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Alexander Selkirk

Alexander Selkirk foi um marinheiro escocês que passou quatro anos como náufrago após ser abandonado em uma ilha deserta. Supõe-se que suas aventuras tenham inspirado Daniel Defoe a compor o clássico da literatura Robinson Crusoe.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 21/07/2026
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Biografia

Juventude

O sétimo filho de Elphan e John Selcraig, um curtidor e sapateiro de Lower Largo, Fife, Escócia, Selkirk nasceu em 1676, e na sua juventude demonstrou tendência a rompantes de rebeldia e violência. Intimado pela lei em 27 de agosto de 1695 por "comportamento indecente na igreja", ele não compareceu à audiência, tendo preferido partir para o mar. Permaneceu longe seis anos, fugindo das restrições e desaprovações de sua comunidade e aprendendo o ofício de marinheiro. Acabou voltando em 1701, "mais impulsivo e tempestuoso do que nunca", de acordo com alguns biógrafos. Tempos depois Andrew, irmão de Alexander, dá lhe um copo de água salgada, que o outro bebe incauto. Ao começar a rir da reação do irmão, Andrew é severamente espancado, o mesmo acontecendo a John, seu irmão mais velho, e também ao pai, que tentou intervir. Na confusão acaba sobrando também para a esposa de John, que é atingida por um golpe na cabeça.

Náufrago

Em outubro de 1704, após as embarcações se separarem devido a um desentendimento entre Stradling e Dampier, o Cinque Ports dirigiu-se à ilha Más a Tierra (atualmente conhecida como Ilha Robinson Crusoe) no arquipélago desabitado de Juan Fernández, ao largo da costa do Chile, para renovar suas provisões e o estoque de água. O local, alvo de uma tentativa mal-sucedida de colonização pelos espanhóis, encontrava-se então abandonado, servindo como ponto de parada frequente para marinheiros britânicos. Neste ponto, Selkirk tinha graves preocupações a respeito da capacidade de navegação da galé, cuja estrutura mostrou-se não se adaptar bem ao clima tropical. Contando com a passagem iminente do St. George, ele disse a Stradling que preferia ficar em Más a Tierra a afundar com o Cinque Ports, tentando convencer alguns dos seus colegas a desertar e permanecer na ilha. Ninguém concordou, mas o capitão declarou que lhe concederia aquele desejo, abandonando-o sozinho no local. Selkirk imediatamente se arrependeu da decisão, mas não havia como voltar atrás. Como fora abandonado e não expulso, pôde permanecer com seus pertences, e munido de seu mosquete, pólvora, ferramentas variadas (incluindo suas ferramentas náuticas), uma faca, uma Bíblia, livros de salmos, algumas peças de roupa e uma corda, ele passaria os quatro anos e quatro meses seguintes privado de qualquer companhia humana. Quanto ao Cinque Ports, acabou naufragando em alto-mar, vitimando a maioria de seus marujos.

Vida na ilha

Ouvindo sons estranhos vindo do interior da ilha, que ele temia serem bestas perigosas, Selkirk permaneceu à princípio na linha costeira. Durante este período ele comia frutos do mar e vasculhava o oceano diariamente por sinais de resgate, sofrendo nesse meio tempo de solidão, angústia e remorso. Hordas de ruidosos leões-marinhos, reunindo-se na praia para a temporada de acasalamento, finalmente o obrigaram a explorar o interior da ilha. Uma vez ali, sua vida deu uma guinada para melhor. Mais alimentos estavam disponíveis: cabras selvagens – introduzidas ao habitat pelos antigos colonos espanhóis – forneceram-lhe carne e leite, complementados por uma dieta de nabo, repolho e pimenta-preta. Apesar de ratos atacarem-no à noite, Selkirk foi capaz, ao domesticar e viver próximo a gatos selvagens, de dormir profundamente e em segurança.

Últimos anos

Muitos que estiveram com Selkirk após o resgate (como o capitão Rogers e o jornalista Steele), impressionaram-se com a paz de espírito e vigor corporal que o ex-náufrago adquirira enquanto na ilha. No começo de 1717, Selkirk retornou a Lower Largo, mas permaneceu apenas alguns meses. Conheceu ali Sophia Bruce, uma criada de dezesseis anos. Eles fugiram para Londres, mas aparentemente não se casaram pois, em março daquele ano, o marujo estava de volta ao trabalho. Mais tarde, em visita a Plymouth, ele casou-se com uma estalajadeira viúva. Um diário de bordo registra que Selkirk morreu às oito da noite de 13 de dezembro de 1721, enquanto servia como tenente a bordo do navio real Weymouth. Ele provavelmente foi vítima da febre amarela que devastou igualmente grande parte daquela tripulação. Foi sepultado no mar, próximo à costa ocidental de África.

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Legado

Um dos muitos leitores do livro do capitão Woodes Rogers foi o escritor Daniel Defoe, e a história das desventuras de Selkirk exerceu profunda influência na caracterização do personagem-título de sua obra-prima Robinson Crusoe. Uma das semelhanças mais evidentes é a vestimenta de pele de cabra de seu náufrago, e apesar de no contexto do livro parecer absurda e desnecessária (levando-se em conta que a ilha paradisíaca foi transposta por Defoe do Pacífico para o Atlântico, com seu clima temperado e muito mais quente), esta permanece como uma das características mais marcantes do personagem. Em 1863, em homenagem à passagem do escocês por Más a Tierra, a tripulação do HMS Topaze inaugurou uma placa de bronze em um local chamado de "Selkirk's Lookout" ("Observatório de Selkirk") em uma elevação da ilha. Na mesma época, a ilha mais ocidental do Arquipélago Juan Fernández foi rebatizada de Ilha Alejandro Selkirk, embora ele provavelmente jamais a tenha visitado.

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Fontes consultadas

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