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Russificação

Russificação é a adoção da língua russa ou alguns outros atributos da cultura russa, voluntariamente ou não, por comunidades não russas. No sentido restrito, russificação é usado para designar a influência da língua russa sobre as eslavas, bálticas e outras línguas faladas em áreas atualmente ou antigamente controladas pela Rússia, que levou ao surgimento do russianismo, trasianka e surjîk. Em um sentido histórico, o termo refere-se às duas políticas oficial e não oficial da Rússia Imperial e da União Soviética com relação aos seus constituintes nacionais e às minorias nacionais na Rússia, pretendido pela dominação russa.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 14/07/2026
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História

O exemplo mais antigo de russificação aconteceu no século XVI na conquista do Canato de Cazã e de outras áreas tártaras. Os elementos principais deste processo foram: a cristianização e a implementação da língua russa como a única língua oficial.

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Polônia e Lituânia

Um exemplo da Russificação no século XIX foi a substituição das línguas polonesa, bielorrussa e lituana pela russa nos ex-territórios da República das Duas Nações que tornaram-se parte do Império Russo depois das Partições da Polônia. Ela intensificou-se depois da revolta de 1831 e, em particular, depois da Revolta de Janeiro de 1863. Em 1864, as línguas polonesa e bielorrussa foram proibidas em locais públicos; na década de 1880, a língua polonesa foi banida das escolas e da administração da Polônia do Congresso, e o estudo e ensino da língua, história polonesa ou o catolicismo foram proibidos. Isto levou à criação de uma rede clandestina de educação polonesa, que incluía a famosa Universidade Móvel. Um desenvolvimento semelhante aconteceu na Lituânia. Seu Governador-geral, Mikhail Muravyov, proibiu o uso em público da Língua lituana e fechou as escolas lituanas e polonesas; professores de outras partes da Rússia, que não falavam essas línguas, foram transferidos para ensinarem os alunos. Muravyov também baniu o uso do alfabeto latino e do gótico nas publicações. Esta proibição, que só foi cancelada em 1904, foi desconsiderada pelos Knygnešiai, os contrabandistas de livros lituanos.

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Grão-Ducado da Finlândia

A Russificação da Finlândia (1899-1905, 1908-1917, sortokaudet (tempos de opressão) em finlandês) foi uma política governamental do Império Russo com o objetivo de eliminar a autonomia da Finlândia.

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Ucrânia

A russificação é uma política de longo prazo de todos os regimes russos. Surgiu durante a época do Império Russo, depois retomou a sua existência durante a época da União Soviética e fortaleceu-se durante o governo de Vladimir Putin no território ocupado pela Rússia. Isso se manifesta não apenas no deslocamento da língua nativa e sua substituição pelo russo, mas também na mudança de sobrenomes (terminações e acentos russos eram geralmente adicionados aos sobrenomes ucranianos em documentos), bem como na destruição de monumentos arquitetônicos

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Bielorrússia

A russificação é uma política de longa data dos regimes russos que se originou durante a época do Império Russo, depois retomada sob a União Soviética e continua sob o regime do presidente pró-Rússia Alexander Lukashenko. No geral, a Bielorrússia é o país mais afetado por esta política .

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Moldávia

O Império Russo e a União Soviética promoveram políticas voltadas para a redução tamanho e a autonomia cultural dos grupo(s) étnicos moldávios ou romenos da Bessarábia. A deportação de moldávios e romenos foi acompanhada pela imigração de populações eslavas, particularmente de russos e ucranianos. A língua mais utilizada para as comunicações interétnicas, nesse tempo, era a russa, que levou à russificação, especialmente entre a elite. A Língua moldava introduzida então pelas autoridades soviéticas na República Socialista Soviética da Moldávia, na verdade, era a Língua romena, mas escrita com a versão do alfabeto cirílico derivado do alfabeto cirílico russo. Os proponentes da ortografia cirílica argumentam que a Língua romena foi historicamente escrita com o alfabeto cirílico, embora em uma versão diferente dela.

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O Bloco Oriental

Em todos os países do Bloco Oriental as aulas de língua russa eram obrigatórias para a maioria dos estudantes.

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Sob o controle da União Soviética

Depois da Revolução Russa de 1917, as autoridades da URSS decidiram erradicar o uso do alfabeto árabe nas línguas turcomanas e persa sob controle soviético na Ásia Central, no Cáucaso e na região do Volga (incluindo o Tartaristão). Isto foi feito com a intenção de isolar as populações locais do contato com a língua e o sistema de escrita do Alcorão. O novo alfabeto para essas línguas era baseado no alfabeto latino e foi também inspirado no alfabeto turco. Porém, no final da década de 1930, a política mudou com o governo soviético restaurando algumas instituições do Império Russo. Em 1939-1940 os Soviets decidiram que um número dessas línguas (inclusive a tártara, a cazaque, a uzbeque, a turcomena, a tadjique, a quirguiz, a azeri e a basquir) usaria a partir daquele momento variações do alfabeto cirílico. Foi divulgado que a mudança era feita "por exigência do proletariado". Parece mais provável que a mudança foi parte da decisão que também levou à exigência, em 1938, de que todas as crianças em idade escolar tivessem a Língua russa como matéria escolar.

Do início da década de 1920 até o meio da década de 1930: Indigenização

Os primeiros anos da política de nacionalidades soviética, do início da década de 1920 até o meio da década de 1930, foram norteadas pela política de korenizatsiya ("indigenização"), durante os quais o novo regime soviético buscou reverter os efeitos em longo prazo da Russificação nas populações não russas. Como o regime estava tentando estabelecer seu poder e legitimidade ao longo do antigo Império russo, ele continuou a construir unidades administrativas regionais, recrutando os não russos para os cargos de liderança, e promovendo as línguas não russas na administração do governo, nos tribunais, escolas e nos meios de comunicação de massa. O discurso então estabelecido era que as culturas locais seriam "socialistas no conteúdo, mas nacionais na forma". Quer dizer, estas culturas deveriam ser essencialmente transformadas de acordo com o projeto socialista do Partido Comunista para a sociedade soviética como um todo, mas terem participação ativa e liderança pelas nacionalidades indígenas e operadas basicamente nas línguas locais.

Final da década de 1930 e tempo de guerra

A anterior política de nacionalidades compartilhou com a política posterior o objeto de assegurar o controle pelo Partido Comunista sobre todos os aspectos da vida política, econômica e social soviética. A política anteriormente promovida pela União Soviética, que um estudante descreveu como "particularismo étnico" e outro como "multinacionalidade institucionalizada", tinha um duplo objetivo. Por um lado, ela tinha sido um esforço de conter o chauvinismo russo ao assegurar um lugar para os de língua e cultura não russa na recém formada União Soviética. Por outro lado, ela era um meio de prevenir a formação de movimentos políticos baseados na etnicidade, incluindo o pan-Islamismo e o pan-Turquismo. Um modo de realizar isto foi promover o que alguns consideram como distinções artificiais entre grupos étnicos e línguas em lugar de promover a amalgamação desses grupos e um conjunto comum de línguas baseadas no turco ou em outra língua regional.

Do final da década de 1950 até a década de 1980: O avanço da Russianização

Uma análise dos livros-textos publicados encontrou que a educação foi oferecida pelo menos por um ano e para pelo menos a primeira classe (grau) em 67 idiomas entre 1934 e 1940. As reformas educacionais promovidas depois que Nikita Khruschov tornou-se o Primeiro Secretário do Partido Comunista, no final da década de 1950, iniciou um processo de substituição das escolas não russas pelas russas naquelas nacionalidades que tinham pouco destaque no sistema federativo ou cujas populações eram menores ou já exibiam um difundido bilinguismo. Nominalmente, este processo foi norteado pelo princípio da "escolha voluntária dos pais". Mas outros fatores também atuaram, incluindo o tamanho e a importância política do grupo na hierarquia do sistema federativo soviético e o nível existente de bilinguismo entre os pais. No início da década de 1970 as escolas que utilizavam as línguas não russas como o principal meio de instrução operavam em 45 línguas, enquanto que mais de sete línguas nativas eram ensinadas como matéria de estudo durante um ano escolar. Em 1980, a instrução foi oferecida em 35 línguas não russas dos povos da URSS, um pouco mais da metade do que era oferecido no início da década de 1930.

Russificação linguística e étnica

O progresso na expansão do idioma russo como uma segunda língua e o gradual deslocamento de outras línguas foi monitorado nos censos soviéticos. Os censos soviéticos de 1926, 1937, 1939, e 1959, incluíram perguntas sobre "língua nativa" (родной язык) assim como sobre "nacionalidade". Os censos de 1970, 1979, e 1989 adicionaram a essas perguntas uma sobre "outras línguas das pessoas da URSS" que um indivíduo poderia "responder livremente" (свободно владеть). O objetivo explícito das novas perguntas sobre a "segunda língua" era a de monitorar a expansão do russo como a língua de comunicação da internacionalidade. Cada uma das pátrias oficiais dentro da União Soviética foi considerada como a área eterna e única da titular nacionalidade e sua língua, enquanto que a língua russa foi considerada como a língua para comunicação interetnias para toda a União Soviética. Como tal, para a maioria da era soviética, especialmente depois da política de korenizatsiya (indigenização) encerrada na década de 1930, as escolas soviéticas nas quais as línguas não russas seriam ensinadas geralmente não estavam disponíveis fora das respectivas bases étnicas das unidades administrativas dessas etnias; o mesmo poderia se afirmar com relação às instituições culturais. Algumas exceções pareciam envolver casos de rivalidades históricas ou padrões de assimilação entre grupos vizinhos não russos, tais como entre Tártaros e Basquires na Rússia ou entre as principais nacionalidades da Ásia Central. Por exemplo, na década de 1970 a instrução foi oferecida em pelo menos seis línguas no Uzbequistão: russo, uzbeque, tadjique, cazaque, turcomena, e caracalpaca.

09

Tempo presente

Muitas pessoas alegam que as políticas de Russificação continuam em outros territórios ex-soviéticos, principalmente na Bielorrússia sob o governo de Alexander Lukashenko. Algumas ONGs internacionais argumentam que aquelas políticas de Russificação estão ocorrendo nas repúblicas dentro da Federação Russa como em Mari El, mas a administração de Putin tem negado essas acusações e alegado que as ONGs estão tentando desestabilizar as Repúblicas do Volga, assim como elas fizeram, segundo a opinião dos russos, na Chechênia no passado. As repúblicas da Carélia, Chechênia e Tartaristão na Rússia também tentaram mudar os seus alfabetos para o latino, mas o alfabeto latino foi oficialmente banido das línguas oficiais da Rússia. Esta posição foi oficialmente explicada: Os críticos consideram esses motivos como sobras da política de Russificação. O russo é a língua da educação superior, do comércio e dos negócios em todas as regiões da Rússia. No Cazaquistão, Bielorrússia e Quirguistão o russo tem sido declarado a língua oficial (no Cazaquistão sua posição oficial é "Língua da comunicação interétnica"). Na Ucrânia este tema foi um dos assuntos da eleição presidencial de 2004: Viktor Yanukovich sustentou fazer da língua russa a língua do Estado enquanto que Viktor Yushchenko se opunha a isto. O governo atual está pouco disposto a fazer do russo a língua estatal. Porém, apesar de políticas oficiais de governo, a língua russa é amplamente usada na televisão e a circulação de jornais de língua russa é alta em todo o país (nas regiões orientais e sul da Ucrânia, o russo é a língua dominante). A situação é semelhante no Cazaquistão. Na Ucrânia e com menor intensidade no Cazaquistão, foram feitas tentativas de fazer a língua titular a língua principal para os meios de comunicação e a imprensa (isto é chamado de desrussificação naqueles países), mas isto tem tido sucesso limitado. Na Bielorrússia, tais tentativas pararam em 1994, com a ascensão de Alexander Lukashenko; a maioria dos negócios administrativos, educacionais e legislativos na Bielorrússia é realizado na língua russa.

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