Adoniran Barbosa
Adoniran Barbosa, nome artístico de João Rubinato, foi um compositor, cantor, comediante e ator brasileiro. Conhecido como o "Pai do samba paulista", destacou-se como uma das figuras mais relevantes da música popular brasileira ao criar uma identidade única do samba e como um dos principais difusores da cultura e da produção artística do estado de São Paulo. Entre as características mais marcantes de suas canções estavam o uso do dialeto ítalo-paulista e o retrato sensível do cotidiano das camadas populares e marginalizadas da população urbana origem italiana de alguns bairros paulistanos, como Barra Funda e Brás, em oposição à letra do samba fluminense, que "exalta a figura do morro, do malandro, em oposição à figura do trabalhador".
Família
Adoniran era filho de Francesco "Fernando" Rubinato e Emma Ricchini, imigrantes italianos da comuna de Cavarzere, província de Veneza. Seus avós paternos eram Angelo Rubinato e Anna Manfrinato, e os maternos, Francesco Ricchini e Antonia Freddo. Seus pais casaram-se em Cavarzere em 23 de maio de 1895, desembarcaram em Santos em 15 de setembro de 1895, passaram pela Hospedaria dos Imigrantes e foram trabalhar nas lavouras do município de Tietê. Sua mãe morreu em 1939 e seu pai em 1943. João Rubinato nasceu em 6 de agosto de 1910 em Valinhos, localidade que foi distrito do município de Campinas até 1953. Numa entrevista em 1972 ao programa Ensaio Especial da TV Cultura, Adoniran disse que na verdade nascera em 1912, mas sua família teria adulterado os documentos para 1910, para que começasse a trabalhar mais cedo, pois a fábrica em que iria trabalhar não admitia quem tivesse menos de doze anos. Porém no documentário “Meu Nome é João Rubinato”, o neto de Adoniran Barbosa, João Rubinato, afirma que conseguiu ter acesso a certidão de nascimento original do cartório Campinas, estando lá escrito que Adoniran nasceu mesmo em 1910, e não em 1912.
Infância
Abandonou a escola cedo, pois não gostava de estudar. Necessitava trabalhar para ajudar a família numerosa – Adoniran tinha sete irmãos. Procurando resolver seus problemas financeiros, os Rubinato viviam mudando de cidade. Moraram primeiro em Valinhos (então distrito de Campinas), depois Jundiaí, Santo André e finalmente São Paulo. Em Jundiaí, Adoniran exerce seu primeiro ofício: entregador de marmitas. Aos doze anos andava pelas ruas da cidade e surrupiava alguns bolinhos pelo caminho. "A matemática da vida lhe dá o que a escola deixou de ensinar: uma lógica irrefutável. Se havia fome e, na marmita oito bolinhos, dois lhe saciariam a fome e seis a dos clientes; se quatro, um a três; se dois, um a um”.
Início da carreira
O compositor e cantor tem um longo aprendizado, num arco que vai do marmiteiro às frustrações causadas pela rejeição de seu talento. Quer ser artista – escolhe a carreira de ator. Procura de várias maneiras fazer seu sonho acontecer. Tenta, antes do advento do rádio, o palco, mas é sempre rejeitado. Sem padrinhos e sem instrução adequada, o ingresso nos teatros como ator lhe é para sempre abortado. O samba, no início da carreira, tem para si caráter acidental. Escolado pela vida, sabia que o estrelato e o bom sucesso econômico só seriam alcançados na veiculação de seu nome na caixa de ressonância popular que era o rádio. O magistral período das rádios, também no Brasil, criou diversas modas, mexeu com os costumes, inventou a participação popular – no mais das vezes, dirigida e didática. Têm elas um poder e extensão pouco comuns para um país que na época era rural. Inventam a cidade, popularizam o emprego industrial e acendem os desejos de migração interna e de fama. Enfim, no país dos bacharéis, médicos e párocos de aldeia, a ascensão social busca outros caminhos e pode-se já sonhar com a meteórica carreira de sucesso que as rádios produzem. Três caminhos podem ser trilhados: o de ator, o de cantor ou o de locutor.
Sucesso
O seu primeiro sucesso como compositor vira canção muito conhecida nas rodas de samba, das casas de espetáculo: "Trem das Onze". É bem possível que todo brasileiro conheça, senão a canção inteira, ao menos o estribilho, que se torna intemporal. Adoniran alcança, então, o almejado sucesso que, entretanto, dura pouco e não lhe rende mais que uns minguados trocados de direitos autorais. A canção, que já havia sido gravada pelo autor em 1951 e não fizera sucesso ainda, é regravada novamente pelos “Demônios da Garoa”, conjunto musical de São Paulo (esta cidade é conhecida como a terra da garoa, da neblina, daí o nome do grupo). Embora o conjunto seja paulista, a canção acontece primeiramente no Rio de Janeiro, com sucesso retumbante.
Casamentos e filha
Casou-se em 8 de dezembro de 1936 com Olga Krum, com quem teve sua única filha, Maria Helena Rubinato, nascida em 23 de setembro de 1937. João e Olga desquitaram-se judicialmente em 1943 e a filha ficou aos cuidados da irmã de João, Ainez Rubinato Salgado (1909-1992). Após o desquite, viveu maritalmente com Matilde De Lutiis, que o acompanhou até a morte, mas nunca tiveram filhos. Olga Krum constituiu nova família com o advogado José Luís Varela de Almeida (1915-2010), com quem teve outras quatro filhas. Olga morreu em 1991. Sua filha, Maria Helena Rubinato, falecida em 2021, foi tradutora.
Imagem: Murilo Pires de Campos · BY-ND · Openverse
Adoniran Barbosa morreu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos, durante uma internação para tratamento de um enfisema pulmonar. Deixou sua companheira de mais de quarenta anos, Matilde de Lutiis, tendo sido sepultado no Cemitério da Paz, conforme o desejo de Adoniran.
Imagem: Mateus Schunemann · BY-SA · Openverse
Disco
Em 6 de agosto de 2020, data do 110.º aniversário do sambista, foi disponibilizado nas plataformas de áudio digitais o álbum Onze, com 11 músicas de letras até então inéditas escritas por Barbosa, interpretadas por diversos nomes da música brasileira, associados com diversos gêneros e movimentos. O projeto, posteriormente, recebeu uma indicação ao Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode.
Doodle no Google em 6 de agosto de 2015
Em 6 de agosto de 2015 o portal do Google, considerando o ano de nascimento que foi adulterado pela família (1910), realizou um doodle em homenagem ao 105° aniversário do seu nascimento.
Logradouros
Na cidade de São Paulo, Adoniran foi homenageado com seu nome em uma rua do bairro central da Bela Vista e com o nome "Trem da Onze" em uma rua do distrito do Jaçanã, na zona norte da cidade.
Escola de Samba
A Dragões da Real, escola de samba do Carnaval de São Paulo, homenageou Adoniran no Carnaval de 2022.
Estátua
Em dezembro de 2022, foram realizadas reformas no cruzamento da Avenida Ipiranga e a São João, com colocação de estátuas em homenagem aos representantes do samba paulista, Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini.


