Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro-Galeão
Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, anteriormente chamado Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro e também conhecido como Aeroporto do Galeão (IATA: GIG, ICAO: SBGL), é um aeroporto internacional no município do Rio de Janeiro, no estado homônimo. É o segundo maior aeroporto do Brasil em movimento internacional. Considerando também o movimento de passageiros domésticos, é o sétimo maior aeroporto do país em movimento. Atualmente, 26 companhias aéreas operam no Aeroporto Internacional Tom Jobim com rotas ligando-o à cidades dos continentes da Europa, Oriente Médio e América do Norte, Central e do Sul, além das rotas domésticas.
Origens
O atual Aeroporto Internacional Tom Jobim tem suas origens na década de 1920 com advento das operações militares. Em 10 de maio de 1923, o Governo Federal desapropriou terrenos na Ilha do Governador para a construção do Centro de Aviação Naval do Rio de Janeiro. Já no ano seguinte a Escola de Aviação Naval, que funcionava desde 1916 no antigo Arsenal de Marinha, no Rio de Janeiro, foi transferida para a ponta do Galeão. O local sediou a Base de Aviação Naval até 1941, quando recebeu a denominação de Base Aérea do Galeão, que funciona até hoje no local. Ali ainda surgiram hangares, oficinas, quartéis, alojamentos, além da primeira Fábrica Nacional de Aviões, que produziu em série o primeiro modelo brasileiro, os Muniz 5, 7 e 9. Ainda no Galeão, outras indústrias aeronáuticas produziam, sob contrato com entidades estrangeiras como a Fokker holandesa e a Focke-Wulf alemã, aviões para aviação civil e militar. Também do Galeão saíram os primeiros Correios Aéreos Navais, em 1935.
Inauguração e administração
Diante da precariedade do embarque e desembarque no aeroporto, em 1946, foi feita a escolha de um local para a instalação da estação de passageiros. Então, em 1 de fevereiro de 1952 foi oficialmente inaugurado o Aeroporto do Galeão com o início do funcionamento do terminal de passageiros, atual TPS-5, onde hoje funcionam escritórios de companhias cargueiras. Esse terminal passou por diversas ampliações ao longo dos anos até ser substituído pelo atual Terminal 1, que agregou o que de mais atual havia na época de sua inauguração, em 20 de janeiro de 1977. No mês de agosto de 1956 a Lufthansa iniciou as operações no aeroporto, na rota Hamburgo-Paris-Dakar-Rio. A aeronave utilizada foi um Lockheed L-1049 Super Constellation.
Crescimento das operações
Em meados da década de 2000, o Aeroporto do Galeão operava com uma demanda deficitária de 10 milhões de passageiros por ano, enquanto o Aeroporto Santos Dumont, no centro da cidade do Rio de Janeiro, operava com excesso de passageiros, com 3 milhões de usuários além da sua capacidade. Com isso, em 29 de agosto de 2004, foram transferidos todos os voos, com exceção da Ponte aérea Rio-São Paulo e voos regionais, do Aeroporto Santos-Dumont para o Galeão, com o objetivo de proporcionar maior conforto aos passageiros. O Santos-Dumont, com capacidade para 2 milhões de passageiros por ano, atendia a aproximadamente 5,3 milhões, sendo que o Galeão, possuindo uma capacidade de até 15 milhões, atendia a uma demanda de apenas 5 milhões de passageiros por ano.
Perda de movimento
O Aeroporto do Galeão vem perdendo passageiros e voos desde 2015, todos os anos seguidamente. Vários voos foram transferidos para São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Campinas e Fortaleza. Nem mesmo as Olimpíadas do Rio de Janeiro em 2016 serviram para estancar este processo de perda de importância. Cerca de 25% dos voos com destino ao Galeão foram cancelados entre 2015 e 2019. Dentre as muitas rotas canceladas, estão Nova Iorque e Luanda. Atualmente, o Aeroporto do Galeão é apenas o 5º mais importante do Brasil, atrás dos aeroportos de Guarulhos e Congonhas em São Paulo, do Aeroporto de Brasília e do Aeroporto de Belo Horizonte.
Shopping
Os empreendedores do aeroporto tentam adaptar parte do aeroporto do Galeão como shopping o Shop&Go, uma tentativa para salvar seus investimentos. Dentre as iniciativas estão ônibus grátis para quem for almoçar durante a semana no Galeão, além de estacionamento grátis aos finais de semana para quem consumir R$ 80,00.
Composição das operações de pousos e decolagens no Geleão em 2024: Maiores rotas do Galeão em 2014, pelo número de passageiros:
A fim de garantir melhorias no nível de serviço dos aeroportos brasileiros, o Governo Federal do Brasil decidiu por conceder alguns dos principais aeroportos do país à iniciativa privada, como forma de viabilizar e agilizar a realização de investimentos necessários para adequação da infraestrutura aeroportuária, bem como a modernização dos espaços e implantação de inovações tecnológicas. O Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, sendo um dos mais importantes do Brasil, entrou no terceiro lote de concessões promovido pelo Governo. Em um leilão realizado em 22 de novembro de 2013, o Aeroporto do Galeão foi arrematado pelo consórcio Aeroportos do Futuro, formado pela Odebrecht TransPort, com participação de 60%, e a Operadora do Aeroporto de Singapura Changi, com 40%. O lance mínimo foi estipulado em 4,8 bilhões, que foi superado com ágio de 293%, onde vencedor ganhou a disputa com o lance de 19 bilhões para operar o aeroporto por 25 anos. Como a regra dessa concessão, a Infraero participa com 49% do capital social e o consórcio com os outros 51%, formando assim a atual Concessionária RIOgaleão, que então administra o aeroporto.
Investimentos mandatórios
Como parte das obrigações contratuais, a concessionária tem uma lista com investimentos na infraestrutura que são obrigatórios até o fim da concessão em 2038, cuja projeção de demanda é de 60 milhões de passageiros ao ano. As obras, com vistas aos Jogos Olímpicos de 2016, foram iniciadas ainda na época da gestão pública da Infraero e visava adequar o Terminal 1 e o Terminal 2 para uma capacidade planejada em 2014 de 44 milhões de passageiros por ano. Contudo, em virtude dos inúmeros atrasos na conclusão das obras e insucessos na gestão aeroportuária a responsabilidade de término das reformas e ampliação passaram para a nova concessionária, que assumiu a gestão do aeroporto em 12 agosto de 2014.
O sítio aeroportuário de 18,8 milhões de metros quadrados garante ao Aeroporto Tom Jobim a posição de maior aeroporto do Brasil em área total. Com todo esse espaço disponível, o aeroporto tornou-se um grande canteiro de obras depois que a concessionária RIOgaleão assumiu a administração. Em 2016, com a entrega de obras de ampliação pela concessionária, a capacidade anual dos terminais passou de 17 milhões para 30 milhões de passageiros por ano, e o número de vagas de estacionamentos de veículos chegou a 7 mil. Hoje os dois terminais e o Píer Sul, uma extensão do terminal 2, somam uma área total de 280 mil m², onde estão distribuídas um total de 58 pontes de embarque.
Terminal 1
O Terminal 1, inaugurado em 1977, é o mais antigo dos dois terminais de passageiros do Tom Jobim em operação hoje. O terminal fica de frente para a torre de controle do aeroporto. Nele se concentram principalmente as operações domésticas, estando presentes as companhias de aviação executiva, como a Líder Aviação e Seven Fly. O TPS-1, está equipado com 102 posições de check-in, quatro esteiras de restituição de bagagem no desembarque internacional, outras 5 esteiras no desembarque doméstico, além de 12 canais de inspeção. Sua capacidade estática no embarque e de 728 passageiros por hora na ala internacional e 1 924 na ala doméstica. No desembarque, o TPS-1 pode atender a 1 472 passageiros por hora na ala internacional e 2 156 passageiros domésticos. Desde novembro de 2016, o terminal 1 se encontra fora de operação. Todos os voos pelo Galeão devem ser feitos a partir do Terminal 2 e pelo Píer Sul. Nele ainda funciona a emissão de passaportes da Polícia Federal, o Centro de Operações RIOgaleão (COR), agências bancárias, capela, Hotel com academia, Restaurante e bar, Polícia Civil e agência dos Correios.
Terminal 2
O Terminal 2 foi inaugurado em 1999, portanto o mais novo dos dois terminais de passageiros do Aeroporto Internacional Tom Jobim. Continua hoje sendo o terminal mais bem equipado do aeroporto onde mais recentemente foram inaugurados o edifício garagem, com 2 700 vagas para veículos, e o Píer Sul, com 26 novas pontes de embarque. Nele operam a maioria das linhas internacionais e é onde fica também a grande maioria das companhias: Aerolíneas Argentinas, Air Canada, Air France, Alitalia, American Airlines, Avianca, British Airways, Condor Flugdienst, Copa Airlines, Delta Airlines, Edelweiss Air, Emirates Airlines, Ibéria, KLM, LATAM, Lufthansa, Passaredo, Royal Air Maroc, TAAG e United Airlines.
Terminal de cargas
A construção do atual complexo do terminal de cargas (TECA) do então Galeão teve início em 1992, ao mesmo tempo que o terminal de passageiros 2. O complexo do TECA foi inaugurado em março de 1998. Hoje, o terminal de cargas do Tom Jobim possui armazéns com área total de 44 mil m², preparados para armazenar desde produtos perecíveis até calçados. O terminal ainda pode receber cargas classificadas como perigosas, sem restrição de categoria, contando com uma área de 900 m² para essa finalidade. Além disso, há uma área de 520 m² exclusiva para acomodação de animais vivos, tanto oriundos do exterior, quanto em processo de exportação. O pátio do TECA tem 31 posições dedicadas para aeronaves cargueiras, que podem operar 24 horas por dia, sem restrições de capacidade ou de horário para pousos. Em 13 de fevereiro de 2022, entretanto, um incêndio de grandes proporções destruiu o TECA incluindo 2 helicópteros que estavam dentro dos galpões.
Sistema de pistas
O Aeroporto Internacional Tom Jobim possui duas pistas: A maior delas, cujas cabeceiras são 10/28, possui 4 mil metros de comprimento por 45 metros de largura, com pavimento de concreto; a menor, de cabeceiras 15/33, tem 3 180 metros de comprimento e 47 de largura, com pavimento de asfalto. As pistas estão equipadas com ILS de categoria 1 pelas cabeceiras 15 e 28, e ILS de categoria 2 pela cabeceira 10. Além destes instrumentos de auxílio ao pouso, o aeroporto conta também com os sistemas de rádio-navegação VOR, DME e NDB. Esse conjunto de pistas e instrumentos permitem até 44 operações de pousos ou decolagens por hora no aeroporto.
Autódromo
Em dezembro de 2021 foi anunciado que a terceira etapa do campeonato brasileiro de Stock Car Pro Series de 2022, seria realizada em um autódromo temporário construído usando partes da pista auxiliar 10/28, sem interferir nos procedimentos de pousos e decolagens. A etapa foi batizada de "GP Galeão Rio 2022" e o "autódromo" recebeu o nome de "Circuito Cacá Bueno" em homenagem ao pentacampeão da categoria. Em 10 de abril de 2022, o evento planejado foi realizado, tornando-se a primeira corrida no Brasil realizada em circuito adaptado dentro de um aeroporto usando um trecho de sua pista de concreto como parte do circuito. Esse evento marcou o retorno da categoria ao Rio de Janeiro depois de 10 anos de ausência. A corrida transcorreu sem maiores incidentes e terminou de forma normal com as duas baterias sendo concluídas com sucesso.
Pátio de aeronaves
Os pátios de aeronaves do Tom Jobim somam hoje uma área total de 760 mil m², onde há um total de 214 posições para aviões além de duas posições para helicópteros. As posições para aviões comerciais somam 149, sendo 22 posições com Finger no terminal 1, 23 com Finger no terminal 2, 39 com Finger no Píer Sul, 65 posições remotas (sem Finger) nos três terminais e outras 65 posições no terminal de cargas.
Voo Air France 447
Em 31 de maio de 2009, o voo Air France 447 com destino ao aeroporto de Paris (Charles de Gaulle), cumprido por um Airbus A330-200, prefixo F-GZCP, desapareceu após deixar uma mensagem instantânea de pane elétrica e despressurização. O acidente permaneceu um mistério até 2011, quando as caixas-pretas foram encontradas. O avião caiu a nordeste do arquipélago de São Pedro e São Paulo, após enfrentar uma forte tempestade na travessia do oceano, na zona de convergência intertropical. Estavam no avião 228 pessoas; não houve sobreviventes. Restos da fuselagem foram encontrados logo após o acidente em 2011 durante as buscas pela caixas-pretas.
Voo Varig 797
No dia 3 de janeiro de 1987, um Boeing Boeing 707-379C, matrícula PP-VJK, da companhia Varig caiu na Costa do Marfim, pouco de pois de decolar, enquanto fazia a rota da Costa do Marfim para o Rio de Janeiro. A aeronave perdeu a sustentação após um dos motores ter parado de funcionar. Dos 51 ocupantes, apenas um sobreviveu.
Voo Varig RG-820
Em 11 de julho de 1973, um Boeing 707-345C, matrícula PP-VJZ, fazendo o voo Varig 820, partiu do Rio de Janeiro (GIG) às 03h03min para um voo com destino a Paris-Orly. Prestes a se preparar para o pouso, a tripulação fez contato com a torre de controle de Orly e relatou um "incêndio a bordo". Uma descida de emergência foi solicitada, mas a aeronave veio a bater com algumas árvores e fez um pouso duro em uma plantação de cebolas. Dos 134 ocupantes, 123 morreram.
Voo Varig 810
Em 27 de novembro de 1962, um Boeing 707-441, da Varig, matrícula PP-VJB, fazendo o voo Varig 810 partiu do Galeão-Rio de Janeiro com destino à Lima-El Callao. Já no destino final, durante execução de procedimentos de pouso, o avião veio a colidir com o pico La Cruz, cerca de 8 milhas a leste do rumo de aproximação do sinal do ILS Morro Solar. Todos os 97 ocupantes morreram.
Voo Panair 026
Em 20 de agosto de 1962, um Douglas DC-8-33 da Panair do Brasil, matrícula PP-PDT, com destino Lisboa, ultrapassou os limites da pista, vindo a parar nas águas da baía de Guanabara. O acidente foi causado pelo fato do estabilizador vertical da aeronave ter sido alterado da sua configuração original para decolagem, e foi somado ao fato da tripulação ter tomado a decisão tardia de abortar a decolagem. 14 dos 105 ocupantes morreram.


