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Ernest King

Ernest Joseph King foi um oficial naval estadunidense que atuou como o Comandante da Frota dos Estados Unidos e Chefe de Operações Navais durante a Segunda Guerra Mundial. Ele direcionou as operações, planejamento e administração da Marinha dos Estados Unidos e foi um dos membros do Estado-Maior Conjunto e Estado-Maior Combinado, sendo o segundo oficial naval mais graduado no conflito, depois do almirante William D. Leahy.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Infância e educação

Ernest Joseph King nasceu em 23 de novembro de 1878 em Lorain, no estado de Ohio, Estados Unidos. Era o segundo filho de James Clydesdale King, um imigrante escocês de Renfrewshire, e Elizabeth Keam, uma imigrante inglesa de Plymouth. Seu pai trabalhou como construtor de pontes e depois em uma oficina ferroviária ao se mudar para Lorain. King tinha um irmão mais velho que morreu criança, dois irmãos e duas irmãs mais novas: Maude (que morreu aos sete anos), Mildred, Norman e Percy. A família se mudou para Uhrichsville e seu pai assumiu um cargo nas oficinas da Pennsylvania Railroad, mas voltou para Lorain um ano depois. A família se mudou para Cleveland quando King tinha onze anos, com seu pai indo trabalhar como capataz na oficina da Valley Railway e King estudar na Escola Fowler. Ele saiu da escola e aceitou um emprego em uma empresa que fabricava máquinas tipográficas. A companhia fechou e King foi trabalhar com seu pai. A família retornou para Lorain após um ano e King foi estudar no Colégio de Lorain. Se formou como orador da turma em 1897, com seu discurso sendo intitulado "Usos da Adversidade". A escola era pequena e ele tinha apenas treze colegas de sala.

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Carreira em tempos de paz

Navios de superfície

Formandos que escolheram entrar no Corpo de Fuzileiros Navais foram imediatamente comissionados como segundos-tenentes, mas os restantes, incluindo King, precisaram servir dois anos no mar antes de serem comissionados como alferes. Ele fez um pequeno curso de projeto e operação de torpedos na Estação Naval de Torpedos em Newport, em Rhode Island. Se tornou o navegador do navio hidrográfico USS Eagle, que realizou pesquisas na Baía de Cienfuegos em Cuba. Um ferimento no olho fez com que fosse enviado para o Hospital Naval do Brooklyn, em Nova Iorque. Ao se recuperar foi designado para a tripulação do couraçado pré-dreadnought USS Illinois, que na época estava ancorado no Brooklyn, também em Nova Iorque. O Illinois era a capitânia do contra-almirante Arent S. Crowninshield, com King também conhecendo os membros do seu estado-maior. Estes lhe ofereceram um posto no cruzador protegido USS Cincinnati, que estava para partir rumo o Sudeste Asiático por meio do Canal de Suez.

Submarinos

King soube em 1921 que o contra-almirante Henry B. Wilson, oficial cuja postura sobre educação naval ele não gostava, iria se tornar o Superintendente da Academia Naval. King assim foi falar com o capitão William D. Leahy sobre adiantar seu retorno para o mar, mas não havia nada disponível. King acabou aceitando o comando do navio-depósito USS Bridge. Auxiliares como o Bridge desempenhavam funções importantes, mas seus comandos eram considerados tediosos e evitados por oficiais carreiristas ambiciosos. King novamente foi falar com Leahy um ano depois sobre outro comando, mas novamente não havia nada disponível. Leahy então perguntou se King estava interessado em submarinos, pois uma divisão de submarinos estava disponível. King aceitou. Ele realizou um rápido curso de treinamento na Escola de Submarinos em New London, em Connecticut, assumindo em seguida o comando da divisão. Ele hasteou seu galhardete de comodoro no USS S-20. Não havia insígnia de Guerra Submarina, mas King chegou a propor e desenhar o agora familiar insígnia de golfinho. Assumiu em 1923 o comando da Base Naval de Submarinos de New London.

Aviação

O contra-almirante William A. Moffett, Chefe do Escritório de Aeronáutica, perguntou a King em 1925 se não se interessaria pela aviação naval. Ele não pode aceitar pelo salvamento do S-51 e porque queria comandar um cruzador, porém não havia um disponível. King depois aceitou a oferta de Moffett, mesmo ainda esperando por um cruzador. Assumiu o comando do auxiliar de hidroaviões USS Wright, com deveres adicionais como ajudante sênior na equipe do Comandante dos Esquadrões Aéreos da Frota do Atlântico. O Congresso aprovou uma lei naquele mesmo ano que exigia que todos os comandantes de porta-aviões, auxiliares de hidroaviões e bases aéreas em terra deveriam ser qualificados como aviadores navais ou observadores. King assim foi para a Estação Aeronaval de Pensacola na Flórida em janeiro de 1927 para treinamento. Era o único capitão em sua turma de vinte, que incluía o comandante Richmond Turner. Se formou como Aviador Naval Nº 3368 em 26 de maio de 1927 e retomou o comando do Wright.

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Segunda Guerra Mundial

Conselho Geral

King esperava ser nomeado Chefe de Operações Navais ou Comandante da Frota dos Estados Unidos, mas foi revertido de volta para contra-almirante em 1º de julho de 1939 e designado para o Conselho Geral da Marinha, um posto morto em que oficiais graduados gastavam seu tempo antes da aposentadoria. Entretanto, eventos extraordinários mudariam o rumo de sua carreira. King fez uma viagem de seis semanas entre março e maio de 1940 pelas várias bases navais estadunidenses no Oceano Pacífico acompanhado de Charles Edison, o Secretário da marinha, do capitão Morton Deyo, ajudante naval de Edison, e de Arthur Walsh, um amigo de Edison. Ao voltarem para Washington, King recebeu de Edison uma tarefa especial: melhorar as defesas antiaéreas da frota. Experimentos em fevereiro de 1939 com drones controlados por rádio e fazendo voos sobre os navios demonstraram que eles eram difíceis de se abater. Aeronaves eram rápidas e carregavam bombas maiores, consequentemente sendo ameaças maiores para a frota, um medo que muito em breve seria confirmado em combate. King analisou os planos para cada tipo de navio e fez recomendações sobre os tipos de armas que deveriam ser instaladas, onde deveriam ficar localizadas e o que deveria ser removido para liberar espaço para elas. Ele preparou um pedido de trezentos milhões de dólares para colocar o programa em prática. Edison ficou tão impressionado que escreveu a Roosevelt recomendando que King fosse nomeado Comandante da Frota dos Estados Unidos.

Frota do Atlântico

O almirante Harold R. Stark, o Chefe do Operações Navais, percebeu que o talento de King para comandar estava sendo desperdiçado no Conselho Geral. Stark chamou King em setembro de 1940 para uma reunião junto com o contra-almirante Chester W. Nimitz, o Chefe do Escritório de Navegação, oferecendo à King o comando da Esquadra do Atlântico. Nimitz explicou que apesar de King ter sido um vice-almirante em seu último comando, ele seria apenas um contra-almirante neste novo. King disse que não se importava e aceitou. Porém, uma operação de hérnia adiou em um mês o comando, depois isto foi adiado em mais algumas semanas enquanto acompanhava Frank Knox, o novo Secretário da Marinha, em outra viagem de inspeção, desta vez pelas bases no Oceano Atlântico.

Frota dos Estados Unidos

Os Estados Unidos declararam guerra contra a Alemanha em 11 de dezembro. King foi nomeado Comandante da Frota dos Estados Unidos em 20 de dezembro. Dez dias depois fez da canhoneira USS Vixen sua capitânia, sendo sucedido no comando da Frota do Atlântico pelo almirante Royal E. Ingersoll. Nimitz se tornou no mesmo dia o Comandante da Frota do Pacífico. Stark estava relutante em perder Ingersoll como seu chefe de estado-maior, mas King insistiu que este era necessário como Comandante da Frota do Atlântico. Ele ofereceu como substitutos o contra-almirante Russell Willson, o Superintendente da Academia Naval, e o contra-almirante Frederick J. Horne, do Conselho Geral. Stark escolheu Horne e King ficou com Willson como seu próprio chefe do estado-maior. O contra-almirante Richard S. Edwards, que tinha atuado como Comandante de Submarinos da Frota do Atlântico sob King, se tornou seu vice-chefe do estado-maior. King escolheu como assistentes os contra-almirantes Richmond Turner e Willis Lee.

Batalha do Atlântico

Foi antecipado que submarinos alemães iriam atacar navios mercantes na Costa Leste dos Estados Unidos assim que a guerra contra a Alemanha fosse declarada, pois isto já tinha acontecido na Primeira Guerra Mundial. O vice-almirante alemão Karl Donitz, comandante dos submarinos alemães, ordenou em 12 de dezembro de 1941 um ataque de codinome Operação Batida de Tambor. King emitiu no dia seguinte um aviso para todos os comandos do Atlântico sobre um iminente ataque de submarinos. Isto não ocorreu imediatamente, pois os submarinos tinham sido retirados do Atlântico Ocidental e prioridade tinha sido dada para operações no Mar Mediterrâneo. Esta calmaria permitiu que campos minados defensivos fossem criados e redes antissubmarinas erguidas para proteger portos. Apenas os submarinos de grande autonomia do Tipo IX e alguns do Tipo VII podiam chegar no Atlântico Ocidental, então apenas seis a oito submarinos poderiam ficar na Costa Leste entre janeiro e junho de 1942.

Guerra na Europa

O Estado-Maior Conjunto, de acordo com a estratégia previamente concordada com os britânicos de "Europa primeiro", propuseram formar uma força de 48 divisões no Reino Unido para desembarque na França em 1943. Os planejadores do Exército dos Estados Unidos perceberam que os Aliados ocidentais não tinham os recursos necessários na época para desafiarem a Alemanha em terra e que assim a maior parte da luta teria de ser feita pela União Soviética. Desta forma, era crucial manter os soviéticos na guerra. Caso parecesse que a União Soviética iria cair diante dos alemães, desembarques de emergência teriam de ocorrer na França em 1942. O estado-maior britânico rejeitou os planos para os desembarques de 1942 e em vez disso propuseram uma invasão do Norte da África Francês. Os planejadores do exército, liderados pelo major-general Dwight D. Eisenhower, o Chefe da Divisão de Planos de Guerra, concluíram que o melhor jeito de auxiliar a União Soviética era uma ofensiva contra o Japão no Pacífico, o que impediria o Exército de Kwantung japonês na Manchúria de atacar a Sibéria. King concordou, pois não enxergava valor em deixar recursos inativos no Atlântico quando poderiam estar sendo usados no Pacífico; ele chegou a dizer que "era duvidoso quando, se é que algum dia, os britânicos iriam consentir com a operação através do Canal". Roosevelt discordou e ordenou que a a invasão do Norte da África fosse levada adiante.

Campanha do Pacífico

King assumiu o desenvolvimento de uma estratégia no Pacífico. Ele propôs uma operação nas Ilhas Salomão depois da derrota japonesa na Batalha de Midway em junho de 1942. Houve discussões sobre arranjos de comando e Marshall sugeriu mover a fronteira da Área do Sudoeste do Pacífico para que o sul das Ilhas Salomão fosse transferido para a Área do Sul do Pacífico. Os dois comandantes do Pacífico, o general Douglas MacArthur e o vice-almirante Robert L. Ghormley, expressaram dúvidas sobre a operação, mas King instruiu Nimitz a seguir adiante. Fuzileiros navais desembarcaram em Guadalcanal em 7 de agosto, mas a Marinha dos Estados Unidos e a Marinha Real Australiana sofreram uma grande derrota na Batalha da Ilha Savo na noite do dia 8 para o 9, perdendo quatro cruzadores. King tentou impedir que as notícias da derrota se tornassem públicas.

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Aposentadoria e morte

O Congresso aprovou uma lei em 14 de dezembro de 1944 que criava as patentes de cinco estrelas de almirante de frota e general de exército. Cada ramo de serviço podia ter até quatro oficiais com essas patentes. Leahy foi promovido a almirante de frota em 15 de dezembro, seguido por Marshall, King, MacArthur, Nimitz, Eisenhower e Arnold em dias sucessivos. King foi promovido em 17 de dezembro e se tornou a segunda pessoa na história da Marinha dos Estados Unidos a alcançar a patente de almirante de frota, sendo o terceiro oficial mais graduado das forças armadas estadunidenses atrás de Leahy e Marshall. O presidente Harry S. Truman emitiu a Ordem Executiva 9635 em 29 de setembro de 1945, revogando as ordens 8984 e 9096 e restaurando a primazia do Secretário da Marinha e do Chefe de Operações Navais. O cargo de Comandante da Frota dos Estados Unidos foi abolido em 10 de outubro. Era o desejo de King que fosse sucedido por Nimitz como Chefe de Operações Navais, mas Forrestal queria Edwards. King escreveu para Truman e este concordou com a nomeação de Nimitz, mas Forrestal fez valer sua autoridade ao limitar o mandato a apenas dois anos em vez de quatro e realizar a mudança mais cedo do que King queria.

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Condecorações

Estrangeiras

King também recebeu vários prêmios e condecorações estrangeiras, mostradas aqui em ordem de recebimento:

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Homenagens

O contratorpedeiro de mísseis guiados USS King da Classe Farragut, lançado ao mar em 1960, foi nomeado em sua homenagem. Duas escolhas públicas em sua cidade natal de Lorain foram nomeadas em sua homenagem: a Escola Elementar Almirante King e o Colégio Almirante King, este último existiu até 2010 quando foi fundido com outra escola pública da cidade para formar o novo Colégio de Lorain. Escolas sediadas em bases navais e estações aéreas dos Estados Unidos ao redor do mundo foram nomeadas em 1956 com os nomes de diversos heróis estadunidenses, com o Colégio E.J. King na Base Naval de Sasebo no Japão sendo nomeado para ele. O salão de jantar da Academia Naval dos Estados Unidos é chamado de Salão King, mesmo nome do auditório da Escola de Pós-Graduação Naval. Um dos alojamentos do Comando de Treinamento de Oficiais de Newport, em Rhode Island, também é chamado de Salão King. Uma cadeira acadêmica no Colégio de Guerra Naval foi nomeada Professor de História Marítima Ernest J. King em homenagem ao grande interesse pessoal e profissional de King por história marítima. King já foi interpretado no cinema por Tyler McVey em The Gallant Hours de 1960, Russell Johnson em MacArthur de 1977, John Dehner em War and Remembrance de 1988 e Mark Rolston em Midway de 2019.

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