Alauitas
Os alauitas são um grupo étnico-religioso do Médio Oriente, concentrado principalmente na Síria, onde representam cerca de 15% da população (aproximadamente 3 milhões de pessoas) e detêm grande influência política. Sua doutrina incorpora elementos gnósticos, como a crença de que as almas alauitas são guardiãs das 'luzes que se rebelaram contra Deus'. É importante não confundi-los com os Alevitas da Turquia nem com a dinastia alauita de Marrocos.
Pontos-chave
- Os alauitas são um grupo étnico-religioso com forte presença e influência política na Síria.
- Sua doutrina, antes secreta, inclui a crença em um único Deus (Alá) e Maomé como profeta, com elementos gnósticos.
- Historicamente, foram alvo de perseguições, o que os levou a adotar a prática da taqiyya (dissimulação religiosa).
- Durante o mandato francês na Síria, receberam autonomia, e hoje apoiam o regime Assad, temendo represálias da maioria sunita.
- Concentram-se na Síria e Turquia, com comunidades em Homs, Hamah e Damasco, e sua principal atividade econômica é a agricultura.
Imagem: José Luis Filpo · BY · Openverse
As doutrinas alauitas, mantidas em segredo por muito tempo, foram reveladas a ocidentais no século XIX. O cerne da sua fé é a crença em um único Deus, Alá, e Maomé como seu último profeta. Eles celebram o Haje, a Intenção de Sacrifício do Profeta Ismael e o Ramadã. Adotam o calendário islâmico da Hégira e o Juliano, celebrando o Natal (nascimento de Jesus) simbolicamente em 6 de janeiro. Seguem a Sharia (lei islâmica) e suas interdições alimentares, reconhecendo seis pilares do Islão, incluindo o jihad, além dos cinco pilares comuns a outras seitas muçulmanas.
As origens dos alauitas são incertas, mas acredita-se que surgiram na Península Arábica no século IX, influenciados pelos ensinamentos de Muhammad ibn Nusayr an-Namiri, fixando-se na Síria no século XII. Ao longo da história, sofreram perseguições por dinastias como os Aiúbidas, Cruzados, Mamelucos e Otomanos, que impuseram pesadas taxas e conversões forçadas ao Islão sunita. Para sobreviver, adotaram a taqiyya, uma prática xiita de dissimular suas crenças religiosas.
Alauitas na Síria do Século XX
No Império Otomano, a maioria dos alauitas era de camponeses subjugados a senhores sunitas, com poucos tolerados nas cidades. Após a Primeira Guerra Mundial, com o fim do Império Otomano e o mandato francês sobre a Síria e o Líbano, a França buscou fomentar o separatismo alauita para conter o movimento árabe sunita. Concedeu autonomia aos alauitas, criando uma região autônoma entre 1920 e 1936.
Alauitas e a Guerra Civil Síria
A ascensão de Hafez Assad (alauita) à presidência em 1971, sucedido por seu filho Bashar al-Assad, favoreceu os alauitas e outras minorias (cristãos, drusos) com posições importantes nas forças armadas e no Estado, em detrimento da maioria sunita. Durante a Guerra Civil Síria, o forte apoio da comunidade alauita ao regime Assad, motivado pelo temor de represálias e perseguição caso a maioria sunita assumisse o poder, tornou essa minoria uma das maiores vítimas da oposição.
Imagem: Jose Javier Martin Espartosa · BY-NC-SA · Openverse
Os alauitas estão concentrados em uma área que se estende da região de Lataquia, na Síria, até Antioquia, na Turquia. Também existem comunidades em cidades sírias como Homs e Hamah. Nas últimas décadas, houve uma migração de alauitas para a capital síria, Damasco. Durante a ocupação militar síria de partes do Líbano, muitos alauitas se estabeleceram na cidade libanesa de Trípoli. Em julho de 2013, estimava-se que os alauitas representavam cerca de 12% da população síria, então estimada em 22 milhões de pessoas. A agricultura é sua principal atividade econômica.


