São Paulo (estado)
São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está situado na Região Sudeste e tem por limites os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, além do Oceano Atlântico a sudeste. É dividido em 645 municípios e sua área total é de 248 219,481 km², o que equivale a 2,9% da superfície do Brasil, sendo pouco maior que o Reino Unido. Sua capital é o município de São Paulo e seu atual governador é Tarcísio de Freitas. O nome do estado deriva da sua capital, assim batizada por ter sido fundada, em 1554, no dia 25 de janeiro, dia da conversão do apóstolo Paulo de Tarso ao cristianismo.
Com a redemocratização do Brasil, Franco Montoro permaneceu no governo paulista até 15 de março de 1987, quando assumiu Orestes Quércia (1987-1991), do PMDB, eleito em 1986 e vice de Franco em 1982. Em 5 de outubro de 1989, foi promulgada a atual Constituição paulista e, no ano seguinte, Quércia conseguiu eleger Fleury Filho, também do PMDB, como seu sucessor no governo paulista. Na eleição de 1994, venceu Mário Covas, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), partido que governaria São Paulo quase ininterruptamente de 1995 a 2022. Covas criou o Programa Estadual de Desestatização, que privatizou várias empresas estatais, e foi reeleito em 1998, vindo a falecer durante o seu segundo mandato, em 6 de março de 2001, em decorrência de falência múltipla dos órgãos. O vice, Geraldo Alckmin, assumiu em seu lugar e governou São Paulo até 2006, após ser reeleito em 2002, e novamente entre 2011 e 2018. Também governaram São Paulo, entre 2006 e 2010, Cláudio Lembo (2006), vice-governador que assumiu com a renúncia de Alckmin, José Serra (2007-2010) e Alberto Goldman (2010).
Pré-história e período pré-colonial
A ocupação humana do território correspondente ao atual estado de São Paulo antecede em milhares de anos a colonização portuguesa. Vestígios arqueológicos encontrados em diferentes regiões indicam a presença de populações caçadoras-coletoras e, posteriormente, de grupos que desenvolveram práticas agrícolas e produziram artefatos cerâmicos. No litoral paulista, destacam-se os sambaquis, sítios arqueológicos construídos por populações que exploravam recursos costeiros. No interior, pesquisas arqueológicas identificaram vestígios de diferentes tradições cerâmicas, entre elas Itararé-Taquara, Uru e Aratu-Sapucaí. Ainda no interior, nos sítios arqueológicos Alice Boer, Bastos, Boa Esperança II, Caetetuba e Lagoa do Camargo, foram identificados instrumentos de pedra lascada. Pesquisas arqueológicas também registraram vestígios nos sítios Água Vermelha, Brito, Estrela do Norte e Foz do Mojiguaçu, situados no Planalto Ocidental Paulista.
Início da colonização europeia
Em 1530, a Coroa portuguesa enviou uma expedição comandada por Martim Afonso de Sousa, cuja esquadra teria chegado à região de Cananéia em 12 de agosto de 1531, ancorando nas proximidades da Ilha do Bom Abrigo. Em 22 de janeiro de 1532, Martim Afonso fundou a vila de São Vicente, reconhecida pela maioria dos historiadores como a cidade mais antiga do Brasil. Vizinho a São Vicente, em 22 de abril do mesmo ano, foi fundado o povoado de Itanhaém, elevado à categoria de vila em 1561. Também na década de 1530, a ocupação portuguesa avançou na porção setentrional da ilha de São Vicente, onde ocorreu a formação do núcleo de povoamento que daria origem a Santos, elevado à categoria de vila em 1546.
Bandeirantismo
O atual estado de São Paulo era a região mais pobre da América Portuguesa nos séculos XVI e XVII. Sua economia era baseada na policultura de subsistência, que dependia da mão-de-obra do indígena escravizado. Esses fatores, somados à vocação sertanista dos paulistas, levaram os moradores da vila de São Vicente e, sobretudo, da vila de São Paulo ao interior do país em expedições conhecidas como bandeiras, que visavam à captura de indígenas para escravizar, a procura de metais preciosos e o desbravamento de terras desconhecidas. A primeira bandeira ocorreu em 1562 e foi liderada por Brás Cubas e Luís Martins. A expansão territorial promovida pelas bandeiras, associada à utilização de caminhos terrestres e rotas fluviais, como o Rio Tietê, contribuiu para a formação e consolidação de diversos núcleos de povoamento, dentro e fora do território do atual estado de São Paulo. Entre os principais bandeirantes associados à exploração do território paulista, destacaram-se Fernão Dias e Raposo Tavares, além de Bartolomeu Bueno (Anhanguera), Borba Gato, Manuel Preto, Nicolau Barreto, entre outros. Entretanto, essas expedições também foram marcadas por práticas violentas contra as populações indígenas, incluindo captura, escravização e conflitos relacionados à ocupação de territórios.
Do ciclo do ouro ao período imperial
No final do século XVII, bandeirantes paulistas que adentraram o interior do território em busca de riquezas encontraram ouro na região do Quadrilátero Ferrífero. A descoberta das jazidas provoca uma corrida em direção às Minas Gerais, atraindo milhares de pessoas e despertando grande interesse da Coroa Portuguesa, o que, porém, gerou conflito com os bandeirantes paulistas, que reivindicavam para si o direito exclusivo de explorar a produção aurífera. Assim, entre 1707 e 1709, ocorreu a Guerra dos Emboabas, que terminou com a derrota dos paulistas e a vitória dos emboabas, como eram denominados os forasteiros vindos de Portugal e de outras partes da colônia que também buscavam enriquecer com a mineração. Após o término do conflito, foi criada a Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, que, em 1720, foi desmembrada em duas capitanias, São Paulo e Minas Gerais. Em 11 de julho de 1711, a vila de São Paulo foi elevada à categoria de cidade.
República Velha
Em 15 de novembro de 1889, a monarquia foi derrubada e o Brasil se tornou república. São Paulo, como as demais províncias, tornou-se um estado, sendo governado durante quase um mês por um triunvirato. Em 20 de novembro de 1889, por decreto federal, a Assembleia Legislativa Provincial se transformou na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP), responsável por promulgar, em 15 de dezembro de 1890, a primeira constituição paulista. A nova constituição determinava que o poder legislativo paulista era bicameral, composto pelo Senado Estadual e pela Câmara dos Deputados que, juntos, formavam o Congresso do Estado de São Paulo, instalado solenemente em 8 de junho de 1891.
Da Era Vargas à ditadura militar
Após a revolução de 1930, com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, São Paulo passou a ser governado por interventores federais nomeados pelo novo presidente e logo se revoltou com essa situação, desencadeando a Revolução Constitucionalista a partir de 9 de julho de 1932, à qual também aderiram forças do sul de Mato Grosso, atual Mato Grosso do Sul. Governava São Paulo o interventor Pedro de Toledo, deposto com o fim do movimento em 2 de outubro seguinte. Apesar da derrota dos paulistas, uma de suas principais reivindicações prosperou: Vargas convocou eleições para uma Assembleia Constituinte em 1933 e uma nova Constituição foi promulgada em 1934, ano em que foi criada a Universidade de São Paulo (USP). Em 9 de julho de 1935, a ALESP promulgou a nova constituição estadual. Até abril de 1938, o estado foi governado por dezesseis interventores federais.
São Paulo é uma das 27 unidades federativas do Brasil, localizado a sudoeste da região Sudeste. Com grande parte de seu território acima do Trópico de Capricórnio, ocupa uma área de 248 222 km², sendo a décima segunda unidade da federação em área do Brasil (2,917% do território nacional) e a segunda do Sudeste, depois de Minas Gerais. Banhado pelo Oceano Atlântico, limita-se com os estados de Minas Gerais a norte e nordeste, Paraná a sul, Rio de Janeiro a leste e Mato Grosso do Sul a oeste, tendo 3 671 km de linha divisória. A distância linear entre os seus pontos extremos norte e sul é de 611 km e 923 km de leste a oeste. São Paulo segue o horário de Brasília, que é três horas atrasado em relação ao Meridiano de Greenwich.
Geomorfologia
São Paulo apresenta um relevo relativamente elevado, possuindo 85% de sua superfície na faixa de 300 a 900 m de altitude, 8% abaixo dos 300 m e os 7% restantes acima de 900 m. Seu ponto culminante é a Pedra da Mina, na Serra da Mantiqueira, cujo pico está a 2 798 m de altitude, um dos cinco mais altos do Brasil. Por outro lado, Campos do Jordão é o município cuja sede municipal é a mais alta do Brasil, com altitude de mais de 1 600 m. O território paulista está localizado majoritariamente sobre um grande planalto que se estende por cerca de 600 km na direção sudeste-noroeste, em cuja porção leste é delimitado por uma estreita faixa de planície costeira, que é cortada por uma escarpa íngreme conhecida como Serra do Mar, com altitudes que variam entre 800 e 1100 metros. O relevo do estado é em cinco principais áreas: a planície litorânea, a Serra do Mar, o planalto cristalino, a depressão periférica e o planalto ocidental.
Hidrografia
São Paulo possui seu território dividido em 21 bacias hidrográficas, inseridas em três regiões hidrográficas, sendo a maior delas a do Paraná, que cobre grande parte do território estadual. Destaca-se o Rio Grande, que nasce em Minas Gerais e separa este de São Paulo ao norte e, ao se juntar com o Rio Paranaíba, forma o Rio Paraná, que separa São Paulo de Mato Grosso do Sul. Dois importantes rios paulistas, afluentes da margem esquerda do Rio Paraná, são o Paranapanema, com 930 km de extensão e um divisor natural entre São Paulo e Paraná na maior parte do seu curso, e o Tietê, maior rio totalmente paulista, que possui uma extensão de 1 136 km e percorre o território estadual de sudeste a noroeste, desde sua nascente, em Salesópolis, até a foz, entre os municípios de Castilho e Itapura.
Clima
No estado de São Paulo, ocorrem sete tipos diferentes de clima. O clima tropical de altitude (Cwa, segundo a classificação climática de Köppen-Geiger) é o dominante nas regiões central, leste e oeste. Essa variação é caracterizada pelo inverno seco e ameno, com temperatura média inferior a 18 °C, e verão úmido e quente, com temperatura média superior a 18 °C. Nas regiões norte e noroeste paulista o clima se torna tropical de savana (Aw), com invernos amenos e secos e verões quentes e úmidos, porém a temperatura média do mês mais frio é superior a 18 °C. Enquanto isso, no sul e sudoeste do estado há dominância do clima subtropical (Cfa), com invernos frios, verões quentes e o mês mais seco com precipitação média acima de 30 mm.
Meio ambiente
São Paulo possui seu território inserido, em sua maior parte, no bioma da Mata Atlântica, cuja formação inicial cobria pouco mais de dois terços do território paulista e hoje se encontra apenas espalhada em vários fragmentos, restando hoje 32,6% dos remanescentes originais, a maior parte nas encostas da Serra do Mar. No bioma do cerrado, típico de áreas do centro-oeste paulista, este número é ainda menor, de apenas 3%. No litoral existem pequenas áreas de dunas, com espécies vegetais adaptadas ao calor e à salinidade, além das restingas e dos manguezais, este último na foz dos rios. Por se situar no encontro das zonas tropical e temperada do planeta, São Paulo possui sua fauna e flora constituídas por espécies de regiões tanto tropicais quanto subtropicais, parte delas endêmicas.
Segundo o censo demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), São Paulo é a unidade federativa mais populosa do Brasil, com 44 411 238 habitantes (21,8% da população brasileira), apresentando crescimento de aproximadamente 7,65% em relação ao censo de 2010. Sua densidade demográfica, em 2022, era de 178,92 habitantes por quilômetro quadrado (hab/km²). São Paulo, a capital, é o município mais populoso, concentrando 25,7% da população estadual e 5,64% da população do Brasil, com 11 451 999 habitantes e uma densidade de 7 528,26 km². O estado possui ainda os dois únicos municípios não capitais mais populosos do país acima de um milhão de habitantes, Guarulhos e Campinas. Por outro lado, Borá era o município paulista menos populoso, com apenas 907 habitantes e 7,62 hab.km², enquanto a menor densidade era verificada em Iporanga, com apenas 3,51 hab./km².
Urbanização
A distribuição da população paulista apresenta forte concentração nas áreas metropolitanas e nos principais centros urbanos do interior. A Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), também conhecida como Grande São Paulo, foi instituída pela lei complementar federal nº 14 de 1973 e é formada por 39 municípios paulistas, alguns deles conurbados com a cidade-núcleo, São Paulo, formando uma grande mancha urbana contínua. É a região metropolitana mais populosa do Brasil e uma das maiores do mundo. Dos seis municípios brasileiros com maior densidade demográfica, cinco deles estão na RMSP: Taboão da Serra (13 416,81 hab/km²), Diadema (12 795,69 hab/km²), Osasco (11 217,4 hab/km²), Carapicuíba (11 201,99 hab/km²) e São Caetano do Sul (11 805,23 hab/km²).
Composição étnica e fluxos migratórios
A população paulista é bastante diversa e foi formada por diversos fluxos migratórios ao longo do tempo. Nos séculos XVI e XVII, a população do atual estado de São Paulo foi formada pela forte miscigenação entre homens portugueses e mulheres indígenas, assim originando uma população e cultura mestiças. Nesse período, a mão de obra indígena escravizada desempenhava papel importante na economia paulista e muitos ameríndios foram capturados e trazidos para São Paulo pelos bandeirantes. No início do século XVIII, com o ciclo do ouro, iniciou-se uma transição da mão de obra indígena escravizada para a africana, concluída em meados ao fim daquele século com o ciclo do açúcar e que perduraria em parte do ciclo do café.
Religiões
Ainda segundo o mesmo censo, da população com idade igual ou superior a dez anos, 52,24% eram católicos apostólicos romanos, 27,33% evangélicos, 10,46% não tinham religião, 2,90% eram espíritas, 1,47% umbandistas e/ou candomblecistas e 0,03% adeptos de tradições indígenas. Outras denominações totalizavam 5,4% e 0,18% não declarou ou não sabiam sua religião. Dentre os municípios, Lagoinha, no Vale do Paraíba, é o mais católico (85,57% dos habitantes com dez anos ou mais), enquanto Torre de Pedra é o mais evangélico (59,43%). O maior percentual de pessoas sem religião era verificado em Balbinos (29,53%). A presença da Igreja Católica no território paulista remonta ao século XVI, durante a colonização portuguesa. Em 25 de janeiro de 1554, missionários da Companhia de Jesus estabeleceram o colégio religioso que deu origem ao povoamento de São Paulo de Piratininga, atual cidade de São Paulo.
Criminalidade
Historicamente, o estado de São Paulo já esteve entre os mais violentos do Brasil, especialmente durante a década de 1990. De acordo com o Mapa da Violência 2011, em 1998 o estado ocupava a 5ª posição nacional em taxas de homicídios, com 39,7 mortes por 100 mil habitantes. Entretanto, ao longo dos anos seguintes, apresentou uma redução significativa, passando para a 25ª posição em 2008, quando a taxa caiu para 14,9 homicídios por 100 mil, representando uma diminuição de 62,4% no período. Essa tendência de redução também pode ser observada nos indicadores mais recentes. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, São Paulo registrou, em 2025, uma taxa de 7,8 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, a segunda menor do país, depois de Santa Catarina. Os municípios com as maiores taxas de violência letal eram Rio Claro e Caraguatatuba, ambos com 17,6 mortes por 100 mil habitantes, seguido por Araçatuba (15,8 por 100 mil), Pindamonhangaba (15,6), Caçapava (15), Votuporanga (14,9), Itapecerica da Serra (12,3), Itapevi (12,3), Bauru (12,2) e Itaquaquecetuba (11,7).
De acordo com a constituição do estado de São Paulo, promulgada em 5 de outubro de 1989 e alterada por posteriores emendas constitucionais, são poderes do estado, independentes e harmônicos entre si, o executivo, o legislativo e o judiciário. São símbolos oficiais do estado a bandeira, o brasão e o hino. O poder executivo paulista é exercido pelo governador, que é eleito em sufrágio universal pelo voto direto e popular para um mandato de quatro anos, podendo ser reeleito para mais um mandato. Sua sede é o Palácio dos Bandeirantes, que abriga o governo paulista desde 19 de abril de 1964, quando substituiu o Palácio dos Campos Elíseos. O poder legislativo é unicameral, constituído pela assembleia legislativa, localizada no Palácio 9 de Julho e constituída por 94 deputados estaduais. No Congresso Nacional, São Paulo possui a maior representação dentre as unidades federativas do Brasil, com setenta deputados federais, além de três senadores.
Depois de Minas Gerais, São Paulo é o estado brasileiro com mais municípios, totalizando 645, a grande maioria deles criados por desmembramento, sendo os mais recentes criados pela lei estadual 9 330, de 27 de dezembro de 1995, e instalados oficialmente em 1997. Iguape, no litoral sul do estado, é o maior município paulista em extensão territorial, e Águas de São Pedro, enclave de São Pedro, o menor. Desde 1970, por sucessivas leis estaduais, foram criadas e alteradas regiões administrativas e regiões de governo, estabelecidas com o objetivo de centralizar as atividades das secretarias estaduais. Para fins estatísticos, os municípios são agrupados pelo IBGE em regiões geográficas imediatas. O território estadual é dividido em 53 regiões imediatas. As regiões imediatas, por sua vez, são agrupadas em onze regiões geográficas intermediárias.
A economia do estado de São Paulo é a maior entre as unidades federativas do Brasil, equivalente a 31,5% do PIB nacional em 2023, caracterizada pela diversificação das atividades produtivas nos setores agropecuário, industrial, comercial e de serviços. A formação dessa estrutura econômica está historicamente relacionada à expansão da cafeicultura, à implantação das ferrovias, à imigração e ao desenvolvimento industrial, especialmente a partir do final do século XIX. A produção cafeeira, inicialmente concentrada no Vale do Paraíba, expandiu-se para o interior, favorecida pelas melhorias na infraestrutura de transportes e pelo crescimento do mercado externo. Posteriormente, a imigração e a ampliação do mercado consumidor contribuíram para o desenvolvimento das primeiras indústrias, cuja expansão se intensificou após a crise econômica de 1929. Atualmente, São Paulo concentra o maior parque industrial do país, além de apresentar expressiva produção agropecuária e um setor terciário diversificado, que abrange comércio, transportes, tecnologia, serviços especializados e atividades financeiras. A cidade de São Paulo, capital estadual, constitui o principal centro econômico e financeiro do Brasil, reunindo sedes de grandes empresas, instituições bancárias e a B3, a segunda maior bolsa de valores do mundo, em valor de mercado.
Setores em destaque
O agronegócio do estado de São Paulo constitui um dos segmentos da economia paulista, com atuação voltada tanto ao abastecimento interno quanto ao mercado externo. O setor é marcado pela diversidade produtiva, abrangendo cadeias como açúcar, etanol, café, frutas, carnes, soja, sucos e citricultura, diversificação que contribui para a capacidade de adaptação do agro paulista diante de oscilações do mercado internacional. Em 2023, o agronegócio paulista alcançou 609,7 bilhões de reais, correspondendo a 18,9% do PIB estadual, 5,6% do PIB brasileiro e 23,6% de todo o PIB nacional do agronegócio. A distribuição dessas atividades apresenta diferenças regionais, associadas às condições naturais, à infraestrutura produtiva e à especialização econômica. Em 2021, os municípios de Itapeva, Itatiba, Pedregulho, Mogi das Cruzes e Holambra apresentavam os maiores valores adicionados brutos da agropecuária no estado, segundo dados do IBGE.
Turismo
O turismo no estado de São Paulo corresponde a quase 10% do PIB estadual e compreende diferentes modalidades, incluindo o turismo cultural, de negócios e eventos, religioso, rural, de natureza e de sol e praia. A atividade turística no estado de São Paulo apresenta distribuição regional diversificada, abrangendo a RMSP, o litoral e diferentes áreas do interior, onde o turismo se relaciona às características de cada região. A política estadual de turismo contempla a classificação de municípios como estâncias turísticas e municípios de interesse turístico, mediante critérios estabelecidos por lei. Na RMSP, o turismo concentra-se especialmente na capital, que se destaca pelas atividades de negócios e eventos, associadas à realização de feiras comerciais, congressos e encontros profissionais. A cidade de São Paulo também reúne atrativos culturais, históricos e de lazer, incluindo museus, centros culturais e espaços urbanos utilizados na promoção turística. A capital paulista também é destaque no turismo gastronômico, depois de ter recebido o título de "Capital Mundial da Gastronomia" e apontada, em 2023, como um dos dez principais destinos gastronômicos do planeta. Outros municípios da RMSP com reconhecimento turístico estadual são as estâncias turísticas de Embu das Artes, Ribeirão Pires e Salesópolis, além dos municípios de interesse turístico de Guararema, Juquitiba, Mairiporã, Mogi das Cruzes, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Santa Isabel e São Bernardo do Campo.
Saúde
A assistência à saúde no estado de São Paulo é realizada por uma rede de estabelecimentos públicos, filantrópicos e privados, que compreende unidades de atenção primária, serviços especializados, hospitais gerais e instituições de ensino e pesquisa. A constituição paulista estabelece, em seu artigo 219, que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Os poderes públicos estadual e municipais devem garantir o acesso universal e igualitário aos serviços de saúde, a assistência integral e a implementação de políticas sociais, econômicas e ambientais destinadas à promoção do bem-estar e à redução dos riscos de doenças. A Constituição também estabelece diretrizes para a organização do Sistema Único de Saúde (SUS) no território paulista, incluindo a descentralização administrativa, a municipalização dos serviços, a regionalização do atendimento e a gratuidade da assistência.
Educação e ciência
Contemplado por um expressivo número de renomadas instituições de ensino e centros de excelência, São Paulo é o maior polo de pesquisa e desenvolvimento do Brasil, sendo responsável sozinho por aproximadamente 40% da produção científica brasileira. A taxa de alfabetização indicada pelo censo demográfico do IBGE de 2022 foi de 98,1%, a 3.ª mais alta do país. Possui as mais altas classificações no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Em 2023, São Paulo possuía mais de 500 cientistas (mais de 40% dos pesquisadores brasileiros) entre os mais influentes do mundo, de acordo com a Elsevier e a Universidade de Stanford. O sistema estadual de ensino abrange diferentes níveis e modalidades educacionais. A constituição paulista estabelece que a educação deve se fundamentar nos princípios da liberdade e da solidariedade humana, visando ao desenvolvimento integral da pessoa, à formação para o exercício da cidadania e ao domínio dos conhecimentos científicos e tecnológicos. No âmbito da educação básica, os municípios são prioritariamente responsáveis pelo ensino fundamental e pela educação pré-escolar, enquanto o estado deve assegurar a manutenção e a expansão do ensino médio público e gratuito, bem como do ensino superior, integrado aos demais níveis de ensino, cuja organização deve considerar a ampliação da oferta de vagas e a preservação da qualidade acadêmica e da pesquisa.
Transportes
O estado de São Paulo concentra a mais moderna infraestrutura em larga escala do país, sendo a única equivalente aos países desenvolvidos e a única que, por consequência, é capaz de fornecer diversidade industrial. Seu sistema rodoviário é o maior dentre as unidades federativas do Brasil. Em novembro de 2021, o estado tinha, entre rodovias federais, municipais e estaduais, uma rede de 199 975 km (176 675 km municipais, 22 219 km estaduais e 1 075 km federais) com 34 753 km pavimentados, e destes, 6 346 km são rodovias de pista dupla (2 faixas ou mais de tráfego em cada sentido). Com 654 km, a Rodovia Raposo Tavares (SP-270) é a mais extensa rodovia do estado de São Paulo e liga a capital, onde tem início no Butantã, ao oeste paulista, estendendo-se até a divisa com Mato Grosso do Sul em Presidente Epitácio.
Eletricidade e saneamento
O fornecimento de energia elétrica em território paulista é feito por quatorze empresas, sendo a principal delas a Companhia Energética de São Paulo (CESP), a terceira maior do Brasil, responsável pela administração de três usinas hidrelétricas integradas ao Sistema Interligado Nacional (SNI): Jaguari, Paraibuna e Porto Primavera, sendo as duas últimas primeiras na região do Vale do Paraíba, dentro na bacia do rio Paraíba do Sul, e a última no rio Paraná, entre Rosana (SP) e Batayporã (MS). No curso do mesmo rio também ficam outras duas importantes hidrelétricas de São Paulo: Ilha Solteira (a maior do estado), entre os municípios de Ilha Solteira (SP) e Selvíria (MS), e Jupiá, entre Castilho (SP) e Três Lagoas (MS), ambas administradas pela GTC Brasil. Existem outras hidrelétricas menores, as principais ao longo dos rios Tietê, Grande e Paranapanema, todos afluentes do rio Paraná.
Mídia
No campo da televisão, o estado de São Paulo foi pioneiro com a criação da primeira emissora do país, a TV Tupi, pelo empresário paraibano Assis Chateaubriand, em setembro de 1950. Outras emissoras paulistas que ganharam projeção nacional foram o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), da Rede Bandeirantes (pertencente ao Grupo Bandeirantes), Rede Record, TV Gazeta, RedeTV! e a TV Globo São Paulo (antiga TV Paulista), todas situadas na região metropolitana de São Paulo. Dois dos mais influentes jornais do país, a Folha de S.Paulo e O Estado de S. Paulo, são paulistas e mantém suas sedes na capital. São Paulo também concentra um grande número de editoras que produzem algumas das principais publicações brasileiras, entre os quais a Editora Abril, que publica atualmente mais de cinquenta títulos com circulação de 188,5 milhões de exemplares, em um universo de quase 28 milhões de leitores e 4,1 milhões de assinaturas, sendo a maior do segmento na América Latina. Entre as principais publicações da editora está a Revista Veja, a revista com maior tiragem do país.
A cultura do estado de São Paulo reúne manifestações artísticas, tradições populares e práticas culturais associadas à formação histórica e social de sua população. Entre as influências que contribuíram para sua constituição encontram-se as tradições indígenas, portuguesas e africanas, além das práticas culturais introduzidas e transformadas por diferentes grupos de imigrantes. Essa diversidade manifesta-se em expressões culturais tradicionais, como a cultura caipira, e em diferentes formas de produção artística. O dia 9 de julho, desde 1997, é feriado estadual. A data marca o início da Revolução Constitucionalista de 1932, movimento armado liderado por forças paulistas contra governo de Getúlio Vargas. Os dois primeiros teatros paulistas eram casas de ópera que se localizavam na cidade de São Paulo e surgiram ainda no século XVIII. A primeira se localizava entre os largos de São Bento e do Rosário, mas deixou de existir em data incerta. A segunda, que funcionava ao lado do Pátio do Colégio, entrou em operação em 1765 e foi demolida por volta de 1870.
Artes plásticas e artesanato
As artes plásticas se desenvolveram a partir de diferentes tradições e movimentos artísticos, com destaque para a pintura regionalista, o modernismo, o concretismo e a arte contemporânea. No final do século XIX, destacou-se Almeida Júnior, cuja produção retratou aspectos do cotidiano rural e da relação entre os personagens e o ambiente em que viviam, especialmente em obras como Caipira picando fumo (1893), Cozinha caipira (1895) e Violeiro (1899). Outro representante da pintura paulista foi Benedito Calixto, nascido em Itanhaém, cuja produção incluiu paisagens e pinturas históricas, como Proclamação da República (1893) e Fundação de São Vicente (1900).
Arquitetura
A arquitetura paulista reúne manifestações de diferentes períodos históricos e correntes estilísticas, refletindo as transformações econômicas, sociais e culturais do estado. Do período colonial, destacam-se construções religiosas e residenciais e e edificações preservadas em núcleos históricos do litoral e do interior, incluindo edificações erguidas em taipa de pilão, técnica construtiva cuja utilização esteve associada aos conhecimentos e às práticas de trabalhadores de diferentes origens culturais, incluindo africanos escravizados. A expansão da economia cafeeira, especialmente a partir de meados do século XIX, promoveu transformações na paisagem arquitetônica paulista, com a construção de solares e palacetes destinados às elites rurais e urbanas. Essas edificações, frequentemente associadas ao ecletismo, destacaram-se tanto em cidades do interior quanto na capital.
Cinema
As primeiras experiências cinematográficas em São Paulo ocorreram no final do século XIX, com a chegada das exibições de filmes ao estado, documentadas na capital paulista em 1896. Nas primeiras décadas do século XX, a expansão das salas de cinema acompanhou o crescimento urbano da cidade de São Paulo, enquanto a produção cinematográfica também se desenvolvia em municípios do interior. Um dos principais marcos da indústria cinematográfica paulista foi a criação da Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo que, durante seu período de atividade, entre 1949 e 1954, produziu dezoito longas-metragens de ficção, como O Cangaceiro e Sinhá Moça, ambos de 1953.
Gastronomia
A gastronomia paulista apresenta influências de diferentes tradições culturais, destacando-se a culinária caipira e as contribuições dos imigrantes europeus, em especial italianos. A culinária caipira, desenvolvida durante o período colonial, formou-se a partir da combinação de técnicas e ingredientes portugueses e indígenas, sobretudo guaranis, caracterizando-se pelo uso de milho, feijão e carne suína. Essa tradição alimentar difundiu-se por outras regiões do território brasileiro, incluindo partes dos atuais estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. A imigração italiana, intensificada a partir das últimas décadas do século XIX, também contribuiu para a transformação dos hábitos alimentares paulistas, especialmente nas regiões produtoras de café. No interior do estado, os imigrantes incorporaram alimentos como arroz e feijão às suas refeições, enquanto a população local passou a ter maior contato com produtos e preparações da culinária italiana. A expansão de padarias e de estabelecimentos comerciais especializados favoreceu a circulação de novos ingredientes e práticas alimentares, contribuindo para a diversificação da gastronomia regional. No litoral, predomina-se a culinária caiçara.
Literatura
As origens da literatura escrita de tradição europeia no território paulista remontam ao século XVI, durante o período colonial, especialmente com a atuação dos missionários da Companhia de Jesus. Entre esses religiosos destacou-se José de Anchieta, que chegou ao Brasil em 1553 e participou da fundação do Colégio de São Paulo de Piratininga (1554), tendo produzido poesias, textos religiosos e peças teatrais utilizando diferentes idiomas, entre eles português, espanhol, latim e tupi. Sua produção literária esteve associada à evangelização e à educação dos povos indígenas, sendo considerado um dos pioneiros da literatura colonial brasileira. Durante o século XIX, a literatura paulista ganhou maior projeção com o desenvolvimento do romantismo e a consolidação de São Paulo como centro de formação intelectual, especialmente após a criação da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (1827). Nesse ambiente, destacou-se Álvares de Azevedo, um dos principais representantes do ultrarromantismo brasileiro. Na passagem para o século XX, a literatura paulista voltou-se também para a representação da vida rural e da cultura caipira, destacando-se Monteiro Lobato, que apresentou uma visão crítica desse universo em Urupês (1918), e Cornélio Pires, que se dedicou à valorização e à divulgação das tradições caipiras.
Música, dança e folclore
A música e a dança paulistas reúnem manifestações associadas às tradições caipira, caiçara e afro-brasileira, abrangendo expressões culturais da capital, do interior e do litoral. A música caipira, vinculada à cultura popular, ampliou sua circulação com as gravações fonográficas e a radiodifusão. Entre as manifestações tradicionais do interior estão os fandangos caipiras, incluindo o fandango de chilenas, cuja prática passou por transformações ao longo do tempo. No litoral sul de São Paulo, o fandango caiçara constitui uma expressão musical e coreográfica associada ao modo de vida das comunidades rurais litorâneas. Suas músicas e danças estão relacionadas ao trabalho coletivo, ao entretenimento e às festividades religiosas. A manifestação também envolve instrumentos como a viola e a rabeca, além da transmissão de práticas culturais entre gerações.


