Elefante
Elefantes são grandes mamíferos da família Elephantidae e da ordem Proboscidea. Atualmente, são reconhecidas três espécies: o elefante-da-savana, o elefante-da-floresta-africana e o elefante asiático. Os elefantes estão distribuídos por toda a África Subsaariana, Sul da Ásia e Sudeste Asiático. Elephantidae é a única família sobrevivente da ordem Proboscidea, e outros membros da ordem, já extintos, incluem Deinotheriidae, Gomphotheriidae, mamutes e mastodontes.
A palavra "elefante" provém do Latim elephantus, que é a forma latinizada do Grego ἐλέφαντος (elephantos), genitivo de ἐλέφας (elephas), provavelmente de uma língua não-indo-europeia, como o fenício. Aparece em textos da Grécia Micénica como e-re-pa e e-re-pa-to na escrita silábica Linear B.Homero usou a palavra grega para se referir ao marfim, mas depois da época de Heródoto, passou a ser utilizada para se referir ao animal. A palavra também aparece no inglês médio como olyfaunt (c. 1300) e foi retirada do francês antigo oliphant (século XII). Em suaíli os elefantes são conhecidos por Ndovu ou Tembo. Em sânscrito é designado por Hastin, enquanto que em hindi é conhecido por Hathi (हाती). Loxodonta, o nome genérico para elefantes africanos, é uma palavra grega para "dentes oblíquos".
Classificação, espécies e subespécies
Os elefantes pertencem família Elephantidae, a única família representativa da ordem Proboscidea, que já pertenceu à superordem Afrotheria. Os seus parentes mais próximos existentes são os sirénios (dugongos e peixes-bois) e os hiraquídios, com os quais partilham o clado paenungulata dentro da superordem Afrotheria. Os elefantes e os sirénios estão agrupados no clado Tethytheria. Reconhece três espécies de elefantes; o elefante-africano (Loxodonta africana) e o elefante-da-floresta (Loxodonta cyclotis) da África subsariana e o elefante-asiático (Elephas maximus) do sul e sudeste asiático. Os elefantes africanos têm orelhas grandes, dorso côncavo (selado), pele mais enrugada, abdómen inclinado e dois apêndices em forma de dedos na extremidade da tromba. Os elefantes asiáticos têm orelhas mais pequenas, dorso convexo (arqueado), pele mais lisa, abdómen horizontal que mergulha ocasionalmente no meio e uma única extensão na ponta da tromba. As cristas em forma de laço nos molares são mais estreitas no elefante asiático, enquanto as do africano têm forma de diamante. O elefante asiático apresenta ainda protuberâncias dorsais na cabeça e algumas manchas de despigmentação na pele. .mw-parser-output .tmulti .multiimageinner{display:flex;flex-direction:column}.mw-parser-output .tmulti .trow{display:flex;flex-direction:row;clear:left;flex-wrap:wrap;width:100%;box-sizing:border-box}.mw-parser-output .tmulti .tsingle{margin:1px;float:left}.mw-parser-output .tmulti .theader{clear:both;font-weight:bold;text-align:center;align-self:center;background-color:transparent;width:100%}.mw-parser-output .tmulti .thumbcaption{background-color:transparent}.mw-parser-output .tmulti .text-align-left{text-align:left}.mw-parser-output .tmulti .text-align-right{text-align:right}.mw-parser-output .tmulti .text-align-center{text-align:center}@media all and (max-width:720px){.mw-parser-output .tmulti .thumbinner{width:100%!important;box-sizing:border-box;max-width:none!important;align-items:center}.mw-parser-output .tmulti .trow{justify-content:center}.mw-parser-output .tmulti .tsingle{float:none!important;max-width:100%!important;box-sizing:border-box;text-align:center}.mw-parser-output .tmulti .tsingle .thumbcaption{text-align:left}.mw-parser-output .tmulti .trow>.thumbcaption{text-align:center}}@media screen{html.skin-theme-clientpref-night .mw-parser-output .tmulti .multiimageinner img{background-color:white}}@media screen and (prefers-color-scheme:dark){html.skin-theme-clientpref-os .mw-parser-output .tmulti .multiimageinner img{background-color:white}} O zoólogo sueco Carl Linnaeus descreveu o género Elephas e um elefante do Sri Lanka (então conhecido por Ceilão) sob a binominal Elephas maximus em 1758. Em 1798, Georges Cuvier classificou o elefante indiano sob o binómio Elephas indicus. O zoólogo holandês Coenraad Jacob Temminck descreveu o elefante-de-Sumatra em 1847 sob o binómio Elephas sumatranus. O zoólogo inglês Frederick Nutter Chasen classificou os três como subespécies do elefante asiático em 1940. Os elefantes asiáticos variam geograficamente na sua cor e grau de despigmentação. O elefante do Sri Lanka (Elephas maximus maximus) é nativo do Sri Lanka, o elefante indiano (E.m. indicus) é nativo do continente asiático (o subcontinente indiano e a Indochina), e o elefante de Sumatra (E.m. sumatranus) encontra-se em Sumatra. Uma subespécie disputada, o elefante-pigmeu-de-bornéu, vive no norte do Bornéu e é mais pequena do que todas as outras subespécies. Possui orelhas maiores, cauda mais comprida e presas mais estreitas do que o elefante-tipo. O zoólogo Sri Lanka Paulus Edward Pieris Deraniyagala descreveu-o em 1950 sob o trinômio Elephas maximus borneensis, tomando como tipo de uma ilustração da National Geographic. Posteriormente, foi incluído no E. m. indicus ou E. m. sumatranus. Os resultados de uma análise genética de 2003 indicam que os seus antepassados separaram da população continental há cerca de 300.000 anos. Um estudo de 2008 descobriu que os elefantes do Bornéu não são nativos da ilha, mas foram trazidos para lá antes de 1521 pelo Sultão Amirul-Umar de Java, onde os elefantes estão extintos.
Evolução e parentes extintos
Proboscídeos primitivos, e.g. Moeritherium Foram registados cerca de 185 membros extintos e três grandes radiações adaptativas da ordem Proboscidea. Os proboscídeos mais antigos, o africano Eritherium e o Phosphatherium do final do Paleoceno, são da primeira radiação. O Eoceno inclui os Anthracobunidae do subcontinente indiano e os Numidotherium, Moeritherium e Barytherium de África. Estes animais eram aquáticos e relativamente pequenos. Posteriormente, surgiram géneros como Phiomia e Palaeomastodon; este último vivia em florestas e áreas arborizadas. A diversidade de proboscídeos diminuiu durante o Oligoceno. Uma espécie notável dessa época foi o Eritreum melakeghebrekristosi do Corno de África, que pode muito bem ter sido o antepassado de inúmeras espécies. O início do Mioceno testemunhou a segunda diversificação, com o aparecimento dos Deinotheriidae e dos Mammutidae. Os primeiros eram parentes do Barytherium e viviam em África e na Eurásia, enquanto estes últimos poderiam ter sido descendentes dos Eritreum, espalhados pela América do Norte.
Os elefantes são os maiores animais terrestres que existem. O elefante-africano-da-savana é a maior espécie, medindo os machos cerca de 3,20 m de altura até à cernelha e pesando cerca de 6000 kg, enquanto as fêmeas chegam aos 2,60 m de altura e pesam cerca de 3000 kg. Os elefantes-asiáticos machos rondam os 2,75 m de altura e pesam cerca de 4000 kg, enquanto as fêmeas chegam aos 2,40 m e pesam 2700 kg. Os elefantes-africanos-da-floresta são a espécie mais pequena, medindo geralmente cerca de 2,20 m de altura e pesando cerca de 2000 kg. Os elefantes-africanos macho são, em média, 23% mais altos do que as fêmeas, enquanto no caso dos asiáticos esta diferença reduz-se a 15%. O esqueleto dos elefantes compõe-se de 326 a 351 ossos. As vértebras estão conectadas por juntas estreitas, o que limita a flexibilidade da coluna. Os elefantes-africanos têm 21 pares de costelas, enquanto os asiáticos têm 19 ou 20 pares.
Orelhas
As orelhas de elefante têm bases espessas e pontas mais finas. Os pavilhões auriculares contêm numerosos vasos sanguíneos chamados capilares. O sangue quente flui nos capilares, ajudando a libertar o excesso de calor corporal para o ambiente. Isto ocorre quando os pavilhões estão estendidos e o animal pode melhorar o efeito agitando as orelhas. As superfícies da orelha maiores contêm mais capilares, pelo que podem libertar mais calor. De todos os elefantes, os africanos-da-savana são os que vivem em climas mais quentes, pelo que têm as orelhas maiores. Os elefantes são capazes de ouvir em frequências baixas e são mais sensíveis à frequência de 1 kHz (muito semelhante ao dó de um soprano).
Tromba
A tromba, ou probóscide, é a fusão do nariz com o lábio superior, embora no estado fetal o lábio superior e a tromba estejam separados. A tromba é alongada e especializada para se converter no apêndice mais importante e versátil do elefante. Contém até 150 000 fascículos musculares separados, sem ossos e com pouca gordura. Estes músculos pareados são de dois tipos principais: superficiais e internos. Os primeiros estão divididos em dorsais, ventrais e laterais, enquanto os últimos estão divididos em transversais e radiais. Os músculos da tromba ligam-se a uma abertura óssea no crânio. O septo nasal compõe-se de pequenas unidades musculares que se estendem horizontalmente entre as narinas. A cartilagem divide as narinas na base. Como um hidróstato muscular, a tromba move-se graças a precisas contrações coordenadas dos músculos. Os músculos funcionam tanto em conjunto como em oposição uns aos outros. Um único nervo da probóscide, formado pelo nervo maxilar e o nervo facial, percorre os dois lados da tromba.
Dentes
Os elefantes têm 26 dentes: os incisivos, conhecidos como presas, 12 pré-molares decíduos e 12 molares. Ao contrário de muitos mamíferos, que têm dentes de leite que são substituídos por um único e permanente conjunto de dentes de adulto, os elefantes são polifiodontes, ou seja, têm dentes que se renovam ao longo das suas vidas. Os dentes mastigadores substituem-se cerca de seis vezes durante a vida de um elefante típico. Os dentes não são substituídos por novos que saem das mandíbulas verticalmente como na maioria dos mamíferos. Em vez disso, os dentes novos crescem na parte de trás da boca e avançam para empurrar os velhos. Os primeiros dentes mastigadores de ambos os lados da mandíbula caem quando o elefante tem dois ou três anos de idade. O segundo conjunto de dentes mastigadores cai aos quatro ou seis anos. O terceiro, quando rondam os 9 ou 15 anos, e o quarto conjunto dura até aos 18 ou 28 anos de idade. O quinto cai quando entram na casa dos quarenta. O sexto (e normalmente o último) deve durar o resto da vida do elefante. Os dentes de elefante têm arestas dentárias em forma de laço, que são mais espessas e em forma de diamante nos elefantes-africanos.
Pele
A pele de um elefante é geralmente muito dura, com uma espessura de 2,5 cm no dorso e em partes da cabeça. A pele ao redor da boca, do ânus e dentro das orelhas é consideravelmente mais fina. A pele é de cor cinzenta, mas os elefantes-africanos parecem acastanhados ou avermelhados após se chafurdarem na lama. Os elefantes-africanos têm algumas manchas de despigmentação, particularmente na testa, nas orelhas e nas zonas circundantes. As crias têm o pelo castanho ou avermelhado, especialmente na cabeça e nas costas. À medida que os elefantes amadurecem, o seu pelo escurece e torna-se mais escasso, mas concentrações densas de pelo e cerdas permanecem na extremidade da cauda, bem como no queixo, genitais e nas áreas ao redor dos olhos e da abertura das orelhas. Normalmente, a pele do elefante-asiático está coberta de mais pelo do que a dos elefantes-africanos.
Patas, locomoção e postura
Para suportar o peso do animal, as patas do elefante estão colocadas mais verticalmente sob o corpo do que na maioria dos outros mamíferos. Os longos ossos das patas são ossos esponjosos em vez de terem canais medulares. Isto fortalece os ossos ao mesmo tempo que permite a hematopoiese. Tanto as extremidades dianteiras como as traseiras podem suportar o peso de um elefante, embora 60% do peso seja mantido pelas dianteiras. Dado que os ossos das extremidades se colocam uns em cima dos outros e sob o corpo, um elefante pode ficar de pé por longos períodos de tempo sem gastar quase energia. Os elefantes não são capazes de rodar as patas dianteiras, já que o cúbito e o rádio estão fixados em pronação; deste modo, a "palma" da mão está orientada para trás. O pronador quadrado e o pronador redondo estão reduzidos ou ausentes. As patas circulares de um elefante têm tecidos moles ou "almofadas de amortecimento" debaixo das mãos ou dos pés, que distribuem o peso do animal. Parecem ter um osso sesamoide, um "dedo" num local semelhante ao polegar extra do panda-gigante, que também ajuda na distribuição do peso. Podem contar-se até cinco unhas nas patas dianteiras e traseiras.
Órgãos internos e sexuais
O cérebro de um elefante pesa entre 4,5 e 5,5 kg e, em comparação, o de um ser humano pesa entre 1,3 kg e 1,4 kg. Embora o cérebro do elefante seja maior no geral, é proporcionalmente mais pequeno. Após o nascimento, o cérebro já tem entre 30 e 40% do peso do cérebro adulto. O telencéfalo e o cerebelo estão bem desenvolvidos, e os lobos temporais são tão grandes que sobressaem lateralmente. A garganta de um elefante parece conter uma bolsa onde pode armazenar água para uso posterior. o cérebro do elefante possui cerca de 257 mil milhões de neurónios, três vezes mais do que o cérebro humano (aprox. 86 mil milhões). Não obstante, 97,5% desses neurónios do elefante estão no cerebelo. O córtex cerebral humano, apesar de ser menor, possui cerca de três vezes mais neurónios do que o córtex do elefante, o que provavelmente explica as nossas capacidades cognitivas superiores.
Ecologia e atividades
Os elefantes-africanos de savana podem ser encontrados em habitats tão diversos como a savana seca, o deserto, a marisma e margens de lagos, e em altitudes desde o nível do mar até áreas montanhosas abaixo da linha de neve. Os elefantes-africanos de floresta vivem principalmente na selva equatorial, mas podem habitar também em bosques de ribeira e ecótonos entre selvas e savanas. Os elefantes-asiáticos preferem as áreas com uma mistura de gramíneas, plantas lenhosas baixas e árvores, e habitam principalmente nos bosques de espinhos do sul da Índia e Sri Lanka e nas selvas da península Malaia. Os elefantes são herbívoros e comem folhas, ramos pequenos, frutas, casca de árvore, erva e raízes. Nascem com os intestinos estéreis e requerem bactérias obtidas das fezes da sua mãe para digerir a vegetação. Os elefantes-africanos são principalmente ramoneadores (comem folhas e ramos), enquanto os asiáticos são pastadores. Podem consumir cerca de 150 kg de comida e 40 litros de água por dia. Os elefantes tendem a ficar perto de fontes de água. As maiores ingestões ocorrem de manhã, ao final da tarde e à noite. Ao meio-dia, os elefantes descansam sob as árvores e podem dormir de pé. O sono profundo ocorre à noite enquanto o animal está deitado. Em média, os elefantes dormem entre 3 e 4 horas por dia. Tanto os machos como os grupos familiares deslocam-se entre 10 e 20 km cada dia, mas registaram-se movimentos de 90 a 180 km no Parque Nacional Etosha, na Namíbia. Os elefantes realizam migrações sazonais à procura de alimento, água, minerais e parceiros. No Parque Nacional de Chobe, no Botswana, as manadas viajam cerca de 325 km para visitar o rio quando as fontes locais de água secam.
Organização social
As elefantas passam toda a sua vida em grupos familiares matrilineares, alguns dos quais formados por mais de dez membros, incluindo três pares de mães com filhos, e são liderados pela matriarca, que é frequentemente a fêmea mais velha. Mantém-se como a líder do grupo até à sua morte ou quando já não tem energia suficiente para manter a liderança; um estudo com elefantes num jardim zoológico mostrou que, quando a matriarca morre, os níveis de corticosterona fecal (hormona do stress) aumentam drasticamente entre os restantes elefantes. Quando a sua liderança termina, a filha mais velha da matriarca toma o seu lugar; isto ocorre mesmo se a sua irmã estiver presente. Um estudo demonstrou que as matriarcas mais jovens têm mais probabilidades de reagir de maneira insuficiente perante um perigo grave em comparação com as matriarcas mais velhas.
Comportamento sexual
Os machos adultos entram num estado de testosterona elevada conhecido como must. Numa população do sul da Índia, os machos entram em estado de must aos 15 anos de idade, mas não é realmente frequente até cumprirem os 25 anos. Em Amboseli, os machos com menos de 24 anos não entram em must, enquanto metade entre os 25 e 35 anos e todos os que passam dos 35 anos o fazem. Os machos jovens entram em must durante a estação seca (janeiro–maio), enquanto os machos mais velhos fazem-no durante a estação húmida (junho–dezembro). A principal característica do must é um fluido secretado pela glândula temporal que escorre pelos lados da cabeça. Pode urinar com o pénis ainda no prepúcio, o que faz com que a urina molhe as suas patas traseiras. Outros comportamentos associados ao must incluem caminhar com a cabeça erguida, balançar, tocar no chão com as presas, marcar território, emitir rugidos graves e agitar uma orelha de cada vez. Este comportamento pode durar entre um dia a quatro meses.
Nascimento e desenvolvimento
A gestação dos elefantes dura geralmente cerca de dois anos, com intervalos entre partos de quatro a cinco anos. Os nascimentos costumam ocorrer durante a estação húmida. As crias nascem com 85 cm de altura e um peso de 120 kg. Geralmente, nasce apenas uma cria, mas por vezes também nascem gémeos. O processo de gestação relativamente longo é mantido por cinco corpos lúteos (ao contrário da maioria dos mamíferos, que só tem um) e dá ao feto mais tempo para se desenvolver, particularmente o cérebro e a tromba. Devido a isto, os elefantes recém-nascidos são precoces e rapidamente se põem de pé e caminham seguindo a mãe e o resto do grupo. Uma cria jovem é geralmente o centro das atenções dos membros do grupo. Os adultos e a maioria dos exemplares jovens reúnem-se à volta do recém-nascido, tocando-lhe e acariciando-o com as suas trombas. Durante os primeiros dias, a mãe é intolerante com outros membros do grupo perto da sua cria. O cuidado aloparental, segundo o qual a cria é cuidada por outro membro além da mãe, é comum em alguns grupos familiares. As "babás" têm geralmente entre dois e doze anos de idade. Quando um predador está por perto, o grupo reúne-se em torno das crias, que se protegem no centro.
Comunicação
O tato é uma importante forma de comunicação para os elefantes. Os exemplares saúdam-se entre eles acariciando ou envolvendo as suas trombas; isto último também pode ocorrer durante competições. Os elefantes mais velhos empregam bofetadas, pontapés e empurrões para disciplinar os mais novos. Os indivíduos de qualquer idade e sexo tocam-se entre eles na boca, nas glândulas temporais e nos genitais, especialmente durante as reuniões ou quando estão emocionados. Isto permite-lhes recolher sinais químicos. O tato é especialmente importante para a comunicação entre uma mãe e a sua cria. Quando se movem, as mães elefantes apalpam as suas crias com as trombas ou com os pés quando estão um ao lado do outro, ou com as suas caudas se a cria estiver atrás delas. Se uma cria quiser descansar, empurrará contra as patas dianteiras da sua mãe, e quando quiser mamar, tocará o seu peito ou patas.
Inteligência
Os elefantes demonstram autorreconhecimento no espelho, uma prova de autoconhecimento e cognição que também foi demonstrada em alguns primatas e golfinhos. Um estudo realizado com elefantas asiáticas sugeriu que estes animais são capazes de aprender e distinguir entre pares de discriminação acústica e visual. Estes exemplares puderam obter uma classificação de alta precisão mesmo quando a prova foi repetida com os mesmos pares visuais um ano mais tarde. Os elefantes contam-se entre as espécies conhecidas que usam ferramentas. Observou-se um elefante asiático modificando ramos de árvores e usando-os para espantar as moscas. A modificação de ferramentas demonstrada pelos elefantes não é tão avançada quanto a realizada pelos chimpanzés.
Com o objetivo de criar consciência sobre a difícil situação em que se encontram os elefantes-asiáticos e os africanos, é-lhes dedicado o dia 12 de agosto como o Dia Mundial do Elefante.
Estatuto
Os elefantes-africanos foram classificados como vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) em 2008, na altura sem uma avaliação independente do estado de conservação das duas espécies (de savana e de floresta). Em 1979, a África tinha uma população mínima estimada de 1,3 milhões de elefantes, com um possível máximo de 3 milhões. No ano de 1989, a população foi estimada em 609 000: sendo 277 000 na África Central, 110 000 na África Oriental, 204 000 na África Meridional e 19 000 na África Ocidental. Estimou-se que cerca de 214 000 elefantes viviam nas florestas tropicais, menos do que se pensava inicialmente. De 1977 a 1989, as populações de elefantes diminuíram 74% no leste da África. Depois de 1987, a queda no número de exemplares acelerou, e as populações da savana, desde os Camarões até à Somália, sofreram uma redução de 80%. Os elefantes-africanos de floresta tiveram uma perda total de população de 43%. As tendências demográficas no sul da África foram diversas, com perdas registradas na Zâmbia, Moçambique e Angola, enquanto as populações do Botswana e Zimbabwe cresceram ou mantiveram-se estáveis na África do Sul. Pelo contrário, estudos de 2005 e 2007 sobre as populações do leste e sul da África demonstraram uma tendência de crescimento, com uma taxa média anual de 4,0%.
Ameaças
A caça furtiva de elefantes pelo seu marfim, carne e couro é uma das maiores ameaças à sua existência. Historicamente, numerosas culturas faziam ornamentos e outras obras de arte a partir de marfim de elefante, e o seu uso rivalizava com o do ouro. O comércio de marfim contribuiu para o declínio da população de elefantes-africanos no final do século XX. Isto provocou proibições internacionais às importações de marfim, começando com os Estados Unidos em junho de 1989 e seguidas por outros países da América do Norte, Europa Ocidental e o Japão. Quase na mesma época, o Quénia destruiu todas as suas existências de marfim. A CITES aprovou uma proibição internacional do marfim que se tornou efetiva desde janeiro de 1990. Após as proibições, o desemprego aumentou na Índia e na China, onde a indústria do marfim era economicamente importante. Pelo contrário, o Japão e Hong Kong, que também faziam parte da indústria, foram capazes de se adaptar e não foram tão afetados. O Zimbabwe, Botswana, Namíbia, Zâmbia e Malawi quiseram continuar com o tráfico de marfim, e foi-lhes permitido, uma vez que as suas populações locais de elefantes eram saudáveis, mas apenas se os seus fornecimentos proviessem de elefantes que tivessem sido sacrificados ou se morressem por causas naturais.
Animal de trabalho
Os elefantes têm sido animais de trabalho desde, pelo menos, a Civilização do Vale do Indo e continuam a ser usados no presente. No ano 2000, havia entre 13 000 e 16 500 elefantes a trabalhar na Ásia. Regra geral, estes animais são capturados no seu estado selvagem quando têm entre 10 e 20 anos de idade, de maneira a que possam ser adestrados mais rápida e facilmente, e tenham uma longa vida como animal de trabalho. Tradicionalmente, eram capturados com armadilhas e laços, mas desde 1950 que se utilizam tranquilizantes. Os indivíduos da espécie asiática têm sido adestrados como animais de trabalho durante séculos. Realizam tarefas como transportar cargas para áreas remotas, trasladar troncos de árvores para rios e estradas, transportar turistas em parques nacionais, puxar carroças e encabeçar procissões religiosas. No norte da Tailândia, os elefantes são utilizados para digerir os grãos do café Black Ivory. São valorizados como ferramentas mecanizadas, já que podem trabalhar em águas relativamente profundas, requerem pouca manutenção — precisando apenas de vegetação e água — e podem ser adestrados para memorizar tarefas específicas. Os elefantes podem ser adestrados para responder a mais de 30 ordens. Os machos em must podem ser perigosos e difíceis de controlar para trabalhar, pelo que é comum que fiquem acorrentados e com pouca comida até que a condição passe. Na Índia, muitos elefantes de trabalho foram descritos como vítimas de abusos. Eles e outros elefantes em cativeiro estão protegidos sob a Lei de Prevenção de Crueldade contra os Animais, aprovada na Índia em 1960.
Guerra
Historicamente, os elefantes foram considerados formidáveis instrumentos de guerra. Eram equipados com armaduras para proteger os seus flancos, e as suas presas eram coroadas com pontas afiadas de ferro ou latão se fossem suficientemente grandes. Os elefantes de guerra foram adestrados para agarrar um soldado e atirá-lo contra cavaleiros inimigos ou para imobilizá-lo no chão e empalá-lo. Uma das referências mais antigas aos elefantes de guerra é o poema épico indiano Mahabharata (escrito no século IV a.C., mas que descreve eventos ocorridos entre os séculos IX e VIII a.C.). Não foram tão utilizados em comparação com os carros puxados por cavalos, tanto pelos Pandavas como pelos Kauravas. Durante o reino de Magadha (que começou no século VI a.C.), os elefantes começaram a ter maior importância cultural que os cavalos, e os posteriores reinos indianos empregaram os elefantes de forma extensiva; 3 000 deles foram usados no exército do Império Nanda (séculos V e IV a.C.) enquanto se estima que 9 000 foram usados no Império Maurya (entre os séculos IV e II a.C.). O Arthashastra (escrito por volta do ano 300 a.C.) aconselhava o governo de Maurya a reservar algumas florestas para os elefantes selvagens que poderiam ser empregados no exército, e a executar qualquer pessoa que os matasse. Do sul da Ásia, o uso de elefantes na guerra espalhou-se para oeste, para o Pérsia, e para o Sudeste Asiático. Os persas usaram-nos durante o Império Aqueménida (entre os séculos VI e IV a.C.) enquanto os estados do Sudeste Asiático os usaram pela primeira vez no século V e continuaram a fazê-lo até ao século XX.
Zoológicos e circos
Os elefantes foram capturados historicamente para fazer coleções de animais no Antigo Egito, China, Grécia e Roma Antiga. Os romanos, em particular, enfrentavam-nos contra humanos e outros animais em eventos de gladiadores. Na era moderna, os elefantes passaram a fazer parte dos zoológicos e dos circos em todo o mundo. Nos circos, são adestrados para realizar truques. O elefante de circo mais famoso foi provavelmente Jumbo (1861 – 15 de setembro de 1885), que era a atração principal do Ringling Bros. and Barnum & Bailey Circus. Estes animais não se reproduzem bem em cativeiro, devido à dificuldade de controlar os machos durante o must e ao entendimento limitado dos ciclos de cio das fêmeas. Os elefantes asiáticos sempre foram mais comuns que os africanos nos zoológicos e circos modernos. Depois de a CITES ter classificado o elefante asiático no Apêndice I em 1975, o número de elefantes africanos nos jardins zoológicos aumentou na década de 1980, embora a importação de elefantes asiáticos tenha continuado. Os Estados Unidos receberam a maioria dos elefantes africanos em cativeiro do Zimbabwe, que tinha sobreabundância destes animais.
Ataques
Os elefantes podem ter acessos de comportamento agressivo e participar em ações destrutivas contra os humanos. Em África, grupos de elefantes adolescentes danificaram casas de aldeias após abates massivos contra a sua espécie durante as décadas de 1970 e 1980. Devido à sincronização, estes ataques foram interpretados como uma vingança. Em partes da Índia, os elefantes machos entram de forma regular nas aldeias durante a noite, destruindo lares e matando pessoas. Os elefantes acabaram com a vida de 300 pessoas entre 2000 e 2004 em Jharkhand, enquanto em Assam, 239 pessoas perderam a vida entre 2001 e 2006. Segundo as crenças locais, os elefantes estariam bêbedos durante os ataques, embora as autoridades tenham refutado esta explicação. Supostamente, outros elefantes embriagados atacaram uma aldeia indiana pela segunda vez em dezembro de 2002, matando seis pessoas, o que provocou a morte de 200 elefantes às mãos dos locais.
Representações culturais
Em muitas culturas, os elefantes representam a força, o poder, a sabedoria, a longevidade, a resistência, a liderança, a sociabilidade, o cuidado e a lealdade. Várias referências culturais sublinham o tamanho do elefante e a sua singularidade exótica. Por exemplo, um "elefante branco" é sinónimo de algo caro, inútil e estranho, embora na Tailândia sejam sagrados e um símbolo da realeza. A expressão metafórica um "elefante no meio da sala" refere-se a uma verdade óbvia que é ignorada. A história "Os cegos e o elefante" ensina que a realidade pode ser vista de diferentes perspetivas. Os elefantes foram representados na arte desde o Paleolítico. A África, em particular, conta com várias pinturas e gravuras destes animais, especialmente no Sara e no sul do continente. Na Ásia, os animais estão representados em motivos de santuários e templos jainistas, hindus e budistas. Frequentemente foram difíceis de retratar por pessoas que não tiveram experiências em primeira mão com eles. Os antigos romanos, que os mantiveram em cativeiro, fizeram representações precisas dos elefantes em mosaicos na Tunísia e na Sicília. No começo da Idade Média, quando os europeus tinham pouco ou nenhum acesso a estes animais, os elefantes foram retratados quase como criaturas fantásticas. Eram representados com corpos parecidos com cavalos ou bovinos, com trombas de trombeta e presas como as de um javali; alguns mesmo tinham cascos. Os elefantes foram apresentados pelos canteiros das igrejas góticas. À medida que mais elefantes eram enviados aos reis europeus como presentes durante o século XV, as representações tornaram-se mais precisas, destacando-se uma feita por Leonardo da Vinci. Apesar disto, alguns europeus continuaram a representá-los de uma forma mais estilizada. A pintura surrealista de Max Ernst feita em 1921, O Elefante Celebes, mostra um elefante com forma de silo e com uma tromba semelhante a um tronco que sobressai dele.


