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Adolf Eichmann

Otto Adolf Eichmann foi um SS-Obersturmbannführer (tenente-coronel) da Alemanha Nazista, e um dos principais organizadores do Holocausto. Eichmann foi designado pelo SS-Obergruppenführer (general/tenente-general) Reinhard Heydrich para gerir a logística das deportações em massa dos judeus para os guetos e campos de extermínio das zonas ocupadas pelos alemães no Leste Europeu durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1960, foi capturado na Argentina pela Mossad, o serviço secreto de Israel. Após um julgamento de grande publicidade em Israel, foi considerado culpado por crimes de guerra e enforcado em 1962.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/06/2026
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Primeiros anos e educação

Otto Adolf Eichmann, o mais velho de cinco irmãos, nasceu em 1906, no seio de uma família protestante calvinista, em Solingen, na Alemanha. O seu pai, Adolf Karl Eichmann, era guarda-livros, e a sua mãe Maria Schefferling, era doméstica.[nota 2] Em 1913, o pai de Eichmann mudou-se para Linz, Áustria, para trabalhar como gestor comercial na Companhia de Eléctricos e Electricidade de Linz, e o resto da família juntou-se a ele um ano mais tarde. Depois da morte de Maria (sua mãe) em 1916, o pai de Eichmann se casou com Maria Zawrzel, uma protestante devota com dois filhos. Eichmann frequentou a Staatsoberrealschule Kaiser Franz Joseph (escola secundária estatal) em Linz, a mesma escola que Adolf Hitler frequentou 17 anos antes. Tocava violino, praticava desporto e fazia parte de clubes, incluindo um grupo Wandervogel de exploradores, constituído por rapazes mais velhos pertencentes a milícias de extrema-direita. Os maus resultados escolares fizeram com que o seu pai o retirasse da Realschule e o inscrevesse no colégio vocacional Höhere Bundeslehranstalt für Elektrotechnik, Maschinenbau und Hochbau. Acabou por sair sem terminar o curso e foi trabalhar para a nova empresa do pai, a Companhia Mineira Untersberg, onde ficou vários meses. Entre 1925 e 1927, trabalhou como administrador de vendas na companhia de rádio Oberösterreichische Elektrobau AG. Em seguida, entre 1927 e inícios de 1933, Eichmann trabalhou na Alta Áustria e Salzburg como agente distrital da Vacuum Oil Company AG.

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Início de carreira

Aconselhado por um amigo da família, chefe das Schutzstaffel (SS), Ernst Kaltenbrunner, Eichmann entrou para a delegação austríaca do NSDAP em 1 de abril de 1932, com o número 889 895. A sua associação nas SS foi confirmada, sete meses depois, com o número 45 326. Ficou integrado no regimento SS-Standarte 37, responsável pela vigilância da sede do partido em Linz e pela segurança dos discursadores nos comícios, os quais se tornavam habitualmente violentos. Eichmann tinha actividades partidárias em Linz nos fins-de-semana enquanto continuava a trabalhar na Vacuum Oil em Salzburg. Uns meses depois da tomada do poder pelos nazis na Alemanha, em janeiro de 1933, Eichmann ficou desempregado devido a cortes de pessoal na Vacuum Oil. O Partido Nazi foi banido na Áustria por volta da mesma altura. Estes acontecimentos foram decisivos na opção de Eichmann regressar à Alemanha. Tal como outros nacionais-socialistas que deixaram a Áustria na Primavera de 1933, Eichmann partiu para Passau, onde se juntou a Andreas Bolek no seu escritório. Depois de passar por uma programa de formação no centro das SS em Klosterlechfeld em Agosto, Eichmann regressou a Passau em Setembro, onde lhe foi atribuída a chefia de um grupo de oito homens das SS para orientar nacionais-socialistas austríacos para a Alemanha, e introduzir material de propaganda deste país para a Áustria. No final de Dezembro, quando esta unidade foi dissolvida, Eichmann foi promovido a SS-Scharführer (líder de pelotão, equivalente a cabo). O pelotão de Eichmann do Regimento Deutschland estava aquartelado perto do Campo de concentração de Dachau.

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Segunda Guerra Mundial

Transição da emigração para a deportação

Semanas depois da invasão da Polônia em 1 de setembro de 1939, a política nazi em relação aos judeus alterou-se passando de emigração voluntária para deportação forçada. Depois de várias discussões com Hitler nas semanas anteriores, em 21 de setembro o SS-Obergruppenführer Reinhard Heydrich, director do SD, instruiu o seu pessoal de que os judeus deviam ser reunidos em cidades da Polónia com bom sistema ferroviário, para facilitar a sua expulsão dos territórios controlados pela Alemanha, começando com zonas que tinham sido incorporadas no Reich. Ele anunciou os planos para criar uma reserva no Governo Geral (a região da Polónia não incorporada no Reich), onde aqueles judeus, e outros, considerados indesejáveis ficavam a aguardar por pela deportação. Em 27 de setembro de 1939, o SD e a Sicherheitspolizei (que incluía a Gestapo e a Kripo) foram fundidas para dar origem ao novo SS-Reichssicherheitshauptamt (RSHA; Gabinete Central de Segurança do Reich), ficando sob o controlo de Heydrich.

Conferência de Wannsee

A partir do início da invasão da União Soviética em junho de 1941, os Einsatzgruppen seguiram o exército para as áreas conquistadas e reuniram os judeus, oficiais do Comintern e membros mais destacados do Partido Comunista, e executaram-nos. Eichmann foi um dos oficiais que recebiam relatórios detalhados das suas actividades. Em 31 de julho, Göring deu autorização por escrito a Heydrich para preparar e submeter um plano para uma "solução total para a questão judaica" em todos os territórios sob controlo alemão, e coordenar a participação de todas as organizações do governo envolvidas. OGeneralplan Ost (Plano Geral para o Leste) estabelecia a deportação da população dos territórios ocupados na Europa de Leste e da União Soviética para a Sibéria, para servirem de escravos ou para serem mortos.

Hungria

A Alemanha invadiu a Hungria em 19 de março de 1944. Eichmann chegou no mesmo dia, e, pouco tempo depois, chegaram os membros de topo do seu pessoal assim como cinco ou seis centenas de homens do SD, das SS e da Sicherheitspolizei (SiPo; polícia de segurança). A nomeação de um governo húngaro por Hitler mais favorável aos nazis significava que os judeus húngaros, que não tinham sido, de um modo geral, afectados até àquela altura, seriam agora deportados para o campo de concentração de Auschwitz para trabalhar como escravos ou para serem mortos com gás. Eichmann percorreu a zona nordeste da Hungria na última semana de Abril e passou por Auschwitz em Maio para se inteirar dos preparativos. Durante os Julgamentos de Nuremberga, Rudolf Höss, o comandante de Auschwitz, testemunhou que Himmler lhe dado ordens para cumprir todas as instruções operacionais para a implementação da Solução Final de Eichmann. A concentração começou em 16 de abril, e a partir de 14 de maio quatro comboios por dia, com cerca de três mil judeus a bordo em cada, começaram a partir da Hungria para o campo de Auschwitz II-Birkenau, chegando a uma nova linha central a poucas centenas de metros das câmaras de gás. Apenas de 10 a 25 por cento das pessoas que chegavam em cada comboio eram escolhidas para os trabalhos forçados; os restantes eram mortos poucas horas depois de chegarem. Debaixo de pressões internacionais, o governo húngaro parou com as deportações em 6 de julho de 1944, altura em que cerca de 437 000 de 725 000 judeus húngaros tinham já morrido. Apesar das ordens de paragem, Eichmann preparou comboios adicionais para Auschwitz em 17 e 19 de julho.

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Pós-guerra

No final da guerra, Eichmann foi capturado pelos americanos e levado para vários campos de prisioneiros de oficiais das SS mas com identificação falsa, sob o nome de "Otto Eckmann". Quando a sua identidade foi descoberta, fugiu de Cham. Obteve novos documentos de identidade sob o nome de "Otto Heninger" e foi realocado por várias vezes nos meses seguintes. Transferido para Charneca de Lüneburg, conseguiu inicialmente emprego na indústria florestal e mais tarde arrendou um pequeno terreno em Altensalzkoth, onde viveu até 1950. Entretanto, nos Julgamento de Nuremberga que tiveram início em 1946, foram apresentadas provas incriminatórias sobre as actividades de Eichmann pelo ex-comandante de Auschwitz, Rudolf Höss, entre outros. Em 1948, Eichmann obteve uma licença de entrada na Argentina e uma identidade falsa sob o nome de "Ricardo Klement", através de uma organização gerida pelo bispo Alois Hudal, um padre austríaco então residente em Itália e simpatizante do nazismo. Estes documentos permitiram-lhe, em 1950, obter um passaporte da Cruz Vermelha, o que lhe permitiu emigrar definitivamente para a Argentina.[nota 5] Até chegar àquele país, viajou pela Europa, ficando em vários mosteiros que tinham sido preparados para servirem de local secreto de segurança. Em 17 de junho de 1950 de Gênova, chegou a Buenos Aires em 14 de julho.

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Captura na Argentina

Vários judeus e outros sobreviventes do Holocausto dedicaram parte das suas vidas à procura de Eichmann e de outros nazis. Entre eles encontrava-se Simon Wiesenthal. Por uma carta que lhe foi mostrada em 1953, Wiesenthal soube que Eichmann tinha sido avistado em Buenos Aires e, em 1954, transmitiu essa informação ao consulado israelita em Viena. Quando o pai de Eichmann morreu em 1960, Wiesenthal contratou detectives privados para, secretamente, fotografar os membros da família, pois sabia-se que o irmão de Eichmann, Otto, era muito parecido com ele, e não havia fotografias atuais do fugitivo. Wiesenthal forneceu estas fotografias a agentes da Mossad em 18 de fevereiro. Também essencial na descoberta da identidade de Eichmann foi Lothar Hermann, um alemão meio-judeu que tinha emigrado para a Argentina em 1938. Quando em 1956 a filha de Hermann, Sylvia, começou a namorar com um homem chamado Klaus Eichmann, que se gabava das façanhas nazis do seu pai, Hermann alertou Fritz Bauer, procurador-geral do estado de Hesse, na Alemanha Ocidental. Sylvia, enviada numa missão de pesquisa a casa de Klaus, encontrou-se com o próprio Eichmann à porta, que lhe disse ser tio de Klaus. Informada de que Klaus não estava em casa, Sylvia sentou-se à espera. Quando voltou, Klaus chamou Eichmann de pai. Em 1957, Bauer passou a informação pessoalmente ao diretor da Mossad, Isser Harel, que tratou de organizar missões de vigilância, sem sucesso inicial. Em 1 de março de 1960, Harel enviou a Buenos Aires o interrogador-chefe da Shin Bet, Zvi Aharoni, que, nas semanas de investigação seguintes, conseguiu confirmar a identidade do fugitivo. Como a Argentina tinha um histórico de recusar pedidos de extradição de criminosos nazis, o primeiro-ministro israelita David Ben-Gurion tomou a decisão de capturar Eichmann, em vez de pedir a sua extradição, e trazê-lo para Israel para julgamento. Harel viajou para Buenos Aires para supervisionar pessoalmente a captura em maio de 1960. O operativo da Mossad Rafi Eitan foi escolhido para liderar a equipe de oito homens, muitos dos quais eram membros da Shin Bet.

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Julgamento

Eichmann foi levado para um posto de polícia fortificado em Yagur, Israel, onde ficou nove meses. Os israelitas tinham dúvidas em levá-lo a julgamento com base apenas em provas de documentos e testemunhos. Diariamente, o prisioneiro era sujeito a interrogatórios, totalizando mais de 3500 páginas de depoimentos. O chefe dos interrogatórios era o inspetor-chefe da polícia nacional, Avner Less. Utilizando documentos fornecidos pelo Yad Vashem e pelo caçador de nazis Tuviah Friedman, Less conseguiu, por vezes, determinar se Eichmann estava ou não a mentir ou a ser evasivo. Quando era confrontado com informações que o forçavam a admitir o que havia feito, Eichmann insistia que não tinha qualquer autoridade na hierarquia nazista e estava apenas seguindo ordens. O inspetor Less observou que Eichmann não parecia perceber a enormidade dos seus crimes e não demonstrou remorso. O seu recurso, publicado em 2016, não contradiz esta situação: "É necessário marcar uma linha entre os líderes responsáveis e as pessoas, como eu, que foram forçadas a servir como meros instrumentos nas mãos dos líderes", escreveu Eichmann. "Eu não era um líder responsável, pelo que eu não me sinto culpado".

Recursos e execução

Servatius apelou da sentença, baseando os seus argumentos, principalmente, na legalidade da jurisdição de Israel e na legalidade das leis por força das quais Eichmann fora condenado. As audições do recurso tiveram lugar entre os dias 22 e 29 de março de 1962. A esposa de Eichmann, Vera, viajou para Israel, onde se encontrou com ele, pela última vez, no final de abril. Em 29 de maio, o Supremo Tribunal de Israel rejeitou o recurso e confirmou a sentença do Tribunal comarcal. Em seguida, Eichmann enviou um pedido de clemência ao presidente de Israel, Yitzhak Ben-Zvi. O conteúdo da sua carta ao presidente, apelando ao perdão, e os documentos originais do julgamento foram tornados públicos em 27 de janeiro de 2016. Cidadãos destacados como Hugo Bergmann, Pearl Buck, Martin Buber e Ernst Simon mostraram o seu apoio a Eichmann. Ben-Gurion marcou uma reunião para resolver o problema. A comissão reunida decidiu recomendar a Ben-Zvi que não aceitasse perdoar Eichmann, e o presidente rejeitou o apelo à alteração da sentença. Às 20h00 do dia 31 de maio, Eichmann foi informado de que o seu último apelo fora negado. A sua última refeição foi a habitual dose de queijo, pão, azeitonas e chá, com meia garrafa de vinho.

Impacto

O julgamento e toda a sua cobertura pelos meios de comunicação fizeram renascer o interesse pelos acontecimentos da guerra, e o aumento verificado na publicação de memórias e trabalhos académicos ajudou a consciencializar o público em geral sobre o Holocausto. O julgamento teve grande cobertura da imprensa na Alemanha Oriental, e muitas escolas incluíram material sobre o assunto nos seus programas. Em Israel, os relatos das testemunhas no julgamento resultaram num conhecimento mais profundo do impacto do Holocausto nos sobreviventes, em particular entre os cidadãos mais jovens que nunca tinham passado por opressão levada a cabo pelo Estado. Hannah Arendt, escritora de teoria política que escreveu para o The New Yorker sobre o julgamento de Eichmann, descreveu-o no seu livro Eichmann em Jerusalém como representante da "banalidade do mal". Para a escritora, ele tinha uma personalidade vulgar, não mostrando culpa nem ódio. Arendt escreveu também que "este caso foi construído com base naquilo que os judeus sofreram, e não no que Eichmann fez". No seu livro de 1988 Justice, Not Vengeance (Justiça, não Vingança), Wiesenthal diz: "O mundo compreende agora o conceito de «crime de secretária». Sabemos que não é preciso ser fanático, sádico ou doente mental para assassinar milhões; isso chega para ser seguidor leal, ansioso por fazer o seu trabalho". O termo "pequenos Eichmanns" tornou-se pejorativo para designar os burocratas responsáveis por, indireta e sistematicamente, fazerem mal a outras pessoas.

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Fontes consultadas

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