Afonso VII de Leão
Afonso VII, conhecido como 'o Imperador', foi o primeiro rei da Casa de Borgonha a governar na Península Ibérica. Sua trajetória incluiu a coroação como rei da Galiza em 1111, de Leão em 1126, de Castela e Toledo em 1127, culminando com o título de Imperador da Hispânia em 1135. Sua ambição era unificar os reinos ibéricos sob sua coroa imperial.
Pontos-chave
- Afonso VII foi o primeiro rei da Casa de Borgonha e o único a ostentar o título de Imperador da Hispânia.
- Sua coroação como rei da Galiza em 1111 visava proteger seus direitos sucessórios.
- Expandiu seu domínio ao conquistar Saragoça e submeter reinos vizinhos à vassalagem.
- Foi um rei devoto, impulsionando a Reconquista e fundando mosteiros cistercienses.
- Apesar de buscar a unificação, dividiu seu reino entre os filhos após sua morte em 1157.
Afonso VII foi coroado rei da Galiza em 1111 pelo bispo Diego Gelmírez e pelo conde Pedro Froilaz de Trava, na Catedral de Santiago de Compostela. Essa coroação, ainda na infância de Afonso, foi uma estratégia de seu avô para garantir seus direitos sucessórios e evitar a perda do trono da Galiza, especialmente após o casamento de sua mãe, D. Urraca, com Afonso I de Aragão. O avô de Afonso VII, Raimundo de Borgonha, assegurou a herança da Galiza ao neto, declarando-o sucessor e desvinculando-se de qualquer deferência futura.
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Com a morte de seu rival Afonso I de Aragão e Navarra em 1134, que legou seus reinos a ordens militares, Afonso VII viu uma oportunidade. Embora Garcia Ramires tenha sido eleito rei de Navarra e Ramiro II pelos nobres de Aragão, Afonso VII reagiu ocupando La Rioja e conquistando Saragoça, cujo brasão foi integrado ao de Leão. Após conflitos, ele derrotou o exército navarro-aragonês, submetendo os reinos à vassalagem. Com o apoio de nobres dos Pirenéus, controlou vastos territórios até o rio Ródano. No leste peninsular, auxiliou Raimundo Berengário IV de Barcelona contra condados catalães, obtendo sua vassalagem e unificando a Marca Hispânica. A tradição de 'imperador' para o soberano de Leão, já usada por Sancho, o Grande, e Afonso VI, foi elevada por Afonso VII, que se via como descendente dos reis visigodos e do Império Romano, conferindo ao título um significado mais substancial do que um mero embelezamento honorífico.
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Afonso VII era um rei profundamente devoto, introduzindo a Ordem de Cister em seu reino com a fundação de um mosteiro em Fitero. Seu grande objetivo era expulsar os mouros da Península Ibérica. A partir de 1139, ele liderou expedições e saques contra os povoados almorávidas, buscando incitar revoltas. Em 1144, alcançou Córdova, mas a invasão do Califado Almóada em 1146 o forçou a formar um pacto com o soberano almorávida e a fortificar a fronteira contra a nova ameaça moura. Após o Papa Eugénio III convocar a Segunda Cruzada em 1145, Afonso VII, em coalizão com Aragão, Navarra e o Condado de Barcelona, conquistou Almeria em 1147, estabelecendo o primeiro porto mediterrânico para Castela.
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Em 1157, os almóadas recuperaram Almeria. Afonso VII faleceu em 21 de agosto de 1157, durante o retorno a Leão de uma expedição contra os mouros, provavelmente em Viso del Marqués. É notável que o poderoso rei, que aspirava à unificação da Península Ibérica, tenha falhado em várias frentes – a independência de Portugal, a ascensão da Coroa de Aragão e a ascensão dos almóadas em detrimento dos enfraquecidos almorávidas. Contraditoriamente, ele acabou por dividir seu reino entre seus dois filhos: Castela para o primogênito Sancho e Leão para Fernando.
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Afonso VII teve uma vasta descendência, fruto de seus casamentos e relações. De seu primeiro casamento com Berengária de Barcelona, nasceram vários filhos. Em julho de 1152, casou-se com Riquilda da Polônia, filha do duque Vladislau II, o Desterrado, com quem também teve descendentes. Além disso, Afonso VII teve filhos de seus amores com Gontrodo Pérez (c. 1105-1186) e com a condessa Urraca Fernandez de Castro, filha de Fernando Garcia de Hita.


