inferior verde-acinzentada e com nervuras salientes. Quanto à forma, as folhas são palmatilobadas, divididas até cerca de metade da lâmina em cinco lóbulos abovados, com os bordos providos de grossos dentes, algo desiguais, curvados em forma de serra, inserindo-se em longos pecíolos com 5–15 cm de comprimento. Alguns cultivares apresentam folhas, em particular as mais novas, com coloração purpurescente, arroxeada ou amarelada.
A espécie é nativa da Europa Central e do sudoeste da Ásia, distribuindo-se por uma vasta região que vai da França à Ucrânia, estendendo-se para sul até à Cantábria e chegando ao Norte e Centro de Portugal, ao norte da Turquia e ao Cáucaso. Devido à sua capacidade de se adaptar a uma grande diversidade de habitats e à sua plasticidade ecológica, a espécie é considerada uma espécie invasora nas regiões temperadas. Está listada como planta invasora em algumas regiões da Austrália (Yarra Ranges, Victoria), da Nova Zelândia, em áreas ambentalmente sensíveis da Grã-Bretanha, na Noruega e nos Açores. Em Hamburgo no Hirschpark no Blankenese próximo de Elbschausee, um sícomoro de 276 anos, com altura de 22 m e diâmetro de 36 m foi classificada como património nacional.
Portugal
Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental, no arquipélago da Madeira e no arquipélago dos Açores. Mais concretamente, encontra-se presente nas zonas da Noroeste ocidental do Noroeste montanhoso, do Nordeste leonês, da Terra Quente e da Terra Fria. Em termos de naturalidade, é nativa em Portugal Continental e introduzida nos arquipélagos dos Açores e da Madeira.
Trata-se de uma espécie ruderal e de mato, que se tanto se dá bem em terrenos sáfaros, como em bosques.


