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Adauto Bezerra

José Adauto Bezerra de Menezes foi um militar e político brasileiro. Elegeu-se deputado estadual pelo Ceará em outubro de 1958, exercendo o cargo por sucessivos mandatos e presidindo a Assembleia Legislativa do Estado do Ceará em duas ocasiões. Encerraria sua carreira como deputado ao ser indicado candidato ao governo do Ceará pelo então presidente Ernesto Geisel, com o apoio de influentes políticos cearenses, como Virgílio Távora.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Início de vida e educação

Adauto nasceu em Juazeiro do Norte, em 3 de julho de 1926, filho de José Bezerra de Menezes e Maria Amélia Bezerra. Seu bisavô, o brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro (1740–1830), destacou-se como um dos principais líderes políticos e militares no Cariri, sendo considerado um dos fundadores do “Sítio Joazeiro”. Além de Adauto, outros membros da família Bezerra tiveram expressiva atuação política: seu irmão gêmeo, Humberto Bezerra, foi deputado federal; Alacoque Bezerra exerceu mandato de senadora; Orlando Bezerra foi deputado federal; e Leandro Bezerra atuou como vereador. Seu pai, José Bezerra, também exerceu mandato de vereador em Juazeiro do Norte na década de 1930. Adauto Bezerra ingressou na Escola Militar do Realengo, no Rio de Janeiro, em 1943, sendo declarado aspirante a oficial da arma de artilharia em 1949. Nos anos seguintes, foi promovido a segundo-tenente (1950), primeiro-tenente (junho de 1952) e capitão (dezembro de 1954). Posteriormente, cursou a Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (EsAO).

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Vida política

Deputado estadual (1958–1975)

Sua entrada na vida política ocorreu em outubro de 1958, quando foi eleito deputado estadual à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (ALECE) pela União Democrática Nacional (UDN). Assumiu o cargo em fevereiro de 1959 e foi reeleito em 1962, agora pela legenda "União pelo Ceará", uma coligação entre a UDN e o Partido Social Democrático (PSD). Com o Golpe Militar de 1964, Adauto foi promovido a major em novembro daquele ano. Após a extinção dos partidos políticos pelo Ato Institucional N° 2, filiou-se à Aliança Renovadora Nacional (ARENA), partido ligado ao governo militar onde foi reeleito deputado estadual em novembro de 1966. Durante esses mandatos, presidiu a ALECE por duas ocasiões e também chefiou comissões importantes, como a de Orçamento e Finanças. Em 1968, foi transferido para a reserva com a patente de coronel e foi reeleito deputado estadual em 1970, encerrando o mandato em 1975.

Governador do Ceará (1975–1978)

Indicado pelo então presidente Ernesto Geisel como candidato ao governo do Ceará em 1974, Adauto Bezerra foi eleito pela Assembleia Legislativa em outubro daquele ano, contando com o apoio da ARENA liderada por Virgílio Távora, influente político do estado. Na disputa, superou o coronel Luciano Salgado, apoiado pelo então governador César Cals. Adauto Bezerra foi empossado no cargo em 1975. À frente do governo do estado, Adauto Bezerra liderou a campanha da ARENA no Ceará durante as eleições municipais de novembro de 1976, prometendo ao presidente Ernesto Geisel a vitória em 90% dos 141 municípios cearenses. A campanha obteve 55% dos votos em Fortaleza e 84% no interior do estado.

Deputado federal pelo Ceará (1979–1983)

Com sua renúncia e o anúncio de sua candidatura ao Senado, passou a enfrentar forte oposição de setores da ARENA, liderados pelo coronel Virgílio Távora, que já havia sido indicado para governar o Ceará no período 1979–1983. O desgaste político gerado por essa insatisfação incluiu até ameaças de boicote à candidatura, com apoio ao candidato oposicionista Chagas Rodrigues, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Diante dessa resistência, Adauto desistiu de concorrer ao Senado e decidiu disputar uma vaga como deputado federal pelo Ceará, obtendo 117.282 mil votos, tornando-se o deputado federal mais votado da história do estado em 1978. Seu mandato teve início em fevereiro de 1979, apenas um mês antes de o general João Batista Figueiredo assumir a presidência da República. Durante seu período no cargo, manifestou-se a favor da anistia para os brasileiros que haviam sido exilados, concedida em agosto de 1979. Nos debates que antecederam o fim do bipartidarismo no país, alinhou seu discurso com parlamentares da ARENA, que defendiam a criação de dois partidos para substituir a agremiação do governo militar. Entretanto, por diretriz do governo federal, decidiu-se que existiria apenas um único partido de situação, estruturado no que viria a ser o Partido Democrático Social (PDS), ao qual Adauto se filiou.

Vice-governador do Ceará (1983–1985)

Favorável às eleições diretas para governadores e para presidente, Adauto Bezerra foi eleito vice-governador na chapa de Luís Gonzaga Mota em novembro de 1982. Logo após tomar posse em março de 1983, acusou o ex-governador Virgílio Távora, que havia recentemente deixado o governo, de ter comprometido o equilíbrio do orçamento estadual, gastando mais do que arrecadara, chegando a dizer que o mesmo havia "levado o estado a falência". Em abril de 1985, Gonzaga Mota deixou o PDS após desavenças referentes à escolha do candidato do partido para as eleições municipais de Fortaleza naquele ano. Com isso, Adauto também deixou o cargo de vice-governador e candidatou-se ao governo do Ceará no ano seguinte, desta vez pelo Partido da Frente Liberal (PFL), coligado com o PDS e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB).

Aliança dos três coronéis

A "Aliança dos Três Coronéis" foi o nome dado à coalizão formada pelos coronéis Adauto Bezerra, César Cals e Virgílio Távora, com o objetivo de apoiar a candidatura de Adauto Bezerra ao governo do Ceará em 1986. A alcunha também fazia referência ao fato de os três terem carreiras militares e de representarem a manutenção de poder semelhante a do coronelismo. Devido a desavenças históricas entre os integrantes, remontando à década de 1960, a aliança rapidamente se desfez, resultando na derrota de Adauto Bezerra para Tasso Jereissati, que contava com o apoio de Gonzaga Mota e de Mauro Benevides, então presidente do PMDB do Ceará. Em entrevista a Revista FIEC em 2016 comentou sobre a derrota para Tasso em 1986:

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Presidência da SUDENE (1990–1991)

Designado pelo presidente Fernando Collor de Mello, Adauto Bezerra assumiu a presidência da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE), provocando insatisfação entre empresários e políticos pernambucanos, incluindo o senador Marco Maciel, que desejavam que um representante de Pernambuco ocupasse o cargo. Adauto deixou a presidência da SUDENE após um curto período e afastou-se da política, tornando-se sócio-proprietário do Bicbanco ao lado de seu irmão gêmeo, Humberto Bezerra.

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Vida pessoal

Após sua breve passagem pela SUDENE, Adauto Bezerra passou a atuar de forma discreta no cenário político estadual. Apesar da discrição, participou de eventos de apoio a candidatos em campanhas, como a de Capitão Wagner (à época no Partido Republicano da Ordem Social – PROS) para a prefeitura de Fortaleza em 2020, e integrava o Conselho de Governadores do Ceará, criado pela Lei Nº 17.240, de 20 de julho de 2020. Em 29 de março de 2021, Adauto testou positivo para COVID-19 e foi internado no Hospital Monte Klinikum, em Fortaleza, vindo a falecer aos 94 anos na madrugada do dia 3 de abril de 2021. O falecimento do ex-governador foi lamentado por diversas autoridades, incluindo Arnon Bezerra, sobrinho de Adauto e ex-prefeito de Juazeiro do Norte, que destacou a dedicação de seu tio ao desenvolvimento do estado; Camilo Santana, então governador, que decretou luto oficial de três dias no Ceará; Tasso Jereissati, ex-governador, que afirmou que seu legado certamente será lembrado na história política cearense; Capitão Wagner, deputado federal à época, apoiado por Adauto em 2020; Heitor Férrer, deputado estadual; Cid Gomes, senador; Evandro Leitão, então presidente da Assembleia Legislativa; e Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza.

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Legado

Homenagens

Várias escolas ao redor do Estado do Ceará foram nomeadas em homenagem ao ex-governador, tais como:

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Fontes consultadas

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