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Ad orientem

Ao falar da liturgia católica a expressão ad orientem geralmente usa-se hoje não no sentido óbvio e literal, senão para indicar a orientação em que o padre é voltado em relação ao povo na celebração da missa, independentemente da direção geográfica para a qual ele está realmente olhando, orientação que se opõe à chamada versus populum, em que o sacerdote celebrante encara a assembleia de fiéis.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/07/2026
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História

Só recentemente começou-se a dar à expressão ad orientem o sentido de o padre e os fiéis todos olharem na mesma direção, seja para leste ou oeste, norte ou sul. Os primeiros cristãos rezavam unicamente na direção do oriente geográfico. Tertuliano (c. 160 – ca. 220) diz que alguns acreditavam que os cristãos adoravam o sol por causa do seu costume de rezar para a região do leste. Orígenes (ca. 185 – 253) diz: "De todas as regiões do mundo, a área do leste é a única para a qual nos voltamos ao orar"; e observa que é difícil saber o motivo deste costume. Mais tarde, outros Padres da Igreja davam explicações místicas do costume. A obra do cristianismo oriental Constituições Apostólicas, criada entre 375 e 380, dava como norma para a construção de igrejas que o presbitério (com a abside e as sacristias) fosse na extremidade leste, assim que os cristãos na igreja pudessem rezar na igreja como costumavam rezar em privado, isto é de frente para o leste. No meio do presbitério estava o altar, atrás do qual ficava o trono do bispo, ladeado pelas sedes dos presbíteros, enquanto no outro lado estavam os leigos. Porém mesmo no Oriente havia igrejas (por exemplo, em Tiro) que tinham na extremidade leste a entrada e o presbitério no oeste. Durante as leituras todos olhavam para os leitores, o bispo e os presbíteros para o oeste, o povo para o leste. Como fazem também os outros documentos que falam do costume de rezar para o leste, as Constituições Apostólicas não indicam se ou não o bispo depois fosse ao outro lado do altar para "o sacrifício".

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Instruções oficiais da Igreja latina

Na Igreja Latina a orientação ad orientem (no sentido moderno, não o significado literal) é comumente considerada uma característica peculiar da missa tridentina, em que o sacerdote geralmente fica de frente de costas para o povo, enquanto a versus populum é da Missa do Vaticano II. Na realidade, ambas as formas aceitam as duas configurações - ad orientem ou versus populum. O Papa Bento XVI celebrou algumas vezes a missa na Capela Sistina na posição chamada ad orientem, e a última missa de São Pio de Pietrelcina, mesmo sendo tridentina, foi celebrada versus populum. Nas edições do Missal Romano antes do 1970, também a do 1962, mencionava-se explicitamente a eventualidade de celebrar versus populum e por isso sem necessidade de virar os ombros ao altar ao saudar o povo com Dominus vobiscum etc. Também as edições mais recentes, que tratam como normal o sacerdote estar de frente para o povo, reconhecem a outra eventualidade ao obrigá-lo de maneira explícita de estar voltado para o povo (versus populum ou versus ad populum) apenas em certos breves momentos, nos quais geralmente também as edições anteriores impunham a mesma orientação, por exemplo ao dizer Dominus vobiscum. Estas duas expressões usam-se 9 vezes na Instrução Geral do Missal Romano.

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Fontes consultadas

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