Agmate
Agmate foi uma importante cidade berbere do sul de Marrocos durante a Idade Média, que atualmente é um sítio arqueológico conhecido como Juma Agmate. Situa-se a cerca de 30 km a sudeste de Marraquexe, a um quilómetro em linha reta do leito do rio Ourika, nas montanhas do Alto Atlas. Atualmente não é mais do que uma aldeia de nome Ghmate, cuja população em 2004 era de 856 habitantes, a qual é sede da comuna rural homónima, da província de al Haouz e da região de Marraquexe-Tensift-Al Haouz.
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Depois da morte de Idris II em 828, Marrocos foi dividido entre os seus filhos. Agmate tornou-se a capital da região do Suz sob o príncipe idríssida Abedalá. Quando se deu a invasão dos almorávidas, vindos do deserto do Saara liderados por Abedalá ibne Iacine, Agmate foi defendida por Lacute ibne Iúçufe, o chefe da tribo dos Magrauas. Lacute foi derrotado e o exército almorávida entrou na cidade a 27 de junho de 1058. Uma das pessoas mais ricas de Agmate era a viúva de Lacute, Zainabe binte Isaque, que casou com com o emir almorávida Abu Becre ibne Omar e colocou a sua considerável riqueza à disposição dele. Depois de Abu Becre ter voltado para o Saara em 1071, Zainabe casou com o seu sucessor Iúçufe ibne Taxufine. Cerca de 1068-1069, a população de Agmate tinha aumentado consideravelmente e Abu Becre decidiu construir outra capital; fundou então Marraquexe em 1070, o que fez com que Agmate declinasse. Os almorávidas passaram a usá-la como lugar de exílio, nomeadamente dos reis depostos do Alandalus. Entre esses exilados conta-se Almutâmide, o antigo rei de Sevilha e Córdova e célebre poeta natural de Beja. O seu túmulo é local de peregrinação até aos dias de hoje. Agmate foi também o local de exílio onde Abedalá ibne Bologuine, antigo rei de Granada, escreveu as suas memórias.
Economia primitiva
Albacri, escreveu que no século XI, pouco antes da subida ao poder dos almorávidas, Agmate era uma cidade florescente, onde todos os domingos se matavam 100 bovinos e 1000 carneiros para serem vendidos no soco (mercado) semanal. Os habitantes escolhiam o seu próprio líder. Em rigor existiam duas Agmate: o centro comercial e político era conhecido como Agmate Urica e a 12 km deste situava-se Agmate Ailane, a qual era interdita a forasteiros. O cidade era servida pelo porto de Cuz (Aguz ou, oficialmente, Suira Guedima), na costa atlântica a sul de Safim, que ficava a três dias de viagem, a oeste.
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Atualmente pouco mais resta da cidade medieval do que as ruínas do hamame e de algumas casas, um trecho da muralha em taipa e pedra que se estendem por uma centena de metros e vestígios de grandes obras hidráulicas. Estas são constituídas por uma grande canal de irrigação ("La grande séquia" ou "La séquia tassoltante"), que dividia a cidade em duas partes, três depósitos de forma quadrada (sarije) e várias galerias subterrâneas (khettara) que atestam o desenvolvimento urbano. Foi também descoberta uma antiga mesquita que apresenta duas particularidades; o mimbar era amovível numa das partes e a parede da quibla foi objeto doutra orientação na outra parte.[necessário esclarecer][carece de fontes?] A prospeção geológica indica a presença de importantes estruturas arqueológicas soterradas. Em 1970 foi construído em Agmate um mausoléu a Almutâmide, onde este está sepultado com a sua esposa Iîtimad Rmiqia e a filha de ambos. A cúpula do mausoléu está decorada com versos compostos pelo rei poeta.


