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Eleição para o Senado federal por Nova Iorque em 2000

A eleição para o Senado federal dos Estados Unidos pelo Estado de Nova Iorque em 2000 foi realizada em 7 de novembro daquele ano, juntamente com a eleição presidencial e as eleições de representantes estaduais e federais. A então primeira-dama norte-americana Hillary Rodham Clinton, a primeira primeira-dama a concorrer para um cargo político eletivo, derrotou o congressista Rick Lazio.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Uma vaga em aberto atrai candidatos proeminentes

Quando o senador durante quatro mandatos consecutivos Daniel Patrick Moynihan anunciou sua aposentadoria em 6 de novembro de 1998, a sua vaga no Senado anteriormente considerada segura para os democratas passou a ficar em aberta para o ciclo eleitoral de 2000. Tanto os democratas quanto os republicanos tentaram encontrar candidatos proeminentes e competitivos para disputar esta vaga em aberto. O prefeito de Nova Iorque Rudy Giuliani, que foi impedido pela legislação municipal de concorrer a um novo mandato, imediatamente indicou interesse em concorrer. Devido ao seu perfil e a sua visibilidade elevada, Giuliani foi apoiado pelo Partido Republicado estadual, apesar de ele ter irritado muitos republicanos ao apoiar o então governador democrata Mario Cuomo ao invés do republicano George Pataki na eleição para o governo em 1994. Giuliani então se tornou o provável candidato republicano, e em abril de 1999 formou um comitê para explorar sua candidatura ao Senado. Ainda havia possíveis adversários na primária republicana. Rick Lazio, um congressista que representava Suffolk e Long Island, estava arrecadando fundos e era esperado que anunciasse sua candidatura em 16 de agosto de 1999; ele havia discutido abertamente uma primária contra Giuliani, acreditando que o seu histórico mais conservador seria atraente entre os eleitores republicanos. No início de agosto, sob pressão de figuras republicanas estaduais e nacionais, o governador Pataki anunciou seu apoio a Giuliani. Pataki prevaleceu e Lazio renunciou a sua candidatura, apesar da frustração de que Giuliani ainda não estava oficialmente concorrendo. Na época, Lazio declarou: "Se o prefeito quer ser candidato, eu acho que ele precisa entrar nesta disputa." O congressista de Nassau Pete King também considerou concorrer e tinha arrecadado alguns fundos.

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Início da campanha de Hillary

Em 16 de fevereiro de 1999, o escritório da primeira-dama anunciou que ela estava considerando concorrer ao Senado. Uma vez que ficou claro que Hillary estava se preparando para concorrer, Lowey se afastou, embora ela iria se decepcionar com a oportunidade perdida. Em 7 de julho de 1999, Hillary anunciou formalmente um comitê exploratório; o cenário do anúncio era a fazenda de Moynihan em Pindars Corners, na zona rural do Condado de Delaware. Bill Clinton estava menos entusiasmado com a candidatura da esposa. A realização do evento foi planejado por Mandy Grunwald, consultora política dos Clinton. Após anunciar sua entrada na disputa, a primeira-dama iniciou uma "excursão de escuta" em todas as partes de Nova Iorque. Ela planejava visitar todos os 62 condados para falar com pequenos grupos de nova-iorquinos. Durante a eleição, ela passou um tempo considerável fazendo campanha em regiões do norte do estado tradicionalmente republicanas. Hillary enfrentou acusações de ser uma aventureira política, já que nunca havia residido no estado de Nova Iorque nem participado diretamente da política estadual antes de sua eleição para o Senado.

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Início da campanha de Giuliani

Uma pesquisa do Instituto Marista divulgada em janeiro de 1999 indicou Giuliani com 10% de vantagem sobre Hillary. Em janeiro de 2000, a pesquisa do Marista revelou que a vantagem havia caído para 9%. As táticas do prefeito envolvia atrair a campanha de Hillary intencionalmente com exageros deliberados, mantê-los fora de equilíbrio e para trás no ciclo de respostas. Giuliani enfatizou sua representação da primeira-dama como uma aventureira. Ele fez uma visita de um dia a Little Rock, onde anunciou que iria hastear a bandeira do Arkansas na prefeitura de Nova Iorque. Quando Hillary visitou Nova Iorque, ele declarou: “Espero que ela conheça o caminho. Espero que ela não se perca em uma das ruas laterais.” A campanha republicana preparou um dossiê de 315 páginas sobre a democrata, que incluía o período da primeira-dama na Wellesley College; e que também incluía onze páginas do que denominaram de "Ações e Comentários Estúpidos". Giuliani não tinha problemas em arrecadar dinheiro, e obteve 40% de seus recursos de doações de fora do estado.

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As quatro semanas tumultuadas

O casamento de Giuliani e sua esposa, a jornalista e atriz Donna Hanover, tinha sido distante desde 1996, e os dois raramente foram vistos juntos em público. Não houve nenhum anúncio formal de qualquer mudança em seu relacionamento, embora Hanover tinha indicado que ela e seus filhos não iriam se mudar para Washington caso seu esposo vencesse a eleição. A partir de outubro de 1999, uma nova mulher estava sendo vista com o prefeito. Em março de 2000, Giuliani tinha parado de usar o seu anel de casamento e ele estava sendo visto cada vez mais na companhia de uma outra mulher, incluindo no jantar da imprensa Inner Circle, no desfile de Dia de São Patrício, e em reuniões da câmara municipal, mas ainda não estava totalmente claro se o relacionamento era pessoal ou profissional. Enquanto esta mulher tinha se tornado um assunto frequente nas conversa do círculo político de Nova Iorque, ela não tinha sido mencionada na imprensa.

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Mudança do candidato republicano

Enquanto os candidatos republicanos Rick Lazio e Pete King manifestaram interesse em substituir Giuliani, uma parte do partido rapidamente se reuniu em torno de Lazio, que tinha mais fundos de campanha e que era visto como um candidato potencialmente forte. Particularmente, o governador Pataki — que nunca se importou muito com Giuliani — foi fortemente a favor da Lazio, e o elogiou como "fresco, desafiador desimpedido" para Hillary. A mudança dos republicanos também embaralhou as coligações eleitorais: o Partido Liberal, que previamente decidiu apoiar Giuliani (o que também fez nas três vezes em que ele concorreu a prefeito), agora decidiu apoiar Hillary, enquanto que o Partido Conservador, que tinha sido anteriormente relutante em endossar o socialmente liberal Giuliani (e estava planejando nomear o ex-congressista de Westchester Joe DioGuardi), apoiou Lazio. Lazio aceitou a aprovação unânime dos delegados da convenção estadual do Partido Republicano em um salão de hotel em Buffalo em 30 de maio.

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Primárias

Em 12 de setembro, os partidos realizaram as primárias populares para ratificar a decisão das convenções partidárias estaduais. Lazio venceu sem oposição, enquanto Hillary recebeu 82% dos votos válidos, derrotando facilmente Mark McMahon, um desconhecido médico de Manhattan, que concorreu com a alegação de que "os Clinton tentaram sequestrar o Partido Democrata." Por sua vez, Hillary afirmou que "surpreendeu, de uma forma [ver o seu nome em uma cédula eleitoral]. Eu fiquei lá por um minuto, olhando para o meu nome."

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Campanha da eleição geral

A eleição atraiu uma considerável atenção nacional e ambos os candidatos foram bem financiados. Até o final da disputa, os candidatos gastaram juntos entre US$ 70 a US$ 90 milhões, sendo esta uma das eleições para o Senado mais caras da história dos Estados Unidos. Lazio gastou quase US$ 40 milhões, enquanto Hillary gastou US$ 29 milhões. A campanha de Hillary recebeu de organizações democratas vários milhões de dólares que não estavam sujeitos a regulamentações federais, o que é conhecido no país como soft money. Entre os grupos de oposição a candidata, o Comitê de Emergência para Parar Hillary Rodham Clinton, um grupo de direita, gastou milhares de dólares enviando e-mails negativos contra ela. Hillary garantiu uma ampla base de apoio, incluindo o apoio formal de grupos de conservação (como a Sierra Club) e sindicatos trabalhistas, mas, notavelmente, os sindicatos da polícia e o dos bombeiros da cidade de Nova Iorque apoiaram Lazio. Uma vez que a democrata tinha uma base sólida de apoio na cidade de Nova Iorque, candidatos e observadores esperavam que a disputa seria decidida no interior de Nova Iorque, onde 45% dos eleitores do estado viviam. Durante a campanha, Hillary prometeu melhorar o quadro econômico do interior do estado, prometendo que seu plano iria criar duzentos mil empregos ao longo de seis anos. Seu plano incluía a concessão de créditos fiscais específicos com o objetivo de criar empregos e encorajar investimentos empresariais, em especial no setor da alta tecnologia. Ela também propôs cortes de impostos pessoais nas mensalidades das faculdades e em cuidados médicos de longa duração.

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Resultados

Análises

Hillary venceu a eleição em 7 de novembro com 55% dos votos válidos, contra 43% de Lazio, uma diferença maior do que a maioria dos observadores esperava. Hillary venceu na tradicionalmente democrata cidade de Nova Iorque por largas margens, e recebeu a maioria dos votos no suburbano Condado de Westchester, mas perdeu na maior parte da densamente povoada Long Island, parte da qual Lazio representou na Câmara dos Representantes. Ela obteve vitórias surpreendentes em condados localizados ao norte do estado, como Cayuga, Rensselaer e Niagara. Em comparação com os outros resultados recentes, a margem de vitória de Hillary foi menor do que os 25% de diferença entre Al Gore (60,2%) e George W. Bush (35,2%) na disputa presidencial do estado e foi ligeiramente maior do que a margem de diferença de 10% na disputa pelo senado em 1998 entre o democrata Charles Schumer (54,6%) e o republicano Al D'Amato (44,1%). A candidatura de Lazio foi prejudicada pelo fraco desempenho de Bush na eleição presidencial em Nova Iorque, mas também ficou claro que Hillary tinha feito incursões substanciais antes da entrada de Lazio na disputa.

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Acontecimentos pós-eleição

Perdões presidenciais

Em janeiro de 2001, dois meses depois da eleição de Hillary ao Senado, o presidente Clinton perdoou quatro moradores do enclave chassídico de New Square, localizada no Condado de Rockland, que haviam sido condenados por fraudar o governo federal em US$ 30 milhões ao estabelecerem uma escola religiosa fictícia. New Square tinha votado quase que por unanimidade em Hillary Clinton para o Senado. Um advogado afirmou que, mesmo que ela tivesse prometido pressionar o seu marido para perdoar algumas pessoas em troca de votos do local — uma acusação de que não havia provas — seria difícil comprovar que um crime ocorreu: "Os políticos fazem promessas o tempo todo. Isso não é nada novo — ou ilegal." Hillary reconheceu, em uma reunião pós-eleitoral, que discutiu uma possível clemência para os quatro, mas disse que ela não tinha desempenhado qualquer papel na decisão de seu marido.

Doações de campanha

Em 7 de janeiro de 2005, o ex-diretor financeiro da campanha de Hillary, David Rosen, foi indiciado sob a acusação de ter apresentado falsos relatórios financeiros de campanha para a Comissão Eleitoral Federal. Segundo a acusação, Rosen apresentou dados falsos relacionados ao Hollywood Gala Salute to President William Jefferson Clinton, um evento em homenagem ao então presidente Bill Clinton e também de angariação de fundos para a campanha da primeira-dama ao Senado. O evento havia sido produzido por Peter F. Paul, um condenado por tráfico de drogas que foi extraditado do Brasil, que afirmou ter gasto US$ 1,2 milhão para produzir o evento, realizado em 12 de agosto de 2000. A acusação do Departamento de Justiça contra Rosen afirmou que ele informou falsamente para a Comissão Eleitoral Federal que o evento havia arrecadado US$ 400 mil. Em 27 de maio de 2005, o júri absolveu Rosen de todas as acusações. Em 5 de janeiro de 2006, foi relatado que o grupo da campanha de Hillary concordou em pagar uma multa de US$ 35 mil relacionada a despesas não informadas.

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Legado

A vitória de Hillary a estabeleceu como uma candidata eficaz e com uma força eleitoral própria, capaz de captar votos de republicanos e independentes e superar sua imagem polarizada. Ela foi facilmente reeleita em 2006, e em 2007 anunciou sua candidatura à presidência. Lazio desistiu de sua vaga na Câmara dos Representantes ao concorrer para o Senado. Depois de sua derrota, que estabeleceu um recorde de gastos para um candidato derrotado ao Senado, voltou a trabalhar no meio corporativo e evitou a política eleitoral até se candidatar a governador do Estado em 2010, quando foi derrotado por uma larga margem na primária republicana. Giuliani foi submetido a um tratamento para seu câncer e, eventualmente, recuperou-se; ele também se divorciou de Donna Hanover e se casou com Judith Nathan em 2003. Depois de sua desistência da disputa, seu futuro político ficou incerto. Menos de um ano após a eleição geral do Senado, ocorreram os ataques de 11 de setembro de 2001 enquanto Giuliani ainda era prefeito. O desempenho do prefeito na recuperação da cidade lhe rendeu muitos elogios e ressuscitou suas perspectivas políticas. Em 2007, após uma temporada de sucesso no setor privado, ele também começou sua campanha presidencial para a eleição do ano seguinte.

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