Alex Saab
Alex Nain Saab Morán é um empresário colombiano naturalizado venezuelano, que atuou como Ministro da Indústria e Produção Nacional da Venezuela de 18 de outubro de 2024 a 16 de janeiro de 2026.
Alex Saab é filho de um imigrante libanês, Luis, que se estabeleceu na cidade de Barranquilla e abriu diversos negócios, incluindo a Textiles Saab, alcançando sucesso na indústria têxtil da Colômbia. Alex Saab estudou no Colégio Alemão de Barranquilla, uma escola privada de elite. Saab iniciou sua carreira em Barranquilla aos 18 anos, vendendo chaveiros promocionais de empresas e, posteriormente, uniformes de trabalho. Aos 19 anos, abriu uma fábrica de camisetas. No início dos anos 2000, formou uma rede de organizações exportadoras com familiares listados como administradores. Saab juntou-se a um grupo de empresários colombianos que exportava mercadorias da Venezuela para a Colômbia utilizando o sistema cambial CADIVI. Segundo uma fonte da Univisión, durante esse período Saab acumulou dívidas milionárias após a suspensão de pagamentos de divisas pelo governo venezuelano, que por sua vez alegou que alguns empresários haviam fraudado milhões do sistema Cadivi, embora Saab não tenha sido acusado formalmente. Saab processou o jornalista Gerardo Reyes, da Univisión, nos EUA, após este noticiar tais questões.
Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP)
O programa Comitês Locais de Abastecimento e Produção (CLAP), estabelecido em 2016, importa alimentos para os pobres na Venezuela no contexto da escassez de alimentos no país. Saab havia vendido alimentos para a Venezuela por mais de US$ 200 milhões em um contrato assinado pelo presidente Nicolás Maduro por meio de uma empresa registrada em Hong Kong. Em 23 de agosto de 2017, a ex-procuradora venezuelana Luisa Ortega Díaz afirmou que Alex Saab era coproprietário da empresa mexicana que fornecia alimentos ao CLAP, a Group Grand Limited, junto com Álvaro Pulido e Rodolfo Reyes, que Ortega afirmou ser "presumivelmente o presidente Nicolás Maduro". Os alimentos teriam sido revendidos pela Group Grand Limited por 112% acima do preço original no México. Saab teria conhecido Pulido em 2012, quando se dedicava a fornecer produtos para a empresa de Saab, mas essa atividade teria cessado em 2014.[necessário esclarecer]
Investigação da DEA e os Arquivos FinCEN
Em 2016, a Reuters informou que a Administração de Repressão às Drogas (DEA) dos Estados Unidos investigava empresas de Saab e Álvaro Pulido sob suspeita de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico ilegal de cocaína da Colômbia. Os Arquivos FinCEN, publicados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos em 2020, revelaram que, a partir de 2016, bancos haviam relatado Saab ao departamento de crimes financeiros do Tesouro dos EUA (FinCEN) por transações suspeitas envolvendo o Global Bank of Commerce em Antígua.
Operação de prisão frustrada em 2018
O Ministério Público da Colômbia e a Diretoria de Investigação Criminal e Interpol (DIJIN) emitiram mandados de prisão em 24 de setembro de 2018 contra sete pessoas, incluindo Alex Saab, acusado de lavagem de ativos no valor de 25 bilhões de dólares entre 2004 e 2011, e planejaram realizar a operação no dia seguinte. No entanto, a operação foi frustrada depois que Eddie Andrés Pinto, um patrulheiro da DIJIN que atuava como analista de interceptação, alertou vários membros do grupo sobre suas prisões. Como resposta, Alex Saab fugiu para a Venezuela e seus irmãos, Luis Alberto e Amir, desligaram seus celulares e as autoridades perderam seu rastro. Após uma investigação, uma denúncia anônima e uma queixa de extorsão apresentada por uma pessoa de confiança de Saab, as autoridades colombianas identificaram Andrés Pinto como responsável; em 11 de outubro ele foi preso em Bogotá e acusado pelo Ministério Público de suborno e violação ilegal de comunicações ou correspondência de natureza oficial.[necessário esclarecer] Pinto anunciou sua intenção de colaborar com as autoridades. No momento, não se sabia se o grupo indiciado e Saab haviam contatado a DIJIN para vazar informações sobre a operação ou se eram alvo de extorsão, e o Ministério Público avaliava se Pinto recebeu benefícios em troca das informações fornecidas. Em 23 de setembro de 2018, um dos advogados de Saab apresentou uma denúncia ao Ministério Público por tentativa de extorsão de um funcionário público "que estava fornecendo informações confidenciais sobre processos investigativos contra a família Saab usando mensagens de WhatsApp e Telegram em troca de algum propósito econômico ou trabalhista.” Em 12 de outubro, Andrés Pinto aceitou as acusações de extorsão que lhe foram imputadas. Segundo a denúncia, nos áudios e capturas de WhatsApp apresentados, Pinto solicitava COP 500 milhões em troca de apagar todas as informações que existiam em nome de Saab, afirmando que "não havia nada que comprometesse Saab ou sua família", mas que eles "seriam capturados como medida de pressão".
Acusações criminais na Colômbia, EUA e Suíça
Em 8 de maio de 2019, a Procuradoria da Colômbia acusou Saab de crimes de lavagem de dinheiro, associação para delinquir, enriquecimento ilícito, exportações e importações fictícias e fraude agravada por eventos relacionados à sua empresa Shatex. Desde setembro de 2018, ele é considerado foragido na Colômbia por não comparecer a nenhuma audiência judicial mesmo com mandado de prisão em vigor. Saab foi considerado inocente das acusações na Colômbia em maio de 2024. Em 25 de julho de 2019, o Procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul da Flórida acusou Saab e Pulido de lavagem de dinheiro de até 350 milhões de dólares relacionada a um esquema de 2011–2015 para pagar subornos e aproveitar-se da taxa de câmbio oficial definida pelo governo da Venezuela.
Sanções
Em 25 de julho de 2019, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs sanções a 10 pessoas e 13 empresas (da Colômbia, Hong Kong (China), México, Panamá, Turquia, Emirados Árabes Unidos e Estados Unidos) ligadas ao "CLAP", que inclui os enteados de Nicolás Maduro e Saab. Segundo uma declaração do Secretário do Tesouro Steven Mnuchin, "A rede de corrupção que opera o programa CLAP permitiu que Maduro e seus familiares roubassem do povo venezuelano. Eles usam a comida como forma de controle social, para recompensar apoiadores políticos e punir opositores, enquanto embolsam centenas de milhões de dólares por meio de diversos esquemas fraudulentos."
Prisão
Em 12 de junho de 2020, a caminho da Venezuela para o Irã em um jato executivo, Alex Saab foi preso durante uma escala para reabastecimento em Cabo Verde. Saab foi detido em conformidade com uma Notificação vermelha da Interpol relacionada à sua acusação de lavagem de dinheiro nos Estados Unidos. O governo venezuelano declarou que a notificação vermelha havia sido emitida um dia após Saab ter sido detido. O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela afirmou que o governo havia contratado Saab para obter alimentos, remédios e outros bens humanitários para ajudar o país a combater a pandemia de COVID-19. Após sua prisão, a Venezuela afirmou que Saab era diplomata venezuelano em missão humanitária no Irã para organizar a troca de ouro venezuelano por gasolina iraniana, argumento rejeitado pelo Tribunal de Apelações de Barlavento, em Cabo Verde. Embora não exista tratado de extradição entre Cabo Verde e os EUA, especialistas jurídicos argumentaram que Cabo Verde faz parte de convenções das Nações Unidas que obrigam o país a cumprir uma notificação vermelha da Interpol, independentemente da data em que foi emitida.
Julgamento
Os promotores solicitaram que sete das oito acusações iniciais de julho de 2019 fossem retiradas para cumprir garantias dadas ao governo de Cabo Verde durante o pedido de extradição de Saab, já que havia sido prometido que ele seria acusado apenas de um crime, em conformidade com as leis cabo-verdianas sobre o tempo máximo de prisão. Após o pedido, em 1º de novembro de 2021, o juiz norte-americano Robert Scola rejeitou sete das oito acusações de lavagem de dinheiro contra Saab. De acordo com documentos judiciais publicados em 16 de fevereiro de 2022, Saab tornou-se informante da DEA em 2018, período no qual compartilhou informações com o sistema de justiça dos Estados Unidos sobre os subornos que ofereceu a funcionários venezuelanos, suas atividades ilícitas e contratos com o governo da Venezuela, planejando entregar-se. Segundo os documentos, Saab reuniu-se com autoridades norte-americanas entre agosto de 2016 e junho de 2019 e assinou um acordo de cooperação com a DEA em 2018. Os documentos também mencionam que, em outra reunião em junho de 2018, Saab admitiu pagar subornos relacionados a contratos de fornecimento de alimentos. Os documentos afirmam que, como parte do acordo de cooperação, Saab transferiu mais de 10 milhões de dólares obtidos nessas operações para a DEA e manteve várias reuniões com agentes e promotores na Colômbia e na Europa. Segundo os promotores, os Estados Unidos deixaram de considerá-lo colaborador depois de Saab não cumprir o prazo de 30 de maio de 2019 para se entregar e enfrentar acusações na Flórida.
Maduro nomeou Saab para o cargo de Ministro do Poder Popular para Indústria e Produção Nacional em 18 de outubro de 2024. Em 16 de janeiro de 2026, Saab foi demitido do cargo de ministro da Indústria pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, após ter sido acusado de atuar como testa de ferro do líder deposto Nicolás Maduro.


