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Triângulo das Bermudas

Triângulo das Bermudas, também conhecido como Triângulo do Diabo, é uma região vagamente definida no Oceano Atlântico Norte, delimitada aproximadamente pela Flórida, Bermudas e Porto Rico. Desde meados do século XX, tornou-se o foco de uma lenda urbana que sugere que muitas aeronaves, navios e pessoas desapareceram lá sob circunstâncias misteriosas. No entanto, investigações extensas feitas por fontes confiáveis, incluindo o governo dos Estados Unidos e organizações científicas, não encontraram evidências de atividade incomum, atribuindo os incidentes relatados a fenômenos naturais, erro humano e interpretações equivocadas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 01/07/2026
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Origens

A primeira sugestão de desaparecimentos incomuns na área das Bermudas surgiu em um artigo escrito por Edward Van Winkle Jones, do Miami Herald, que foi distribuído pela Associated Press e apareceu em vários jornais americanos em 17 de setembro de 1950. Dois anos depois, a revista Fate publicou "Sea Mystery at Our Back Door" (“Mistério no Mar à Nossa Porta”), um artigo curto de George X. Sand, que foi o primeiro a delinear a agora famosa área triangular onde as perdas ocorreram. Sand relatou o desaparecimento de vários aviões e navios desde a Segunda Guerra Mundial: o desaparecimento do Sandra, um cargueiro; a perda em dezembro de 1945 do Voo 19, um grupo de cinco bombardeiros torpedeiros da Marinha dos EUA em missão de treinamento; o desaparecimento em janeiro de 1948 do Star Tiger, um avião de passageiros da British South American Airways (BSAA); o desaparecimento em março de 1948 de um barco de pesca com três homens, incluindo o jóquei Albert Snider; o desaparecimento em dezembro de 1948 de um voo charter de um DC-3 da Airborne Transport, que ia de Porto Rico para Miami; e, em janeiro de 1949, o desaparecimento do Star Ariel, outro avião de passageiros da BSAA.

Área do Triângulo

O artigo de Sand na Fate descreveu a área como "um triângulo aquático delimitado aproximadamente pela Flórida, Bermudas e Porto Rico".:12 O artigo de Gaddis na Argosy definiu ainda mais os limites, dando seus vértices como Miami, San Juan e Bermudas. Escritores posteriores nem sempre seguiram essa definição. Alguns deram limites e vértices diferentes para o triângulo, com a área total variando de 1,3 a 3,9 milhões de km². De fato, alguns autores chegaram a estendê-lo até a costa da Irlanda, segundo um programa da BBC de 1977. Consequentemente, a determinação de quais acidentes ocorreram dentro do triângulo depende de qual escritor os relatou.

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Críticas ao conceito

Larry Kusche

Larry Kusche, autor de The Bermuda Triangle Mystery: Solved (1975), argumentou que muitas das alegações feitas por Vincent Gaddis e escritores subsequentes eram exageradas, duvidosas ou impossíveis de verificar. As pesquisas de Kusche revelaram uma série de imprecisões e inconsistências entre os relatos de Berlitz e os depoimentos de testemunhas, participantes e outras pessoas envolvidas nos incidentes originais.

Outras respostas

Quando o programa de televisão britânico The Bermuda Triangle (1992) foi produzido por John Simmons, da Geofilms, para a série Equinox, o mercado de seguros marítimos Lloyd's de Londres foi questionado se um número anormalmente grande de navios havia afundado na área do Triângulo das Bermudas. O Lloyd's concluiu que não houve um número elevado de naufrágios na região. A empresa não cobra taxas de seguro mais altas para embarcações que atravessam essa área. Os registros da Guarda Costeira dos Estados Unidos confirmam essa conclusão. Na verdade, o número de desaparecimentos supostamente ocorridos é relativamente insignificante, considerando o volume de navios e aeronaves que passam regularmente por lá.

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Tentativas de explicação hipotética

Explicações naturais

Segundo Nick Hutchings essa área é semelhante um vulcão submarino que erodiu em milhões de anos e informa a presença de magnetita em amostras do local; o material naturalmente mais magnético, pode potencialmente interferir com equipamentos de navegação, causando anomalias. A Corrente do Golfo é uma corrente oceânica que se origina no Golfo do México, e então passa através do Estreito da Flórida, indo ao Atlântico Norte. Em essência, é um rio dentro do oceano, e como um rio, pode e carrega objetos flutuantes. Tem uma velocidade de superfície ao redor de 2,5 m/s (6 mph). Um pequeno avião fazendo um pouso na água ou um barco tendo problema no motor serão carregados para longe da reportada posição pela corrente, como aconteceu com um cruzeiro chamado Witchcraft em 22 de Dezembro de 1967, quando foi reportado um problema no motor próximo a um marcador de boia a uma milha (1,6 km) da costa, mas o navio não estava lá quando a Guarda Costeira chegou.

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Incidentes notáveis

Um iate de recreio foi encontrado à deriva no Atlântico, ao sul de Bermuda, em 26 de setembro de 1955. Segundo relatos (Berlitz, Winer), a tripulação desapareceu enquanto o iate sobreviveu a três furacões no mar. A temporada de furacões do Atlântico de 1955 mostra que o Furacão Ione passou nas proximidades entre 14 e 18 de setembro, com Bermuda sendo afetada por ventos quase de força de tempestade. No seu segundo livro sobre o Triângulo das Bermudas, Winer citou uma carta que recebeu do Sr. J.E. Challenor, de Barbados: Na manhã de 22 de setembro, o Connemara IV estava preso a uma amarração pesada na enseada aberta de Carlisle Bay. Devido à aproximação do furacão, o proprietário reforçou as amarras e lançou duas âncoras adicionais. Pouco mais pôde ser feito, pois aquela era a única âncora disponível no local exposto. ... Em Carlisle Bay, o mar após a passagem do Furacão Janet estava impressionante e perigoso. O proprietário do Connemara IV observou que ele havia desaparecido. Uma investigação revelou que o iate havia se soltado das amarras e seguido para o mar.

HMS Atalanta

O navio-escola HMS Atalanta (originalmente chamado HMS Juno) desapareceu com toda a sua tripulação após zarpar do Arsenal Naval Real em Bermudas com destino a Falmouth, na Inglaterra, em 31 de janeiro de 1880. Presume-se que o navio tenha afundado em uma poderosa tempestade que cruzou sua rota algumas semanas depois da partida, sendo que o fato de sua tripulação ser composta majoritariamente por marinheiros aprendizes e inexperientes pode ter sido um fator contribuinte. A busca por evidências sobre seu destino atraiu atenção mundial na época (frequentemente também se faz uma conexão com a perda do navio-escola HMS Eurydice, que naufragou após partir do Arsenal Naval em Bermudas para Portsmouth, em 6 de março de 1878). Décadas depois, alegou-se que o Atalanta teria sido vítima do misterioso Triângulo, uma alegação refutada de forma contundente pela pesquisa do autor David Francis Raine em 1997.

USS Cyclops

O incidente que resultou na maior perda de vidas da história da Marinha dos Estados Unidos, não relacionada a combate, ocorreu quando o navio cargueiro Cyclops, transportando uma carga completa de minério de manganês e com um de seus motores fora de operação, desapareceu sem deixar vestígios, com uma tripulação de 306 pessoas, em algum momento após 4 de março de 1918, após partir da ilha de Barbados. Embora não existam evidências concretas que sustentem uma única teoria, várias hipóteses independentes foram propostas, algumas culpando tempestades, outras sugerindo que o navio pode ter capotado, e outras apontando para atividade inimiga durante a guerra como causa da perda. Além disso, dois navios irmãos do Cyclops, o Proteus e o Nereus, também foram perdidos no Atlântico Norte durante a Segunda Guerra Mundial. Ambos transportavam cargas pesadas de minério metálico, semelhantes àquela carregada pelo Cyclops em sua viagem fatal. Nos três casos, acredita-se que a causa mais provável do naufrágio tenha sido falha estrutural decorrente de sobrecarga com um material muito mais denso do que aquele para o qual os navios foram originalmente projetados.

Carroll A. Deering

O Carroll A. Deering, um saveiro de cinco mastros construído em 1919, foi encontrado encalhado e completamente abandonado em Diamond Shoals, próximo ao Cabo Hatteras, na Carolina do Norte, em 31 de janeiro de 1921. A investigação conduzida pelo FBI examinou, e posteriormente descartou, várias teorias sobre por que e como o navio foi abandonado, incluindo pirataria, sabotagem comunista doméstica e envolvimento de contrabandistas de bebidas alcoólicas.

Voo 19

O Voo 19 foi um voo de treinamento composto por cinco bombardeiros torpedeiros TBM Avenger que desapareceram em 5 de dezembro de 1945, enquanto sobrevoavam o Atlântico. O plano de voo da esquadrilha previa seguir diretamente para leste a partir de Fort Lauderdale por 227 km, depois para o norte por 117 km e, por fim, retornar em um trecho final de 225 km para completar o exercício. O voo nunca retornou à base. Investigadores da Marinha atribuíram o desaparecimento a um erro de navegação, que levou as aeronaves a ficarem sem combustível. Uma das aeronaves de busca e salvamento enviada para procurá-los, um PBM Mariner com 13 tripulantes, também desapareceu. Um navio petroleiro na costa da Flórida relatou ter visto uma explosão e observado uma grande mancha de óleo enquanto procurava, sem sucesso, por sobreviventes. O clima estava se tornando tempestuoso no final do incidente. De acordo com fontes contemporâneas, os aviões Mariner tinham um histórico de explosões causadas por vazamentos de vapor de combustível, especialmente quando estavam carregados para missões de longa duração, como seria o caso de uma operação de busca e salvamento.

Star Tiger e Star Ariel

O G-AHNP Star Tiger desapareceu em 30 de janeiro de 1948, em um voo dos Açores para Bermudas; o G-AGRE Star Ariel desapareceu em 17 de janeiro de 1949, em um voo de Bermuda para Kingston, na Jamaica. Ambos eram aviões de passageiros Avro Tudor IV operados pela British South American Airways. As duas aeronaves operavam no limite máximo de seu alcance, e qualquer pequeno erro ou falha no equipamento poderia impedir que chegassem à pequena ilha.

Douglas DC-3

Em 28 de dezembro de 1948, um avião Douglas DC-3, de número NC16002, desapareceu durante um voo de San Juan, em Porto Rico, para Miami. Nunca foram encontrados vestígios da aeronave ou das 32 pessoas a bordo. Uma investigação do Civil Aeronautics Board concluiu que havia informações insuficientes para determinar uma causa provável para o desaparecimento.

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Fontes consultadas

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