Cuca (treinador de futebol)
Alexi Stival, mais conhecido como Cuca, é um treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como meio-campista. Comanda o Santos.
Apesar de ter nascido no Paraná, iniciou sua carreira no futebol gaúcho em 1984, no Santa Cruz-RS. Nos três anos seguintes passou pelo Juventude, até chegar ao Grêmio em 1987. De origem italiana, Cuca destacou-se como um jogador de gols decisivos, como o da final da Copa do Brasil de 1989, que deu o título ao Tricolor. Sua primeira passagem pelo Grêmio durou até 1990, quando deixou o clube rumo ao Valladolid. Sem sucesso no futebol espanhol, retornou ao Brasil em 1991, sendo contratado pelo Internacional. Em 1991, atuou num amistoso da Seleção Brasileira contra a Seleção Paraguaia. Nesse único jogo que disputou pela Seleção, Cuca não marcou gols e o Brasil empatou em 1–1. Após deixar o Grêmio pela segunda vez, em 1992, teve passagens menos marcantes por outros clubes, como Palmeiras, Santos, Portuguesa, Remo, Juventude e Chapecoense.
Foi neste contexto que, em 2006, Cuca iniciou seu trabalho no Botafogo, um trabalho de dois anos que o recolocou no patamar dos melhores treinadores do Brasil. Responsável pela montagem de um time que contava com Dodô, Zé Roberto, Lúcio Flávio e Jorge Henrique, Cuca resgatou o Glorioso para a disputa de títulos nacionais. Em 2007, o Botafogo era tido como o time de futebol mais vistoso no Brasil, e não foi à toa que aquela equipe liderou o Campeonato Brasileiro da 6ª até a 18ª rodada. No final, porém, o título acabou nas mãos do São Paulo, enquanto o Botafogo acabava a competição na nona posição. Paralelamente ao declínio no Brasileiro, o Botafogo viveu o drama da eliminação na Copa Sul-Americana, quando foi derrotado nas oitavas de final para o River Plate. Vencendo a partida por 2–1 e com o adversário com dois jogadores a menos, o Botafogo acabou permitindo a virada do time argentino, o que acabou desencadeando o pedido de demissão de Cuca.
Início
Dois anos depois de se aposentar dos gramados, formou-se em educação física e em ciências do esporte, para logo em seguida iniciar sua carreira de técnico à frente do Uberlândia. A notoriedade como treinador somente veio durante o Campeonato Brasileiro de 2003, quando Cuca aceitou o convite para treinar o Goiás, que havia terminado o 1.º turno na última posição. O técnico comandou o Esmeraldino em uma recuperação impressionante, terminando a competição na nona colocação, classificando-se assim para a Copa Sul-Americana do ano seguinte.
São Paulo
Após o excelente trabalho no Goiás, a grande chance de Cuca surgiu com o interesse do São Paulo em tê-lo como treinador para a temporada seguinte. Apresentado no dia 12 de janeiro de 2004, Cuca guiou o tricolor paulista até as semifinais da Copa Libertadores da América, feito que o time não alcançava desde 1994, quando terminou vice-campeão, mas foi eliminado pelo modesto Once Caldas, da Colômbia. Desgastado com a diretoria do São Paulo, o treinador deixou o clube em agosto. Contudo, foi responsável por solicitar a contratação de jogadores como Fabão, Grafite e Danilo, que levariam o Tricolor à conquista da Libertadores e do Mundial de Clubes do ano seguinte.
Grêmio
O treinador seguiu sua carreira no Grêmio, de setembro a dezembro de 2004, mas não obteve sucesso. O time acabou sendo rebaixado para a Série B do Campeonato Brasileiro.
Flamengo
Contratado pelo Flamengo em 2005, estreou pela equipe no dia 16 de fevereiro, num empate de 1–1 contra o River-PI, válido pela Copa do Brasil. Cuca não teve uma boa passagem pelo clube carioca e foi demitido dois meses depois, no dia 16 de abril.
Coritiba
Chegou ao Coritiba em 5 de maio de 2005, para a disputa do Campeonato Brasileiro. Após três derrotas consecutivas, foi demitido no dia 12 de outubro.
São Caetano
Foi anunciado pelo São Caetano no dia 9 de novembro de 2005. No entanto, sem conseguir repetir os bons trabalhos que o haviam credenciado como um bom treinador, teve uma passagem curtíssima pelo Azulão e foi demitido no dia 12 de dezembro.
A marca mais importante da carreira de Cuca são os times que montou, não os troféus que ergueu. Não à toa, o ex-futebolista e falecido treinador Mário Sérgio defendia a tese de que Cuca é o treinador brasileiro que melhor indica jogadores para serem contratados para suas equipes. Em 2007, no Botafogo, Cuca despontou de fato para o futebol brasileiro como um "técnico inventivo, de soluções criativas para a equipe". Aquela equipe do Glorioso destacava-se muito pela movimentação, a ponto de ser chamado de “Carrossel Alvinegro”, e pelas variações táticas, às vezes dentro de uma mesma partida. No Atlético Mineiro campeão da Copa Libertadores da América, time que ficou conhecido como "Galo Doido", Cuca apostava bastante nas bolas longas e era espaçado dentro de campo, aproveitando a qualidade de Jô como pivô, os cruzamentos dos laterais, e marcando bastante para dar liberdade para Ronaldinho Gaúcho criar. Isso causava uma certa instabilidade defensiva, que era compensada no volume de jogo extravagante quando as partidas eram disputadas no Estádio Independência.
"Cucabol"
Em 2016, o jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN Brasil, cunhou o termo "Cucabol" para definir o estilo de jogo do treinador, que vinha desde seus tempos de Atlético Mineiro. Segundo o jornalista, "quando sob pressão, precisando buscar o resultado, o Cucabol usa e abusa de cruzamentos na área adversária, inclusive com as mãos, em cobranças de lateral". O blogueiro e jornalista Ricardo Perrone, defende que "Cucabol, assim como o Muricybol foi no São Paulo, não é sinônimo de pobreza tática. Expressões assim remetem a times bem treinados, que executam fundamentos com perfeição na maior parte do tempo. São casos em que o suor derramado nos treinamentos faz a estratégia estabelecida dar certo."
O nome do técnico é Alexi Stival, mas o treinador recebeu o apelido por ter sido uma criança muito bagunceira na infância, vivida em Curitiba. "Cuca é porque quando eu fazia bagunça em Curitiba, minha mãe dizia que ia chamar o Cuca, que era o delegado da cidade. Devia ser muito ruim esse Cuca. E toda hora que ela falava que o Cuca ia aparecer, eu ficava quieto. Aí ficou" — informou o técnico.
Escândalo de Berna
Em julho de 1987, durante uma excursão à Suíça realizada pelo Grêmio, Cuca e outros jogadores da equipe como Henrique Arlindo Etges, Fernando Luís Castoldi e Eduardo Henrique Hamester, foram acusados do estupro coletivo da menor Sandra Pfäffli, de 13 anos, no apartamento 204 do Hotel Metrópole, em Berna. Por conta disso, esse caso ficou conhecido como "Escândalo de Berna". Após sair do hotel, a jovem foi à delegacia prestar queixas contra os jogadores. Conforme publicado pelo jornal Blick, de Zurique, a menina deu o seguinte relato aos policiais: Algumas horas depois de receber a queixa da jovem, a polícia foi até o hotel onde a delegação do Grêmio estava hospedada e levou os quatro jogadores para depor. Conforme a versão dos jogadores, ela parecia ter mais de 18 anos e entrara no quarto deles tirando a blusa para que lhe dessem uma camisa do Grêmio. Assim, na visão deles, o que aconteceu foi consensual e provocado por ela. Uma reportagem de 1989 do tradicional jornal suíço Der Bund, publicou que a perícia encontrou vestígios de esperma de Cuca e outro jogador no corpo da garota, fato confirmado anos mais tarde pelo advogado de defesa da menina.
Repercussão posterior
Devido ao caso, alguns torcedores do Atlético fizeram campanha na redes sociais em março de 2021 usando a hashtag #CucaNão, quando foi informado que o técnico estaria de volta ao time. Ainda em 2021, após a repercussão, Cuca se declarou publicamente como "inocente", ao que o jornalista esportivo Milton Leite declarou: "Se ele é tão inocente assim, por que demorou 34 anos para se defender? Ou não foi até a Suíça para se defender. Se é tão inocente, por que não dar uma entrevista onde possam te contrapor?" Em julho de 2022, a apresentadora Ana Thaís Matos comentou no SporTV que "a galera esquece muita coisa em relação ao Cuca, inclusive". Nas redes sociais, internautas apontaram uma indireta ao caso de estupro no qual Cuca foi acusado e o público esqueceu.


