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Agroecologia

A agroecologia refere-se ao estudo da agricultura desde uma perspectiva ecológica. Tem como unidades básicas de análise os ecossistemas agrícolas, abordando os processos agrícolas de maneira ampla, não só visando maximizar a produção mas também otimizar o agroecossistema total —incluindo seus componentes socioculturais, econômicos, técnicos e ecológicos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 11/07/2026
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Agroecologia aliada ao desenvolvimento de forma sustentável

Imagem: Brasil de Fato · BY-NC-SA · Openverse

Uma nova visão de agricultura é criada ao reavivar/resgatar conhecimentos esquecidos e/ou suprimidos, que é proporcionalmente fundamentais para serem usados nas técnicas de cultivos de plantas. O modelo de crescimento econômico proposto nas décadas de 60 e 70 com o aporte de tecnologia pós-guerra, gerou desequilíbrios significativos nos ambientes (naturais, sociais e do trabalho). Na mesma proporção em que há riquezas e poderes centralizados, a miséria, a fome e a poluição se alastram de forma alarmante. Tendo isso em vista, surge a premissa de uma nova forma de organização econômica que vise o desenvolvimento monetário sem danos relevantes à sociedade e seus integrantes, e ao meio ambiente. A Comissão Mundial sobre Meio Ambiente define desenvolvimento sustentável como o progresso capaz de suprir as necessidades de uma atual geração sem que para isso seja comprometido o futuro de uma eventual geração posterior. É basicamente um desenvolvimento economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto.

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Histórico

Imagem: Brasil de Fato · BY-NC-SA · Openverse

A palavra agroecologia foi utilizada pela primeira vez em 1928, com a publicação do termo pelo agrônomo russo Basil Bensin. O entendimento da agroecologia enquanto ciência coincidiu com a maior preocupação pela preservação dos recursos naturais nos anos 1960 e anos 1970. Os critérios de sustentabilidade nortearam as discussões sobre uma agricultura sustentável, que garantisse a preservação do solo, dos recursos hídricos, da vida silvestre e dos ecossistemas naturais, ao mesmo tempo que assegurasse a segurança alimentar. Porém, só depois de 1970, quando agrônomos passam a enxergar o valor da ecologia nos sistemas agrícolas, é que o termo começou a ser mais explorado, e a agroecologia passou a ser trabalhada com mais afinco, passando a ser entendida como um campo de produção científica e como ciência integradora, preocupada com a aplicação direta de seus princípios na agricultura, na organização social e no estabelecimento de novas formas de relação entre sociedade e natureza.

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Definição

Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse

A proposta agroecológica segundo o pesquisador Enio Guterres: "A abordagem agroecológica propõe mudanças profundas nos sistemas e nas formas de produção. Na base dessa mudança está a filosofia de se produzir de acordo com as leis e as dinâmicas que regem os ecossistemas – uma produção com (e não contra) a natureza. Propõe, portanto, novas formas de apropriação dos recursos naturais que devem se materializar em estratégias e tecnologias condizentes com a filosofia-base" Em sentido mais estrito, a agroecologia pode ser vista como uma abordagem da agricultura que se baseia nas dinâmicas da natureza, dentre as quais se destaca a sucessão natural, que permite a recuperação da fertilidade do solo, sem o uso de fertilizantes minerais, e o cultivo sem o uso de agrotóxicos, através de ações que buscam o equilíbrio natural dos componentes do solo. A inovação metodológica proposta pelos estudos agroecológicos é a junção harmônica de conceitos das ciências naturais e conceitos das ciências sociais, o que nos leva a um patamar mais amplo de percepção dessa ciência. Tal junção permite o entendimento acerca da agroecologia como ciência, como movimento e como prática dedicada ao estudo das relações produtivas entre homem-natureza, visando sempre a sustentabilidade ecológica, econômica, social, cultural, política e ética. O resgate de saberes de comunidades indígenas e camponesas tradicionais se liga ao saber acadêmico-científico, buscando-se a cooperação e a unidade desses diferentes saberes na construção da agroecologia.

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Agroecologia e agronegócio

Imagem: midianinja · BY-NC-SA · Openverse

Basicamente, a proposta agroecológica para sistemas de produção agropecuária faz direta contraposição ao agronegócio, por condenar a produção centrada na monocultura, na dependência de insumos químicos e na alta mecanização, além da concentração da propriedade de terras produtivas, a exploração do trabalhador rural e o consumo não local da produção. Alguns consideram a perspectiva agroecológica uma verdadeira mudança de paradigma nos moldes da agricultura e até do conceito cartesiano da ciência. As práticas agroecológicas podem ser vistas como práticas de resistência da agricultura familiar, perante o processo de exclusão no meio rural e de homogeneização das paisagens de cultivo. Essas práticas se baseiam na pequena propriedade, na força de trabalho familiar, em sistemas produtivos complexos e diversos, adaptados às condições locais e ligados a redes regionais de produção e distribuição de alimentos.

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Transição agroecológica

Imagem: somos2013 · BY · Openverse

A transição agroecológica é a passagem da maneira convencional de produzir com agrotóxicos e técnicas que agridem a natureza, para novas maneiras de fazer agricultura, com tecnologias e bases cientificas com viés ecológico, buscando proporcionar de maneira integrada a produção agrícola, o respeito e a conservação da natureza, sem esquecer jamais da meta de proporcionar uma melhor qualidade para as presentes e futuras gerações, do fortalecimento local, regional, territorial e/ou nacional, sejam eles consumidores ou produtores agrícolas. A transição agroecológica pode ser interna aos sistemas de produção, e também externa, pois implica mudanças ou alterações nas características culturais, estruturais e/ou ecológicas em sistemas já estabelecidos. A transição externa é aquela que acontece fora das unidades de produção. Alguns dos fatores capazes de influenciar na transição agroecológica externa são: Consciência pública, organização, mercados e infraestrutura; mudanças no ensino, pesquisa e extensão rural; Legislação; e Reforma Agrária. O processo de transição também referisse a mudança gradual dos moldes convencionais, buscando a integração permanente do conhecimento elevando a níveis superiores de pensamento no contexto da complexabilidade, ou seja, busca de forma ordenada a substituição gradual dos insumos e pensamentos, por meios das bases e metodologias cientificas que vem do conhecimento e observações tradicionais, elevando a sintropia dos ambientes: meio ambiente natural, social, cultural, do trabalho e por fim econômico, pois o fator de agregação monetária ao produto agroecológico e resultado da interação permanente de ambas as áreas.

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Redes e organizações relacionadas à agroecologia

Imagem: upslon · BY · Openverse

Diversas redes, organizações não-governamentais e movimentos espalhados pelo Brasil atuam no sentido de articular, organizar e formar agricultores familiares em relação aos saberes e fazeres da agroecologia. Estes espaços de articulação com a comunidade atuam de diversas formas: promovem oficinas de formação e prática agrocológica, bem como intercâmbios entre as comunidades, pesquisam aspectos geográficos, físicos e sociais das propriedades rurais, criam bancos de sementes nativas e crioulas e buscam com as experiências realizadas nas comunidades trabalhar com processos autogestionáveis. A Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), criada em 2002 após o I Encontro Nacional de Agroecologia (ENA), busca reunir estas organizações a fim promover um intercâmbio de experiências que permita a construção de saberes mais sólidos e, com isso, fortalecer os movimentos agroecológicos.

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Projetos relacionados à agroecologia em universidades

Imagem: marcha mundial das mulheres · BY-NC-SA · Openverse

Algumas universidades têm criado entre os alunos o interesse nesta área, principalmente nas Ciências Agrárias: • ESALQ - USP com núcleo de Agroecologia Nhengatu, grupo do de sistemas agroflorestais "SAF Pirasykauá", grupo de agricultura orgânica "Amaranthus", grupo de extensão rural "Terra", grupo de gestão de resíduos orgânicos "CEPARA" e PET (Programa de Educação Tutorial) Ecologia. • EMBRAPA Amazônia Oriental - Núcleo de Estudos Agroecológicos NEA Puxirum Agroecológico • FEAB (Federação Estudantes de Agronomia do Brasil), ABEEF(Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal) e ENEBio (Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia) possuem núcleos específicos para esse debate. • IF Sudeste MG (Campus Muriaé): tem como principal curso técnico o curso integrado em Agroecologia; • UFMG (Campus Pampulha): criado em 2007, o Grupo Aroeira é o mais antigo na universidade e tem em seu trabalho de extensão eixos como pesquisa e mobilização de hortas urbanas;

Graduação e pós-graduação

Algumas universidades implantaram curso superior em Agroecologia. É o caso da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul com o Curso Tecnológico Superior em Agroecologia, o Instituto Federal da Paraíba Campus Sousa desde 2009 oferece o Curso Superior "Tecnologia em Agroecologia", iniciado em 2010,Universidade Estadual da Paraíba, que oferece graduação em Agroecologia desde 2007, do Instituto Federal de Brasília, que oferta um Curso Tecnológico Superior em Agroecologia, iniciado em 2010, do Instituto Federal do Acre, que oferta um Curso Tecnológico Superior em Agroecologia, iniciado em 2011. Universidade Federal de Alagoas - UFAL, oferta o curso de bacharelado em Agroecologia, no Centro de Ciências Agrárias - CECA, localizado na cidade de Rio Largo, litoral Norte do Estado de Alagoas, desde 2014;

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Fontes consultadas

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