Alfredo da Silva
Alfredo da Silva GCMAI foi um industrial português.
Imagem: Vitor Oliveira from Torres Vedras, PORTUGAL · BY-SA · Openverse
A 31 de dezembro de 1932, foi agraciado com o grau de Grã-Cruz da Ordem Civil do Mérito Agrícola e Industrial - Classe Industrial - e a 28 de outubro de 1933 foi feito 47.º Sócio Honorário do Ginásio Clube Figueirense. A 26 de maio de 2025, foi agraciado, a título póstumo, com o grau de Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Infância e juventude
Filho do proprietário Caetano Isidoro da Silva, e de sua mulher, Emília Augusta Laymée Ferreira (bisneta dum francês), Alfredo da Silva nasceu no coração de Lisboa, natural da freguesia de São Nicolau. Na adolescência partiu para França, onde estudou até altura da morte de seu pai, ocorrida em 1885, forçando o seu regresso a Portugal. Enquanto jovem, Alfredo da Silva foi revelando um forte interesse pela química industrial, o que se refletiria, anos depois, nas suas opções empresariais. Entretanto, enquanto estudava botânica, física e tecnologia química, aprendeu diferentes idiomas: francês, que era nessa época a língua usual do comércio, e inglês, além de noções razoáveis de alemão. De resto, evidenciava também um grande interesse pela cultura alemã.
Carris e os Elétricos de Lisboa
Em 1892, a direção da Carris convidou o jovem acionista Alfredo da Silva a realizar uma visita de estudo a algumas cidades da Europa onde os melhores sistemas de tração mecânica estivessem a funcionar. O relatório que produziu terá sido o elemento decisivo para a adoção do sistema de tração elétrica com condutor aéreo por parte da Carris, os vulgos Elétricos de Lisboa. Ultrapassados diversos diferendos e objeções, fruto de opiniões que viam com maus olhos a participação de capitais estrangeiros no empreendimento, em breve começariam os trabalhos de assentamento das vias, que a Lisbon Electric Tramways, empresa de capitais britânicos a quem a Carris arrendara as linhas, adjudicara à Portuguese Construction Company. Por fim, na madrugada de 31 de agosto de 1901 o primeiro elétrico lisboeta percorria o trajeto Terreiro do Paço — Belém — Algés.
Companhia Aliança Fabril
Foi enquanto diretor do Lusitano que Alfredo da Silva comprou ao Banco de Portugal ações da Aliança Fabril de que o Banco Lusitano era credor. A relativamente pequena Aliança Fabril fabricava essencialmente velas, sabões duros e moles, óleo de purgueira, glicerina, oleína e outros produtos, enfrentando uma forte concorrência dos produtos estrangeiros similares, especialmente de origem inglesa. Alfredo da Silva vinha mantendo contactos com a direção da Companhia, no sentido de resolver um débito que ascendia a 38 contos. Ao seu estilo, Alfredo da Silva participou na reunião de acionistas que teve lugar em 7 de Abril de 1893, formulando críticas em relação à direção da companhia, num protesto a que se associaram Martinho Guimarães, do Conselho Fiscal, e Ernesto Driesel Schröeter, futuro ministro da Fazenda de João Franco, apontando para a necessidade de reformar os estatutos da Aliança Fabril.
Formação da "nova" CUF
O passo derradeiro para a ascensao de Alfredo da Silva no capitalismo português viria com a CUF. Inicialmente designada União Fabril, esta empresa fora estabelecida em 1865, no Largo das Fontainhas, em Alcântara, a uns escassos 200 metros da futura Fábrica Sol, da CAF. Com uma atividade semelhante a esta, a Uniao Fabrial produzia sabões e sabonetes, velas de estearina, óleos de palmiste, linhaça, purgueira, mendubim e rícino, adubos e coconote para engorda de animais. Era, pois, uma ameaca à viabilidade da CAF. Após a morte do seu fundador, Jose Leite Dias Sampaio, o visconde da Junqueira, em 1872, a CUF quase falira, tendo sido resgatada por uma injeção de capital feita pelo visconde da Gandarinha e por Henry de Burnay. No final do século XIX era um negócio viável, mas ainda de dimensão média.
Fracassos
Nem em tudo o empresário foi bem sucedido. Assim, existiram dois projetos que Alfredo da Silva nunca conseguiu realizar: o primeiro remonta ao ano de 1926, quando ele tentou avançar com a constituição da Companhia Portuguesa de Rádio Marconi, perdendo-a para terceiros (dois anos antes de Salazar se tornar Ministro das Finanças e 4 anos antes deste se tornar Presidente do Conselho). O outro caso é passado nos anos 1930 quando ele tenta em concurso que seja arrendada à CUF a concessão da Linha de Caminho de Ferro Sul-Sueste, pertença dos Caminhos de Ferro do Estado, não tendo também êxito.
Atentados e participação política
Alfredo da Silva foi vítima de dois atentados fracassados o que o conduziu a exilar-se para Espanha e França gerindo a CUF à distância. Alfredo da Silva foi eleito deputado em 1906 antes de apoiar Sidónio Pais e de conquistar um lugar na Câmara Corporativa logo em 1935. Com o auxílio da grande burguesia, opõe-se frontalmente à lei das 8 horas de trabalho. Apoiou o Estado Novo e manteve uma relação de cordialidade com Oliveira Salazar com evidentes vantagens para ambos, políticas para o ditador e empresariais para Alfredo da Silva. No ano de 1936 é adjudicada a concessão do "Estaleiro da Rocha Conde de Óbidos" pertença da A.G.P.L. à CUF: foi a revolução da construção naval em Portugal e o embrião da Lisnave.
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Em 1893 - pela mesma altura em que tomava conta da CAF - Alfredo da Silva apaixonou-se por uma jovem rapariga chamada Maria Cristina de Resende Dias de Oliveira, nascida em Lisboa, a 23 de dezembro de 1877, filha de Alfredo Dias de Oliveira, um funcionário da Fazenda colocado na Guiné-Bissau, e de Luísa Amélia Resende Dias de Oliveira, ambos naturais de Lisboa. Casaram na Igreja Paroquial de São Pedro de Alcântara, a 19 de abril de 1894. Foi seu padrinho de casamento o banqueiro João Baptista Dotti, um dos principais acionistas da CAF. O casal teve apenas uma filha, Amélia Dias de Oliveira da Silva. Esta viria a casar com o aristocrata Manuel de Mello (o seu avô paterno detinha os títulos de Conde de São Lourenço e de Marquês de Sabugosa e o pai o de Conde do Cartaxo, enquanto que a mãe provinha da família com ascendência francesa e judaica Lima Mayer). Alfredo da Silva faleceu na sua casa de Sintra, na Rua Consiglieri Pedroso, freguesia de São Martinho, a 22 de agosto de 1942, vítima de miocardite crónica. Foi inicialmente sepultado no Cemitério do Alto de São João, em Lisboa, tendo sido trasladado para o Cemitério do Barreiro em 1944, a pedido da sua viúva.
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Com a morte de Alfredo da Silva, o comando da CUF passou para os Mellos: o genro Manuel de Mello, seguido dos seus dois filhos rapazes, Jorge e Jose Manuel. Estes seriam, pois, os continuadores do chamado Grupo CUF. A sua implantação na economia nacional muito beneficiou da obra feita por Alfredo da Silva, mas o crescimento e consolidação foi constante, sob as lideranças de Manuel e dos filhos Jorge e José Manuel até ao 25 de Abril de 1974. Com o processo revolucionário, durante o qual Jorge de Mello chegou a ser preso, grande parte das empresas do universo CUF foram estatizadas, o que levou ao desmantelamento do grupo. Com a devolução das empresas nacionalizadas a economia privada, processo encetado a partir de finais dos anos 1980, Jorge e Jose Manuel de Mello regressaram a Portugal, adquirindo algumas das empresas que outrora se integravam no Grupo CUF, porem através de estruturas autônomas — Jorge de Mello adquire em separado a Tabaqueira, a Nutrinveste e a Sovena; Jose Manuel de Mello lança-se na criação do Banco Mello - anos depois integrado no Millennium BCP - e no Grupo José de Mello.
Homenagens e representações
No Barreiro, Alfredo da Silva tem uma estátua com dois metros de altura no Parque Catarina Eufémia. Em 2001, na série biográfica Alves dos Reis, um seu criado, um ator interpreta Alfredo da Silva. Nessa série é revelado que antes de Artur Alves dos Reis cometer a burla se terá cruzado com o industrial, devido ao seu sucesso nos caminhos de ferro em Angola.


