Jacobina
Jacobina é um município brasileiro do interior e centro-norte do estado da Bahia.
A tradição oral afirma que o topônimo Jacobina vem do nome de dois indígenas paiaiás que acolhiam os desbravadores que por essa área passavam: um velho cacique chamado Jacó e sua companheira, uma sábia mulher chamada Bina. No entanto, essa tradição oral é hoje considerada um mito fundador da história jacobinense. O mais provável é que o topônimo Jacobina seja oriundo do tupi, podendo ter os seguintes significados: “jazida de cascalho limpo”, “campo aberto” e “jacuíba desfolhada”.
Ocupação indígena anterior à colonização portuguesa
A região conhecida como “Sertão das Jacobinas”, que engloba a Chapada Diamantina Central e o norte e extremo norte da Chapada Diamantina, incluindo o atual território jacobinense, era originalmente habitada por povos indígenas falantes de idiomas macro-jê, genericamente apelidados de “tapuias”, como os maracás, paiaiás, sapoiás e secaquerinhins. A região da atual Jacobina especificamente era habitada sobretudo pelos paiaiás.
Primeiras entradas, bandeiras e início do extrativismo do ouro
No século XVII, a chegada de exploradores em busca de pedras preciosas contribuiu para o início do povoamento do Sertão das Jacobinas, realizado por vaqueiros ligados aos grandes latifúndios da Casa da Torre e Casa da Ponte, e para o começo do apagamento da memória dos povos indígenas que ocupavam o território antes. Uma das primeiras entradas no Sertão das Jacobinas em busca de minérios preciosos e do aprisionamento de indígenas para a sua escravização foi a realizada pelo neto de Caramuru Belchior Dias Moreia, conhecido como Muribeca, cuja expedição percorreu o interior da Bahia e de Sergipe entre 1595 (ou 1596) e 1604. Esse explorador alegou ter encontrado minas de prata, informação que não se comprovou na prática. Em 1630, o sobrinho de Muribeca, Francisco Dias d'Ávila, que era ligado também por parentesco aos latifundiários da Casa da Torre, apareceu na região com o mesmo propósito do tio e encontrou minas de salitre no norte da Chapada Diamantina, as quais só começaram a ser efetivamente exploradas na década de 1670. A mão-de-obra utilizada nas salitreiras era a dos indígenas, muitos deles vindos dos aldeamentos.
A Vila de Santo Antônio de Jacobina
Graças ao desenvolvimento da região devido às minas de ouro, uma carta régia de 5 de agosto de 1720 criou a vila de Santo Antônio de Jacobina, sediada na Missão de Nossa Senhora das Neves do Sahy, aldeamento missionário fundado pelos franciscanos em 1697 no atual território municipal de Senhor do Bonfim, e instalada em 2 de junho de 1722, em uma cerimônia presidida por Pedro Barbosa Leal, representando o governador da capitania e o vice-rei. Pelo fato da Missão do Sahy estar longe das jazidas de ouro, a sede da vila foi transferida, em 15 de fevereiro de 1724, para a Missão do Bom Jesus da Glória de Jacobina. A exploração aurífera prosseguia fora do controle oficial e em escala tão crescente que a Coroa Portuguesa, para melhor garantir a arrecadação do seu dízimo, por Provisão do Conselho Ultramarino de 13 de maio de 1726, determinou que o Governador da Capitania da Bahia criasse duas casas de fundição, uma em Minas do Rio de Contas e outra em Jacobina, esta última instalada em 5 de janeiro de 1727. O resultado foi surpreendente e auspicioso, arrecadando-se, na mina de Jacobina, em apenas dois anos, cerca de 3.841 libras de ouro, não obstante a difícil fiscalização sobre atividade de tal natureza.
Jacobina durante o Brasil Independente
Em 21 de outubro de 1822, a Câmara Municipal da vila de Santo Antônio de Jacobina jurou lealdade ao imperador D. Pedro I pela proclamação da independência, antes mesmo da independência da Bahia, ocorrida em 2 de julho de 1823. Na década de 1840, a descoberta de diamantes em regiões mais ao sul da Chapada Diamantina, como Lençóis e Mucugê, levou muitos jacobinenses a migrarem para essas jazidas diamantíferas, enquanto as jazidas auríferas de Jacobina estavam em declínio há décadas. O declínio das atividades locais foi o motivo principal da demora da vila de Santo Antônio de Jacobina ser elevada à categoria de cidade, o que ocorreu somente em 28 de julho de 1880, pela Lei Provincial 2.049, valendo-lhe o título de "Agrícola Cidade de Santo Antônio de Jacobina" (mais tarde, apenas Jacobina). Sua instalação ocorreu em 11 de janeiro de 1893, após a Proclamação da República, quando o governador do estado era Joaquim Manoel Rodrigues Lima.
Jacobina no período republicano
Em sua história republicana, Jacobina perdeu território para a criação dos municípios de Saúde (1914 e 1933), Caém (1962), Serrolândia (1962), Várzea Nova (1985), Capim Grosso (1985), Ourolândia (1989) e São José do Jacuípe (1989).
O município situa-se entre serras e desfiladeiros, na zona fisiográfica do Noroeste Baiano, e é parte do Território de Identidade do Piemonte da Chapada Diamantina. Também está incluído no Polígono das secas. Tida como "a capital da Chapada Norte", Jacobina está localizada nas Coordenadas geográficas 11° 10’ de latitude Sul e 40° 30’ de longitude Oeste. O clima da cidade é segundo a Classificação climática de Köppen-Geiger do tipo Aw - quente, com duas estação definidas (o inverno e o verão). Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes aos períodos de 1961 a 1970, 1973 a 1980, 1986 a 1989 e a partir de 1993,[nota 1]a menor temperatura registrada em Jacobina foi de 9,6 °C em 21 de agosto de 1966, e a maior atingiu 38,9 °C em 19 de dezembro de 1994. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 142,4 milímetros (mm) em 6 de janeiro de 1994. Março de 1997, com 821,7 mm, foi o mês de maior precipitação.
O município possui uma população de 79.247 habitantes, segundo dados de 2010 do IBGE, e uma estimativa de 80.635 pessoas no ano de 2020.
Entre as principais instituições de ensino superior presentes em Jacobina estão a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) — campus IV, a Faculdade Ages, o Instituto Federal da Bahia (IFBA). As escolas públicas que ofertam o Ensino Médio na cidade são o Centro Educacional Deocleciano Barbosa de Castro, o Centro Territorial de Educação Profissional do Piemonte da Diamantina II (CETEP) e o Colégio Estadual de Jacobina (antigo Colégio Modelo). Entre as escolas públicas que oferecem o ensino fundamental II estão o Colégio Municipal Gilberto dias de Miranda (COMUJA), Escola Municipal Armando Xavier, Escola Municipal Núbia Mangabeira Guerra, Escola Municipal Professora Beatriz Guerreiro Moreira de Freitas e outras. O Colégio recebe alunos oriundos de diversas localidades do distrito de Cachoeira Grande e regiões adjacentes, entre as quais se destacam Rua das Flores, Várzea da Lage, Sapucaia, Palmeirinha, Queimada Velha, Muquen, Fazenda Cachoeirinha, Várzea do Mato, Lajedo Grande, Água Branca, Várzea do Rancho e a sede do próprio distrito. Dessa forma, a instituição atende a um público escolar diversificado, contribuindo para a inclusão educacional de comunidades urbanas e rurais.
A Quadrilha Junina Asa Branca Jacobina foi fundada sob a liderança da conselheira tutelar Cida Souza, em 2017, na cidade de Jacobina. O Grupo nasceu com o objetivo de afastar jovens e adolescentes do caminho do crime, oferecendo uma alternativa saudável baseada na arte, na disciplina e no espírito coletivo das festas juninas. A Asa Branca percorre uma trajetória marcada por superação, impacto social e crescimento artístico, se consolidando como um movimento cultural e transformador. Ao longo dos seus 9 anos de existência, a quadrilha tem sido um importante veículo do poder da cultura popular como instrumento de mudança. A Quadrilha Asa Branca tem conquistado admiradores por onde passa, seus espetáculos encantam o público, transmitindo valores importante e inspirando àqueles que tem a oportunidade de presenciar sua arte. Os participantes, unidos pela dança, abraçam a diversidade e promovem a inclusão social, construindo um espaço acolhedor para todos brilharem juntos, com um trabalho pautado na inclusão, responsabilidade e disciplina.
Patrimônio cultural
O município de Jacobina é rico em patrimônio cultural. Ele tem em seu território quatros bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), ou seja, são reconhecidos quatro Patrimônios Culturais da Bahia em seu território. Destes, dois são tombados pelo Estado, e dois são tombados pela União, sendo: a Capela de Bom Jesus da Glória, e a Igreja da Missão (ambos tombados pela União); e a Casa da Praça Castro Alves, n.° 61, e a Igreja Matriz de Santo Antônio (estes tombados pelo Estado).
Festa de Santo Antônio
Comemorada no dia 13 de junho a festa dedicada a Santo Antônio o padroeiro de Jacobina, inclui em sua celebração três dias de preparação espiritual, além de missas e uma procissão pelas ruas da cidade. A origem da devoção a Santo Antônio em Jacobina remonta ao período colonial, quando o arraial local foi elevado à categoria de Vila de Santo Antônio de Jacobina nomeação que refletia a influência religiosa da época e a presença significativa dos franciscanos na região. A festividade ocorre em etapas, a novena que tem como recolher doações para o evento, Véspera de Pentecostes onde é celebrada a missa e ocorre a queima de fogos, Saída da Bandeira pela cidade desde a igreja da Matriz ate a Missão, Cortejo Imperial procissão que ocorre no Domingo de pentecostes vindo da igreja da Missão para a Matriz, Sorteio do imperador e Alferes onde decide quem recebera os cargos no ano seguinte, e por fim a entrega da Coroa e Bandeira aos escolhidos simbolizando que serão guardiões da festa e devem mantê-la viva.
A Festa do Divino Espírito Santo (Pentecostes)
A origem: A Festa do Divino Espírito Santo teve origem em Portugal, no século XIV, durante um período difícil para o país, em meio às crises políticas e econômicas. A rainha portuguesa Isabel de Aragão, que era uma grande religiosa, abdicou do trono em favor do Divino Espírito Santo, como um gesto de fé. Ela colocou a coroa, o cetro e o estandarte real no altar da igreja, pedindo ajuda divina para o seu país. A partir dessa ação, a situação em Portugal começou a melhorar, e a rainha retomou o trono. Como forma de agradecimento, ela passou a repetir a cerimônia todos os anos. Essa tradição se espalhou e chegou ao Brasil com os portugueses e os padres missionários. Em Jacobina, acredita-se que a festa começou por volta de 1864.
A Marujada
A é uma das manifestações popular que pertence ao repertório cultural da cidade e existe há mais de 200 anos. É uma tradição de rua que é parte da história do lugar e remonta a tradições do período colonial, entrelaçando, assim o passado e o presente de Jacobina. A Marujada rende homenagem a São Benedito, a quem está relacionada toda sua simbologia de origem, pois era o santo negro de devoção dos escravizados, e traz em seus entrelaços resistência ao coronelismo, devoção religiosa e organização social. Criada a partir das famílias Caranguejo e Capim responsáveis por iniciar a Marujada, é formada por um grupo de homens, em sua maioria negros, posteriormente é que entrou a família Labatut. Quem fundou foi Benedito Caranguejo, acredita-se que o fundador Benedito Caranguejo foi escravizado ou descendente de escravizados.
Os Cão
Os Cão é um grupo folclórico da cidade que surgiu por volta da década de 1940 com o intuito de compor a Micareta jacobinense, além de ser considerado, também, um teatro. iniciado por Valdemar Pereira de Conceição, conhecido como “Fecha Beco”. com a intenção de protestar contra o fim do Carnaval e início da Quaresma, pois as festas eram proibidas pela igreja católica nesse período. Além dos Cão, a brincadeira também é constituída por outros personagens: São Miguel, na representação de um anjo, uma alma que acaba de chegar ao mundo dos mortos, e é cobiçada pelos Cão, uma mulher, dita como esposa do diabo-chefe, e o malandro Zé Pilintra.
Jogos e brincadeiras típicas em Jacobina
Os jogos e brincadeiras estão muito presentes na cultura local da cidade, com algumas sendo classificadas como brincadeiras da cultura popular de Jacobina como Atirar com badogue, modelar argila e pia. E Outras dessas recebem a classificação de brincadeiras da cultura contemporânea das crianças jacobinenses, entre elas estão: Pular corda, Amarelinha, Brincar de correr, Esconde-esconde (É-u) e Bate Caixão. Além das brincadeiras fazerem parte da cultura, já se reconhece a importância das brincadeiras no processo de desenvolvimento infantil. Um exemplo disso é a Amarelinha, que contribui para que a criança aprimore seu equilíbrio, percepção espacial, controle do impulso e força física. De maneira semelhante, a brincadeira de Esconde-Esconde estimula outras competências, como a orientação espacial, a contagem, a habilidade de se esconder, além de exigir controle da respiração etc.. Grande parte dessas ocorrem em grupo, o que também favorece o desenvolvimento da comunicação oral, o aprimoramento das interações sociais, o respeito ao tempo e ao espaço dos colegas e a capacidade de cooperação. Todas essas aprendizagens acontecem de maneira espontânea, sem que a criança se dê conta, já que o principal propósito da brincadeira, para ela, é simplesmente se divertir no ambiente em que está inserida.
A literatura em Jacobina destaca-se pela rica produção cultural no universo dos gêneros literários com destaque para a produção de contos, crônicas, romances, poesia e literatura de cordel. A produção literária reflete os aspectos históricos, trazendo não apenas a trajetória de autores e obras, mas também os projetos literários, eventos e espaços dedicados à leitura e escrita no município.
Joan Sodré
A trajetória de Joan Sodré demonstra o compromisso com a arte engajada, sensível às questões sociais e políticas do país. Sua atuação musical e militante o posiciona como uma voz relevante tanto no cenário cultural quanto na defesa da educação pública. Ao unir poesia, crítica e espiritualidade em suas composições, Sodré reafirma o papel transformador da música na vida das pessoas e na sociedade.
Cicero Matos
Conhecido artisticamente como CMatos, Cicero Matos Oliveira é um artista plástico brasileiro autodidata, considerado um dos nomes relevantes da produção artística contemporânea do interior da Bahia. Sua produção transita entre pintura, escultura, estamparia e desenho, com ênfase em temas ligados à cultura popular nordestina, à religiosidade e ao cotidiano do interior da Bahia. Ao longo de sua carreira, participou de diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior.
Jacobina tem como clube de futebol o Jacobina Esporte Clube. Criado oficialmente em 1º de dezembro de 1993, seu mascote/apelido é Jegue da Chapada. O estádio na cidade do clube é o José Rocha. O clube tem destaque no cenário estadual e atualmente luta pela conquista do seu primeiro título baiano.


