Alfred Adloff
Alfred Hubert Adloff foi um dos mais importantes escultores e decoradores ativos na cidade brasileira de Porto Alegre na primeira metade do século XX, especializado na escultura de fachada, deixando um rico acervo de obras instaladas em edifícios monumentais hoje tombados. Também é importante sua contribuição para a arte fúnebre.
Nascido na Alemanha, filho de Alfred Adloff e Johana Riel, descendia de uma antiga família de Dusseldorf. Manifestou talento artístico desde cedo, mas o pai não aprovava esta vocação. Estudou modelagem por oito anos na Real Escola de Belas Artes de Dusseldorf. Apesar de receber diversos prêmios por seus trabalhos, não encontrou espaço no mercado independente e teve de se contentar com ser assistente em oficinas já estabelecidas. Trabalhou em Berlim, Bruxelas e na Itália, sempre ficando pouco tempo. Voltando à Alemanha, empregou-se em fábricas de cutelaria e baixelas em Griessen e Essen. Estava em Essen quando chegou às suas mãos uma oferta de emprego de João Vicente Friedrichs, estabelecido em Porto Alegre, no Brasil, onde sua firma fazia notável carreira na decoração de edifícios. Chegou ao Brasil em 1913, e para Friedrichs executou a maior parte de suas obras. Manteve por algum tempo uma empresa em sociedade com Giuseppe Gaudenzi.
Alfred Adloff era um artista versátil e dominava diversos estilos e técnicas. Suas figuras fachadistas muitas vezes ilustraram princípios positivistas de ordem, progresso, trabalho, sustentados pela elite econômica e política da época, que era quem estava encomendando grandes e suntuosos edifícios como expressão do seu projeto civilizador. As estátuas da antiga Delegacia Fiscal, por exemplo, são alegorias da Indústria, Arquitetura, Pecuária e Navegação, além de duas estátuas de Hermes, deus do Comércio, e Ceres, deusa da Agricultura. Essas figuras monumentais em geral são acadêmicas, têm proporções clássicas, rostos estereotipados, compostura digna e repousada, uma constituição possante e anatomia correta, embora simplificada. É incerto até que ponto ele tinha poder de decisão na escolha dos temas e no tratamento, várias vezes deve ter sido apenas o executante e não o idealizador. A grande escultura fachadista da época geralmente ilustrava um programa conceitual pré-estabelecido pelo contratante, que geralmente era o governo ou algum empresário ligado ao governo. O sistema de funcionamento da oficina de Friedrichs era coletivo, o contratante enviava um projeto e os artistas o executavam em grupo, mas sempre havia algum grau de liberdade criativa na execução, e havia um escultor principal para cada peça, que podia imprimir traços de seu estilo pessoal no resultado. Durante anos Aloff desempenhou a função de Primeiro Escultor na oficina. Em cartas enviadas para parentes na Alemanha, queixava-se da pesada carga de trabalho, dos cronogramas apertados e do pouco reconhecimento da sua obra.


