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After Virtue

After Virtue: A Study in Moral Theory é um livro publicado em 1981 pelo filósofo escocês-americano Alasdair MacIntyre. Considerada uma das obras mais influentes da filosofia moral do século XX, a obra desencadeou o renascimento contemporâneo da ética das virtudes e tornou-se a crítica mais célebre ao projeto ético do Iluminismo. No Brasil foi traduzida por Jussara Simões com o título Depois da Virtude: um estudo de teoria moral.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/06/2026
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Tese central

Imagem: jpmm · BY-NC-ND · Openverse

MacIntyre sustenta que o discurso moral moderno se encontra em estado de grave desordem porque os conceitos herdados da tradição (dever, justiça, bem) perderam o contexto teleológico que os tornava inteligíveis. Após o Iluminismo ter rejeitado a concepção aristotélica de um telos humano, os filósofos tentaram fundamentar a moralidade sem esse elemento, o que estava condenado ao fracasso. O resultado foi o emotivismo transformado em cultura dominante, em que os juízos morais não passam de expressões de preferência disfarçadas de argumentos racionais. O autor abre o livro com a famosa alegoria da ciência destruída e reconstruída a partir de fragmentos, alegoria que aplica à moralidade contemporânea. Nietzsche é reconhecido como o pensador que diagnosticou com maior clareza a crise, mas a sua resposta, o super-homem solitário, é rejeitada por conduzir ao solipsismo. A única saída viável, segundo MacIntyre, consiste na recuperação crítica da tradição aristotélico-tomista, centrada nas práticas sociais cooperativas, nos bens internos que elas geram, nas narrativas que dão unidade à vida humana e nas tradições vivas de investigação racional. O livro termina com a frase que se tornou antológica: «não estamos à espera de um Godot, mas de outro, sem dúvida muito diferente, São Bento».

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Recepção e crítica

Imagem: StarrGazr · BY-ND · Openverse

A obra recebeu aclamação quase imediata e gerou debate contínuo ao longo de quatro décadas. Peter Sedgwick elogiou em 1982 o estilo teatral do livro e a evolução intelectual de MacIntyre do marxismo cristão para o aristotelismo, mas questionou se a rejeição total de Kant, Hume e Mill não foi excessiva e se comunidades virtuosas são viáveis na modernidade fragmentada. Richard Bernstein considerou em 1984 que MacIntyre apresenta um falso dilema entre Nietzsche e Aristóteles, pois o verdadeiro desafio consiste em conciliar a ética das virtudes com os ideais iluministas de liberdade universal e inclusão de todos os seres humanos, ideais que o próprio MacIntyre implicitamente aceita. Vittorio Hösle propôs em 2012 uma narrativa histórica alternativa na qual, em vez de declínio, houve progresso lento rumo ao universalismo ético, do estoicismo a Kant, e defendeu que a tarefa atual consiste em alargar o universalismo kantiano à justiça intergeracional e ao valor intrínseco da natureza.

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Fontes consultadas

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